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1,2 mil ficam sem médico todo mês


Rodrigo Cipriano
Do Diário do Grande ABC

05/08/2005 | 07:43


Cerca de 1,2 mil pessoas que buscam atendimento médico em Santo André deixam de ser atendidas todos os meses. Essa é a extensão da fila de espera por uma consulta de especialidade na cidade. A estrutura que o município tem disponível é capaz de absorver 6,8 mil pessoas por mês; número ainda distante da atual demanda da cidade, que gira em torno de 8 mil pedidos de consulta no mesmo período. Quem precisa do atendimento é obrigado muitas vezes a aguardar até cinco meses por um encaixe.

A Secretaria Municipal da Saúde de Santo André reconhece a crise. Vai além: diz que sozinha, apesar de suas 27 unidades de saúde e seus cinco centros de especialidades, não terá condições de suprir a demanda do município, que com 665 mil habitantes é o segundo mais populoso do Grande ABC, só atrás de São Bernardo, cuja população beira os 800 mil habitantes.

Para driblar a crise, Santo André quer ampliar o convênio de cooperação que existe com os dois hospitais estaduais da região, o Serraria, em Diadema, e o Mário Covas, em Santo André. Juntos os dois centros atenderam no último mês 1.344 pacientes que tentaram agendar consultas em unidades municipais. Como argumento para o aumento da migração de pacientes para hospitais estaduais, a secretária municipal da Saúde, Vânia Barbosa do Nascimento, aposta em números sobre o quadro de Santo André.

“Pela primeira vez sabemos o número de pacientes que podemos atender e o número de pacientes que nos procuram”, afirma a secretária. O estudo só foi possível, de acordo com Vânia, após a descentralização no início do ano do serviço de marcação de consultas. Desde meados de março, a marcação deixou de ser feita por telefone, numa central de atendimento, e migrou para os balcões de atendimento das unidades de saúde. “O telefone só dava ocupado”, reclama a dona-de-casa Cinthia Pereira da Silva, 19 anos.

Com isso, o número de reclamações para marcação de consultas em Santo André na ouvidoria municipal, que girava em torno de 70 queixas ao mês, despencou para números insignificantes. Segundo a secretária Vânia, esse foi o primeiro passo de um longo processo para desafogar o sistema municipal de Saúde. Também está sendo estudada a tercerização de serviços para grupos particulares e um novo convênio com a Faculdade de Medicina do ABC, que hoje já atende parte da demanda por oftalmologia na cidade.

A especialidade é uma das que possui maior fila de espera em Santo André. Na lista, também aparecem cardiologia, neurologia, ortopedia, reumatologia, urologia, otorrinolaringologia e proctologia. Mas outras áreas não estão imunes a problemas. A Prefeitura garante que tem capacidade para fazer 2,5 mil ultrassonografias todos os meses e que a demanda gira em torno de 2,3 mil exames. Mesmo assim, conseguir uma consulta pode se tornar tarefa árdua. Foi o que aconteceu com uma gestante de oito meses.

Desde o dia 27 do mês passado, a mulher de 25 anos, que pediu para não ter a identidade revelada, tenta fazer ultrassonografia obstétrica no Centro Hospitalar de Santo André. “Minha gravidez é considerada de risco. No início da gestação tentei agendar o exame, mas não consegui. Fiz particular. Agora, preciso fazer mais uma ultrassonografia e estou enfrentando a mesma dificuldade. Eles dizem que têm uma fila de espera, mas não me dão nem mesmo previsão de quando serei encaixada”, afirma a mulher.

A Secretaria Municipal da Saúde disse que houve um equívoco na aceitação de guias para a realização do exame e que o problema está sendo contornado.



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1,2 mil ficam sem médico todo mês

Rodrigo Cipriano
Do Diário do Grande ABC

05/08/2005 | 07:43


Cerca de 1,2 mil pessoas que buscam atendimento médico em Santo André deixam de ser atendidas todos os meses. Essa é a extensão da fila de espera por uma consulta de especialidade na cidade. A estrutura que o município tem disponível é capaz de absorver 6,8 mil pessoas por mês; número ainda distante da atual demanda da cidade, que gira em torno de 8 mil pedidos de consulta no mesmo período. Quem precisa do atendimento é obrigado muitas vezes a aguardar até cinco meses por um encaixe.

A Secretaria Municipal da Saúde de Santo André reconhece a crise. Vai além: diz que sozinha, apesar de suas 27 unidades de saúde e seus cinco centros de especialidades, não terá condições de suprir a demanda do município, que com 665 mil habitantes é o segundo mais populoso do Grande ABC, só atrás de São Bernardo, cuja população beira os 800 mil habitantes.

Para driblar a crise, Santo André quer ampliar o convênio de cooperação que existe com os dois hospitais estaduais da região, o Serraria, em Diadema, e o Mário Covas, em Santo André. Juntos os dois centros atenderam no último mês 1.344 pacientes que tentaram agendar consultas em unidades municipais. Como argumento para o aumento da migração de pacientes para hospitais estaduais, a secretária municipal da Saúde, Vânia Barbosa do Nascimento, aposta em números sobre o quadro de Santo André.

“Pela primeira vez sabemos o número de pacientes que podemos atender e o número de pacientes que nos procuram”, afirma a secretária. O estudo só foi possível, de acordo com Vânia, após a descentralização no início do ano do serviço de marcação de consultas. Desde meados de março, a marcação deixou de ser feita por telefone, numa central de atendimento, e migrou para os balcões de atendimento das unidades de saúde. “O telefone só dava ocupado”, reclama a dona-de-casa Cinthia Pereira da Silva, 19 anos.

Com isso, o número de reclamações para marcação de consultas em Santo André na ouvidoria municipal, que girava em torno de 70 queixas ao mês, despencou para números insignificantes. Segundo a secretária Vânia, esse foi o primeiro passo de um longo processo para desafogar o sistema municipal de Saúde. Também está sendo estudada a tercerização de serviços para grupos particulares e um novo convênio com a Faculdade de Medicina do ABC, que hoje já atende parte da demanda por oftalmologia na cidade.

A especialidade é uma das que possui maior fila de espera em Santo André. Na lista, também aparecem cardiologia, neurologia, ortopedia, reumatologia, urologia, otorrinolaringologia e proctologia. Mas outras áreas não estão imunes a problemas. A Prefeitura garante que tem capacidade para fazer 2,5 mil ultrassonografias todos os meses e que a demanda gira em torno de 2,3 mil exames. Mesmo assim, conseguir uma consulta pode se tornar tarefa árdua. Foi o que aconteceu com uma gestante de oito meses.

Desde o dia 27 do mês passado, a mulher de 25 anos, que pediu para não ter a identidade revelada, tenta fazer ultrassonografia obstétrica no Centro Hospitalar de Santo André. “Minha gravidez é considerada de risco. No início da gestação tentei agendar o exame, mas não consegui. Fiz particular. Agora, preciso fazer mais uma ultrassonografia e estou enfrentando a mesma dificuldade. Eles dizem que têm uma fila de espera, mas não me dão nem mesmo previsão de quando serei encaixada”, afirma a mulher.

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