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Adaptação do musical 'Hairspray' chega a SP


Thiago Mariano
Do Diário do Grande ABC

17/02/2010 | 07:00


Mal o Carnaval se despede da avenida e outra apoteose toma conta da cidade, desta vez no Teatro Bradesco, na Capital. É Hairspray, grandiosa adaptação de Miguel Falabella para o musical da Broadway, inspirado no filme homônimo de John Waters, que estreia dia 24.

"É um chiclete de framboesa. Não tem quem não goste", anuncia Falabella, acrescentando que não é um espetáculo de ideias, "mas que fala dos excluídos de maneira divertida."

A trama acontece na mesma Baltimore da década de 1960 da história original. A protagonista é Tracy Turnblad (Simone Gutierrez), gordinha que capricha no penteado à base de laquê, ama dançar e tem verdadeira paixão pelo Corny Collins Show, um programa televisivo musical.

Quando arranja uma vaga fixa de dançarina no programa, a protagonista desperta a inveja da vilã Amber Von Tussle (Danielle Winits), estrela e filha da produtora do show, Velma (Arlete Salles). A guerra entre as duas fica mais acirrada por causa do galã Link Larkin (Jonatas Faro).

O enredo ainda serve de pano de fundo para falar sobre preconceito. Tracy é presa por incentivar manifestação contra a segregação racial. Sua mãe, Edna (Edson Celulari), fica deprimida. "Uma peça que fala de igualdade de maneira simples e leve. Todo mundo embarca na história e fica na torcida por Tracy e sua família", comenta Celulari, acrescentando que teve um pouco de dificuldade em encarnar a gorducha matriarca: "A Cláudia (Raia, mulher do ator) me ajudou bastante. Ficava em casa ensaiando de salto alto durante a madrugada, tomando cuidado para não acordar as crianças. Em um momento eu cheguei a ficar com saudade de Shakespeare, Becket, mas passou."

A escolha de Celulari para um papel feminino foi para que a personagem não caísse na caricatura: "Sabia que o Edson iria encher esse papel de humanidade", diz Falabella.

Simone, que tem no currículo passagem por escolas dos Estados Unidos e muitos musicais, conta que o espetáculo caiu como uma luva para seu tipo físico. "Sempre fui gordinha e muitas vezes precisei emagrecer para fazer um papel. Com o convite para interpretar Tracy, pensei: agora vou poder ser eu mesma", brinca.

Arlete, que debuta no gênero, conta que passou por longo processo para ajustar a voz e o corpo às exigências do espetáculo. "Fiquei muito feliz por passar por esse desafio. Quando o Miguel me ligou para fazer a proposta, pulei da cadeira e gritei: É para fazer o papel que a Michelle Pfeiffer faz no cinema? Não tinha como não aceitar." A diferença, para Arlete, do musical original para o brasileiro, está no "molho especial que o Miguel põe na peça, um humor menos rígido."

INDÚSTRIA - Para Falabella, o musical, se não é para o ator o palco das ideias, é do artesanato. O diretor e adaptador da montagem diz que o brasileiro não é generoso com o teatro. Com musicais, então, menos ainda.

"E os musicais são uma máquina, uma cultura que cria economia teatral. O entorno do teatro se movimenta, a cidade fica mais feliz. Quem não gosta de sair de um musical e ir para um bar tomar cerveja com os amigos?", conta.

Criticado pela versão das canções em português, Falabella afirma que as originais são muito pueris. "Hairspray cumpre a função de mostrar que teatro pode ser divertido. As pessoas saem envaidecidas, dizendo: ‘caramba, nós somos bons, podemos fazer um espetáculo grandioso'", conclui.

Filme tem duas versões

O público associa o título Hairspray ao bem-sucedido filme dirigido por Adam Shankman em 2007, tendo Michelle Pfeiffer, John Travolta, Amanda Bynes e Zac Efron à frente do elenco e a estreante Nikki Blonsky como protagonista. Mas a singela comédia nasceu nove anos antes, em 1988. No Brasil, o longa ganhou o subtítulo Éramos Todos Jovens. O roteiro e direção eram de John Waters, um cineasta conhecido até então por sua estética e temas no mínimo excêntricos (Pink Flamingos, de 1972, tem referências incestuosas e escatológicas).

Para interpretar Tracy no primeiro Hairspray, Waters escalou Ricki Lake, atriz gordinha que ficou famosa depois por apresentar na televisão atração que teria inspirado os programas de Márcia Goldsmith. Na idade adulta, emagreceu vários quilos e estrelou até uma comédia romântica com Brendan Fraser.

A superprotetora Edna Turnblad, que John Travolta desenvolveu com maestria em 2007, ficou a cargo de um colaborador constante de Waters: Divine. Nascido Harris Glen Milstead, o ator adotou o nome artístico depois que passou a arrumar trabalhos fazendo interpretações cômicas de mulheres. Sua inspiração para se travestir era Elizabeth Taylor, a quem idolatrava. Em Hairspray, também faz um pequeno personagem masculino, o preconceituoso Arvin Hodgepile. Este foi seu último filme. Morreu no ano de lançamento, de falência respiratória decorrente de apneia do sono.

Os personagens secundários também tiveram intérpretes famosos. Debbie Harry, vocalista da extinta banda Blondie, é a vilã Velma von Tussle, papel que em 2007 coube a Michelle Pfeiffer. Wilbur, o patriarca dos Turnblad, foi vivido por Jerry Stiller em 1988 e por Christopher Walken em 1997 (Ângela Corrêa).



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