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Cobertura vacinal em crianças da região despenca em 2019

 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Imunizações ficaram abaixo do estipulado pelo Ministério da Saúde; especialistas alertam para o risco de resgatar doenças erradicadas


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

11/09/2020 | 00:01


O Grande ABC não alcançou em 2019 a meta de cobertura vacinal em série de sete imunizações destinadas a crianças com até 15 meses. Segundo o Ministério da Saúde, a cobertura da BCG, que previne tipos graves de tuberculose e deve ser aplicada nos primeiros dias de vida, deveria ser de 90%, mas a região vacinou apenas 69,2% do público-alvo. Para as outras vacinas (poliomelite; hepatite A; pentavalente, que previne difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e infecções causadas pelo Haemophilus influenzae B; meningococo C, que previne tipo de meningite; pneumocócica, contra meningite e otite; rotavírus, contra diarreia; e a tríplice viral, contra sarampo, caxumba e rubéola) a cobertura ideal é de 95% (veja na arte os percentuais aplicados na região).



Em 2018, o Diário mostrou que os resultados já haviam sido insatisfatórios, mas a defasagem aumentou no ano passado. A situação não é exclusiva da região e reflete cenário nacional. Dados divulgados no início de setembro pelo Ministério da Saúde mostram que o País vem assistindo à queda da cobertura pelo menos nos últimos cinco anos. A aplicação das doses no calendário básico de vacinação é obrigatória e pais e responsáveis podem responder judicialmente se não vacinarem os filhos, caso haja denúncia a órgãos como MP (Ministério Público) e conselho tutelar.

Professora de alergia e imunologia da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), Anete Sevciovic Grumach lembra que em 2019 faltaram doses de algumas vacinas, como a BCG e a pentavalente – o Diário chegou a mostrar que os pais estavam com dificuldades para encontrar as imunizações na rede pública, em outubro –, mas que os números mostram que esse cenário de baixa adesão não deve ser transitório. “Pode ser por causa de tranquilidade dos pais em ver que algumas doenças já não ocorrem com tanta frequência”, avaliou a docente.

No entanto, alerta a médica, este é grande risco, porque casos de sarampo voltaram a ser computados no País após anos sem registros, o que ocasionou na perda de certificação internacional de erradicação da doença. “É preciso reforçar as campanhas, insistir na importância da atualização da caderneta, aproveitar cada visita das pessoas às unidades de saúde para conferir se o esquema vacinal está completo”, pontuou Anete.

A gestora do curso de biomedicina da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) Adriana de Brito destacou que a redução da cobertura vacinal é preocupante porque a imunização é a única maneira de garantir que doenças erradicadas não voltem, como é o caso da poliomielite (paralisia infantil), erradicada em muitos países, incluindo o Brasil. “Tomemos como exemplo o retorno significativo do sarampo, que ocasionou na perda do certificado de erradicação no Brasil.”
Adriana afirma que tem crescido o número de pessoas que temem supostos efeitos colaterais das vacinas, e por isso optam por não imunizar os filhos. Porém, alerta que é preciso divulgação frequente dos benefícios associados à proteção e a disponibilidade de vacinas nos postos de saúde. “Precisa fortalecer a confiança da sociedade nas vacinas e elaborar estratégias conjuntas entre as secretarias estaduais, municipais e o Ministério da Saúde para aumentar a cobertura em todas as regiões.”


Pais adiam vacinas por medo da Covid

Pesquisa realizada entre os dias 20 de julho e 16 de agosto e divulgada pela SBI (Sociedade Brasileira de Pediatria) e pela Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) mostra que 61% dos pediatras relataram queda no número de consultas e que 73% das crianças deixaram de ser vacinadas durante a pandemia. O motivo é o medo que os pais e responsáveis estão da contaminação pelo novo coronavírus.

Alergista e infectologista da clínica Alergo Ar, Jose Roberto Zimmerman explica que a vacina, quer seja com germes atenuados ou mortos, induz a produção de anticorpos específicos para determinada doença, de maneira que mesmo depois de muitos anos da imunização, a “memória imunológica envia aqueles mesmos anticorpos específicos produzidos na época da vacinação”.

Zimmerman reforça que os pais precisam ter em mente o quanto a vacinação é importante, e que mesmo com medo da pandemia, a prevenção é o melhor remédio. “Vale lembrar que, graças às campanhas de vacinação, diversas doenças foram erradicadas no Brasil, como varíola e poliomelite”, ressaltou o médico. “Quando uma pessoa, ainda criança, não é vacinada contra a meningite, por exemplo, ela pode contrair e até morrer desta doença ao longo da vida”, disse.

PROVISÓRIO
A gestora do curso de biomedicina da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) Adriana de Brito acredita que este comportamento seja provisório, e que ainda há bastante tempo para serem trabalhadas as campanhas vacinais de 2020, a fim de melhorar os índices de cobertura vacinal. “A redução dos casos e óbitos por Covid-19 trará de volta a confiabilidade de as pessoas saírem às ruas e retomarem aos poucos suas rotinas, inclusive as visitas aos consultórios médicos e a revacinação”, avaliou.

Prefeituras citam desabastecimento

As prefeituras do Grande ABC citaram o desabastecimento de doses no ano passado como uma das causas para a baixa cobertura vacinal entre imunizações para crianças de até 15 meses. Além de ficar sem a proteção, ter a caderneta completa é obrigatório para matrícula de alunos na rede pública de ensino.
São Bernardo destacou que teve desabastecimento de cinco vacinas, entre as quais, a pentavalente e a tríplice bacteriana. A situação foi normalizada em 2020. A administração destacou que participa das campanhas do calendário do Ministério da Saúde, bem como realiza busca de atualização de carteiras de pacientes nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde).

São Caetano informou que também registrou falta da vacina pentavalente e citou fatores administrativos para a baixa cobertura, desde a base de dados do governo federal com relação à população ser antiga e precisar de atualização, até dificuldades dos trabalhadores das salas de vacina em abastecer os dados no sistema, situação que foi alvo de intervenção por meio de formação e capacitação. A administração ressaltou que trabalha na ampliação da cobertura, combatendo a desinformação, as notícias falsas e ofertando horários expandidos nas unidades de saúde.

Diadema também citou o desabastecimento da tetravalente e DTP, além de citar que mantém campanhas periódicas para atingir a população e oferta as vacinas nas 20 UBSs da cidade.

Ribeirão Pires afirmou que o número de doses aplicadas foi maior do que a registrada pelo sistema, devido a problemas internos da rede que estão sendo corrigidos pela Prefeitura. Também houve desabastecimento de alguns imunológicos no ano passado, mas a administração não detalhou quais.
As administrações observaram queda na procura por vacinas na pandemia. As outras prefeituras não responderam até o fechamento desta edição. O Ministério da Saúde também foi questionado, mas não respondeu sobre medidas para ampliar a cobertura vacinal.  



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