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O Bocato que a Rússia verá


Gislaine Gutierre
Do Diário do Grande ABC

12/11/2004 | 12:21


Antes de partir para a Rússia, onde participará do Festival de Jazz de Moscou, o trombonista Bocato faz nesta sexta um show especial no Sesc Santo André. Ele abre, às 21h, o projeto Em Primeira Mão, o qual tem por finalidade apresentar ao público novos trabalhos de músicos brasileiros. O artista, no caso, executa composições de seu mais recente álbum, Cacique Cantareira, e mostra um pouco do que os russos verão e ouvirão na próxima semana.

Quem ouviu seu excelente álbum anterior, Acid Samba, já pode ter uma idéia do que vem em Cacique Cantareira. É que o CD é parte de um projeto contínuo, que a princípio resultaria em Acid Samba 2 e 3. "O volume 2 estava pronto há muito tempo, quando o Paulinho Lepetit, da Elo Music, me convidou para fazer um disco. Então aproveitei e trabalhei no que seria o terceiro Acid Samba", diz Bocato. O que seria o segundo volume, o trombonista pretende lançar no ano que vem, de forma independente.

Assim como o disco que inauguraria a trilogia, Cacique Cantareira é basicamente autoral. "É um som mais denso. Tem ritmos de funk e samba, e muita improvisação. Há trechos bem abertos e grandes para a improvisação", afirma.

A gravação contou com um time um pouco diferente de músicos, que também deve acompanhá-lo na ida a Moscou: Ari Rolland (teclados), Vandinho Carvalho (bateria), Chico Wilcox (baixo), Biroska (percussão), Márcio Negri (sax tenor), Djalma Lima (guitarra), Cláudio Faria (trompete) e Brad (sax soprano e flauta).

"Vai ser legal esse show em Santo André porque parte das composições antigas com arranjos nossos, que vamos levar a Moscou, serão apresentados antes aí no Sesc", afirma Bocato. São músicas como O Morro, Influência do Jazz, Incompatibilidade de Gênios, Casa Forte e Bala com Bala. No programa desta sexta também haverá músicas próprias presentes em Acid Samba e em Cacique Cantareira. "Ainda não sei o que iremos tocar. Vou sentir o clima na hora, decidir e sair tocando". Mas a promessa é de muita "suingueira".

Na Rússia será diferente. Bocato e sua banda acompanharão João Donato, Wanda Sá e Emílio Santiago, e ainda tocarão com a Orquestra de Câmara de Moscou na noite do festival dedicada à música brasileira. Nas outras duas noites serão apresentados o repertório norte-americano e o cubano. "Mas ainda exibiremos músicas minhas e outros instrumentais brasileiros, além de bossas que vamos acidular no palco", diz.

Bocato foi convidado ao festival pelo produtor do evento, que o assistiu em um programa da TV Cultura. "Nós escrevemos todos os arranjos para a orquestra. Isso é muito interessante, é uma consideração legal que eles têm por nós. Há quanto tempo não toco com uma orquestra no Brasil? Nem me lembro mais", diz.

Apesar de figurar entre os mais requisitados instrumentistas em shows e gravações no Brasil – caso do CD Acústico MTV de D2 e do DVD de Seu Jorge – Bocato não se diz satisfeito com o mercado brasileiro. "De música instrumental nem falo mais. Mas falo da banalização da cultura. Pagam uma mixaria para um músico gravar. Por outro lado, fico até contente com essa pirataria toda porque é uma forma de vingança contra essa mídia que não aposta em nada na cultura. É algo como 'nossa vingança sará maligrina', do músico brasileiro".

O trombonista questiona ainda a resistência de determinados grupos às mudanças no cinema propostas pelo ministro da Cultura, Gilberto Gil. Diz que o jabá precisa acabar e reclama das regras para o domínio público na música.

Mesmo com esse cenário, Bocato não pensa em deixar o país de novo (ele já morou na Alemanha). Prefere resistir. Durante o show na Rússia, diz que nem vai pensar no assunto, mas para a volta, tem vários planos: um deles é um disco em homenagem a artistas modernistas, como Tarsila do Amaral e Candido Portinari. "Foram pessoas humildes, mas muito sofisticadas", diz. Pessoas que como ele, sempre acreditaram na verdadeira arte.

O projeto Em Primeira Mão continua sexta e sábado com o show de Davi Moraes; dia 19, com Fabiana Cozza; e 26, com Filó Machado.

Em Primeira Mão – Show de Bocato & Banda. Nesta sexta, às 21h. No Sesc Santo André – r. Tamarutaca, 302. Tel.: 4469-1200. Ingr.: R$ 14, R$ 10 (usuário matriculado), R$ 7 (idosos e estudantes com carteirinha) e R$ 5 (comerciário).



