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O ‘patinho feio’ da novela das seis


Gabriela Germano
Da TV Press

25/11/2006 | 19:38


Fernanda Souza, 22 anos, já gostava de aparecer desde criança. Com 5 anos, convenceu o pai de que gostaria de estrelar campanhas publicitárias na TV. Desde então, seu rostinho nunca mais ficou distante do público. O primeiro sucesso veio aos 13 anos, na novela Chiquititas, transmitida pelo SBT e que a fez mudar para a Argentina. Depois, foi convidada a trabalhar na Globo, onde estreou em Andando nas Nuvens, de 1999. Mas foi como a Mirna, de Alma Gêmea, que viu seu trabalho repercutir como nunca. “Depois da Mirna sou outra pessoa. Sou completamente fã dela”, confessa. Mas com a estréia de O Profeta seu papel preferido pode passar a ser Carola, a menina gordinha e complexada, que obrigou Fernanda a deixar a vaidade de lado e engordar sete quilos. E ela garante que a experiência está sendo ótima.

PERGUNTA – O Profeta é uma novela supervisionada por Walcyr Carrasco. Seu trabalho anterior na TV foi Alma Gêmea, novela de autoria dele. Já se pode dizer que a parceria entre vocês deu certo?

FERNANDA SOUZA – Não sabia que ia fazer essa novela. Na verdade, eu estaria em uma trama do Walter Negrão, que deveria ter estreado antes de O Profeta. Quando o Walcyr foi chamado para fazer a supervisão, estávamos reunidos fazendo a leitura de um texto dele (Walcyr), para uma peça que vamos estrear em janeiro. O mais interessante é que o primeiro trabalho que fiz atuando na TV foi em um episódio do seriado Retrato de Mulher, também escrito pelo Walcyr. Isso quer dizer que comecei com ele, mas nem sabia. Acho que nossa parceria é bem-sucedida. Tanto que, quando me chamaram para falar sobre a Carola, topei porque me apaixonei na hora por ela.

PERGUNTA – O que mais agradou você nessa personagem?

FERNANDA – Tudo nela me agradou. A Carola é uma personagem complicada. São muitos sentimentos dentro dela, inúmeros problemas que ela enfrenta. E são problemas reais. O preconceito que ela sofre por ser gordinha e feia é grande. Ela é injustiçada, não é querida pela família e perdeu o pai, a única pessoa que a aceitava do jeito que ela é. É uma personagem que não deixa de ser atual, pois apesar da história se passar na década de 50, você encontra hoje na rua inúmeras meninas com o mesmo tipo de problema.

PERGUNTA – Você se deparou com muitas Carolas por aí, na hora de compor a personagem?

FERNANDA – Há Carolas espalhadas por todos os lados. Fiquei de olho nos blogs das meninas que compartilham as dificuldades de emagrecer, o sofrimento, o preconceito que enfrentam, o olhar torto das pessoas. Eu precisava entender esse universo. E é triste perceber como há pessoas insensíveis a ponto de ridicularizar os outros sem o mínimo peso na consciência. Se a adolescente é gordinha, os amigos não perdoam.

PERGUNTA – Mas a Carola não costuma aceitar calada as provocações que sofre...

FERNANDA – Claro que não. Ela enfrenta: “Tá me chamando de gorda por quê?!”. E eu queria que as meninas por aí tivessem o mesmo tipo de atitude. Às vezes, quando se tranca no quarto, a Carola chora, desaba. Mas nas ruas ela é forte, enfrenta as situações. Talvez ela sirva de exemplo e as garotas que são mais passivas também comecem a se impor mais. E parem de aceitar que os outros brinquem com algo que é um problema.

PERGUNTA – Você buscou informações para entender como algumas pessoas conseguem enfrentar esse tipo de problema?

 

FERNANDA – Fui a uma psicóloga para tentar entender essa questão da vontade compulsiva por comer. Você tenta uma dieta, quebra essa dieta, sente-se culpada, e aí come mais por causa da culpa. É um círculo vicioso. Geralmente, quando essas pessoas ficam 15 ou 20 quilos acima do peso é porque elas têm um problema sentimental muito maior do que a simples gula. O problema da Carola, por exemplo, é a falta do pai. É um buraco muito grande no coração dela. O problema não é físico, é psicológico. Ela pode comer o mundo que não se sentirá saciada.

PERGUNTA – Foi um problema ter de engordar sete quilos para fazer o papel?

