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Falta de policiais resulta em baixa produtividade

Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Quadro de profissionais abaixo do ideal afeta rotina de rondas pela região e gera sensação de insegurança


Daniel Macário
Do Diário do Grande ABC

24/04/2018 | 07:00


 A defasagem de policiais militares nas ruas do Grande ABC, conforme mostrado no domingo pelo Diário, tem dificultado o combate ao crime na região. O principal impacto de disponibilizar apenas metade do efetivo preconizado pela ONU (Organização das Nações Unidas) nas sete cidades – há um agente para cada grupo de 482 habitantes, sendo um para 250 indivíduos o ideal – é a necessidade de se priorizar áreas para a realização de rondas, aponta Wilson Moraes, presidente da Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

Com quadro de profissionais abaixo do ideal, a corporação tende a distribuir suas ações entre pontos específicos, tais como áreas com alta incidência de crimes e regiões de comércios. “Os demais bairros ficam sem rondas frequentes, ou seja, vulneráveis”, explica Moraes. “Automaticamente, o serviço acaba comprometido. Reflete desde a ausência de rondas regulares em todos os bairros, como também na diminuição de prisões e apreensões”, completa. A associação estima deficit de 11 mil PMs em todo o Estado.

Nos últimos cinco anos, segundo dados da SSP (Secretaria da Segurança Pública), a produtividade policial na região apresentou queda em pelo menos três quesitos. O principal deles envolve a recuperação de veículos alvos de roubo ou furto. Em 2012, a corporação recuperou 7.377 veículos, ante 6.410 no ano passado – queda de 13,11%. Houve ainda diminuição nos registros de armas de fogo apreendidas. No mesmo período, passaram de 900 para 851 – redução de 14,22%.

A dificuldade em relação aos recursos materiais é outro agravante que compromete o trabalho da PM. Exemplo é o sucateamento de viaturas da corporação. A equipe do Diário flagrou ao menos 35 veículos parados no setor de gerenciamento e manutenção da frota do CPAM-6 (Comando de Policiamento de Área Metropolitana), responsável pela Polícia Militar no Grande ABC, localizado na Vila Guiomar, em Santo André.

O local abriga carros “em baixa”, ou seja, aqueles que aguardam reparos mecânicos ou estão sem condições de circular pelas ruas. “Um veículo da PM tem que ser trocado a cada três ou cinco anos, mas tem carros circulando por até dez anos”, afirma Moraes.

O resultado da combinação de ausência de profissionais e frota sucateada tem sido a sensação de insegurança por parte de moradores. “Raramente vejo policiais rodando no meu bairro. Isso que lá tem vários pontos de tráfico de drogas. Sem contar no fim de semana, quando temos rachas de motos e ninguém aparece”, relata a dona de casa Joelma do Nascimento, 38 anos, moradora do Jardim Santo André, área periférica da cidade.

A situação se repete inclusive em regiões de comércio, como é o caso da Praça 22 de Novembro, no Centro de Mauá. A área, a menos de dois quilômetros de distância da Prefeitura, concentra mercado ilegal de celulares, onde aparelhos são vendidos sem nota fiscal livremente à luz do dia, conforme já denunciado pelo Diário. “Se existisse fiscalização, não teria ninguém vendendo celular lá no Centro”, afirma a empregada doméstica Sônia Maria da Conceição, 46.

Questionada sobre os problemas, a SSP limitou-se a destacar que “graças ao policiamento ostensivo de combate à criminalidade houve significativa redução dos crimes e não da ação policial”. A Pasta diz que as ações conjuntas das polícias Civil e Militar possibilitaram redução de 8,12% nos crimes de roubo na região entre os anos de 2016 e 2017 e, nos crimes de furto, redução de 1%. “O Grande ABC apresenta queda de 6% nos roubos e furtos de veículos de 2016 para 2017”, neste caso, conforme o Estado, graças a convênios de três cidades – Santo André, São Caetano e Mauá – para instalação do Detecta, sistema que ajuda a coibir a circulação de veículos furtados e roubados.

 

Moradores destacam insegurança nas periferias

 

Insatisfeitos com a quantidade considerada pequena de rondas realizadas em seus bairros, munícipes relatam insegurança ao andar pelas ruas periféricas do Grande ABC.

Morador do bairro Recreio da Borda do Campo, em Santo André, o aposentado Jefferson Luz, 65 anos, é um exemplo. “A gente só escuta falar de assaltos pela vizinhança e segurança que é bom é difícil, meu amigo”, desabafa.

Segundo ele, embora toda vizinhança conheça áreas de concentração de tráfico de drogas e até mesmo de uso de entorpecentes, são raras as rondas que atuam no combate aos crimes. “Você passa todo dia no escadão e vê gente fumando maconha, mas ninguém vai lá fiscalizar e prender essa galera”, afirma.

Para a professora aposentada Maria Lucia Lopes, 73, que reside na Vila Luzita, em Santo André, a insegurança nada mais é do que resultado da falta de valorização dos policiais militares. “Trabalhei no Estado e sei que nós, professores, policiais e profissionais da Saúde, não somos valorizados. Ganhamos pouco para fazer serviço tão importante. O resultado é todo mundo saturado ou doente”, relata.

Para o ajudante geral Roberto Fonseca, 28, que reside na Vila São Pedro, em São Bernardo, a solução para o problema é uma só: reforço do contingente. “Precisam contratar mais policiais. Sabemos que a culpa não é dos profissionais, que dão sua vida por nós”, afirma.

Atualmente, municípios do Grande ABC contam com 5.600 policiais militares. A média é a de um profissional para cada grupo de 482 habitantes, enquanto o considerado ideal pela ONU (Organização das Nações Unidas) é a existência de um PM para grupo de 250 moradores.

