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Florestal fecha as portas após 64 anos em São Bernardo

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Referência da Rota do Frango com Polenta, espaço encerrou as atividades e foi vendido


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

04/01/2020 | 07:15


O Restaurante Florestal, o mais antigo em funcionamento da Rota do Frango com Polenta, localizada no bairro Demarchi, em São Bernardo, encerrou as atividades. Fundado em 1956, o espaço, com 2.500 lugares, estava na lista dos três maiores e mais conhecidos da região, junto com o São Judas e o São Francisco, que fecharam as portas em 2016 e 2019, respectivamente. O espaço, incluindo o mobiliário, foi vendido para outro grupo e ainda não há mais informações do que será feito no local.

O encerramento aconteceu após a comemoração do Réveillon, que, inclusive, contou com presença de cerca de 2.000 pessoas. Na tarde de ontem, ainda era possível ver papéis prateados picados, resquícios da festa da virada do ano, no salão, que estava com as cadeiras colocadas em cima da mesa e uma pequena movimentação de funcionários, que ajudavam na limpeza da unidade.

Um dos seis sócios, o empresário Angelin Nini Demarchi, 82 anos, filho de um dos fundadores, Matheo Demarchi, também estava lá. “Estava na hora de parar”, afirmou, emocionado, ao destacar que, no início das atividades, “vinha gente da Capital para comer o frango com polenta”.

Entre os motivos para a venda, ele citou a mudança no perfil do público. “Já não tinha mais crise (econômica), mas o pessoal de hoje não curte mais isso. Curte shopping, balada e até padaria que faz comida. Então ficou mais difícil, porque o cliente nosso é da velha guarda”, disse, ao acrescentar que também a terceira geração da família não tinha interesse no negócio. Vale citar que na Rua Maria Servidei Demarchi, que faz parte da rota, há duas redes de fast-food: Mc Donald’s e Burguer King.

Os restaurantes da rota – formada inicialmente por 11 estabelecimentos e que agora reúne sete, conforme o mapa ao lado – enfrentam desafios há pelo menos 20 anos. A situação foi agravada pela diminuição no número de empregados da indústria, especialmente a automotiva, que eram assíduos do local. E Nini Demarchi conta que, com o fechamento do São Judas e do São Francisco, o movimento caiu mais ainda. “(Há pelo menos 30 anos) No domingo era fila. A gente torcia para não entrar mais gente porque não cabia. Agora, torcíamos para alguém entrar”, lamentou ele.

O terreno, incluindo o restaurante e todos os seus utensílios, assim como a marca Florestal foram vendidos para um grupo, com o qual já estava negociando havia dois anos. O valor da transação ou os novos donos não foram revelados, assim como os planos para o espaço. “Mas é difícil ter outro restaurante, provavelmente pode ser um supermercado, como no São Francisco, mas não tenho mais informações”, estimou, ao destacar que os 65 funcionários diretos e os 110 freelancers serão devidamente remunerados.

O local faz parte da história da região por causa das atrações musicais que se apresentaram ali, como, por exemplo, os sertanejos Daniel e Bruno & Marrone em 2018 e a cantora Alcione em 2019, e também por ser ponto de encontro de autoridades políticas. Prova disso é que mesmo não abrindo mais durante a semana desde o ano passado, ontem, frequentadores ainda apareceram no restaurante e não sabiam do fechamento. “Os shows lotavam, assim como as festas de Natal, Ano-Novo e Dia das Mães. Mas não dá para sobreviver só assim”, disse Nini Demarchi.

Agora, a receita tradicional do frango com polenta frita do Florestal também fica na história. O preparo é fácil, mas o segredo, segundo Nini, é o tempero de família. “Antigamente a gente servia 4.000 quilos de frango (num fim de semana). Hoje, nem 500. De polenta eram 1.000 quilos, agora não chegava a 10% disso”, afirmou o empresário.


Local faz parte da história da região; vizinhos e frequentadores lamentam

Palco de encontros políticos e apresentações musicais de peso, o Restaurante Florestal sempre esteve presente nas páginas da coluna social. Os vizinhos da Rota do Frango do Polenta, que ainda resiste, e clientes também lamentaram o seu fechamento.

Entre os eventos que tiveram como sede o local, estão o aniversário de 38 anos do então sindicalista e atual ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na década de 1980; palestra de Ciro Gomes, então pré-candidato à Presidência da República pelo PPS em almoço promovido pelo partido em 1998; almoço entre o prefeito da cidade na época William Dib (PSB) e o filho do ex-presidente João Goulart, João Vicente Goulart, em 2003; entre outros.

Os artistas que passaram pelo palco do Florestal são representantes de diversos ritmos e possuem fama nacional. Somente no ano passado, foram apresentações das bandas Roupa Nova e Raça Negra, além das cantoras Alcione e Ana Carolina, entre outros. Os cantores Zé Ramalho (2013) e Daniel, além da dupla Bruno e Marrone (2018) também estão entre os que passaram pelo espaço.