FERNANDA – Gostei tanto da personagem que isso foi o que menos importou para mim. Estava pesando 47 kg quando eles me chamaram para a novela. Nunca estive tão magra em toda a minha vida. E não dava para fazer uma gordinha com um rosto magro. Não ia funcionar. Também mudei o corte de cabelo para que o rosto parecesse ainda mais cheinho. Foram muitas entregas. Mas adorei a oportunidade de realizá-las, sendo uma atriz ainda tão nova. É um grande exercício para mim. Já como mulher, é um grande desprendimento da vaidade. Afinal, que mulher quer ficar sete quilos acima do peso?

PERGUNTA – E qual é o limite de sua vaidade?

FERNANDA – Não digo que deixaria de fazer alguma mudança específica. Mas ia me doer muito se um dia eu tivesse que raspar os cabelos. É preciso ter um rosto fenomenal para fazer isso. Tanto é que com a Carolina Dieckmann funcionou sem problemas. No meu caso, eu ficaria com o coração partido.

PERGUNTA – Você representa o “patinho feio” da novela e usa, inclusive, um enchimento para exagerar nos quilinhos a mais. Tem algum receio de que a personagem fique caricatural?

FERNANDA – Acho que esse risco era muito maior com a Mirna, que fiz em Alma Gêmea, porque ela fazia parte de um núcleo que estava sempre três tons acima do restante da novela. Tudo na Mirna era muito fantasioso. Ou você conhece alguém que jogue as pessoas no chiqueiro como ela fazia? Mas a realidade da Carola você olha para o lado e encontra. Ela é mais real e mais densa.

PERGUNTA – Na primeira versão de O Profeta, o protagonista terminou com a Carola. A sua torcida é para que esse resultado se repita agora?

FERNANDA – Acho que isso vai depender do entrosamento entre os atores. Se o público acreditar muito no amor entre a Sônia e o Marcos - personagens de Paola Oliveira e Thiago Fragoso - pode ser que eles terminem juntos. Se minha relação com Arnaldo - de Rodrigo Phavanello - também agradar e as pessoas acharem que nos merecemos, isso pode acontecer. Adoraria que o Marcos terminasse com a Carola porque a história do mocinho ficar com o patinho feio é genial. Mas ele teria de ficar com ela do jeito que ela é. Pois se as meninas por aí pensarem que vão ter que emagrecer para conquistar o menino mais bonito do colégio, vão pirar. A Carola tem de se arrumar e ficar mais bonitinha. Mas não deve ficar magra e maravilhosa como a Sônia. E pelo que já senti das pessoas nas ruas, todos vão torcer muito pela Carola.



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O ‘patinho feio’ da novela das seis

Gabriela Germano
Da TV Press

25/11/2006 | 19:38


Fernanda Souza, 22 anos, já gostava de aparecer desde criança. Com 5 anos, convenceu o pai de que gostaria de estrelar campanhas publicitárias na TV. Desde então, seu rostinho nunca mais ficou distante do público. O primeiro sucesso veio aos 13 anos, na novela Chiquititas, transmitida pelo SBT e que a fez mudar para a Argentina. Depois, foi convidada a trabalhar na Globo, onde estreou em Andando nas Nuvens, de 1999. Mas foi como a Mirna, de Alma Gêmea, que viu seu trabalho repercutir como nunca. “Depois da Mirna sou outra pessoa. Sou completamente fã dela”, confessa. Mas com a estréia de O Profeta seu papel preferido pode passar a ser Carola, a menina gordinha e complexada, que obrigou Fernanda a deixar a vaidade de lado e engordar sete quilos. E ela garante que a experiência está sendo ótima.

PERGUNTA – O Profeta é uma novela supervisionada por Walcyr Carrasco. Seu trabalho anterior na TV foi Alma Gêmea, novela de autoria dele. Já se pode dizer que a parceria entre vocês deu certo?

FERNANDA SOUZA – Não sabia que ia fazer essa novela. Na verdade, eu estaria em uma trama do Walter Negrão, que deveria ter estreado antes de O Profeta. Quando o Walcyr foi chamado para fazer a supervisão, estávamos reunidos fazendo a leitura de um texto dele (Walcyr), para uma peça que vamos estrear em janeiro. O mais interessante é que o primeiro trabalho que fiz atuando na TV foi em um episódio do seriado Retrato de Mulher, também escrito pelo Walcyr. Isso quer dizer que comecei com ele, mas nem sabia. Acho que nossa parceria é bem-sucedida. Tanto que, quando me chamaram para falar sobre a Carola, topei porque me apaixonei na hora por ela.

PERGUNTA – O que mais agradou você nessa personagem?

FERNANDA – Tudo nela me agradou. A Carola é uma personagem complicada. São muitos sentimentos dentro dela, inúmeros problemas que ela enfrenta. E são problemas reais. O preconceito que ela sofre por ser gordinha e feia é grande. Ela é injustiçada, não é querida pela família e perdeu o pai, a única pessoa que a aceitava do jeito que ela é. É uma personagem que não deixa de ser atual, pois apesar da história se passar na década de 50, você encontra hoje na rua inúmeras meninas com o mesmo tipo de problema.

