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Estudantes de S.Bernardo estão há dois anos sem material didático


Regiane Soares
Do Diário do Grande ABC

25/06/2005 | 07:46


Os 44 mil alunos de 1ª a 4ª séries da rede pública de ensino em São Bernardo estão sem livro didático há dois anos. Isso porque a Prefeitura considera fraco o material distribuído gratuitamente pelo MEC (Ministério da Educação e Cultura), através do Programa Nacional do Livro Didático, e a cartilha adotada pelo Executivo, em 2003, foi reprovada por educadores da rede, que questionaram, na época, seu conteúdo. Desde então, professores e os estudantes do Ensino Fundamental têm sido obrigados a recorrer a cópias mimeografadas para suprir a falta de material didático.

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Nesta semana, o Ministério Público recebeu parecer elaborado por professores da USP (Universidade de São Paulo), confirmando que o cartilhão é impróprio. A Promotoria Pública não permitiu que o Diário tivesse acesso ao laudo técnico, embora o processo não esteja em segredo de Justiça.

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Em novembro de 2002, integrantes da Equipe de Orientação Técnica foram convidados pelo Departamento de Ações Educacionais da Secretaria de Educação para analisar o cartilhão. Antes da compra do material, a comissão fez duras críticas ao conteúdo didático. "Constatamos nas atividades apresentadas, especialmente nas propostas de alfabetização, uma concepção empirista de aprendizagem (cópia, repetição e discriminação visual), o que vai frontalmente contra os Parâmetros Curriculares Nacionais", diz trecho do documento. Há erros de ortografia, tempo verbal e pontuação até mesmo no hino oficial de São Bernardo, além de exercícios com entendimento dúbio.

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Em fevereiro de 2003, quando a contrato para a compra do material já havia sido firmado entre a Prefeitura e a Filosofart, um segundo parecer a respeito do material foi elaborado. No documento, os educadores reiteraram as críticas feitas antes da compra do cartilhão.

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Sem comentários -Admir Ferro continua na administração municipal como secretário especial de Ações à Comunidade, mas preferiu não falar sobre o caso. Em nota oficial, o governo do prefeito William Dib (PSB) ressalta que o cartilhão foi aprovado por 75% dos professores e 90% dos pais de alunos consultados pela Secretaria de Educação em 2003.",1]);//-->

Em 2002, a Prefeitura de São Bernardo pagou R$ 5,7 milhões para a editora Filosofart, de Curitiba (PR), confeccionar o cartilhão, que, segundo educadores da cidade, apresentava potencial didático questionável, erros de informações e sem linha pedagógica. A suspensão do material, no entanto, só ocorreu no ano seguinte, após orientação do Ministério Público, que investiga irregularidades na licitação para a compra dos livros.

Nesta semana, o Ministério Público recebeu parecer elaborado por professores da USP (Universidade de São Paulo), confirmando que o cartilhão é impróprio. A Promotoria Pública não permitiu que o Diário tivesse acesso ao laudo técnico, embora o processo não esteja em segredo de Justiça.

Em novembro de 2002, integrantes da Equipe de Orientação Técnica foram convidados pelo Departamento de Ações Educacionais da Secretaria de Educação para analisar o cartilhão. Antes da compra do material, a comissão fez duras críticas ao conteúdo didático. "Constatamos nas atividades apresentadas, especialmente nas propostas de alfabetização, uma concepção empirista de aprendizagem (cópia, repetição e discriminação visual), o que vai frontalmente contra os Parâmetros Curriculares Nacionais", diz trecho do documento. Há erros de ortografia, tempo verbal e pontuação até mesmo no hino oficial de São Bernardo, além de exercícios com entendimento dúbio.

Em fevereiro de 2003, quando a contrato para a compra do material já havia sido firmado entre a Prefeitura e a Filosofart, um segundo parecer a respeito do material foi elaborado. No documento, os educadores reiteraram as críticas feitas antes da compra do cartilhão.

Sem comentários -Admir Ferro continua na administração municipal como secretário especial de Ações à Comunidade, mas preferiu não falar sobre o caso. Em nota oficial, o governo do prefeito William Dib (PSB) ressalta que o cartilhão foi aprovado por 75% dos professores e 90% dos pais de alunos consultados pela Secretaria de Educação em 2003.

Apesar dos números favoráveis da administração, educadores e pais de alunos ouvidos pela reportagem condenaram as cartilhas adotadas em 2003 e a conseqüente falta de material didático. Temendo retaliações, eles preferiram não se identificar. A diretora de uma escola lembrou que o material chegou depois de os professores terem elaborado o planejamento anual. "O que estava proposto nas cartilhas não foi igual ao que tínhamos planejado. Usamos muito pouco porque o material chegava atrasado todos os bimestres", conta uma diretora, que também questionou o conteúdo dos cadernos. "Hoje o método mais usado é o construtivismo, que faz o aluno pensar para realmente aprender. Mas as atividades propostas eram como de uma cartilha de antigamente, metódica", completa.

Uma professora ressaltou que a questão que mais incomodava é que o livro não tinha proposta pedagógica coerente. Segundo ela, os programas do MEC permitem que os educadores escolham entre um rol de livros. "No cartilhão não tínhamos opção. Perdemos toda autonomia pedagógica", conta a professora, que atualmente tem de preparar atividades em cópias avulsas ou mimeografadas.

A mãe de uma aluna da segunda série confirmou a versão da educadora. "A professora usa o que tem, como cópias", disse a mãe, que lamenta a falta de material didático. "Gostaria muito que tivesse livro, porque ajudaria bastante as crianças e favoreceria o aprendizado", comenta a mulher.