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O Bocato que a Rússia verá

Gislaine Gutierre
Do Diário do Grande ABC

12/11/2004 | 12:21


Antes de partir para a Rússia, onde participará do Festival de Jazz de Moscou, o trombonista Bocato faz nesta sexta um show especial no Sesc Santo André. Ele abre, às 21h, o projeto Em Primeira Mão, o qual tem por finalidade apresentar ao público novos trabalhos de músicos brasileiros. O artista, no caso, executa composições de seu mais recente álbum, Cacique Cantareira, e mostra um pouco do que os russos verão e ouvirão na próxima semana.

Quem ouviu seu excelente álbum anterior, Acid Samba, já pode ter uma idéia do que vem em Cacique Cantareira. É que o CD é parte de um projeto contínuo, que a princípio resultaria em Acid Samba 2 e 3. "O volume 2 estava pronto há muito tempo, quando o Paulinho Lepetit, da Elo Music, me convidou para fazer um disco. Então aproveitei e trabalhei no que seria o terceiro Acid Samba", diz Bocato. O que seria o segundo volume, o trombonista pretende lançar no ano que vem, de forma independente.

Assim como o disco que inauguraria a trilogia, Cacique Cantareira é basicamente autoral. "É um som mais denso. Tem ritmos de funk e samba, e muita improvisação. Há trechos bem abertos e grandes para a improvisação", afirma.

A gravação contou com um time um pouco diferente de músicos, que também deve acompanhá-lo na ida a Moscou: Ari Rolland (teclados), Vandinho Carvalho (bateria), Chico Wilcox (baixo), Biroska (percussão), Márcio Negri (sax tenor), Djalma Lima (guitarra), Cláudio Faria (trompete) e Brad (sax soprano e flauta).

"Vai ser legal esse show em Santo André porque parte das composições antigas com arranjos nossos, que vamos levar a Moscou, serão apresentados antes aí no Sesc", afirma Bocato. São músicas como O Morro, Influência do Jazz, Incompatibilidade de Gênios, Casa Forte e Bala com Bala. No programa desta sexta também haverá músicas próprias presentes em Acid Samba e em Cacique Cantareira. "Ainda não sei o que iremos tocar. Vou sentir o clima na hora, decidir e sair tocando". Mas a promessa é de muita "suingueira".

Na Rússia será diferente. Bocato e sua banda acompanharão João Donato, Wanda Sá e Emílio Santiago, e ainda tocarão com a Orquestra de Câmara de Moscou na noite do festival dedicada à música brasileira. Nas outras duas noites serão apresentados o repertório norte-americano e o cubano. "Mas ainda exibiremos músicas minhas e outros instrumentais brasileiros, além de bossas que vamos acidular no palco", diz.

Bocato foi convidado ao festival pelo produtor do evento, que o assistiu em um programa da TV Cultura. "Nós escrevemos todos os arranjos para a orquestra. Isso é muito interessante, é uma consideração legal que eles têm por nós. Há quanto tempo não toco com uma orquestra no Brasil? Nem me lembro mais", diz.

Apesar de figurar entre os mais requisitados instrumentistas em shows e gravações no Brasil – caso do CD Acústico MTV de D2 e do DVD de Seu Jorge – Bocato não se diz satisfeito com o mercado brasileiro. "De música instrumental nem falo mais. Mas falo da banalização da cultura. Pagam uma mixaria para um músico gravar. Por outro lado, fico até contente com essa pirataria toda porque é uma forma de vingança contra essa mídia que não aposta em nada na cultura. É algo como 'nossa vingança sará maligrina', do músico brasileiro".

O trombonista questiona ainda a resistência de determinados grupos às mudanças no cinema propostas pelo ministro da Cultura, Gilberto Gil. Diz que o jabá precisa acabar e reclama das regras para o domínio público na música.

Mesmo com esse cenário, Bocato não pensa em deixar o país de novo (ele já morou na Alemanha). Prefere resistir. Durante o show na Rússia, diz que nem vai pensar no assunto, mas para a volta, tem vários planos: um deles é um disco em homenagem a artistas modernistas, como Tarsila do Amaral e Candido Portinari. "Foram pessoas humildes, mas muito sofisticadas", diz. Pessoas que como ele, sempre acreditaram na verdadeira arte.

O projeto Em Primeira Mão continua sexta e sábado com o show de Davi Moraes; dia 19, com Fabiana Cozza; e 26, com Filó Machado.

Em Primeira Mão – Show de Bocato & Banda. Nesta sexta, às 21h. No Sesc Santo André – r. Tamarutaca, 302. Tel.: 4469-1200. Ingr.: R$ 14, R$ 10 (usuário matriculado), R$ 7 (idosos e estudantes com carteirinha) e R$ 5 (comerciário).

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