PERGUNTA – Você se deparou com muitas Carolas por aí, na hora de compor a personagem?

FERNANDA – Há Carolas espalhadas por todos os lados. Fiquei de olho nos blogs das meninas que compartilham as dificuldades de emagrecer, o sofrimento, o preconceito que enfrentam, o olhar torto das pessoas. Eu precisava entender esse universo. E é triste perceber como há pessoas insensíveis a ponto de ridicularizar os outros sem o mínimo peso na consciência. Se a adolescente é gordinha, os amigos não perdoam.

PERGUNTA – Mas a Carola não costuma aceitar calada as provocações que sofre...

FERNANDA – Claro que não. Ela enfrenta: “Tá me chamando de gorda por quê?!”. E eu queria que as meninas por aí tivessem o mesmo tipo de atitude. Às vezes, quando se tranca no quarto, a Carola chora, desaba. Mas nas ruas ela é forte, enfrenta as situações. Talvez ela sirva de exemplo e as garotas que são mais passivas também comecem a se impor mais. E parem de aceitar que os outros brinquem com algo que é um problema.

PERGUNTA – Você buscou informações para entender como algumas pessoas conseguem enfrentar esse tipo de problema?

 

FERNANDA – Fui a uma psicóloga para tentar entender essa questão da vontade compulsiva por comer. Você tenta uma dieta, quebra essa dieta, sente-se culpada, e aí come mais por causa da culpa. É um círculo vicioso. Geralmente, quando essas pessoas ficam 15 ou 20 quilos acima do peso é porque elas têm um problema sentimental muito maior do que a simples gula. O problema da Carola, por exemplo, é a falta do pai. É um buraco muito grande no coração dela. O problema não é físico, é psicológico. Ela pode comer o mundo que não se sentirá saciada.

PERGUNTA – Foi um problema ter de engordar sete quilos para fazer o papel?

FERNANDA – Gostei tanto da personagem que isso foi o que menos importou para mim. Estava pesando 47 kg quando eles me chamaram para a novela. Nunca estive tão magra em toda a minha vida. E não dava para fazer uma gordinha com um rosto magro. Não ia funcionar. Também mudei o corte de cabelo para que o rosto parecesse ainda mais cheinho. Foram muitas entregas. Mas adorei a oportunidade de realizá-las, sendo uma atriz ainda tão nova. É um grande exercício para mim. Já como mulher, é um grande desprendimento da vaidade. Afinal, que mulher quer ficar sete quilos acima do peso?

PERGUNTA – E qual é o limite de sua vaidade?

FERNANDA – Não digo que deixaria de fazer alguma mudança específica. Mas ia me doer muito se um dia eu tivesse que raspar os cabelos. É preciso ter um rosto fenomenal para fazer isso. Tanto é que com a Carolina Dieckmann funcionou sem problemas. No meu caso, eu ficaria com o coração partido.

PERGUNTA – Você representa o “patinho feio” da novela e usa, inclusive, um enchimento para exagerar nos quilinhos a mais. Tem algum receio de que a personagem fique caricatural?

FERNANDA – Acho que esse risco era muito maior com a Mirna, que fiz em Alma Gêmea, porque ela fazia parte de um núcleo que estava sempre três tons acima do restante da novela. Tudo na Mirna era muito fantasioso. Ou você conhece alguém que jogue as pessoas no chiqueiro como ela fazia? Mas a realidade da Carola você olha para o lado e encontra. Ela é mais real e mais densa.

PERGUNTA – Na primeira versão de O Profeta, o protagonista terminou com a Carola. A sua torcida é para que esse resultado se repita agora?

FERNANDA – Acho que isso vai depender do entrosamento entre os atores. Se o público acreditar muito no amor entre a Sônia e o Marcos - personagens de Paola Oliveira e Thiago Fragoso - pode ser que eles terminem juntos. Se minha relação com Arnaldo - de Rodrigo Phavanello - também agradar e as pessoas acharem que nos merecemos, isso pode acontecer. Adoraria que o Marcos terminasse com a Carola porque a história do mocinho ficar com o patinho feio é genial. Mas ele teria de ficar com ela do jeito que ela é. Pois se as meninas por aí pensarem que vão ter que emagrecer para conquistar o menino mais bonito do colégio, vão pirar. A Carola tem de se arrumar e ficar mais bonitinha. Mas não deve ficar magra e maravilhosa como a Sônia. E pelo que já senti das pessoas nas ruas, todos vão torcer muito pela Carola.

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