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Israelenses e iranianos travam disputa pelo Brasil


Adriana Mompean
Do Diário do Grande ABC

27/07/2009 | 07:00


A importância do Brasil como um dos principais atores no cenário político e econômico da América Latina atrai as atenções mundiais, como a de iranianos e israelenses, que, neste momento, travam uma disputa pelo País. Na última semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o chanceler do Estado hebreu, Avigdor Lieberman, ao mesmo tempo em que o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad anunciou que, em breve, estará em terras brasileiras.

"O Brasil tem projeção de liderança na América Latina e analiso a aproximação dos dois países como uma tática para preencher espaço no continente. O governo de Israel está preocupado com a aproximação do presidente venezuelano Hugo Chávez com o Irã e com a ponte que está fazendo para que o país também tenha relações com a Bolívia e o Equador", analisa Marcos Alan Ferreira, professor de Relações Internacionais da ESPM.

Lieberman manifestou interesse de que o Brasil atue como mediador nas negociações de paz no Oriente Médio durante sua visita ao Brasil, a primeira de um chanceler israelense ao País em 22 anos. A passagem de Lieberman fez parte de uma viagem de dez dias pela América do Sul.

"O Brasil é um País que tradicionalmente é muito forte, com laços muitos próximos com o mundo árabe e também com boas relações com Israel. Se for negociador, pode contribuir para os entendimentos entre os dois lados", afirmou Lieberman.

Recentemente, a diretora para a América Latina da chancelaria de Israel, Dorit Shavit, fez um alerta sobre a entrada do Irã no continente, especialmente na Bolívia, no Equador e na Nicarágua, e advertiu para a existência de células do Hezbollah apoiadas por iranianos no norte colombiano.

Economia - Além da questão política, a visita do chanceler israelense ao Brasil também teve conotação econômica, embora em menor proporção.

Lieberman, que é chefe do partido de extrema-direita Israel Beiteinu - a terceira força política no Estado hebreu -, esteve acompanhado de uma delegação de empresários dos setores de comunicações, da agricultura e de tecnologia.

De acordo com informações da Câmara Brasil-Israel de Comércio e Indústria, a transação bilateral entre os países vem crescendo rapidamente nos últimos anos. Produtos químicos são os principais itens das exportações israelenses para o Brasil, mas há o interesse de aumentar o volume de vendas de setores como Tecnologia da Informação, Segurança, Defesa e tecnologias hídricas. Do lado brasileiro, a carne é o principal produto vendido para o Estado hebreu. Em encontro com o governador paulista José Serra (PSDB), Lieberman discutiu o intercâmbio de pesquisas científicas.

Ahmadinejad anuncia visita ao País

Na véspera da chegada do chanceler de Israel, Avigdor Lieberman, o embaixador iraniano em Brasília, Mohsen Shaterzadeh, afirmou que o Brasil deverá ser o primeiro País a receber a visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que iniciará em agosto o seu segundo mandato.

A data da viagem ainda não foi marcada. Segundo o embaixador iraniano, ela ocorrerá "antes do que o imaginado". Os contatos entre os dois ministérios das Relações Exteriores continuam sendo feitos, mas o Brasil prefere esperar pela nova posse do presidente iraniano, marcada para o início do próximo mês. O governo do Irã chegou a cogitar a hipótese de que a visita fosse marcada antes disto, mas o Ministério das Relações Exteriores brasileiro prefere esperar, já que o atual chanceler iraniano, Manuchehr Mottaki, provavelmente não ficará no cargo.

Originalmente, a visita fora agendada para o início de maio, poucos dias antes da eleição presidencial no Irã. Mas acabou suspensa na última hora por conta de disputas internas que ameaçavam a vitória eleitoral de Ahmadinejah.

"O Brasil acabou entrando em uma sinuca de bico quando convidou Ahmadinejad para vir ao Brasil. Nos últimos anos, nunca uma visita gerou tanto protesto. Agora, o País tem de negociar com os dois lados (israelenses e iranianos), porque pretende ser interlocutor do conflito entre Israel e palestinos", analisa Marcos Alan Ferreira, professor de Relações Internacionais da ESPM. O convite de Lula a Ahmadinejad foi feito em janeiro de 2007, durante a posse do presidente equatoriano Rafael Correa.