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Estudantes de S.Bernardo estão há dois anos sem material didático

Regiane Soares
Do Diário do Grande ABC

25/06/2005 | 07:46


Os 44 mil alunos de 1ª a 4ª séries da rede pública de ensino em São Bernardo estão sem livro didático há dois anos. Isso porque a Prefeitura considera fraco o material distribuído gratuitamente pelo MEC (Ministério da Educação e Cultura), através do Programa Nacional do Livro Didático, e a cartilha adotada pelo Executivo, em 2003, foi reprovada por educadores da rede, que questionaram, na época, seu conteúdo. Desde então, professores e os estudantes do Ensino Fundamental têm sido obrigados a recorrer a cópias mimeografadas para suprir a falta de material didático.

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Nesta semana, o Ministério Público recebeu parecer elaborado por professores da USP (Universidade de São Paulo), confirmando que o cartilhão é impróprio. A Promotoria Pública não permitiu que o Diário tivesse acesso ao laudo técnico, embora o processo não esteja em segredo de Justiça.

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Em novembro de 2002, integrantes da Equipe de Orientação Técnica foram convidados pelo Departamento de Ações Educacionais da Secretaria de Educação para analisar o cartilhão. Antes da compra do material, a comissão fez duras críticas ao conteúdo didático. "Constatamos nas atividades apresentadas, especialmente nas propostas de alfabetização, uma concepção empirista de aprendizagem (cópia, repetição e discriminação visual), o que vai frontalmente contra os Parâmetros Curriculares Nacionais", diz trecho do documento. Há erros de ortografia, tempo verbal e pontuação até mesmo no hino oficial de São Bernardo, além de exercícios com entendimento dúbio.

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Em fevereiro de 2003, quando a contrato para a compra do material já havia sido firmado entre a Prefeitura e a Filosofart, um segundo parecer a respeito do material foi elaborado. No documento, os educadores reiteraram as críticas feitas antes da compra do cartilhão.

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Sem comentários -Admir Ferro continua na administração municipal como secretário especial de Ações à Comunidade, mas preferiu não falar sobre o caso. Em nota oficial, o governo do prefeito William Dib (PSB) ressalta que o cartilhão foi aprovado por 75% dos professores e 90% dos pais de alunos consultados pela Secretaria de Educação em 2003.",1]);//-->

Em 2002, a Prefeitura de São Bernardo pagou R$ 5,7 milhões para a editora Filosofart, de Curitiba (PR), confeccionar o cartilhão, que, segundo educadores da cidade, apresentava potencial didático questionável, erros de informações e sem linha pedagógica. A suspensão do material, no entanto, só ocorreu no ano seguinte, após orientação do Ministério Público, que investiga irregularidades na licitação para a compra dos livros.

Nesta semana, o Ministério Público recebeu parecer elaborado por professores da USP (Universidade de São Paulo), confirmando que o cartilhão é impróprio. A Promotoria Pública não permitiu que o Diário tivesse acesso ao laudo técnico, embora o processo não esteja em segredo de Justiça.

Em novembro de 2002, integrantes da Equipe de Orientação Técnica foram convidados pelo Departamento de Ações Educacionais da Secretaria de Educação para analisar o cartilhão. Antes da compra do material, a comissão fez duras críticas ao conteúdo didático. "Constatamos nas atividades apresentadas, especialmente nas propostas de alfabetização, uma concepção empirista de aprendizagem (cópia, repetição e discriminação visual), o que vai frontalmente contra os Parâmetros Curriculares Nacionais", diz trecho do documento. Há erros de ortografia, tempo verbal e pontuação até mesmo no hino oficial de São Bernardo, além de exercícios com entendimento dúbio.

Em fevereiro de 2003, quando a contrato para a compra do material já havia sido firmado entre a Prefeitura e a Filosofart, um segundo parecer a respeito do material foi elaborado. No documento, os educadores reiteraram as críticas feitas antes da compra do cartilhão.

Sem comentários -Admir Ferro continua na administração municipal como secretário especial de Ações à Comunidade, mas preferiu não falar sobre o caso. Em nota oficial, o governo do prefeito William Dib (PSB) ressalta que o cartilhão foi aprovado por 75% dos professores e 90% dos pais de alunos consultados pela Secretaria de Educação em 2003.

Apesar dos números favoráveis da administração, educadores e pais de alunos ouvidos pela reportagem condenaram as cartilhas adotadas em 2003 e a conseqüente falta de material didático. Temendo retaliações, eles preferiram não se identificar. A diretora de uma escola lembrou que o material chegou depois de os professores terem elaborado o planejamento anual. "O que estava proposto nas cartilhas não foi igual ao que tínhamos planejado. Usamos muito pouco porque o material chegava atrasado todos os bimestres", conta uma diretora, que também questionou o conteúdo dos cadernos. "Hoje o método mais usado é o construtivismo, que faz o aluno pensar para realmente aprender. Mas as atividades propostas eram como de uma cartilha de antigamente, metódica", completa.

Uma professora ressaltou que a questão que mais incomodava é que o livro não tinha proposta pedagógica coerente. Segundo ela, os programas do MEC permitem que os educadores escolham entre um rol de livros. "No cartilhão não tínhamos opção. Perdemos toda autonomia pedagógica", conta a professora, que atualmente tem de preparar atividades em cópias avulsas ou mimeografadas.

A mãe de uma aluna da segunda série confirmou a versão da educadora. "A professora usa o que tem, como cópias", disse a mãe, que lamenta a falta de material didático. "Gostaria muito que tivesse livro, porque ajudaria bastante as crianças e favoreceria o aprendizado", comenta a mulher.

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