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Booktubers: das páginas para a internet

EBC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Jovens com canais na internet têm atraído a atenção das editoras para a divulgação de livros


Daniela Pegoraro

09/04/2018 | 07:00


 Ao abrir um livro, as palavras podem levar o leitor a lugares distantes, desde os trapiches da Bahia de Jorge Amado à escola de bruxaria de J.K Rowling. São diversos gêneros e infinitas histórias para o gosto de cada um. Hoje, os fãs de literatura se organizam em grupos e plataformas digitais para troca de ideias. Um desses espaços é o YouTube, onde canais literários fizeram tanto sucesso e chegaram a um número tão grande de seguidores que as editoras viraram seus olhos para eles. Os chamados booktubers são os produtores de conteúdo que fazem críticas, resenhas, comentários ou discussões por meio de vídeos sobre o que leem.

“Comecei o canal em 2012 como um hobby mesmo. Queria falar sobre livros e não tinha ninguém para conversar sobre o assunto. A coisa saiu do meu controle, porque isso acabou virando meu trabalho (no YouTube, as visualizações são monetizadas)”, conta o andreense Eduardo Cilto, 21 anos, que hoje é dono de um dos canais literários mais conhecidos, Perdido Nos Livros, com cerca de 320 mil inscritos. “Não tem um ponto principal do que eu procuro trazer aos vídeos, mas sempre tento manter o formato do meu canal, que é ser dinâmico. Sempre me preocupo em trazer conteúdo, algo que vai fazer diferença para a pessoa”, acrescenta. Em seu canal, também dá dicas de séries e filmes voltados ao público jovem.

É justamente esse perfil que as editoras tentam alcançar por meio de parcerias com os booktubers. Em nota, a editora Rocco explicou que o mercado da literatura juvenil cresceu logo após o fenômeno Harry Potter e não são todos os lançamentos que encontram espaço na mídia comum, “daí a importância dos blogs, canais de YouTube e redes sociais voltados para este universo, que abriram um novo canal de comunicação entre as editoras e os leitores”.

A Rocco ainda acrescenta que isso não substitui a importância de um crítico tradicional. “A crítica consagrada é uma chancela importante, que dá prestígio ao livro. A crítica dos booktubers é uma leitura não especializada, sujeita a preferências pessoais, mas que serve de referência para grande parte dos leitores.”

A relação entre a editora e os booktubers se dá de maneiras diferentes, como explica Juliana Poggi, 28, de Santo André. Detentora do canal Jotapluftz, começou em 2011 como uma extensão de seu blog literário, e hoje atua com mais de 16 mil inscritos. “O padrão é trabalhar com o que eles chamam de parceria. As editoras fazem uma seleção entre os interessados e disponibilizam catálogo ou lançamentos em troca de resenhas. É muito raro que elas invistam dinheiro nos canais”, explica. Juliana chega a receber seis livros por mês, mas relata que é impossível ler todos só nesse tempo.

COMO AUTOR
A atenção das editoras com os booktubers vai para além da simples parceria. Eduardo Cilto, por exemplo, está lançando sua segunda obra fictícia, Submerso (Editora Outro Planeta, R$ 30, média). “Em Submerso me inspirei muito na minha vida e em tudo que não consegui falar e queria contar em Traços, meu primeiro livro”, explica.

A história é sobre Dimitri, protagonista que não se encontra quando se olha no espelho. Dividido entre rotina atarefada no colégio e o trabalho em antiga locadora, o jovem acaba tendo um surto. É quando ele é levado a um acampamento para ‘desajustados’, que acaba se mostrando ser muito mais complexo.



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Booktubers: das páginas para a internet

Jovens com canais na internet têm atraído a atenção das editoras para a divulgação de livros

Daniela Pegoraro

09/04/2018 | 07:00


 Ao abrir um livro, as palavras podem levar o leitor a lugares distantes, desde os trapiches da Bahia de Jorge Amado à escola de bruxaria de J.K Rowling. São diversos gêneros e infinitas histórias para o gosto de cada um. Hoje, os fãs de literatura se organizam em grupos e plataformas digitais para troca de ideias. Um desses espaços é o YouTube, onde canais literários fizeram tanto sucesso e chegaram a um número tão grande de seguidores que as editoras viraram seus olhos para eles. Os chamados booktubers são os produtores de conteúdo que fazem críticas, resenhas, comentários ou discussões por meio de vídeos sobre o que leem.

“Comecei o canal em 2012 como um hobby mesmo. Queria falar sobre livros e não tinha ninguém para conversar sobre o assunto. A coisa saiu do meu controle, porque isso acabou virando meu trabalho (no YouTube, as visualizações são monetizadas)”, conta o andreense Eduardo Cilto, 21 anos, que hoje é dono de um dos canais literários mais conhecidos, Perdido Nos Livros, com cerca de 320 mil inscritos. “Não tem um ponto principal do que eu procuro trazer aos vídeos, mas sempre tento manter o formato do meu canal, que é ser dinâmico. Sempre me preocupo em trazer conteúdo, algo que vai fazer diferença para a pessoa”, acrescenta. Em seu canal, também dá dicas de séries e filmes voltados ao público jovem.

É justamente esse perfil que as editoras tentam alcançar por meio de parcerias com os booktubers. Em nota, a editora Rocco explicou que o mercado da literatura juvenil cresceu logo após o fenômeno Harry Potter e não são todos os lançamentos que encontram espaço na mídia comum, “daí a importância dos blogs, canais de YouTube e redes sociais voltados para este universo, que abriram um novo canal de comunicação entre as editoras e os leitores”.

A Rocco ainda acrescenta que isso não substitui a importância de um crítico tradicional. “A crítica consagrada é uma chancela importante, que dá prestígio ao livro. A crítica dos booktubers é uma leitura não especializada, sujeita a preferências pessoais, mas que serve de referência para grande parte dos leitores.”

A relação entre a editora e os booktubers se dá de maneiras diferentes, como explica Juliana Poggi, 28, de Santo André. Detentora do canal Jotapluftz, começou em 2011 como uma extensão de seu blog literário, e hoje atua com mais de 16 mil inscritos. “O padrão é trabalhar com o que eles chamam de parceria. As editoras fazem uma seleção entre os interessados e disponibilizam catálogo ou lançamentos em troca de resenhas. É muito raro que elas invistam dinheiro nos canais”, explica. Juliana chega a receber seis livros por mês, mas relata que é impossível ler todos só nesse tempo.

COMO AUTOR
A atenção das editoras com os booktubers vai para além da simples parceria. Eduardo Cilto, por exemplo, está lançando sua segunda obra fictícia, Submerso (Editora Outro Planeta, R$ 30, média). “Em Submerso me inspirei muito na minha vida e em tudo que não consegui falar e queria contar em Traços, meu primeiro livro”, explica.

A história é sobre Dimitri, protagonista que não se encontra quando se olha no espelho. Dividido entre rotina atarefada no colégio e o trabalho em antiga locadora, o jovem acaba tendo um surto. É quando ele é levado a um acampamento para ‘desajustados’, que acaba se mostrando ser muito mais complexo.

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