Durante a estadia no Brasil, o chanceler israelense, Avigdor Lieberman, evitou criticar o governo por convidar o iraniano, mas deixou implícita sua insatisfação. "Claro que é escolha do Brasil convidar Ahmadinejad. Mas esse é um homem que toda semana nega o Holocausto, e a legislação brasileira diz que negar o Holocausto é crime", alfinetou durante um jantar. (Com Agências)



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Israelenses e iranianos travam disputa pelo Brasil

Adriana Mompean
Do Diário do Grande ABC

27/07/2009 | 07:00


A importância do Brasil como um dos principais atores no cenário político e econômico da América Latina atrai as atenções mundiais, como a de iranianos e israelenses, que, neste momento, travam uma disputa pelo País. Na última semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o chanceler do Estado hebreu, Avigdor Lieberman, ao mesmo tempo em que o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad anunciou que, em breve, estará em terras brasileiras.

"O Brasil tem projeção de liderança na América Latina e analiso a aproximação dos dois países como uma tática para preencher espaço no continente. O governo de Israel está preocupado com a aproximação do presidente venezuelano Hugo Chávez com o Irã e com a ponte que está fazendo para que o país também tenha relações com a Bolívia e o Equador", analisa Marcos Alan Ferreira, professor de Relações Internacionais da ESPM.

Lieberman manifestou interesse de que o Brasil atue como mediador nas negociações de paz no Oriente Médio durante sua visita ao Brasil, a primeira de um chanceler israelense ao País em 22 anos. A passagem de Lieberman fez parte de uma viagem de dez dias pela América do Sul.

"O Brasil é um País que tradicionalmente é muito forte, com laços muitos próximos com o mundo árabe e também com boas relações com Israel. Se for negociador, pode contribuir para os entendimentos entre os dois lados", afirmou Lieberman.

Recentemente, a diretora para a América Latina da chancelaria de Israel, Dorit Shavit, fez um alerta sobre a entrada do Irã no continente, especialmente na Bolívia, no Equador e na Nicarágua, e advertiu para a existência de células do Hezbollah apoiadas por iranianos no norte colombiano.

Economia - Além da questão política, a visita do chanceler israelense ao Brasil também teve conotação econômica, embora em menor proporção.

Lieberman, que é chefe do partido de extrema-direita Israel Beiteinu - a terceira força política no Estado hebreu -, esteve acompanhado de uma delegação de empresários dos setores de comunicações, da agricultura e de tecnologia.

De acordo com informações da Câmara Brasil-Israel de Comércio e Indústria, a transação bilateral entre os países vem crescendo rapidamente nos últimos anos. Produtos químicos são os principais itens das exportações israelenses para o Brasil, mas há o interesse de aumentar o volume de vendas de setores como Tecnologia da Informação, Segurança, Defesa e tecnologias hídricas. Do lado brasileiro, a carne é o principal produto vendido para o Estado hebreu. Em encontro com o governador paulista José Serra (PSDB), Lieberman discutiu o intercâmbio de pesquisas científicas.

Ahmadinejad anuncia visita ao País

Na véspera da chegada do chanceler de Israel, Avigdor Lieberman, o embaixador iraniano em Brasília, Mohsen Shaterzadeh, afirmou que o Brasil deverá ser o primeiro País a receber a visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que iniciará em agosto o seu segundo mandato.

A data da viagem ainda não foi marcada. Segundo o embaixador iraniano, ela ocorrerá "antes do que o imaginado". Os contatos entre os dois ministérios das Relações Exteriores continuam sendo feitos, mas o Brasil prefere esperar pela nova posse do presidente iraniano, marcada para o início do próximo mês. O governo do Irã chegou a cogitar a hipótese de que a visita fosse marcada antes disto, mas o Ministério das Relações Exteriores brasileiro prefere esperar, já que o atual chanceler iraniano, Manuchehr Mottaki, provavelmente não ficará no cargo.

Originalmente, a visita fora agendada para o início de maio, poucos dias antes da eleição presidencial no Irã. Mas acabou suspensa na última hora por conta de disputas internas que ameaçavam a vitória eleitoral de Ahmadinejah.

"O Brasil acabou entrando em uma sinuca de bico quando convidou Ahmadinejad para vir ao Brasil. Nos últimos anos, nunca uma visita gerou tanto protesto. Agora, o País tem de negociar com os dois lados (israelenses e iranianos), porque pretende ser interlocutor do conflito entre Israel e palestinos", analisa Marcos Alan Ferreira, professor de Relações Internacionais da ESPM. O convite de Lula a Ahmadinejad foi feito em janeiro de 2007, durante a posse do presidente equatoriano Rafael Correa.

Durante a estadia no Brasil, o chanceler israelense, Avigdor Lieberman, evitou criticar o governo por convidar o iraniano, mas deixou implícita sua insatisfação. "Claro que é escolha do Brasil convidar Ahmadinejad. Mas esse é um homem que toda semana nega o Holocausto, e a legislação brasileira diz que negar o Holocausto é crime", alfinetou durante um jantar. (Com Agências)

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