 



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Falta de policiais resulta em baixa produtividade

Quadro de profissionais abaixo do ideal afeta rotina de rondas pela região e gera sensação de insegurança

Daniel Macário
Do Diário do Grande ABC

24/04/2018 | 07:00


 A defasagem de policiais militares nas ruas do Grande ABC, conforme mostrado no domingo pelo Diário, tem dificultado o combate ao crime na região. O principal impacto de disponibilizar apenas metade do efetivo preconizado pela ONU (Organização das Nações Unidas) nas sete cidades – há um agente para cada grupo de 482 habitantes, sendo um para 250 indivíduos o ideal – é a necessidade de se priorizar áreas para a realização de rondas, aponta Wilson Moraes, presidente da Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

Com quadro de profissionais abaixo do ideal, a corporação tende a distribuir suas ações entre pontos específicos, tais como áreas com alta incidência de crimes e regiões de comércios. “Os demais bairros ficam sem rondas frequentes, ou seja, vulneráveis”, explica Moraes. “Automaticamente, o serviço acaba comprometido. Reflete desde a ausência de rondas regulares em todos os bairros, como também na diminuição de prisões e apreensões”, completa. A associação estima deficit de 11 mil PMs em todo o Estado.

Nos últimos cinco anos, segundo dados da SSP (Secretaria da Segurança Pública), a produtividade policial na região apresentou queda em pelo menos três quesitos. O principal deles envolve a recuperação de veículos alvos de roubo ou furto. Em 2012, a corporação recuperou 7.377 veículos, ante 6.410 no ano passado – queda de 13,11%. Houve ainda diminuição nos registros de armas de fogo apreendidas. No mesmo período, passaram de 900 para 851 – redução de 14,22%.

A dificuldade em relação aos recursos materiais é outro agravante que compromete o trabalho da PM. Exemplo é o sucateamento de viaturas da corporação. A equipe do Diário flagrou ao menos 35 veículos parados no setor de gerenciamento e manutenção da frota do CPAM-6 (Comando de Policiamento de Área Metropolitana), responsável pela Polícia Militar no Grande ABC, localizado na Vila Guiomar, em Santo André.

O local abriga carros “em baixa”, ou seja, aqueles que aguardam reparos mecânicos ou estão sem condições de circular pelas ruas. “Um veículo da PM tem que ser trocado a cada três ou cinco anos, mas tem carros circulando por até dez anos”, afirma Moraes.

O resultado da combinação de ausência de profissionais e frota sucateada tem sido a sensação de insegurança por parte de moradores. “Raramente vejo policiais rodando no meu bairro. Isso que lá tem vários pontos de tráfico de drogas. Sem contar no fim de semana, quando temos rachas de motos e ninguém aparece”, relata a dona de casa Joelma do Nascimento, 38 anos, moradora do Jardim Santo André, área periférica da cidade.

A situação se repete inclusive em regiões de comércio, como é o caso da Praça 22 de Novembro, no Centro de Mauá. A área, a menos de dois quilômetros de distância da Prefeitura, concentra mercado ilegal de celulares, onde aparelhos são vendidos sem nota fiscal livremente à luz do dia, conforme já denunciado pelo Diário. “Se existisse fiscalização, não teria ninguém vendendo celular lá no Centro”, afirma a empregada doméstica Sônia Maria da Conceição, 46.

Questionada sobre os problemas, a SSP limitou-se a destacar que “graças ao policiamento ostensivo de combate à criminalidade houve significativa redução dos crimes e não da ação policial”. A Pasta diz que as ações conjuntas das polícias Civil e Militar possibilitaram redução de 8,12% nos crimes de roubo na região entre os anos de 2016 e 2017 e, nos crimes de furto, redução de 1%. “O Grande ABC apresenta queda de 6% nos roubos e furtos de veículos de 2016 para 2017”, neste caso, conforme o Estado, graças a convênios de três cidades – Santo André, São Caetano e Mauá – para instalação do Detecta, sistema que ajuda a coibir a circulação de veículos furtados e roubados.

 

Moradores destacam insegurança nas periferias

 

Insatisfeitos com a quantidade considerada pequena de rondas realizadas em seus bairros, munícipes relatam insegurança ao andar pelas ruas periféricas do Grande ABC.

Morador do bairro Recreio da Borda do Campo, em Santo André, o aposentado Jefferson Luz, 65 anos, é um exemplo. “A gente só escuta falar de assaltos pela vizinhança e segurança que é bom é difícil, meu amigo”, desabafa.

Segundo ele, embora toda vizinhança conheça áreas de concentração de tráfico de drogas e até mesmo de uso de entorpecentes, são raras as rondas que atuam no combate aos crimes. “Você passa todo dia no escadão e vê gente fumando maconha, mas ninguém vai lá fiscalizar e prender essa galera”, afirma.

Para a professora aposentada Maria Lucia Lopes, 73, que reside na Vila Luzita, em Santo André, a insegurança nada mais é do que resultado da falta de valorização dos policiais militares. “Trabalhei no Estado e sei que nós, professores, policiais e profissionais da Saúde, não somos valorizados. Ganhamos pouco para fazer serviço tão importante. O resultado é todo mundo saturado ou doente”, relata.

Para o ajudante geral Roberto Fonseca, 28, que reside na Vila São Pedro, em São Bernardo, a solução para o problema é uma só: reforço do contingente. “Precisam contratar mais policiais. Sabemos que a culpa não é dos profissionais, que dão sua vida por nós”, afirma.

Atualmente, municípios do Grande ABC contam com 5.600 policiais militares. A média é a de um profissional para cada grupo de 482 habitantes, enquanto o considerado ideal pela ONU (Organização das Nações Unidas) é a existência de um PM para grupo de 250 moradores.

 

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