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Fome ameaça milhares de pessoas em Kosovo


Do Diário do Grande ABC

12/04/1999 | 09:03


Encurralados em Kosovo entre os ataques aéreos da Otan, os combates terrestres dos rebeldes e as operaçoes de limpeza étnica de Belgrado, milhares de albaneses se encontram isolados de qualquer ajuda humanitária e começam a sofrer com a fome na província.

Em 31 de março passado, a diretora do Programa Alimentar Mundial (PAM) das Naçoes Unidas, Catherine Bertini, lançou o grito de alerta. Centenas de milhares de albaneses do Kosovo se encontrarao ameaçados pela fome em ``10 ou 15 dias''.

Onze dias mais tarde, os relatos dos refugiados que chegaram recentemente à Albânia e as estimativas dos especialistas fazem temer o pior.

``A situaçao alimentar é muito difícil para as pessoas encurraladas nas zonas controladas pelo Exército de Libertaçao do Kosovo (UCK), que em sua maioria foram atacadas neste verao (boreal) e nao dispoem praticamente de nenhuma reserva'', assegura Cyril Ferrand, agrônomo da ONG francesa Action Contre la Faim, atualmente em açao na Macedônia.

``Muitas pessoas desabrigadas pelos combates nao puderam fazer a colheita este verao e as reservas dos que puderam fazê-lo foram destruídas; além disso, semear também tem sido difícil'', acrescentou.

Segundo a Otan, 200.000 pessoas vivem atualmente nas montanhas. ``O que quer dizer que seu abastecimento é difícil'', reconheceu no sábado seu porta-voz, Jamie Shea.

Antes da evacuaçao de todas as ONGs, mais de 210.000 kosovares dependiam das cestas básicas do PAM para comer, contendo 12 kg de farinha, um litro de azeite e um quilo de açúcar por pessoa, ou seja, 3.150 toneladas distribuídas por mês.

``Hoje nao temos informaçoes confirmadas, mas nossa impressao é de que a situaçao é terrível'', afirma Laura Linnenbeck, membro da missao do PAM em Kosovo, também representada em en Skopje.

Em Kukes (norte da Albânia), Jeff Rowland, também do PAM, confirma que se trata de ``nosso maior problema, há muitas mulheres e crianças e sua situaçao se deteriora rapidamente''.

Jakup Bulatovci, 50 anos, chegou este domingo ao posto fronteiriço albanês de Morine. ``Há dias comíamos apenas tortas de farinha; somente as mulheres idosas se atreviam a sair, mas os escassos comércios abertos sao sérvios e se negavam a atender os albaneses'', afirmou.



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