“Parece um pesadelo pensar que os três grandes restaurantes da Rota fecharam”, lamentou Odair Batistini, um dos proprietários do Restaurante Santo Antônio, que continua servindo frango com polenta no local.

A cozinheira Jucilene Galega, 33 anos, é uma das frequentadoras da rota. “É muito ruim para a região. Lembro que as festas de família sempre aconteciam no Florestal”, disse ela, que ontem almoçava no Bosque dos Morassi.

“Não podia ter acontecido isso. Estamos vendo a rota dos restaurantes se desfazendo. O São Judas era o cartão de visitas”, disse o sócio-proprietário da Churrascaria Pinheirão, Itacir Siqueira, que também resiste na rota. “Estamos firmes e fortes. A gente enverga, mas não quebra.”

O Restaurante Capassi, um dos tradicionais frango com polenta, é um dos que se reinventaram. Há dois anos, trabalha com aplicativo de entregas, e há seis meses criou a sua própria plataforma para realizar pedidos. “Temos que nos virar com o perfil de clientes de hoje. Atualmente, 40% do nosso faturamento provém deste tipo de medido”, afirmou Ricardo Capassi, o neto do fundador Vicente Capassi e filho de Alcides Capassi, que ainda dirige o local.


São Francisco vai virar unidade de supermercado

Fechado em agosto do ano passado, o Restaurante São Francisco, localizado na Avenida Maria Servidei Demarchi, vai dar lugar a unidade do supermercado Bem Barato. Já é possível ver o início das obras no local, assim como uma placa para interessados em trabalhar no estabelecimento, que devem encaminhar os currículos para o e-mail selecao@grupobembarato.com.br.

O São Francisco foi inaugurado em 1962 e, entre os motivos elencados para o fechamento, também estava a redução no público da Rota do Frango com Polenta. O espaço tinha capacidade para 1.200 pessoas.

Em compensação, o São Judas, fechado em 2016, ainda tem a estrutura conservada. Houve especulação de reabertura e até mesmo aposta em modelos de franquia da rede, que também acabaram fechando.

Atualmente, a família Demarchi – são outros integrantes, não os mesmos do Florestal – cobra na Justiça que os atuais proprietários do Restaurante São Judas Tadeu cumpram integralmente o contrato assinado em 2015, sob ameaça de exigir a retomada do imóvel. A alegação é a de que os compradores não assumiram passivos trabalhistas e outras pendências financeiras informadas durante a negociação. 



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Florestal fecha as portas após 64 anos em São Bernardo

Referência da Rota do Frango com Polenta, espaço encerrou as atividades e foi vendido

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

04/01/2020 | 07:15


O Restaurante Florestal, o mais antigo em funcionamento da Rota do Frango com Polenta, localizada no bairro Demarchi, em São Bernardo, encerrou as atividades. Fundado em 1956, o espaço, com 2.500 lugares, estava na lista dos três maiores e mais conhecidos da região, junto com o São Judas e o São Francisco, que fecharam as portas em 2016 e 2019, respectivamente. O espaço, incluindo o mobiliário, foi vendido para outro grupo e ainda não há mais informações do que será feito no local.

O encerramento aconteceu após a comemoração do Réveillon, que, inclusive, contou com presença de cerca de 2.000 pessoas. Na tarde de ontem, ainda era possível ver papéis prateados picados, resquícios da festa da virada do ano, no salão, que estava com as cadeiras colocadas em cima da mesa e uma pequena movimentação de funcionários, que ajudavam na limpeza da unidade.

Um dos seis sócios, o empresário Angelin Nini Demarchi, 82 anos, filho de um dos fundadores, Matheo Demarchi, também estava lá. “Estava na hora de parar”, afirmou, emocionado, ao destacar que, no início das atividades, “vinha gente da Capital para comer o frango com polenta”.

Entre os motivos para a venda, ele citou a mudança no perfil do público. “Já não tinha mais crise (econômica), mas o pessoal de hoje não curte mais isso. Curte shopping, balada e até padaria que faz comida. Então ficou mais difícil, porque o cliente nosso é da velha guarda”, disse, ao acrescentar que também a terceira geração da família não tinha interesse no negócio. Vale citar que na Rua Maria Servidei Demarchi, que faz parte da rota, há duas redes de fast-food: Mc Donald’s e Burguer King.

Os restaurantes da rota – formada inicialmente por 11 estabelecimentos e que agora reúne sete, conforme o mapa ao lado – enfrentam desafios há pelo menos 20 anos. A situação foi agravada pela diminuição no número de empregados da indústria, especialmente a automotiva, que eram assíduos do local. E Nini Demarchi conta que, com o fechamento do São Judas e do São Francisco, o movimento caiu mais ainda. “(Há pelo menos 30 anos) No domingo era fila. A gente torcia para não entrar mais gente porque não cabia. Agora, torcíamos para alguém entrar”, lamentou ele.

