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Classe média termina o ano mais pobre


Do Diário do Grande ABC

18/12/1999 | 16:14


Os gastos da família Bail acumulam alta de 20% em 1999. A onda de aumentos desencadeada pela desvalorizaçao do real em janeiro fez com que o comprometimento da renda mensal de R$ 3.200 de Cléssio, 46 anos, Alice, 42, o filho Cláudio, 12, e a avó Elzinda, 87, saltasse de R$ 2.550 para R$ 3.060, provocando cortes em supérfluos, diversao, qualidade do plano de saúde e investimentos, além de congelamento do salário da empregada e da mesada do garoto. ``O meu IPCA deve ser outro'', afirma Cléssio, assessor de captaçao do Sindicato do Transporte de Cargas do Rio (Sindicarga), que nao tem aumento de salário há pelo menos dois anos.

O Indice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é a taxa de inflaçao oficial do governo, que baliza o sistema de metas inflacionárias e acumula alta de 8,91%, no Rio de Janeiro, este ano. A variaçao de preços medida pelo índice é uma média ponderada que leva em consideraçao os gastos e a parcela que eles representam no orçamento de famílias que ganham entre um e 40 salários mínimos.

Impacto Por contemplar uma faixa de renda tao ampla, explica o economista Luiz Roberto Cunha, da PUC-Rio, a taxa acaba diluindo o impacto que alguns preços têm no bolso da classe média - além de, pela natureza do cálculo, nao levar em consideraçao as perdas acumuladas nos salários, estimadas em 4% este ano para a média dos trabalhadores. Resultado: a sensaçao de quem, como Cléssio, comanda o caixa de uma família, é que há algo de errado com a inflaçao, pois está gastando muito mais. E ele tem razao. Sem aumento - Em outras palavras, os Bail têm, realmente, do que reclamar. Abrindo sua planilha de custos, Alice Pereira Bail se depara com a primeira realidade: mais 12 meses vao encerrar-se e a renda da família nao passa por um reajuste. Em seu caso, funcionária pública estadual, a história se repete pela quinta vez. Na ponta do lápis, Alice descobriu que, ao contrário do IPCA de quase 9%, as 15 despesas principais da família tiveram aumento médio de 50% (contando com os reajustes zero de mesada, empregada e fatura do celular) e cresceram sua participaçao no orçamento de 79,7% para 95,6%.

Alice explica que, para os gastos subirem apenas 20%, o que sobrava para as demais despesas teve de ser encolhido em 36%. ``Destinávamos pelo menos R$ 100 por mês para almoço fora de casa e algum lazer. Esta despesa foi cancelada'', diz a funcionária pública.

O esforço de poupança da família também foi por água abaixo. Com o repentino aumento de itens tao importantes, seu marido, Cléssio, teve de retirar do fundo de renda fixa as economias da família _ que recebia cerca de R$ 600 mensais antes da desvalorizaçao. Atualmente, explica Alice, a caderneta destinada ao filho Cláudio, que cursa a 6ªsérie num colégio particular, parou de receber depósitos regulares de R$ 100, como acontecia há pouco mais de seis meses.

Os maiores choques no orçamento foram com o plano de saúde e os medicamentos da vovó Elzinda. Alice levou um susto quando recebeu uma fatura do plano anunciando que a mensalidade pularia de R$ 181,18 para R$ 727,53. ``Para evitar um rombo maior, optei por um plano de menos recursos, pois contar com a pensao de R$ 136 dela para isso seria injusto'', diz a neta, que fechou um contrato de R$ 401,67 - mesmo assim, alta de 121,7%. Perdeu apenas para o reajuste de 188,9% da cesta de remédios de dona Elzinda, que pulou de R$ 90 para R$ 260. ``As vezes mais'', revela Cléssio.

Em seguida, a alimentaçao e o tarifaço foram os itens que mais comprometeram as finanças da família Bail. A nota do supermercado engordou 35,4%; a da feira e a do açougue, 30%. A conta do telefone ficou 42,9% mais cara, mas nao foi acompanhada pela do celular. Em compensaçao, a energia elétrica subiu 29,7%, o gás, 27,3%, e os combustíveis, 33%. A família tem dois carros a gasolina - o impacto só nao foi mais alto porque Cléssio tem reembolso dos gastos no posto por usar o automóvel a serviço.

Alice e Cléssio consideram sorte o fato de o Colégio 13 de Maio, em Santa Teresa (Centro), mesmo bairro em que moram, representar em dezembro despesa adicional de R$ 30 por conta da aula extra de inglês acertada com a direçao. ``Mas o material escolar, pelo que já observei, está uns 20% mais caro'', diz Cléssio. A família Bail, retrato fiel do arrocho da classe média, fugiu apenas de uma despesa, o aluguel - que deve dar dor-de-cabeça no ano 2000 e acumula aumento de mais de 3% no Rio este ano.



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