Fechar
Publicidade

Sábado, 8 de Agosto

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

Economia

soraiapedrozo@dgabc.com.br | 4435-8057

Perdigao diz que greve 'estrangula' setor de aves e suínos


Do Diário do Grande ABC

27/07/1999 | 16:52


A paralisaçao nacional dos caminhoneiros está provocando um "estrangulamento" nas indústrias de processamento de aves e suínos, que estao trabalhando com limites de estocagem nas fábricas, por nao conseguir levar as mercadorias para as redes de varejo. O diretor de relaçoes institucionais da Perdigao, Ricardo Menezes, disse que ainda nao é possível dimensionar os prejuízos que a greve dos caminhoneiros está provocando no setor.

Segundo ele, a paralisaçao dos caminhoneiros causa problemas sérios porque as indústrias nao conseguem levar raçao, matrizes de aves e pintos de um dia para granjas, além de nao ter poder retirar das propriedades rurais os animais prontos para abate.

Menezes afirmou que o problema é mais sério no meio-oeste de Santa Catarina e em todo o Paraná, colocando em risco os plantéis existentes nas granjas, que estao ficando sem alimentos. "Muitos caminhoes conseguem sair mas nao têm como voltar, pois sao bloqueados nas estradas", afirmou.

O diretor da Perdigao disse que, por enquanto, a paralisaçao dos caminhoneiros ainda nao afetou as exportaçoes porque as indústrias contam com estoques nos portos em volume suficiente para carregar os navios que estao atracados. "Caso a greve continue nos próximos dias, será mais um complicador", disse.

A paralisaçao de caminhoneiros também está afetando a comercializaçao de ovos e frango vivo. Corretores de frango vivo na regiao de Sao Carlos, em Sao Paulo, disseram que há pouca procura pela mercadoria porque os frigoríficos temem comprar o produto e nao conseguir transportá-lo até a unidade de abate. Na regiao de Porto Ferreira, há caminhoes com aves, que se dirigiam para Sao Paulo, retidos na rodovia Anhanguera.

O superintendente da Associaçao Paulista de Avicultura, José Carlos Teixeira da Silva, disse que o setor deve apelar às autoridades para que produtos perecíveis, como é o caso do frango e dos ovos, e produtos agrícolas tenham permissao para atravessar os bloqueios nas estradas.

Segundo Silva, a paralisaçao pode levar à mortalidade de frangos e à queda de produtividade, uma vez que há dificuldade no trânsito de insumos, como raçoes, para as granjas. Na regiao de Bastos, principal produtora de ovos do Estado, há caminhoes do produto parados nos bloqueios formados pelos grevistas.

Para o superintendente da APA, a greve nao deve afetar a oferta de produtos avícolas imediatamente, mas poderia ter efeitos num prazo mais longo, caso continue.

Os produtores de pintos de um dia também estao apreensivos com a paralisaçao dos caminhoneiros, que afeta o trânsito das aves, e pode levar à mortalidade dos pintinhos. O secretário-executivo da Associaçao Brasileira dos Produtores de Pintos de Corte, José Carlos Godoy, disse que a paralisaçao pode levar a perdas significativas no setor, "de um dia para outro".

Considerando uma produçao nacional de 265 milhoes de pintinhos de corte/mês, poderia haver uma perda de até 11 milhoes de pintinhos/dia, de acordo com Godoy, caso haja bloqueio em estradas de todas as regioes de produçao.

Segundo ele, produtores do setor informaram à Apinco que havia caminhoes retidos com pintos de corte em barreiras no interior de Sao Paulo. Em alguns casos, os caminhoes conseguiram chegar ao destino, mas nao puderam retornar às empresas que fazem a incubaçao dos pintinhos para fazer novo carregamento.

O secretário-executivo da Apinco destacou, contudo, que o fluxo das aves é intenso entre os estados. Sao Paulo, que é o maior produtor de pintos de um dia, fornece para Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, mas também recebe aves do Paraná e de Minas Gerais, por exemplo. De acordo com José Carlos Godoy, os pintos de um dia sobrevivem pouco mais de 24 horas sem alimentaçao.

Além disso, as empresas que fazem a incubaçao dos pintinhos também teriam de sacrificar as aves, caso nao consigam transportar para as granjas, que vao criar os frangos. "O nascimento (de pintinhos) é contínuo, e o processo nao pode ser interrompido", disse Godoy. Em sua avaliaçao, a greve pode levar a lacunas na oferta de frango nos próximos dias.



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.

