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Guerra do Iraque termina com balanço contraditório para Blair


Da AFP

14/04/2003 | 09:47


A guerra no Iraque termina com um balanço contraditório para o primeiro-ministro britânico Tony Blair: um sucesso militar e um eixo Londres-Washington mais forte do que nunca, mas também com uma "velha Europa" para reconstruir e com os trabalhistas divididos a nível interno.

Londres enviou 45 mil militares ao Golfo Pérsico - quase uma quarta parte dos efetivos de suas forças armadas - e as perdas foram modestas: 30 mortos até este 14 de abril. As forças armadas britânicas, as mais poderosas da Europa, mostraram neste conflito uma eficácia e um profissionalismo exaltados pelos especialistas. Não se registraram "disparos amigos" nem civis mortos por soldados em pânico, como aconteceu com os americanos.

O Sul do Iraque foi conquistado com paciência, depois de combates violentos, mas com sangue frio, o que demonstra - se orgulham os meios de comunicação ingleses - que o ensino em Sandhurst, a academia militar britânica, é melhor do que em West Point, sua equivalente americana.

A relação privilegiada com Washington sai reforçada desta guerra. E o trabalhista Blair está mais próximo do republicano George W. Bush do que qualquer outro primeiro-ministro britânico antes dele, a não ser a conservadora Margaret Thatcher. Os críticos dirão que o Reino Unido é o "cão de guarda" dos Estados Unidos, correndo mais uma vez o risco de ser considerado na Europa como o 51º estado dos EUA. Entretanto, tanto Paris como Berlim desejam reconciliar-se com Washington e neste sentido Londres tem um importante trunfo como intermediário.

De qualquer modo, a Europa, velha ou nova, é uma "vítima colateral" desta guerra. Apesar dos sorrisos, as relações entre Londres, Paris e Berlim estão tensas. Numa entrevista recente à AFP, o ministro britânico para a Europa, Denis MacShane, se surpreendeu de que se pudesse desejar uma política externa comum. Por que deveria a Europa falar sempre com uma só voz?", perguntou.

Estas declarações reforçam os temores dos que em Paris, Berlim ou Bruxelas temem que Londres se satisfaça com uma Europa reduzida a uma vasta zona econômica de livre comércio. Os dez países que ingressarão na UE em 2004 dão às vezes a impressão de compartilhar este ponto de vista.

Internamente, o idílio entre Blair e sua opinião pública acabou. Graças ao reflexo nacionalista, esta apoiou mais ou menos a guerra, mas nas ruas de Londres e de outras cidades importantes, ecoam ainda as manifestações pacifistas das últimas semanas. As relações entre Blair e os trabalhistas da velha escola são más e os ferimentos abertos por este conflito estão longe de cicatrizar.

Como lembrava esta segunda-feira o jornal The Guardian, Blair só conseguiu conter a revolta trabalhista através de uma "campanha selvagem contra (o presidente francês Jacques) Chirac", durante a qual acusou a França de ter tornado esta guerra inevitável. Segundo a imprensa, centenas de militantes trabalhistas rasgaram seu carnê do partido e as eleições locais de 1º de maio podem ser dolorosas para um Partido Trabalhista cada vez menos à esquerda.



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Guerra do Iraque termina com balanço contraditório para Blair

Da AFP

14/04/2003 | 09:47


A guerra no Iraque termina com um balanço contraditório para o primeiro-ministro britânico Tony Blair: um sucesso militar e um eixo Londres-Washington mais forte do que nunca, mas também com uma "velha Europa" para reconstruir e com os trabalhistas divididos a nível interno.

Londres enviou 45 mil militares ao Golfo Pérsico - quase uma quarta parte dos efetivos de suas forças armadas - e as perdas foram modestas: 30 mortos até este 14 de abril. As forças armadas britânicas, as mais poderosas da Europa, mostraram neste conflito uma eficácia e um profissionalismo exaltados pelos especialistas. Não se registraram "disparos amigos" nem civis mortos por soldados em pânico, como aconteceu com os americanos.

O Sul do Iraque foi conquistado com paciência, depois de combates violentos, mas com sangue frio, o que demonstra - se orgulham os meios de comunicação ingleses - que o ensino em Sandhurst, a academia militar britânica, é melhor do que em West Point, sua equivalente americana.

A relação privilegiada com Washington sai reforçada desta guerra. E o trabalhista Blair está mais próximo do republicano George W. Bush do que qualquer outro primeiro-ministro britânico antes dele, a não ser a conservadora Margaret Thatcher. Os críticos dirão que o Reino Unido é o "cão de guarda" dos Estados Unidos, correndo mais uma vez o risco de ser considerado na Europa como o 51º estado dos EUA. Entretanto, tanto Paris como Berlim desejam reconciliar-se com Washington e neste sentido Londres tem um importante trunfo como intermediário.

De qualquer modo, a Europa, velha ou nova, é uma "vítima colateral" desta guerra. Apesar dos sorrisos, as relações entre Londres, Paris e Berlim estão tensas. Numa entrevista recente à AFP, o ministro britânico para a Europa, Denis MacShane, se surpreendeu de que se pudesse desejar uma política externa comum. Por que deveria a Europa falar sempre com uma só voz?", perguntou.

Estas declarações reforçam os temores dos que em Paris, Berlim ou Bruxelas temem que Londres se satisfaça com uma Europa reduzida a uma vasta zona econômica de livre comércio. Os dez países que ingressarão na UE em 2004 dão às vezes a impressão de compartilhar este ponto de vista.

Internamente, o idílio entre Blair e sua opinião pública acabou. Graças ao reflexo nacionalista, esta apoiou mais ou menos a guerra, mas nas ruas de Londres e de outras cidades importantes, ecoam ainda as manifestações pacifistas das últimas semanas. As relações entre Blair e os trabalhistas da velha escola são más e os ferimentos abertos por este conflito estão longe de cicatrizar.

Como lembrava esta segunda-feira o jornal The Guardian, Blair só conseguiu conter a revolta trabalhista através de uma "campanha selvagem contra (o presidente francês Jacques) Chirac", durante a qual acusou a França de ter tornado esta guerra inevitável. Segundo a imprensa, centenas de militantes trabalhistas rasgaram seu carnê do partido e as eleições locais de 1º de maio podem ser dolorosas para um Partido Trabalhista cada vez menos à esquerda.

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