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Defensora de eutanásia é insultada


Luciano Cavenagui
Do Diário do Grande ABC

30/03/2005 | 15:11


Desde que defendeu publicamente posição a favor da eutanásia, a autônoma Milena Bonato Mascaro, 40 anos, moradora de São Bernardo, tem sido chamada de assassina e monstra. Ela recebe e-mails diários de pessoas anônimas que a agridem por ter dito que aprovaria aplicar a eutanásia – caso a Justiça brasileira admitisse – em seu marido, Giovanino Mascaro, 50 anos, que vive em estado vegetativo persistente (sem consciência alguma) há cinco anos.

Mascaro sofreu um infarto e, segundo os médicos, seu quadro clínico é irreversível. Ele está internado na Clínica de Repouso Jardim, no bairro Jardim, em Santo André, e seu caso é semelhante com o drama da americana Terri Schiavo, 41 anos, que deflagrou nas últimas semanas o debate sobre eutanásia no mundo inteiro.

A história do casal da região foi revelada pelo Diário no último sábado. “Desde então, venho recebendo dezenas de mensagens de pessoas que não se identificam e me chamam de assassina, homicida e outros insultos parecidos. Na rua, algumas pessoas que não conheço passam por mim e me xingam. A sociedade brasileira não está preparada para o debate sobre eutanásia”, afirma Milena.

Ela diz que ficou magoada também com a atitude dos três irmãos do marido, únicos familiares da parte dele vivos. “Eles não me telefonaram e não se manifestaram em nada. Já faziam isso depois da doença, mas pensei que pudessem mudar de atitude.” A reportagem não localizou os irmãos para comentarem o assunto.

Milena e Mascaro começaram a namorar há 25 anos. Ela tinha 14 anos e ele, 24. Moravam na Vila Alpina, zona Leste da capital. A cupido foi uma sobrinha de Mascaro, que cursava o 1º grau na mesma escola que Milena. “Logo me cativei pela sua alegria e gentileza”, relembra. Segundo a autônoma, as famílias de ambos não se importaram com a diferença de idade.

Mascaro se formou em Administração pela Fundação Getúlio Vargas e, logo depois, casaram-se e foram morar em São Bernardo. Tudo mudou há cinco anos, numa fatídica terça-feira, quando Mascaro sofreu uma parada cardiorrespiratória durante 20 minutos.

Milena e Mascaro têm dois filhos. A última festa que participou foi o aniversário de 15 anos da filha mais velha. Há cinco anos que não emite uma palavra e a família vive o drama. Milena conta que não tem nenhum arrependimento da sua postura. “Teria o mesmo posicionamento com relação aos meus dois filhos, se eles manifestassem em vida o desejo da eutanásia, como o meu marido o fez.”


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Defensora de eutanásia é insultada

Luciano Cavenagui
Do Diário do Grande ABC

30/03/2005 | 15:11


Desde que defendeu publicamente posição a favor da eutanásia, a autônoma Milena Bonato Mascaro, 40 anos, moradora de São Bernardo, tem sido chamada de assassina e monstra. Ela recebe e-mails diários de pessoas anônimas que a agridem por ter dito que aprovaria aplicar a eutanásia – caso a Justiça brasileira admitisse – em seu marido, Giovanino Mascaro, 50 anos, que vive em estado vegetativo persistente (sem consciência alguma) há cinco anos.

Mascaro sofreu um infarto e, segundo os médicos, seu quadro clínico é irreversível. Ele está internado na Clínica de Repouso Jardim, no bairro Jardim, em Santo André, e seu caso é semelhante com o drama da americana Terri Schiavo, 41 anos, que deflagrou nas últimas semanas o debate sobre eutanásia no mundo inteiro.

A história do casal da região foi revelada pelo Diário no último sábado. “Desde então, venho recebendo dezenas de mensagens de pessoas que não se identificam e me chamam de assassina, homicida e outros insultos parecidos. Na rua, algumas pessoas que não conheço passam por mim e me xingam. A sociedade brasileira não está preparada para o debate sobre eutanásia”, afirma Milena.

Ela diz que ficou magoada também com a atitude dos três irmãos do marido, únicos familiares da parte dele vivos. “Eles não me telefonaram e não se manifestaram em nada. Já faziam isso depois da doença, mas pensei que pudessem mudar de atitude.” A reportagem não localizou os irmãos para comentarem o assunto.

Milena e Mascaro começaram a namorar há 25 anos. Ela tinha 14 anos e ele, 24. Moravam na Vila Alpina, zona Leste da capital. A cupido foi uma sobrinha de Mascaro, que cursava o 1º grau na mesma escola que Milena. “Logo me cativei pela sua alegria e gentileza”, relembra. Segundo a autônoma, as famílias de ambos não se importaram com a diferença de idade.

Mascaro se formou em Administração pela Fundação Getúlio Vargas e, logo depois, casaram-se e foram morar em São Bernardo. Tudo mudou há cinco anos, numa fatídica terça-feira, quando Mascaro sofreu uma parada cardiorrespiratória durante 20 minutos.

Milena e Mascaro têm dois filhos. A última festa que participou foi o aniversário de 15 anos da filha mais velha. Há cinco anos que não emite uma palavra e a família vive o drama. Milena conta que não tem nenhum arrependimento da sua postura. “Teria o mesmo posicionamento com relação aos meus dois filhos, se eles manifestassem em vida o desejo da eutanásia, como o meu marido o fez.”

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