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Super-herói brasileiro?


Juliana Ravelli
Do Diário do Grande ABC

12/06/2011 | 07:00


Quem está sempre disposto a salvar a humanidade? Os super-heróis, claro! E como entendem os pedidos de socorro de várias partes do planeta? A questão pode ter duas respostas: eles têm um aparelho que traduz todos os idiomas ou cada país possui seus próprios defensores.

Beatriz Nicolás Barros Leal, 10 anos, não estava muito certa sobre a segunda alternativa. Ficou decepcionada quando viu numa revista os super-heróis de várias partes do mundo. "Mas não mostrava nenhum do Brasil", diz. Como a Bia, você pode se surpreender ao descobrir que eles existem!

Os super-heróis brasileiros foram criados principalmente entre as décadas de 1950 e 1960 e, depois nos anos 1980 e 1990. Entre os mais famosos e antigos estão Raio Negro, Capitão 7, Homem Lua, Golden Guitar, Judoka, Hydroman, Mylar e Escorpião, entre outros.

Nasceram por causa do sucesso que os norte-americanos, como Super-Homem, Batman e Capitão América, faziam. Os artistas daqui queriam criar heróis com a cara do País. O problema é que a maioria tinha superpoderes, uniforme, identidade secreta e histórias iguais às dos estrangeiros.

Apesar de alguns terem conquistado muitos leitores, os heróis brasileiros não ficaram tão famosos. Em geral, as HQ eram publicadas por pequenas editoras e, aos poucos, as aventuras deixaram de ser produzidas. Por isso, só os grandes fãs de quadrinhos e quem lia essas HQs no passado conhecem os personagens.

SUPERVILÃO - Na mesma época em que os primeiros heróis nasciam nos Estados Unidos, o Brasil ganhava um supervilão: Garra Cinzenta, criado em 1937 por Francisco Armond (acredita-se que era a identidade secreta de uma mulher) e Renato Silva. As histórias foram publicadas no jornal A Gazeta até 1939. Para homenageá-lo, a Conrad acaba de lançar edição com os 100 capítulos originais.

 

Como ser super?

O que faz um personagem ser super-herói? Superpoderes, você pode responder. Mas Batman não os têm. Para derrotar os inimigos, usa a inteligência e a tecnologia. Na opinião de João Vitor Marini da Silva, 6 anos, o herói também não precisa ser o tempo todo corajoso, pode sentir medo de vez em quando. "Mas nunca deve atacar as pessoas, só salvar. E não pode usar poderes dentro da nave."

Grande fã do Flash, o menino gostaria de ter talentos especiais, usar capa e ser de outro mundo para poder derrotar vilões. Eduardo Peixoto Lemos, 7, também adoraria ajudar o planeta e dar boas lições no colega considerado mais malvado na sua escola, que fica rindo dos outros sem nenhuma razão.

No entanto, nem todos gostariam de ser super-heróis, como Beatriz Nicolás Barros Leal, 10. "É difícil, uma tarefa de muita responsabilidade", afirma a menina, que não imaginava que existem personagens brasileiros com superpoderes. Já Iris Gomes Lemos, 8, ficaria feliz e mais segura se eles existissem de verdade, como nos quadrinhos e filmes. Desse modo, a maioria dos problemas do Brasil acabaria.

INVENCIONICE - Que tal brincar de inventar um herói brasileiro? Os entrevistados do Diarinho toparam a missão, colocaram a cuca para funcionar e criaram personagens muito bacanas. O de Eduardo seria um homem alto e musculoso, com uniforme dourado com uma cruz. Teria asas, botas voadoras e espada de fogo. Apesar de o menino curtir muito o Homem-Aranha, seu super-herói não escalaria prédios por aí. "Voaria como foguete para lutar contra um alien de urano." Confira outras criações bacanas!

