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Crianças devem aprender a mediar conflitos e negociar

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Antropólogo de Harvard aponta diálogo como meio para implantação de cultura de paz


Fabio Munhoz
Do Diário do Grande ABC

22/09/2013 | 07:00


O ensino de técnicas de negociação a crianças é apontado como uma das maneiras mais eficazes de se criar uma sociedade preparada para a mediação de conflitos. Para o antropólogo William Ury, da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, a cultura de paz só pode ser estabelecida quando as pessoas utilizam o diálogo para resolver problemas de forma a beneficiar todas as partes envolvidas. O especialista ministrou palestra nesta semana no Cecape (Centro de Capacitação dos Profissionais da Educação), em São Caetano.

“A mediação de conflitos deve ser tratada na escola em meio às matérias. Não adianta criar uma disciplina só para isso. Sempre que há uma confusão, os professores devem debater com os alunos a melhor forma de se chegar à resolução do problema, incluindo em casos de bullying”, sugere. O ideal, diz Ury, é quando os estudantes começam, voluntariamente, a agir para evitar confrontos, mesmo que de terceiros. “Chega um ponto em que a criança, ao ver uma briga no pátio, conversa com os envolvidos para tentar resolver a situação.”

Os primeiros ensinamentos sobre mediação são transmitidos ainda em casa. “Durante a maior parte do dia nos vemos procurando acordos, seja com esposa, marido, pais, filhos, vizinhos, colegas de trabalho e clientes. Quando isso é bem resolvido, tem-se a primeira lição.”

Para ser bom mediador, o antropólogo afirma que é preciso desenvolver o hábito de ouvir. “Um bom negociador mais ouve que fala. Ao falar muito, você pode dizer coisas desnecessárias ou sem pensar.” Outra sugestão é reconhecer em si parte do problema. “Sempre achamos que é o outro o causador daquele tipo de situação problemática, mas nem sempre isso é verdade.”

Dica importante é se afastar da zona de conflito para que haja tempo de diminuir a irritação. “É como ao receber um e-mail que te desagrada. Ao responder, escreva tudo e, ao invés de enviar, clique em ‘salvar como rascunho’. Em seguida, levante-se e vá beber um café ou um copo de água. Ao voltar e reler a mensagem, você, provavelmente, vai apagá-la. Assim, evitará problemas.”

Ury utiliza a brincadeira de queda de braço como exemplo de como a negociação pode ser proveitosa para as duas pessoas envolvidas. “Cada vez que um derrubar o braço do outro, ganha 1.000 pontos. Qual é a melhor forma de se acumular muitos pontos? Não é evitando que o outro o vença, mas fazendo isso de forma alternada. Assim, os dois multiplicarão a pontuação diversas vezes”, compara.

MORTES
O antropólogo já participou da mediação de conflitos em diversos países, como Venezuela, Chechênia e Síria. A atuação de frentes de negociação é apontada como o meio mais eficaz de se evitar mortes em guerras e revoltas civis.

O especialista é fundador do Programa de Negociação da Universidade Harvard. Ele foi convidado pela Prefeitura de São Caetano para evento que marcou o início do Programa Municipal de Cultura de Paz, que já está implantado em três escolas municipais. O objetivo da administração é ampliar o projeto para as demais instituições públicas do município.
 



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Crianças devem aprender a mediar conflitos e negociar

Antropólogo de Harvard aponta diálogo como meio para implantação de cultura de paz

Fabio Munhoz
Do Diário do Grande ABC

22/09/2013 | 07:00


O ensino de técnicas de negociação a crianças é apontado como uma das maneiras mais eficazes de se criar uma sociedade preparada para a mediação de conflitos. Para o antropólogo William Ury, da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, a cultura de paz só pode ser estabelecida quando as pessoas utilizam o diálogo para resolver problemas de forma a beneficiar todas as partes envolvidas. O especialista ministrou palestra nesta semana no Cecape (Centro de Capacitação dos Profissionais da Educação), em São Caetano.

“A mediação de conflitos deve ser tratada na escola em meio às matérias. Não adianta criar uma disciplina só para isso. Sempre que há uma confusão, os professores devem debater com os alunos a melhor forma de se chegar à resolução do problema, incluindo em casos de bullying”, sugere. O ideal, diz Ury, é quando os estudantes começam, voluntariamente, a agir para evitar confrontos, mesmo que de terceiros. “Chega um ponto em que a criança, ao ver uma briga no pátio, conversa com os envolvidos para tentar resolver a situação.”

Os primeiros ensinamentos sobre mediação são transmitidos ainda em casa. “Durante a maior parte do dia nos vemos procurando acordos, seja com esposa, marido, pais, filhos, vizinhos, colegas de trabalho e clientes. Quando isso é bem resolvido, tem-se a primeira lição.”

Para ser bom mediador, o antropólogo afirma que é preciso desenvolver o hábito de ouvir. “Um bom negociador mais ouve que fala. Ao falar muito, você pode dizer coisas desnecessárias ou sem pensar.” Outra sugestão é reconhecer em si parte do problema. “Sempre achamos que é o outro o causador daquele tipo de situação problemática, mas nem sempre isso é verdade.”

Dica importante é se afastar da zona de conflito para que haja tempo de diminuir a irritação. “É como ao receber um e-mail que te desagrada. Ao responder, escreva tudo e, ao invés de enviar, clique em ‘salvar como rascunho’. Em seguida, levante-se e vá beber um café ou um copo de água. Ao voltar e reler a mensagem, você, provavelmente, vai apagá-la. Assim, evitará problemas.”

Ury utiliza a brincadeira de queda de braço como exemplo de como a negociação pode ser proveitosa para as duas pessoas envolvidas. “Cada vez que um derrubar o braço do outro, ganha 1.000 pontos. Qual é a melhor forma de se acumular muitos pontos? Não é evitando que o outro o vença, mas fazendo isso de forma alternada. Assim, os dois multiplicarão a pontuação diversas vezes”, compara.

MORTES
O antropólogo já participou da mediação de conflitos em diversos países, como Venezuela, Chechênia e Síria. A atuação de frentes de negociação é apontada como o meio mais eficaz de se evitar mortes em guerras e revoltas civis.

O especialista é fundador do Programa de Negociação da Universidade Harvard. Ele foi convidado pela Prefeitura de São Caetano para evento que marcou o início do Programa Municipal de Cultura de Paz, que já está implantado em três escolas municipais. O objetivo da administração é ampliar o projeto para as demais instituições públicas do município.
 

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