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Viagra deixou mulheres mais felizes


Ângela Corrêa
e Christiane Ferreira
Do Diário do Grande ABC

10/11/2004 | 09:28


Não são só os homens que estão se beneficiando dos efeitos do Viagra, medicamento lançado no Brasil pelo laboratório Pfizer há seis anos para tratar disfunção erétil. As mulheres também estão satisfeitas com o uso da pílula azul por seus parceiros.

Uma pesquisa realizada no mês passado com 2,1 mil mulheres em todo o país, entre 18 e 65 anos, revelou uma nova realidade para essas pessoas. Organizada pela coordenadora do Projeto Sexualidade da USP (Universidade de São Paulo), Carmita Abdo, e apoiada pela Pfizer, a pesquisa mostrou que a vida sexual melhorou para 82% das mulheres, a partir do momento em que o parceiro começou a usar o medicamento. "Essa foi a segunda revolução sexual depois do advento da pílula anticoncepcional nos anos 60. É um ganho muito grande para a mulher continuar sua vida sexual depois de o marido ter apresentado disfunção erétil", afirmou o urologista e terapeuta sexual Celso Marzano, diretor do Cedes (Centro de Orientação e Desenvolvimento da Sexualidade de São Caetano).

Para 52% das mulheres, já é comum participar da decisão de tratar a disfunção com medicamentos. O urologista e cirurgião Abraham Morgentaler, professor da Escola de Medicina de Harvard, Estados Unidos, afirma que a companhia feminina é primordial para o sucesso do tratamento. "Acho que a mulher tem um papel importante para a saúde do relacionamento sexual porque quando o homem tem um problema tende a minimizá-lo."

Outro lado - Mas não são todas as mulheres que aceitam que o marido tome um medicamento para disfunção erétil. A pesquisa detectou que 15% delas preferem que o parceiro não continue usando. É aí que entra o grupo de mulheres mais velhas, que, acostumadas a um grande período de abstinência sexual, passam a ter de conviver com o apetite renovado do marido. "A mulher que estava muito feliz nessa condição, passa a sofrer pressões psicológicas e físicas do companheiro para voltar a fazer sexo", afirmou o ginecologista Eliano Pellini, da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC).

Ainda no grupo de mulheres na terceira idade, Pellini relata casos em que o recém-adquirido fôlego masculino causa riscos à saúde feminina, em decorrência da infidelidade. "Os homens mais velhos, desacostumados a usar preservativos, procuram mulheres mais jovens ou prostitutas para as escapadas e não se protegem. Com isso, levam doenças sexualmente transmissíveis a suas mulheres."

Para Morgentaler, autor do livro O Mito Viagra: O Surpreendente Impacto no Amor e Nos Relacionamentos (Ediouro), algumas mulheres não vêem com bons olhos o uso do Viagra e seus similares porque se consideram menos queridas, como se o parceiro só as desejasse por conta do medicamento; outras se sentem enganadas pelo fato de o marido não ter contado a elas a novidade.

É o caso da advogada Daniela (nome fictício), de Santo André, 37 anos, que só descobriu a origem do aumento do apetite sexual do marido, 39, quando encontrou uma embalagem de comprimidos. Era o Cialis, outro medicamento com a mesma função.

A descoberta gerou uma crise no casamento. "Não achei justo que ele me escondesse isso. Acho muito natural que os homens tomem, mas achava que ele deveria ter me contado." De acordo com a advogada, ficar sem saber que o ótimo fôlego do parceiro, com quem está há 12 anos, se devia ao medicamento, a fez sentir inferiorizada. "Enquanto ele estava todo disposto, eu vivia uma correria no trabalho, que me deixava estressada e cansada. Fiquei chateada e achando que estava muito devagar para ele."

A briga durou mais de três semanas, embora o marido concordasse que estivesse errado em esconder que estava tomando esse tipo de medicamentos. "Ele disse que ficou envergonhado e justificou que só queria estar bem para mim", relatou Daniela. Passado o mal-estar, o casal continua fazendo uso do medicamento, agora com a aprovação de Daniela. "Mas agora sei que ele só toma quando acha que é necessário."