 

- Fã da Mulher Maravilha, Iris desejaria conhecer uma super-heroína com cabelo preto, batom vermelho e uniforme cor-de-rosa. A personagem seria bem forte e voaria para destruir os inimigos e salvar os animais e os humanos em perigo. Ela também daria bronca em quem fuma e toma bebida alcoólica. Seu nome seria Estéfani.

- O super-herói criado por Beatriz lutaria contra todos os criminosos do Brasil. Seria homem muito forte que voaria e respiraria embaixo d'água, habilidades muito úteis em várias missões. O uniforme seria verde, amarelo e azul para lembrar a Bandeira Nacional.

- O super-herói de João Vitor usaria topete, roupa verde e seu nome seria Capitão Brasil. Como arma, usaria espada, da qual sairia um dragão na hora da luta. Também teria escudo com emissão de luz capaz de cegar seu arqui-inimigo, um cachorrão de três cabeças cuspidor de fogo. Seria tão rápido quanto o Flash.

 

Surgiram há milhares de anos

Os super-heróis moram na imaginação do homem há milhares de anos. Primeiro, faziam parte das lendas transmitidas de uma geração a outra pela contação de histórias. Depois, ganharam espaço nas páginas dos livros e, mais tarde, nos gibis, TV, rádio e cinema.

Os personagens - principalmente os mais antigos, como o Super-Homem, Mulher Maravilha e Batman - transmitem importantes ensinamentos, como coragem, determinação, amizade, solidariedade, bondade e lealdade; por isso, são admirados.

Quando não são completamente bonzinhos, ganham outro nome: anti-heróis. Ajudam alguém ou derrotam vilões, em geral, para o próprio bem. Também podem aproveitar a esperteza e os superpoderes para fazer algumas maldades. Todos podem se identificar com um deles. Já parou para pensar quais são seus preferidos? Aliás, costumam ter fãs fiéis. Quem curte essa turma durante a infância continua a curti-la ao virar adulto.

 

Desenhista de herói

Ivan Reis entende como ninguém de super-heróis. O artista de São Bernardo é considerado um dos principais desenhistas de HQs do mundo. A paixão, lógico, surgiu na infância. Fazia os próprios gibis com folhas sulfite. Seus quadrinhos tinham personagens inventados e outros dos quais era fã, como o Super-Homem.

Cresceu e virou fera na área. Apesar de muito legal, não é moleza desenhar super-heróis. "É um trabalho solitário e cansativo. Uma história com 20 páginas demora cerca de um mês para ficar pronta", explica.

Há alguns anos, Ivan trabalha apenas para a editora norte-americana DC Comics (responsável pela Liga da Justiça). Seus desenhos ajudaram o Lanterna Verde a fazer sucesso de novo. Atualmente, cria os traços das aventuras de Aquaman, que devem ser lançadas em breve. "Os super-heróis nunca vão desaparecer."

 

Saiba mais sobre alguns super-heróis brasileiros

GARRA CINZENTA era cientista muito inteligente que decidiu virar vilão. Seu principal inimigo era o policial Frederic Higgins. Estudiosos dizem que influenciou HQs italianas e norte-americanas

RAIO NEGRO surgiu na década de 1960, com a identidade secreta de Roberto Sales, da Força Aérea Brasileira. Ganhou anel poderoso após salvar um ET. Seu inimigo é o capitão Op-Art

HOMEM LUA é a mistura de Fantasma, Batman e Tarzan. Surgiu nos anos 1960. Não tem poderes, mas é superinteligente. Usa capacete para esconder o rosto e sua identidade secreta

CAPITÃO 7 é da década de 1950, cujo nome real é Carlos. Apareceu primeiro na TV, virou programa de rádio e só depois HQ. Na infância, foi criado por aliens do Sétimo Planeta

 

Consultoria de Waldomiro Vergueiro, coordenador do Observatório de Histórias em Quadrinhos da USP, Paulo Ramos, jornalista e criador do Blog dos Quadrinhos, e Maria Ângela Barbato, coordenadora do Núcleo de Cultura e Pesquisas do Brincar da PUC-SP



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Super-herói brasileiro?

