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Chácara Inglesa tem tranquilidade e lazer

Bairro tipicamente residencial, próximo à região central de S.Bernardo, passa por revitalização


Caroline Garcia
Especial para o Diário

09/04/2012 | 07:00


O bairro é predominantemente residencial, de alto padrão. Mesmo com a proximidade do Centro, tranquilidade é uma das marcas da área. Mães brincam com as crianças na praça, jovens e adultos fazem corrida e caminhada pela pista, senhoras passeiam com os cachorros. O nome do bairro, Chácara Inglesa, em São Bernardo, faz jus ao clima, de chácara no interior em plena região metropolitana.

Essa pode ser também a primeira impressão de alguns turistas que chegam à cidade. Só no bairro há três hotéis.

Parte da clientela do taxista Marcelo Gonçalves Mota, de 33 anos, vem dos hóspedes. “Estou no ponto há 12 anos e meu pai trabalhou aqui antes de mim. É um bairro tranquilo e até divertido. Já levei mulher que estava atrás do marido com a amante. A gente passa apertado, mas temos muitas de histórias para contar.”

A principal avenida é a Barão de Mauá, que concentra comércio nas redondezas, com padarias, pet shop, escolas, cabeleireiros. A falta de outras opções, no entanto, não incomoda os moradores. Pelo contrário. “Quando mudei, há 40 anos, era tudo mais tranquilo, só havia casas. Em frente ao hotel era uma represa, a avenida era de terra. Hoje tudo se desenvolveu e ficou mais tumultuado”, contou o aposentado Luiz Armentano, 77.

O auge do movimento no bairro foi registrado com o Best Shopping, que funcionou entre 1986 e 1999, quando foi decretada falência do empreendimento. A dívida amulada pelos 192 sócios soma R$ 12 milhões.

Desde o encerramento das atividades, moradores convivem com o esqueleto do shopping, que chegava a receber 5.000 visitantes por fim de semana.

Em janeiro deste ano, cerca de 1.000 toneladas de entulho foram retiradas do galpão. Há tapumes envolvendo o empreendimento e vigilância 24h. O problema com usuários de drogas que ficavam no local e atormentavam os moradores diminuiu.

“Melhorou bastante depois que colocaram o segurança. Mas à noite ainda dá medo. Tenho sobrinhas e filhas que fazem faculdade e a gente tem de ir buscar porque não tem condições de passar a pé ali em frente”, disse a enfermeira Rosa Alice Campos, 64.

Outra reclamação de Rosa é sobre a falta educação de alguns moradores: eles não recolhem a sujeira dos animais. “Vejo muitos homens que passeiam com o cachorro e que não levam sacolinha. Parece que eles têm vergonha. As ruas ficam nojentas e a gente é obrigado a ficar olhando para o chão e desviando”, disse a enfermeira que andava com seu Cocker Spaniel.

 

Isso também foi o que disse a gari Renildes Freire Silva, 41, que trabalha na região há um ano. “O bairro é limpo. Os problemas são as folhas que caem das árvores e cocô de cachorro. Eles não recolhem de jeito nenhum.”

 

Ruas do bairro têm vigilância particular 24h

 

Há um ano, diversos furtos de carros preocuparam os moradores do bairro. Os crimes aconteciam em horários diferentes do dia. “Chegaram a sequestrar minha vizinha na porta de casa. Soltaram ela no Jardim Eldorado, em Diadema, e levaram o carro”, contou Armentano.

Outro morador, Diogo Infante disse que também foi assaltado três vezes em quatro ano. “Qualquer horário era perigoso. Mas não é falta de policiamento, é que os assaltos acontecem em todo lugar, não há como fugir.”

De acordo com moradores, a diminuição nos roubos e assaltos se deu pela vigilância no Best e revitalizações da Praça Quinzio Júlio Rossi e a Avenida Barão de Mauá, com nova iluminação e sinalização.

Todas as ruas possuem guarita de vigilância particular 24 horas e rondas com moto. Josival Celestino de Souza, 32, trabalha com segurança há seis anos no bairro e afirmou que a maioria dos assaltantes também usam moto. “Assalto é imprevisível. Tem dias que é tranquilo e outros que é bem complicado. Mas roubo a residência só vi uma vez em todo esse tempo que trabalho aqui.”

Moradores e vigias acabam criando relação mais próxima. “Eles conhecem a gente, sabem que podem chamar se acontecer qualquer coisa. Sei também que, se precisar, vou poder contar com os moradores”, comentou Souza.

Pela tranquilidade característica do bairro, instrutores de autoescolas levam os motoristas iniciantes para praticarem pelas ruas da Chácara Inglesa. O que incomoda parte de quem vive por lá.

 “Parece que os instrutores não ensinam os alunos a respeitarem os pedestres. Eu quase fui atropelada com o carrinho de bebê. Eles acham que o bairro é o pátio da casa deles”, contou uma moradora, que preferiu não se identificar.