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Viagra deixou mulheres mais felizes

Ângela Corrêa
e Christiane Ferreira
Do Diário do Grande ABC

10/11/2004 | 09:28


Não são só os homens que estão se beneficiando dos efeitos do Viagra, medicamento lançado no Brasil pelo laboratório Pfizer há seis anos para tratar disfunção erétil. As mulheres também estão satisfeitas com o uso da pílula azul por seus parceiros.

Uma pesquisa realizada no mês passado com 2,1 mil mulheres em todo o país, entre 18 e 65 anos, revelou uma nova realidade para essas pessoas. Organizada pela coordenadora do Projeto Sexualidade da USP (Universidade de São Paulo), Carmita Abdo, e apoiada pela Pfizer, a pesquisa mostrou que a vida sexual melhorou para 82% das mulheres, a partir do momento em que o parceiro começou a usar o medicamento. "Essa foi a segunda revolução sexual depois do advento da pílula anticoncepcional nos anos 60. É um ganho muito grande para a mulher continuar sua vida sexual depois de o marido ter apresentado disfunção erétil", afirmou o urologista e terapeuta sexual Celso Marzano, diretor do Cedes (Centro de Orientação e Desenvolvimento da Sexualidade de São Caetano).

Para 52% das mulheres, já é comum participar da decisão de tratar a disfunção com medicamentos. O urologista e cirurgião Abraham Morgentaler, professor da Escola de Medicina de Harvard, Estados Unidos, afirma que a companhia feminina é primordial para o sucesso do tratamento. "Acho que a mulher tem um papel importante para a saúde do relacionamento sexual porque quando o homem tem um problema tende a minimizá-lo."

Outro lado - Mas não são todas as mulheres que aceitam que o marido tome um medicamento para disfunção erétil. A pesquisa detectou que 15% delas preferem que o parceiro não continue usando. É aí que entra o grupo de mulheres mais velhas, que, acostumadas a um grande período de abstinência sexual, passam a ter de conviver com o apetite renovado do marido. "A mulher que estava muito feliz nessa condição, passa a sofrer pressões psicológicas e físicas do companheiro para voltar a fazer sexo", afirmou o ginecologista Eliano Pellini, da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC).

Ainda no grupo de mulheres na terceira idade, Pellini relata casos em que o recém-adquirido fôlego masculino causa riscos à saúde feminina, em decorrência da infidelidade. "Os homens mais velhos, desacostumados a usar preservativos, procuram mulheres mais jovens ou prostitutas para as escapadas e não se protegem. Com isso, levam doenças sexualmente transmissíveis a suas mulheres."

Para Morgentaler, autor do livro O Mito Viagra: O Surpreendente Impacto no Amor e Nos Relacionamentos (Ediouro), algumas mulheres não vêem com bons olhos o uso do Viagra e seus similares porque se consideram menos queridas, como se o parceiro só as desejasse por conta do medicamento; outras se sentem enganadas pelo fato de o marido não ter contado a elas a novidade.

É o caso da advogada Daniela (nome fictício), de Santo André, 37 anos, que só descobriu a origem do aumento do apetite sexual do marido, 39, quando encontrou uma embalagem de comprimidos. Era o Cialis, outro medicamento com a mesma função.

A descoberta gerou uma crise no casamento. "Não achei justo que ele me escondesse isso. Acho muito natural que os homens tomem, mas achava que ele deveria ter me contado." De acordo com a advogada, ficar sem saber que o ótimo fôlego do parceiro, com quem está há 12 anos, se devia ao medicamento, a fez sentir inferiorizada. "Enquanto ele estava todo disposto, eu vivia uma correria no trabalho, que me deixava estressada e cansada. Fiquei chateada e achando que estava muito devagar para ele."

A briga durou mais de três semanas, embora o marido concordasse que estivesse errado em esconder que estava tomando esse tipo de medicamentos. "Ele disse que ficou envergonhado e justificou que só queria estar bem para mim", relatou Daniela. Passado o mal-estar, o casal continua fazendo uso do medicamento, agora com a aprovação de Daniela. "Mas agora sei que ele só toma quando acha que é necessário."

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