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Os piratas caras de pau

Dilma, segundo disse, não resistiu: no Rio, deixou o camarote e foi para a pista


Carlos Brickmann

17/02/2010 | 00:00


Dilma, segundo disse, não resistiu: no Rio, deixou o camarote, onde havia muitos puxa-sacos e poucos votos, e foi para a pista, testar o samba no pé. Dilma já sambou muito - a última vez, parece, quando Jararaca e Vicente Paiva lançaram Mamãe eu Quero. E, cada vez que abre a boca no palanque, dança.

Serra, segundo disse, foi ao Nordeste para curtir, não para fazer campanha. Quem lhe terá contado que "curtir" não é obrigatoriamente uma etapa na cadeia produtiva do couro? Já a insopitável vontade de cair no samba, que o levou ao Carnaval de Salvador, que fez com que descesse às ruas de Olinda para desfilar no Galo da Madrugada (avisando antes à TV) não deve ser novidade. Basta olhar José Serra para perceber que cuíca, tamborins e surdo balançam sua cintura.

E, na Bahia, há acarajé, sarapatel, tapioca - aquele cardápio irresistível para quem, o ano inteiro, a-do-ra sanduíches de pão integral com queijo branco light e uma deliciosa folha de alface (é o que serve aos convidados, também, nas viagens do jatinho do governo paulista). Na Bahia há sol, e o governador tem aquela cor de quem não dispensa um dia de praia. Aliás, em São Paulo, na Praia Grande, entrou no mar de roupa e tudo. Um impulso, explicou. É sal, é sol, é Sul!

E Dilma, depois de saracotear no asfalto com um gari, tomou-lhe a vassoura e passou a dançar com ela. Houve um certo temor de que Sua Excelência fosse aproveitar a condução e cair fora do sambódromo, mas o ritmo palpitante a fazia sentir-se uma mestre-sala. Quem brincava de princesa acostumou com a fantasia.

Ela é quem é
Marina Silva, também candidata à Presidência da República, não é carnavalesca, não sambou nem foi a desfiles. Será tão difícil ser sincero como ela?

Lula em liquidação
Já que Lula, o Filho do Brasil não deu certo no cinema, agora vai para o circo. Daqui a um mês, em Belford Roxo, no interior fluminense, dois circos especialmente montados vão exibir o filme, a preços pra lá de populares: R$ 1. Os produtores e marqueteiros políticos jogam pesado para garantir números que possam ser usados na campanha: na cidade não há cinema e, nas regiões mais pobres, onde estarão os circos, não há qualquer tipo de diversão, nem mesmo aqueles cirquinhos com buracos na lona. É claro que a entrada de R$ 1 mesmo que multidões compareçam aos circos, não cobre as despesas. Mas os excelentes patrocínios obtidos pelos produtores garantem que prejuízo eles não terão.

As armas francesas
O leitor Vitor Bonavita não concorda com as críticas à compra dos caças Rafale e do usadíssimo porta-aviões São Paulo, ambos da França. Em sua opinião, os Rafale são superiores aos Grippen suecos e podem ser mais eficientes que os F-18, dependendo do armamento que vier com os supersônicos norte-americanos; e lembra que foi preciso comprar um porta-aviões usado porque construir um novo pode levar dez anos, e até lá a Marinha ficaria sem aviação embarcada. Outro argumento do leitor é que os Rafale vêm no bojo de um amplo acordo armamentista com a França, que inclui submarinos e corvetas. OK; só que a Aeronáutica brasileira colocou o Rafale em terceiro lugar numa lista de três. Nenhuma outra força aérea do mundo, até hoje, apostou nos caças franceses. E até os submarinos Skorpene (o Brasil comprou quatro, mais o casco de um quinto, a ser equipado com motor nuclear) estão em debate: a Malásia, que já os recebeu, não consegue fazê-los cumprir a tarefa básica de um submarino, submergir. Mas o contrato foi bem feito: os franceses vincularam o negócio à contratação da empreiteira Odebrecht, sem concorrência, para montar o estaleiro.



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