Perdigao diz que greve 'estrangula' setor de aves e suínos

Do Diário do Grande ABC

27/07/1999 | 16:52


A paralisaçao nacional dos caminhoneiros está provocando um "estrangulamento" nas indústrias de processamento de aves e suínos, que estao trabalhando com limites de estocagem nas fábricas, por nao conseguir levar as mercadorias para as redes de varejo. O diretor de relaçoes institucionais da Perdigao, Ricardo Menezes, disse que ainda nao é possível dimensionar os prejuízos que a greve dos caminhoneiros está provocando no setor.

Segundo ele, a paralisaçao dos caminhoneiros causa problemas sérios porque as indústrias nao conseguem levar raçao, matrizes de aves e pintos de um dia para granjas, além de nao ter poder retirar das propriedades rurais os animais prontos para abate.

Menezes afirmou que o problema é mais sério no meio-oeste de Santa Catarina e em todo o Paraná, colocando em risco os plantéis existentes nas granjas, que estao ficando sem alimentos. "Muitos caminhoes conseguem sair mas nao têm como voltar, pois sao bloqueados nas estradas", afirmou.

O diretor da Perdigao disse que, por enquanto, a paralisaçao dos caminhoneiros ainda nao afetou as exportaçoes porque as indústrias contam com estoques nos portos em volume suficiente para carregar os navios que estao atracados. "Caso a greve continue nos próximos dias, será mais um complicador", disse.

A paralisaçao de caminhoneiros também está afetando a comercializaçao de ovos e frango vivo. Corretores de frango vivo na regiao de Sao Carlos, em Sao Paulo, disseram que há pouca procura pela mercadoria porque os frigoríficos temem comprar o produto e nao conseguir transportá-lo até a unidade de abate. Na regiao de Porto Ferreira, há caminhoes com aves, que se dirigiam para Sao Paulo, retidos na rodovia Anhanguera.

O superintendente da Associaçao Paulista de Avicultura, José Carlos Teixeira da Silva, disse que o setor deve apelar às autoridades para que produtos perecíveis, como é o caso do frango e dos ovos, e produtos agrícolas tenham permissao para atravessar os bloqueios nas estradas.

Segundo Silva, a paralisaçao pode levar à mortalidade de frangos e à queda de produtividade, uma vez que há dificuldade no trânsito de insumos, como raçoes, para as granjas. Na regiao de Bastos, principal produtora de ovos do Estado, há caminhoes do produto parados nos bloqueios formados pelos grevistas.

Para o superintendente da APA, a greve nao deve afetar a oferta de produtos avícolas imediatamente, mas poderia ter efeitos num prazo mais longo, caso continue.

Os produtores de pintos de um dia também estao apreensivos com a paralisaçao dos caminhoneiros, que afeta o trânsito das aves, e pode levar à mortalidade dos pintinhos. O secretário-executivo da Associaçao Brasileira dos Produtores de Pintos de Corte, José Carlos Godoy, disse que a paralisaçao pode levar a perdas significativas no setor, "de um dia para outro".

Considerando uma produçao nacional de 265 milhoes de pintinhos de corte/mês, poderia haver uma perda de até 11 milhoes de pintinhos/dia, de acordo com Godoy, caso haja bloqueio em estradas de todas as regioes de produçao.

Segundo ele, produtores do setor informaram à Apinco que havia caminhoes retidos com pintos de corte em barreiras no interior de Sao Paulo. Em alguns casos, os caminhoes conseguiram chegar ao destino, mas nao puderam retornar às empresas que fazem a incubaçao dos pintinhos para fazer novo carregamento.

O secretário-executivo da Apinco destacou, contudo, que o fluxo das aves é intenso entre os estados. Sao Paulo, que é o maior produtor de pintos de um dia, fornece para Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, mas também recebe aves do Paraná e de Minas Gerais, por exemplo. De acordo com José Carlos Godoy, os pintos de um dia sobrevivem pouco mais de 24 horas sem alimentaçao.

Além disso, as empresas que fazem a incubaçao dos pintinhos também teriam de sacrificar as aves, caso nao consigam transportar para as granjas, que vao criar os frangos. "O nascimento (de pintinhos) é contínuo, e o processo nao pode ser interrompido", disse Godoy. Em sua avaliaçao, a greve pode levar a lacunas na oferta de frango nos próximos dias.

Ao acessar você concorda com a nossa Política de Privacidade.


Para continuar, faça o seu login:


  • Aceito receber novidades e ofertas do Diário do Grande ABC e parceiros por
    correio eletrônico, mala direta, SMS ou outros meios de comunicação.


Ou acesse todo o conteúdo de forma ilimitada:

Veja como ter acesso a todo o conteúdo de forma ilimitada:

Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;