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Com queda dos juros, cresce captação das empresas no País



14/09/2009 | 07:00


A queda da taxa básica de juros para o menor nível da história do País, as perspectivas positivas para a economia e o medo dos riscos da alta do dólar estão provocando uma drástica mudança no sistema de financiamento das empresas brasileiras.

A consequência mais visível desse movimento é a disparada de quase 100% no volume de emissões de debêntures (títulos para financiamentos das empresas) no mercado interno - de R$ 6,5 bilhões entre janeiro e agosto de 2008 para R$ 12,9 bilhões no mesmo intervalo deste ano.

"No passado, muitas empresas acionavam os mercados externos em razão do tamanho da operação, dos prazos e das taxas (mais atraentes do que no Brasil). Hoje, elas conseguem fechar uma operação em reais com boas condições", afirma Sérgio Clemente, diretor-executivo do Bradesco Corporate. "O mercado local ficou mais competitivo com a queda da Selic", emenda o vice-presidente da Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento), Alberto Kiraly.

Clemente ressalta que isso não significa que o mercado interno esteja substituindo o externo. A escolha, explica, depende do perfil de cada companhia. "A ida ao mercado internacional se justifica para empresas que tenham estrutura de capital vinculada ao dólar, casos da Vale e da Petrobras." exemplifica.

O sócio da Tendências Consultoria, Nathan Blanche, acrescenta que, nas condições atuais, uma empresa com fluxo de caixa em reais paga mais caro para se financiar no Exterior do que no Brasil. O custo para obter um crédito doméstico está na casa de 6,6% ao ano, ante 9,5% lá fora (no caso de um Adiantamento de Contrato de Câmbio).

Há mais um fator pesando contra a busca de financiamento internacional: a má experiência de várias companhias brasileiras no ano passado, quando o dólar disparou no auge da crise global. "Elas preferem não correr o risco da moeda", diz o diretor da Capitânia Asset e Risk Management, César Lauro da Costa. "Quem não tem hedge (proteção) natural, fica cauteloso em ir para fora", completa José Olympio Pereira, diretor do banco de investimentos do Credit Suisse no Brasil.

Eles se referem a casos como os da Sadia e da Aracruz, que, no fim do ano passado tiveram prejuízos bilionários com operações nos mercados futuros, que são aqueles que especulam com a alta ou baixa do dólar. Pereira lembra, ainda, que o investidor brasileiro também está mais interessado em papéis emitidos por empresas, por causa da rentabilidade superior à dos títulos públicos. "Esse mercado poderia se desenvolver ainda mais se o governo adotasse um regime tributário que isentasse as operações de longo prazo de Imposto de Renda, como nos anos 90."

A CCR, administradora de rodovias, é uma das empresas que recorreram recentemente ao mercado interno. Em junho, emitiu quase R$ 600 milhões em debêntures. "Não temos nenhuma receita em dólar. Emitir dólar traria o risco de descasamento cambial", afirma o diretor-financeiro da companhia, Arthur Piotto.

 



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Com queda dos juros, cresce captação das empresas no País


14/09/2009 | 07:00


A queda da taxa básica de juros para o menor nível da história do País, as perspectivas positivas para a economia e o medo dos riscos da alta do dólar estão provocando uma drástica mudança no sistema de financiamento das empresas brasileiras.

A consequência mais visível desse movimento é a disparada de quase 100% no volume de emissões de debêntures (títulos para financiamentos das empresas) no mercado interno - de R$ 6,5 bilhões entre janeiro e agosto de 2008 para R$ 12,9 bilhões no mesmo intervalo deste ano.

"No passado, muitas empresas acionavam os mercados externos em razão do tamanho da operação, dos prazos e das taxas (mais atraentes do que no Brasil). Hoje, elas conseguem fechar uma operação em reais com boas condições", afirma Sérgio Clemente, diretor-executivo do Bradesco Corporate. "O mercado local ficou mais competitivo com a queda da Selic", emenda o vice-presidente da Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento), Alberto Kiraly.

Clemente ressalta que isso não significa que o mercado interno esteja substituindo o externo. A escolha, explica, depende do perfil de cada companhia. "A ida ao mercado internacional se justifica para empresas que tenham estrutura de capital vinculada ao dólar, casos da Vale e da Petrobras." exemplifica.

O sócio da Tendências Consultoria, Nathan Blanche, acrescenta que, nas condições atuais, uma empresa com fluxo de caixa em reais paga mais caro para se financiar no Exterior do que no Brasil. O custo para obter um crédito doméstico está na casa de 6,6% ao ano, ante 9,5% lá fora (no caso de um Adiantamento de Contrato de Câmbio).

Há mais um fator pesando contra a busca de financiamento internacional: a má experiência de várias companhias brasileiras no ano passado, quando o dólar disparou no auge da crise global. "Elas preferem não correr o risco da moeda", diz o diretor da Capitânia Asset e Risk Management, César Lauro da Costa. "Quem não tem hedge (proteção) natural, fica cauteloso em ir para fora", completa José Olympio Pereira, diretor do banco de investimentos do Credit Suisse no Brasil.

Eles se referem a casos como os da Sadia e da Aracruz, que, no fim do ano passado tiveram prejuízos bilionários com operações nos mercados futuros, que são aqueles que especulam com a alta ou baixa do dólar. Pereira lembra, ainda, que o investidor brasileiro também está mais interessado em papéis emitidos por empresas, por causa da rentabilidade superior à dos títulos públicos. "Esse mercado poderia se desenvolver ainda mais se o governo adotasse um regime tributário que isentasse as operações de longo prazo de Imposto de Renda, como nos anos 90."

A CCR, administradora de rodovias, é uma das empresas que recorreram recentemente ao mercado interno. Em junho, emitiu quase R$ 600 milhões em debêntures. "Não temos nenhuma receita em dólar. Emitir dólar traria o risco de descasamento cambial", afirma o diretor-financeiro da companhia, Arthur Piotto.

 

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