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Os negócios da China

O principal evento do Governo Dilma, até agora, está passando quase despercebido: sua viagem à China,


Carlos Brickmann

06/04/2011 | 00:00


O principal evento do Governo Dilma, até agora, está passando quase despercebido: sua viagem à China, neste sábado. Haverá ali uma negociação difícil e importantíssima com o presidente Hu Jin-tao: a presidente vai testar a disposição da China de ser parceira do Brasil, não apenas compradora de matérias-primas.

A China, hoje a maior parceira comercial do país, compra minérios (especialmente minério de ferro, da Vale) e produtos agrícolas não-processados. Compra minério, não ferro-gusa, nem aço; compra soja, mas não óleo de soja, nem torta de soja para alimentação animal. Os chineses querem produzir lá. E, em contrapartida, querem vender aqui, e nos mercados até agora abertos à nossa indústria, produtos prontos, a preços artificialmente rebaixados por sua moeda desvalorizada e seus salários reduzidos, deslocando os concorrentes nacionais.

Os produtos chineses não se limitam a brigar com os brasileiros no mercado mundial: ameaçam nossa indústria também no mercado doméstico. Carro chinês não é lá essas coisas, mas pelo preço pode conquistar boas fatias de mercado. O Brasil tem dificuldades para reagir: a tributação é alta, os encargos trabalhistas são imensos, há gargalos de energia, transportes e comunicações. Politicamente, o Brasil já deu à China o reconhecimento como "economia de mercado", o que dificulta o combate a eventuais deslealdades comerciais. Esperava em troca o apoio chinês à vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU. Nem isso conseguiu. Se Dilma conseguir concessões de verdade, vai merecer uma estátua.

A briga da Vale

Um dos motivos que levaram ao choque entre o Governo e Roger Agnelli, o executivo da Vale, foi o caso chinês: o Governo gostaria de privilegiar as exportações com valor agregado (por exemplo, aço em vez de minério) e Agnelli resiste. E por que resiste? Porque as siderúrgicas da China produzem mais da metade do aço do mundo. Se a Vale criar problemas para abastecê-las de minério, nada mais fácil do que comprar das concorrentes e deixar a Vale (e o Brasil) de lado.

Coisa de búlgaro

Grande destaque nos meios de comunicação à ida de Dilma ao Centro Cultural do Banco do Brasil, para assistir ao monólogo A Lua Vem da Ásia, baseado no livro de Campos de Carvalho e estrelado por Chico Diaz. Grande destaque na imprensa, também, aos elogios da presidente a Chico Diaz. Faltou contar dois detalhes: Campos de Carvalho, excelente escritor mineiro falecido em 1998, é autor do livro O Púcaro Búlgaro, em que se discute se a Bulgária, terra do pai de Dilma, existe ou não; e Chico Diaz é amigo da casa, marido de Silvia, filha de Chico Buarque, e sobrinha da ministra Ana de Hollanda, a irmã de Chico.

A Justiça congestionada

Um empresário gaúcho muito bem-posto na vida teve uma fugaz paixão por uma jovem com menos da metade de sua idade. Convidou-a para morar com ele e deu-lhe um carro importado. Mas, narra o advogado Marco Antônio Birnfeld, no portal jurídico Espaço Vital, o amor acabou em três meses. O empresário quis o carro de volta, a jovem não quis devolvê-lo - enfim, aquelas brigas tradicionais. O curioso, no entanto, é que o caso foi parar em Brasília, no Superior Tribunal de Justiça, apenas uma instância abaixo do Supremo Tribunal Federal. Se uma separação que envolve um carro chega ao STJ, como é que se espera desafogar a Justiça? A propósito, a Justiça determinou que a moça fique com o carro.

Cana mole 1

Uma ação de informação da Polícia apurou que as gangues que atacam negros, gays e nordestinos em São Paulo são formadas por cerca de 200 pessoas, grande número das quais já identificadas. Maravilhoso: é assim que se trabalha.

Mas, já que várias pessoas foram identificadas, já que as gangues são conhecidas, por que deixar esse pessoal solto? É gente perigosa, que ataca sem provocação, que fere e mata, que se vangloria de promover com violência aquilo que chamam de Poder Branco. Já não deveriam estar presos, aguardando julgamento? Quantas agressões, ferimentos, sofrimentos e mortes poderiam ser evitados?

Cana mole 2

Há doze anos, um estudante foi morto no trote da Faculdade de Medicina, em São Paulo. Ninguém até hoje foi punido pelo crime. Os trotes violentos continuam. E agora surge um novo tipo de agressão, que ou é reprimido imediatamente ou acaba virando moda: Ana Cláudia Laer, 20 anos, estudante de Enfermagem do Centro Universitário Barão de Mauá, em Ribeirão Preto, SP, foi espancada por outros estudantes por ser boa aluna - e isso quem diz são os próprios espancadores, orgulhosos de punir quem estuda. Como no caso do assassínio, como no caso de abusos diversos de veteranos contra calouros, vai ficar por isso mesmo?

Show partidário

O PSDB se reúne amanhã, em Brasília, para discutir reforma política. Alguns pontos preferidos: volta da cláusula de barreira, transparência maior das doações de campanha, mais rigor na fidelidade partidária. Para inglês ver: quem quiser doar em segredo continuará a fazê-lo, fidelidade partidária depende das circunstâncias. E a cláusula de barreira? Já passou várias vezes e caiu outras tantas.