Juliana Ravelli
Do Diário do Grande ABC

12/06/2011 | 07:00


Quem está sempre disposto a salvar a humanidade? Os super-heróis, claro! E como entendem os pedidos de socorro de várias partes do planeta? A questão pode ter duas respostas: eles têm um aparelho que traduz todos os idiomas ou cada país possui seus próprios defensores.

Beatriz Nicolás Barros Leal, 10 anos, não estava muito certa sobre a segunda alternativa. Ficou decepcionada quando viu numa revista os super-heróis de várias partes do mundo. "Mas não mostrava nenhum do Brasil", diz. Como a Bia, você pode se surpreender ao descobrir que eles existem!

Os super-heróis brasileiros foram criados principalmente entre as décadas de 1950 e 1960 e, depois nos anos 1980 e 1990. Entre os mais famosos e antigos estão Raio Negro, Capitão 7, Homem Lua, Golden Guitar, Judoka, Hydroman, Mylar e Escorpião, entre outros.

Nasceram por causa do sucesso que os norte-americanos, como Super-Homem, Batman e Capitão América, faziam. Os artistas daqui queriam criar heróis com a cara do País. O problema é que a maioria tinha superpoderes, uniforme, identidade secreta e histórias iguais às dos estrangeiros.

Apesar de alguns terem conquistado muitos leitores, os heróis brasileiros não ficaram tão famosos. Em geral, as HQ eram publicadas por pequenas editoras e, aos poucos, as aventuras deixaram de ser produzidas. Por isso, só os grandes fãs de quadrinhos e quem lia essas HQs no passado conhecem os personagens.

SUPERVILÃO - Na mesma época em que os primeiros heróis nasciam nos Estados Unidos, o Brasil ganhava um supervilão: Garra Cinzenta, criado em 1937 por Francisco Armond (acredita-se que era a identidade secreta de uma mulher) e Renato Silva. As histórias foram publicadas no jornal A Gazeta até 1939. Para homenageá-lo, a Conrad acaba de lançar edição com os 100 capítulos originais.

 

Como ser super?

O que faz um personagem ser super-herói? Superpoderes, você pode responder. Mas Batman não os têm. Para derrotar os inimigos, usa a inteligência e a tecnologia. Na opinião de João Vitor Marini da Silva, 6 anos, o herói também não precisa ser o tempo todo corajoso, pode sentir medo de vez em quando. "Mas nunca deve atacar as pessoas, só salvar. E não pode usar poderes dentro da nave."

Grande fã do Flash, o menino gostaria de ter talentos especiais, usar capa e ser de outro mundo para poder derrotar vilões. Eduardo Peixoto Lemos, 7, também adoraria ajudar o planeta e dar boas lições no colega considerado mais malvado na sua escola, que fica rindo dos outros sem nenhuma razão.

No entanto, nem todos gostariam de ser super-heróis, como Beatriz Nicolás Barros Leal, 10. "É difícil, uma tarefa de muita responsabilidade", afirma a menina, que não imaginava que existem personagens brasileiros com superpoderes. Já Iris Gomes Lemos, 8, ficaria feliz e mais segura se eles existissem de verdade, como nos quadrinhos e filmes. Desse modo, a maioria dos problemas do Brasil acabaria.

INVENCIONICE - Que tal brincar de inventar um herói brasileiro? Os entrevistados do Diarinho toparam a missão, colocaram a cuca para funcionar e criaram personagens muito bacanas. O de Eduardo seria um homem alto e musculoso, com uniforme dourado com uma cruz. Teria asas, botas voadoras e espada de fogo. Apesar de o menino curtir muito o Homem-Aranha, seu super-herói não escalaria prédios por aí. "Voaria como foguete para lutar contra um alien de urano." Confira outras criações bacanas!

