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Inflação 'vira' obstáculo a sindicatos


Luciele Velluto
Do Diário do Grande ABC

20/07/2008 | 07:06


A inflação em alta não pesa apenas uma vez no bolso dos empregados, com a redução do poder de compra dos salários. Os indicadores serão uma das principais ‘barreiras' aos ganhos salariais nas campanhas de 4,5 milhões de trabalhadores que entram em dissídio neste semestre no Estado de São Paulo, e podem pulverizar as pretensões de aumentos nos reajustes anuais. Os mais pessimistas acreditam que essa pressão inflacionária pode deflagrar a organização de movimentos grevistas por melhores salários.

Os dois índices utilizados para calcular os reajustes estão bem acima do apurado no ano passado. O ICV-Dieese (Índice de Custo de Vida do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) acumula 5,81% em 12 meses medido até junho deste ano. No mesmo mês de 2007, o percentual acumulado somava 4,5%. E o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), apresenta uma diferença ainda mais acentuada: de 7,28% acumulado até o último mês contra os 3,97% verificados no mesmo período do ano anterior.

Na comparação com os reajustes conquistados no ano passado pelas principais categorias, o índice do IBGE está quase igual ao aplicado ao salário dos metalúrgicos, de 7,44%. No entanto, 2,4% eram referentes a ganhos reais quando o percentual é deflacionado.

Os químicos não chegaram nem a isso, com 6,7% de aumento, do qual 1,82% era acima das perdas medidas até a data-base da categoria (no mês de novembro).

O coordenador de Relações Sindicais do Dieese, José Silvestre Prado de Oliveira, afirma que, desde o fim de 2007, há uma tendência de redução do ganho real conquistado pelas categorias por causa do avanço da inflação.

"No levantamento que fazemos semestralmente, o número de categorias que conseguiu 2% a 3% de aumento acima da inflação foi menor no ano passado em comparação a 2006. Isso porque a inflação é determinante para o reajuste e o ganho real", explica.

O especialista acredita que a alta dos preços tem potencial para atrapalhar as negociações deste semestre. "Se levar isso em consideração, a inflação pode influenciar a ampliação das mobilizações por salário", comenta Oliveira.

CENTRAIS
O presidente da CUT-SP (Central Única dos Trabalhadores do Estado de São Paulo), Edílson de Paula, é um dos que acreditam no crescimento do número de mobilizações neste semestre. "O trabalhador não vai abrir mão de ganho real. E nós não vamos aceitar a inflação como desculpa do setor patronal para não dar aumento além do índice de perdas."

Na última semana, a central promove um protesto em frente da Fiesp (Federação da Indústria do Estado de São Paulo), que resultou em um acordo entre as partes para a criação de um grupo de trabalho que irá debater soluções de combate à inflação.

O secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, rebate as argumentações de que os aumentos salariais são responsáveis pela inflação. "Não é justo penalizar o trabalhador, cortar salário por causa da inflação, como alguns setores empresariais têm sugerido."

Para o presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores), Ricardo Patah, o aumento dos preços será usado como a principal justificativa para o endurecimento do setor patronal na mesa de negociação e influenciar as mobilizações.

CATEGORIAS
Os metalúrgicos deram início às negociações salariais na sexta-feira com o setor de máquinas e eletroeletrônicos. O presidente da federação estadual da categoria, Valmir Marques, o Biro-Biro, conta que será reivindicado um reajuste maior nos pisos da categoria, por causa das perdas inflacionárias. "Não vamos deixar de pedir aumento real por causa da inflação."

A presidente do Sindicato dos Bancários do ABC, Maria Rita Serrano, vê a elevação dos índices que medem a inflação como um obstáculos na mesa de negociação. "Vai ser mais difícil conseguir aumento real, mas vamos elevar as mobilizações se for preciso", comentou.



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Inflação 'vira' obstáculo a sindicatos

Luciele Velluto
Do Diário do Grande ABC

20/07/2008 | 07:06


A inflação em alta não pesa apenas uma vez no bolso dos empregados, com a redução do poder de compra dos salários. Os indicadores serão uma das principais ‘barreiras' aos ganhos salariais nas campanhas de 4,5 milhões de trabalhadores que entram em dissídio neste semestre no Estado de São Paulo, e podem pulverizar as pretensões de aumentos nos reajustes anuais. Os mais pessimistas acreditam que essa pressão inflacionária pode deflagrar a organização de movimentos grevistas por melhores salários.

Os dois índices utilizados para calcular os reajustes estão bem acima do apurado no ano passado. O ICV-Dieese (Índice de Custo de Vida do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) acumula 5,81% em 12 meses medido até junho deste ano. No mesmo mês de 2007, o percentual acumulado somava 4,5%. E o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), apresenta uma diferença ainda mais acentuada: de 7,28% acumulado até o último mês contra os 3,97% verificados no mesmo período do ano anterior.

Na comparação com os reajustes conquistados no ano passado pelas principais categorias, o índice do IBGE está quase igual ao aplicado ao salário dos metalúrgicos, de 7,44%. No entanto, 2,4% eram referentes a ganhos reais quando o percentual é deflacionado.

Os químicos não chegaram nem a isso, com 6,7% de aumento, do qual 1,82% era acima das perdas medidas até a data-base da categoria (no mês de novembro).

O coordenador de Relações Sindicais do Dieese, José Silvestre Prado de Oliveira, afirma que, desde o fim de 2007, há uma tendência de redução do ganho real conquistado pelas categorias por causa do avanço da inflação.

"No levantamento que fazemos semestralmente, o número de categorias que conseguiu 2% a 3% de aumento acima da inflação foi menor no ano passado em comparação a 2006. Isso porque a inflação é determinante para o reajuste e o ganho real", explica.

O especialista acredita que a alta dos preços tem potencial para atrapalhar as negociações deste semestre. "Se levar isso em consideração, a inflação pode influenciar a ampliação das mobilizações por salário", comenta Oliveira.

CENTRAIS
O presidente da CUT-SP (Central Única dos Trabalhadores do Estado de São Paulo), Edílson de Paula, é um dos que acreditam no crescimento do número de mobilizações neste semestre. "O trabalhador não vai abrir mão de ganho real. E nós não vamos aceitar a inflação como desculpa do setor patronal para não dar aumento além do índice de perdas."

Na última semana, a central promove um protesto em frente da Fiesp (Federação da Indústria do Estado de São Paulo), que resultou em um acordo entre as partes para a criação de um grupo de trabalho que irá debater soluções de combate à inflação.

O secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, rebate as argumentações de que os aumentos salariais são responsáveis pela inflação. "Não é justo penalizar o trabalhador, cortar salário por causa da inflação, como alguns setores empresariais têm sugerido."

Para o presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores), Ricardo Patah, o aumento dos preços será usado como a principal justificativa para o endurecimento do setor patronal na mesa de negociação e influenciar as mobilizações.

CATEGORIAS
Os metalúrgicos deram início às negociações salariais na sexta-feira com o setor de máquinas e eletroeletrônicos. O presidente da federação estadual da categoria, Valmir Marques, o Biro-Biro, conta que será reivindicado um reajuste maior nos pisos da categoria, por causa das perdas inflacionárias. "Não vamos deixar de pedir aumento real por causa da inflação."

A presidente do Sindicato dos Bancários do ABC, Maria Rita Serrano, vê a elevação dos índices que medem a inflação como um obstáculos na mesa de negociação. "Vai ser mais difícil conseguir aumento real, mas vamos elevar as mobilizações se for preciso", comentou.

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