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Os negócios da China

O principal evento do Governo Dilma, até agora, está passando quase despercebido: sua viagem à China,

Carlos Brickmann

06/04/2011 | 00:00


O principal evento do Governo Dilma, até agora, está passando quase despercebido: sua viagem à China, neste sábado. Haverá ali uma negociação difícil e importantíssima com o presidente Hu Jin-tao: a presidente vai testar a disposição da China de ser parceira do Brasil, não apenas compradora de matérias-primas.

A China, hoje a maior parceira comercial do país, compra minérios (especialmente minério de ferro, da Vale) e produtos agrícolas não-processados. Compra minério, não ferro-gusa, nem aço; compra soja, mas não óleo de soja, nem torta de soja para alimentação animal. Os chineses querem produzir lá. E, em contrapartida, querem vender aqui, e nos mercados até agora abertos à nossa indústria, produtos prontos, a preços artificialmente rebaixados por sua moeda desvalorizada e seus salários reduzidos, deslocando os concorrentes nacionais.

Os produtos chineses não se limitam a brigar com os brasileiros no mercado mundial: ameaçam nossa indústria também no mercado doméstico. Carro chinês não é lá essas coisas, mas pelo preço pode conquistar boas fatias de mercado. O Brasil tem dificuldades para reagir: a tributação é alta, os encargos trabalhistas são imensos, há gargalos de energia, transportes e comunicações. Politicamente, o Brasil já deu à China o reconhecimento como "economia de mercado", o que dificulta o combate a eventuais deslealdades comerciais. Esperava em troca o apoio chinês à vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU. Nem isso conseguiu. Se Dilma conseguir concessões de verdade, vai merecer uma estátua.

A briga da Vale

Um dos motivos que levaram ao choque entre o Governo e Roger Agnelli, o executivo da Vale, foi o caso chinês: o Governo gostaria de privilegiar as exportações com valor agregado (por exemplo, aço em vez de minério) e Agnelli resiste. E por que resiste? Porque as siderúrgicas da China produzem mais da metade do aço do mundo. Se a Vale criar problemas para abastecê-las de minério, nada mais fácil do que comprar das concorrentes e deixar a Vale (e o Brasil) de lado.

Coisa de búlgaro

Grande destaque nos meios de comunicação à ida de Dilma ao Centro Cultural do Banco do Brasil, para assistir ao monólogo A Lua Vem da Ásia, baseado no livro de Campos de Carvalho e estrelado por Chico Diaz. Grande destaque na imprensa, também, aos elogios da presidente a Chico Diaz. Faltou contar dois detalhes: Campos de Carvalho, excelente escritor mineiro falecido em 1998, é autor do livro O Púcaro Búlgaro, em que se discute se a Bulgária, terra do pai de Dilma, existe ou não; e Chico Diaz é amigo da casa, marido de Silvia, filha de Chico Buarque, e sobrinha da ministra Ana de Hollanda, a irmã de Chico.

A Justiça congestionada

Um empresário gaúcho muito bem-posto na vida teve uma fugaz paixão por uma jovem com menos da metade de sua idade. Convidou-a para morar com ele e deu-lhe um carro importado. Mas, narra o advogado Marco Antônio Birnfeld, no portal jurídico Espaço Vital, o amor acabou em três meses. O empresário quis o carro de volta, a jovem não quis devolvê-lo - enfim, aquelas brigas tradicionais. O curioso, no entanto, é que o caso foi parar em Brasília, no Superior Tribunal de Justiça, apenas uma instância abaixo do Supremo Tribunal Federal. Se uma separação que envolve um carro chega ao STJ, como é que se espera desafogar a Justiça? A propósito, a Justiça determinou que a moça fique com o carro.

Cana mole 1

Uma ação de informação da Polícia apurou que as gangues que atacam negros, gays e nordestinos em São Paulo são formadas por cerca de 200 pessoas, grande número das quais já identificadas. Maravilhoso: é assim que se trabalha.

Mas, já que várias pessoas foram identificadas, já que as gangues são conhecidas, por que deixar esse pessoal solto? É gente perigosa, que ataca sem provocação, que fere e mata, que se vangloria de promover com violência aquilo que chamam de Poder Branco. Já não deveriam estar presos, aguardando julgamento? Quantas agressões, ferimentos, sofrimentos e mortes poderiam ser evitados?

Cana mole 2

Há doze anos, um estudante foi morto no trote da Faculdade de Medicina, em São Paulo. Ninguém até hoje foi punido pelo crime. Os trotes violentos continuam. E agora surge um novo tipo de agressão, que ou é reprimido imediatamente ou acaba virando moda: Ana Cláudia Laer, 20 anos, estudante de Enfermagem do Centro Universitário Barão de Mauá, em Ribeirão Preto, SP, foi espancada por outros estudantes por ser boa aluna - e isso quem diz são os próprios espancadores, orgulhosos de punir quem estuda. Como no caso do assassínio, como no caso de abusos diversos de veteranos contra calouros, vai ficar por isso mesmo?

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O PSDB se reúne amanhã, em Brasília, para discutir reforma política. Alguns pontos preferidos: volta da cláusula de barreira, transparência maior das doações de campanha, mais rigor na fidelidade partidária. Para inglês ver: quem quiser doar em segredo continuará a fazê-lo, fidelidade partidária depende das circunstâncias. E a cláusula de barreira? Já passou várias vezes e caiu outras tantas.

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