 

- Fã da Mulher Maravilha, Iris desejaria conhecer uma super-heroína com cabelo preto, batom vermelho e uniforme cor-de-rosa. A personagem seria bem forte e voaria para destruir os inimigos e salvar os animais e os humanos em perigo. Ela também daria bronca em quem fuma e toma bebida alcoólica. Seu nome seria Estéfani.

- O super-herói criado por Beatriz lutaria contra todos os criminosos do Brasil. Seria homem muito forte que voaria e respiraria embaixo d'água, habilidades muito úteis em várias missões. O uniforme seria verde, amarelo e azul para lembrar a Bandeira Nacional.

- O super-herói de João Vitor usaria topete, roupa verde e seu nome seria Capitão Brasil. Como arma, usaria espada, da qual sairia um dragão na hora da luta. Também teria escudo com emissão de luz capaz de cegar seu arqui-inimigo, um cachorrão de três cabeças cuspidor de fogo. Seria tão rápido quanto o Flash.

 

Surgiram há milhares de anos

Os super-heróis moram na imaginação do homem há milhares de anos. Primeiro, faziam parte das lendas transmitidas de uma geração a outra pela contação de histórias. Depois, ganharam espaço nas páginas dos livros e, mais tarde, nos gibis, TV, rádio e cinema.

Os personagens - principalmente os mais antigos, como o Super-Homem, Mulher Maravilha e Batman - transmitem importantes ensinamentos, como coragem, determinação, amizade, solidariedade, bondade e lealdade; por isso, são admirados.

Quando não são completamente bonzinhos, ganham outro nome: anti-heróis. Ajudam alguém ou derrotam vilões, em geral, para o próprio bem. Também podem aproveitar a esperteza e os superpoderes para fazer algumas maldades. Todos podem se identificar com um deles. Já parou para pensar quais são seus preferidos? Aliás, costumam ter fãs fiéis. Quem curte essa turma durante a infância continua a curti-la ao virar adulto.

 

Desenhista de herói

Ivan Reis entende como ninguém de super-heróis. O artista de São Bernardo é considerado um dos principais desenhistas de HQs do mundo. A paixão, lógico, surgiu na infância. Fazia os próprios gibis com folhas sulfite. Seus quadrinhos tinham personagens inventados e outros dos quais era fã, como o Super-Homem.

Cresceu e virou fera na área. Apesar de muito legal, não é moleza desenhar super-heróis. "É um trabalho solitário e cansativo. Uma história com 20 páginas demora cerca de um mês para ficar pronta", explica.

Há alguns anos, Ivan trabalha apenas para a editora norte-americana DC Comics (responsável pela Liga da Justiça). Seus desenhos ajudaram o Lanterna Verde a fazer sucesso de novo. Atualmente, cria os traços das aventuras de Aquaman, que devem ser lançadas em breve. "Os super-heróis nunca vão desaparecer."

 

Saiba mais sobre alguns super-heróis brasileiros

GARRA CINZENTA era cientista muito inteligente que decidiu virar vilão. Seu principal inimigo era o policial Frederic Higgins. Estudiosos dizem que influenciou HQs italianas e norte-americanas

RAIO NEGRO surgiu na década de 1960, com a identidade secreta de Roberto Sales, da Força Aérea Brasileira. Ganhou anel poderoso após salvar um ET. Seu inimigo é o capitão Op-Art

HOMEM LUA é a mistura de Fantasma, Batman e Tarzan. Surgiu nos anos 1960. Não tem poderes, mas é superinteligente. Usa capacete para esconder o rosto e sua identidade secreta

CAPITÃO 7 é da década de 1950, cujo nome real é Carlos. Apareceu primeiro na TV, virou programa de rádio e só depois HQ. Na infância, foi criado por aliens do Sétimo Planeta

 

Consultoria de Waldomiro Vergueiro, coordenador do Observatório de Histórias em Quadrinhos da USP, Paulo Ramos, jornalista e criador do Blog dos Quadrinhos, e Maria Ângela Barbato, coordenadora do Núcleo de Cultura e Pesquisas do Brincar da PUC-SP

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