O terreno, incluindo o restaurante e todos os seus utensílios, assim como a marca Florestal foram vendidos para um grupo, com o qual já estava negociando havia dois anos. O valor da transação ou os novos donos não foram revelados, assim como os planos para o espaço. “Mas é difícil ter outro restaurante, provavelmente pode ser um supermercado, como no São Francisco, mas não tenho mais informações”, estimou, ao destacar que os 65 funcionários diretos e os 110 freelancers serão devidamente remunerados.

O local faz parte da história da região por causa das atrações musicais que se apresentaram ali, como, por exemplo, os sertanejos Daniel e Bruno & Marrone em 2018 e a cantora Alcione em 2019, e também por ser ponto de encontro de autoridades políticas. Prova disso é que mesmo não abrindo mais durante a semana desde o ano passado, ontem, frequentadores ainda apareceram no restaurante e não sabiam do fechamento. “Os shows lotavam, assim como as festas de Natal, Ano-Novo e Dia das Mães. Mas não dá para sobreviver só assim”, disse Nini Demarchi.

Agora, a receita tradicional do frango com polenta frita do Florestal também fica na história. O preparo é fácil, mas o segredo, segundo Nini, é o tempero de família. “Antigamente a gente servia 4.000 quilos de frango (num fim de semana). Hoje, nem 500. De polenta eram 1.000 quilos, agora não chegava a 10% disso”, afirmou o empresário.


Local faz parte da história da região; vizinhos e frequentadores lamentam

Palco de encontros políticos e apresentações musicais de peso, o Restaurante Florestal sempre esteve presente nas páginas da coluna social. Os vizinhos da Rota do Frango do Polenta, que ainda resiste, e clientes também lamentaram o seu fechamento.

Entre os eventos que tiveram como sede o local, estão o aniversário de 38 anos do então sindicalista e atual ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na década de 1980; palestra de Ciro Gomes, então pré-candidato à Presidência da República pelo PPS em almoço promovido pelo partido em 1998; almoço entre o prefeito da cidade na época William Dib (PSB) e o filho do ex-presidente João Goulart, João Vicente Goulart, em 2003; entre outros.

Os artistas que passaram pelo palco do Florestal são representantes de diversos ritmos e possuem fama nacional. Somente no ano passado, foram apresentações das bandas Roupa Nova e Raça Negra, além das cantoras Alcione e Ana Carolina, entre outros. Os cantores Zé Ramalho (2013) e Daniel, além da dupla Bruno e Marrone (2018) também estão entre os que passaram pelo espaço.

“Parece um pesadelo pensar que os três grandes restaurantes da Rota fecharam”, lamentou Odair Batistini, um dos proprietários do Restaurante Santo Antônio, que continua servindo frango com polenta no local.

A cozinheira Jucilene Galega, 33 anos, é uma das frequentadoras da rota. “É muito ruim para a região. Lembro que as festas de família sempre aconteciam no Florestal”, disse ela, que ontem almoçava no Bosque dos Morassi.

“Não podia ter acontecido isso. Estamos vendo a rota dos restaurantes se desfazendo. O São Judas era o cartão de visitas”, disse o sócio-proprietário da Churrascaria Pinheirão, Itacir Siqueira, que também resiste na rota. “Estamos firmes e fortes. A gente enverga, mas não quebra.”

O Restaurante Capassi, um dos tradicionais frango com polenta, é um dos que se reinventaram. Há dois anos, trabalha com aplicativo de entregas, e há seis meses criou a sua própria plataforma para realizar pedidos. “Temos que nos virar com o perfil de clientes de hoje. Atualmente, 40% do nosso faturamento provém deste tipo de medido”, afirmou Ricardo Capassi, o neto do fundador Vicente Capassi e filho de Alcides Capassi, que ainda dirige o local.


São Francisco vai virar unidade de supermercado

Fechado em agosto do ano passado, o Restaurante São Francisco, localizado na Avenida Maria Servidei Demarchi, vai dar lugar a unidade do supermercado Bem Barato. Já é possível ver o início das obras no local, assim como uma placa para interessados em trabalhar no estabelecimento, que devem encaminhar os currículos para o e-mail selecao@grupobembarato.com.br.

O São Francisco foi inaugurado em 1962 e, entre os motivos elencados para o fechamento, também estava a redução no público da Rota do Frango com Polenta. O espaço tinha capacidade para 1.200 pessoas.

Em compensação, o São Judas, fechado em 2016, ainda tem a estrutura conservada. Houve especulação de reabertura e até mesmo aposta em modelos de franquia da rede, que também acabaram fechando.

Atualmente, a família Demarchi – são outros integrantes, não os mesmos do Florestal – cobra na Justiça que os atuais proprietários do Restaurante São Judas Tadeu cumpram integralmente o contrato assinado em 2015, sob ameaça de exigir a retomada do imóvel. A alegação é a de que os compradores não assumiram passivos trabalhistas e outras pendências financeiras informadas durante a negociação. 

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