 

A enfermeira Rosa Alice também já teve problemas relacionados com as aulas de direção. “Estava atravessando na faixa de pedestres e o aluno buzinou para que eu andasse mais rápido. O instrutor não fez nada. Acabei xingando os dois e eles foram embora.”

 

A paisagem que o Centro expandido engoliu

 

Até 1940 um barão inglês residiu na casa branca por ele próprio construída que ficava a poucos minutos do centro da Vila de São Bernardo, vizinha ao cemitério municipal – cemitério de Vila Euclides, que começou a ser formado em 1892. Era a entrada da cidade, pode-se dizer, perto do km 18 da Via Anchieta, rodovia ainda inexistente.

A casa tinha como cenários um lago e uma plantação de eucaliptos. Transformou-se em restaurante e serviu aos artistas e técnicos da Companhia Cinematográfica Vera Cruz, que foi fundada em 1949. Já nesta época a área era propriedade de Maria Adelaide Rossi.

No declínio da Vera Cruz, já nos anos 1950, o Restaurante A Gôndola transformou-se. Ganhou o apelido de Gôndola do Amor, por patrocinar encontros amorosos e furtivos. Desgostosa, dona Maria Adelaide determinou o fim do restaurante.

Dona Maria Adelaide faleceu em 1970. Coube a seus descendentes criarem, no espaço do antigo lago - já aterrado – a Chácara Inglesa, datada de 1971 e aprovada em 1975. Vários edifícios residenciais foram erguidos pela construtora Gomes de Almeida Fernandes, todos com nomes ligados à Grã-Bretanha, entre os quais o Escócia, onde reside Rita Ângela Zincaglia, a secretária eterna de São Bernardo.

Provavelmente o nome Chácara Inglesa seja uma alusão ao barão inglês que construiu a casa de A Gôndola.

 

Em 1976 entrevistamos Julio Rossi, filho de dona Maria Adelaide, que nos explicou sobre a transformação da área – então isolada – em loteamentos residenciais. Vila Maria Adelaide foi o primeiro loteamento, criado por volta de 1926 ou 27. Seguiu-se a Vila Euclides, de 1927 ou 1928. Hoje é comum dizer-se que toda a área pertence à Vila Euclides, que denomina o cemitério e também o estádio da Elni, hoje Primeiro de Maio.



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Chácara Inglesa tem tranquilidade e lazer

Bairro tipicamente residencial, próximo à região central de S.Bernardo, passa por revitalização

Caroline Garcia
Especial para o Diário

09/04/2012 | 07:00


O bairro é predominantemente residencial, de alto padrão. Mesmo com a proximidade do Centro, tranquilidade é uma das marcas da área. Mães brincam com as crianças na praça, jovens e adultos fazem corrida e caminhada pela pista, senhoras passeiam com os cachorros. O nome do bairro, Chácara Inglesa, em São Bernardo, faz jus ao clima, de chácara no interior em plena região metropolitana.

Essa pode ser também a primeira impressão de alguns turistas que chegam à cidade. Só no bairro há três hotéis.

Parte da clientela do taxista Marcelo Gonçalves Mota, de 33 anos, vem dos hóspedes. “Estou no ponto há 12 anos e meu pai trabalhou aqui antes de mim. É um bairro tranquilo e até divertido. Já levei mulher que estava atrás do marido com a amante. A gente passa apertado, mas temos muitas de histórias para contar.”

A principal avenida é a Barão de Mauá, que concentra comércio nas redondezas, com padarias, pet shop, escolas, cabeleireiros. A falta de outras opções, no entanto, não incomoda os moradores. Pelo contrário. “Quando mudei, há 40 anos, era tudo mais tranquilo, só havia casas. Em frente ao hotel era uma represa, a avenida era de terra. Hoje tudo se desenvolveu e ficou mais tumultuado”, contou o aposentado Luiz Armentano, 77.

O auge do movimento no bairro foi registrado com o Best Shopping, que funcionou entre 1986 e 1999, quando foi decretada falência do empreendimento. A dívida amulada pelos 192 sócios soma R$ 12 milhões.

Desde o encerramento das atividades, moradores convivem com o esqueleto do shopping, que chegava a receber 5.000 visitantes por fim de semana.

Em janeiro deste ano, cerca de 1.000 toneladas de entulho foram retiradas do galpão. Há tapumes envolvendo o empreendimento e vigilância 24h. O problema com usuários de drogas que ficavam no local e atormentavam os moradores diminuiu.

“Melhorou bastante depois que colocaram o segurança. Mas à noite ainda dá medo. Tenho sobrinhas e filhas que fazem faculdade e a gente tem de ir buscar porque não tem condições de passar a pé ali em frente”, disse a enfermeira Rosa Alice Campos, 64.

