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Da escola às urnas

Rafaela Boani se inspira em movimento estudantil de 2015, que ocupou colégios contra plano estadual, para conquistar espaço na política institucional


Júnior Carvalho
Do Diário do Grande ABC

13/07/2020 | 00:01


Há cinco anos, Rafaela Boani, então com 16, se uniu a colegas do ensino médio da EE Diadema, no Centro, para protestar contra projeto do governo paulista de reorganização escolar que resultaria em fechamentos de salas de aula. A possibilidade de ver a escola onde estudou ser sucateada fez com que a então adolescente se transformasse em uma das líderes do movimento de estudantes secundaristas que consistia em ocupar o colégio como forma de protesto.

Apoiados por professores, movimentos sociais, sindicatos e até por políticos, os estudantes passaram noites no colégio, conseguiram com que as ocupações fossem reproduzidas em outras escolas do Estado e viram a gestão do então governador Geraldo Alckmin (PSDB) sucumbir e desistir do projeto depois de meses tentando findar o movimento com repressão policial e com pedidos de intervenção da Justiça.

A iniciativa de ocupar fisicamente espaços reivindicados como direitos é prática comum de movimentos sociais, como ocorre com a luta dos sem-teto em busca de moradia. Mas o significado literal da palavra ‘ocupar’ é que inspira Rafaela, hoje com 21 anos e estudante de Direito, nos dias atuais. Recém-filiada ao Psol, ela será candidata a prefeita no pleito deste ano e usa o mesmo espírito do movimento estudantil de cinco anos atrás para conquistar um outro espaço precariamente ocupado por mulheres: a política institucional. “Sempre digo que somos da ocupação para o mundo. Se ocupar uma escola para eles foi pouco, nós vamos ocupar a prefeitura” vislumbra.

Rafaela conta que, inicialmente, a ideia era ser candidata a vereadora, mas que teve o nome indicado pelo partido para ser prefeiturável depois que a então escolhida teve de desistir do projeto. “Eu nunca fui filiada, nunca participei de um partido. Isso surgiu mesmo depois das ocupações, que tive contatos com algumas pessoas, como a (deputada federal Luiza) Erundina, o (deputado estadual Carlos) Giannazi, e também conheci a (deputada federal) Sâmia (Bomfim, todos do Psol) nessa época”, diz Rafaela, que lembra com saudosismo o movimento que a inseriu na política partidária. “A minha vida toda eu estudei na EE Diadema e com o projeto do governo em querer fechar as escolas e os turnos eu fiquei muito assustada, meus irmãos estudavam lá. Era uma coisa muito presente na minha vida. Não poderia ver a escola daquele jeito”, relembra.

A vontade de ocupar um cargo que nunca foi exercido por uma mulher se justifica ainda mais com o histórico minúsculo de candidatas na história de Diadema nos últimos quase 50 anos: apenas quatro mulheres disputaram o Paço diademense nesse período – Marion Magali de Oliveira (1976 e 1982); Eliete Menezes (1992); Regina Gonçalves (2000) e Maridite Cristóvão (2012) – nenhuma venceu. A atual legislatura na Câmara, inclusive, é composta exclusivamente por 21 homens. “Esse cenário machista, opressor e preconceituoso tem que acabar. Não devemos nos intimidar e sim resistir”, defende a jovem, que diz não se intimidar em concorrer com políticos tradicionais. “Eu me sinto motivada e com mais vontade de lutar. Quero poder representar a todos. Sabemos o quanto as pessoas ainda têm tabu sobre falar de política porque muitos dizem estar cansados e que sempre são os mesmos. Então, prazer, eu sou a nova política”.

Será a segunda vez que o Psol terá candidato ao Paço em Diadema (a primeira foi em 2016). Rafaela terá como vice Vitor Barbosa. 



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