Outra reclamação de Rosa é sobre a falta educação de alguns moradores: eles não recolhem a sujeira dos animais. “Vejo muitos homens que passeiam com o cachorro e que não levam sacolinha. Parece que eles têm vergonha. As ruas ficam nojentas e a gente é obrigado a ficar olhando para o chão e desviando”, disse a enfermeira que andava com seu Cocker Spaniel.

 

Isso também foi o que disse a gari Renildes Freire Silva, 41, que trabalha na região há um ano. “O bairro é limpo. Os problemas são as folhas que caem das árvores e cocô de cachorro. Eles não recolhem de jeito nenhum.”

 

Ruas do bairro têm vigilância particular 24h

 

Há um ano, diversos furtos de carros preocuparam os moradores do bairro. Os crimes aconteciam em horários diferentes do dia. “Chegaram a sequestrar minha vizinha na porta de casa. Soltaram ela no Jardim Eldorado, em Diadema, e levaram o carro”, contou Armentano.

Outro morador, Diogo Infante disse que também foi assaltado três vezes em quatro ano. “Qualquer horário era perigoso. Mas não é falta de policiamento, é que os assaltos acontecem em todo lugar, não há como fugir.”

De acordo com moradores, a diminuição nos roubos e assaltos se deu pela vigilância no Best e revitalizações da Praça Quinzio Júlio Rossi e a Avenida Barão de Mauá, com nova iluminação e sinalização.

Todas as ruas possuem guarita de vigilância particular 24 horas e rondas com moto. Josival Celestino de Souza, 32, trabalha com segurança há seis anos no bairro e afirmou que a maioria dos assaltantes também usam moto. “Assalto é imprevisível. Tem dias que é tranquilo e outros que é bem complicado. Mas roubo a residência só vi uma vez em todo esse tempo que trabalho aqui.”

Moradores e vigias acabam criando relação mais próxima. “Eles conhecem a gente, sabem que podem chamar se acontecer qualquer coisa. Sei também que, se precisar, vou poder contar com os moradores”, comentou Souza.

Pela tranquilidade característica do bairro, instrutores de autoescolas levam os motoristas iniciantes para praticarem pelas ruas da Chácara Inglesa. O que incomoda parte de quem vive por lá.

 “Parece que os instrutores não ensinam os alunos a respeitarem os pedestres. Eu quase fui atropelada com o carrinho de bebê. Eles acham que o bairro é o pátio da casa deles”, contou uma moradora, que preferiu não se identificar.

 

A enfermeira Rosa Alice também já teve problemas relacionados com as aulas de direção. “Estava atravessando na faixa de pedestres e o aluno buzinou para que eu andasse mais rápido. O instrutor não fez nada. Acabei xingando os dois e eles foram embora.”

 

A paisagem que o Centro expandido engoliu

 

Até 1940 um barão inglês residiu na casa branca por ele próprio construída que ficava a poucos minutos do centro da Vila de São Bernardo, vizinha ao cemitério municipal – cemitério de Vila Euclides, que começou a ser formado em 1892. Era a entrada da cidade, pode-se dizer, perto do km 18 da Via Anchieta, rodovia ainda inexistente.

A casa tinha como cenários um lago e uma plantação de eucaliptos. Transformou-se em restaurante e serviu aos artistas e técnicos da Companhia Cinematográfica Vera Cruz, que foi fundada em 1949. Já nesta época a área era propriedade de Maria Adelaide Rossi.

No declínio da Vera Cruz, já nos anos 1950, o Restaurante A Gôndola transformou-se. Ganhou o apelido de Gôndola do Amor, por patrocinar encontros amorosos e furtivos. Desgostosa, dona Maria Adelaide determinou o fim do restaurante.

Dona Maria Adelaide faleceu em 1970. Coube a seus descendentes criarem, no espaço do antigo lago - já aterrado – a Chácara Inglesa, datada de 1971 e aprovada em 1975. Vários edifícios residenciais foram erguidos pela construtora Gomes de Almeida Fernandes, todos com nomes ligados à Grã-Bretanha, entre os quais o Escócia, onde reside Rita Ângela Zincaglia, a secretária eterna de São Bernardo.

Provavelmente o nome Chácara Inglesa seja uma alusão ao barão inglês que construiu a casa de A Gôndola.

 

Em 1976 entrevistamos Julio Rossi, filho de dona Maria Adelaide, que nos explicou sobre a transformação da área – então isolada – em loteamentos residenciais. Vila Maria Adelaide foi o primeiro loteamento, criado por volta de 1926 ou 27. Seguiu-se a Vila Euclides, de 1927 ou 1928. Hoje é comum dizer-se que toda a área pertence à Vila Euclides, que denomina o cemitério e também o estádio da Elni, hoje Primeiro de Maio.

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