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Risco de contaminação
em terreno é incerto

Um laudo definirá se uma área em bairro nobre de São
Bernardo oferece problemas à saúde dos moradores


Natália Fernandjes
Do Diário do Grande ABC

20/07/2012 | 07:00


O sonho da casa própria se transformou em preocupação para cerca de 500 famílias que adquiriram imóveis em área contaminada no bairro Nova Petrópolis, em São Bernardo. Proprietários dos apartamentos instalados em dois condomínios de alto padrão aguardam conclusão de terceiro laudo solicitado pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) para saber ao certo qual é a gravidade do caso, se estão sujeitos a problemas de saúde ou se tiveram algum prejuízo financeiro.

O espaço, onde funcionava a Companhia Brasileira de Plástico Monsanto, foi incluído na relação das áreas contaminadas da Cetesb, no fim do ano passado. O terreno consta como tendo o solo superficial e as águas subterrâneas contaminados por metais. Com isso, foi feita restrição quanto ao uso do lençol freático pelo órgão estadual.

Apesar do alerta, moradores dos conjuntos entregues pela construtora Gafisa não precisarão deixar o local. O síndico do condomínio Mansão Imperial - que está com 18% de sua ocupação total -, o gerente de sistemas Ricardo Portela, 44 anos, destaca que os proprietários dos imóveis só foram notificados sobre o problema em fevereiro. Segundo ele, apesar do susto inicial e do constrangimento, o único prejuízo até o momento é a averbação na matrícula dos apartamentos.

Com isso, há dificuldade para que bancos aprovem o financiamento imobiliário daqueles que não adquiriram os imóveis à vista, que custam de R$ 500 mil (Nova Petrópolis Prime Life) até R$ 1 milhão (Mansão Imperial). "Paguei 50% do valor e na hora do financiamento nenhum banco aprovou porque a área está contaminada", destaca o arquiteto Adilson Ueno, 43.

Apesar de estar preocupado com a gravidade da contaminação, Ueno teme que o procedimento entre Gafisa e Cetesb demore ou que tenha prejuízos caso precise vender o imóvel. "A gente planeja um padrão de vida melhor para a família e pode ser que tenha desvalorização", observa o futuro morador do Nova Petrópolis Prime Life, que está com 80% de apartamentos ocupados.

Já Portela acredita que a quantidade de terra removida do terreno durante a obra e o não contato dos moradores com o lençol freático contaminado afastam os problemas para a saúde. O posicionamento é o mesmo apresentado pela Gafisa, que garante a não existência de riscos baseada nas recomendações da Cetesb.

Na visão do professor do curso de Gestão em Saúde Ambiental da Faculdade de Medicina do ABC, Rogério Alvarenga, apenas análise do estudo, que deve ficar pronto no fim do mês, poderá indicar se há riscos à saúde. "Quanto à água do subsolo, a gente sempre indica que as pessoas não usem por questão de segurança", destaca.

Ministério Público instaura inquérito para apurar caso

O Ministério Público de São Bernardo instaurou inquérito civil para apurar o caso. Por meio de sua assessoria de imprensa, o órgão informou que a promotora de Meio Ambiente Rosângela Staurenghi solicitou esclarecimentos à Cetesb.

A construção dos imóveis começou em 2008. Depois de dois laudos, a Gafisa foi obrigada pela Cetesb a contratar estudo complementar. A construtora foi multada em R$ 27,6 mil, apesar de alegar ter apresentado todos os esclarecimentos solicitados durante aprovação do empreendimento. Segundo a construtora, o órgão estadual só pediu outras providências após a entrega dos condomínios.

Já a Prefeitura de São Bernardo informou que, quando emitiu alvará para início das obras, em dezembro de 2007, e Habite-se, em novembro de 2011, o condomínio não constava na lista de áreas contaminadas da Cetesb.



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Risco de contaminação
em terreno é incerto

Um laudo definirá se uma área em bairro nobre de São
Bernardo oferece problemas à saúde dos moradores

Natália Fernandjes
Do Diário do Grande ABC

20/07/2012 | 07:00


O sonho da casa própria se transformou em preocupação para cerca de 500 famílias que adquiriram imóveis em área contaminada no bairro Nova Petrópolis, em São Bernardo. Proprietários dos apartamentos instalados em dois condomínios de alto padrão aguardam conclusão de terceiro laudo solicitado pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) para saber ao certo qual é a gravidade do caso, se estão sujeitos a problemas de saúde ou se tiveram algum prejuízo financeiro.

O espaço, onde funcionava a Companhia Brasileira de Plástico Monsanto, foi incluído na relação das áreas contaminadas da Cetesb, no fim do ano passado. O terreno consta como tendo o solo superficial e as águas subterrâneas contaminados por metais. Com isso, foi feita restrição quanto ao uso do lençol freático pelo órgão estadual.

Apesar do alerta, moradores dos conjuntos entregues pela construtora Gafisa não precisarão deixar o local. O síndico do condomínio Mansão Imperial - que está com 18% de sua ocupação total -, o gerente de sistemas Ricardo Portela, 44 anos, destaca que os proprietários dos imóveis só foram notificados sobre o problema em fevereiro. Segundo ele, apesar do susto inicial e do constrangimento, o único prejuízo até o momento é a averbação na matrícula dos apartamentos.

Com isso, há dificuldade para que bancos aprovem o financiamento imobiliário daqueles que não adquiriram os imóveis à vista, que custam de R$ 500 mil (Nova Petrópolis Prime Life) até R$ 1 milhão (Mansão Imperial). "Paguei 50% do valor e na hora do financiamento nenhum banco aprovou porque a área está contaminada", destaca o arquiteto Adilson Ueno, 43.

Apesar de estar preocupado com a gravidade da contaminação, Ueno teme que o procedimento entre Gafisa e Cetesb demore ou que tenha prejuízos caso precise vender o imóvel. "A gente planeja um padrão de vida melhor para a família e pode ser que tenha desvalorização", observa o futuro morador do Nova Petrópolis Prime Life, que está com 80% de apartamentos ocupados.

Já Portela acredita que a quantidade de terra removida do terreno durante a obra e o não contato dos moradores com o lençol freático contaminado afastam os problemas para a saúde. O posicionamento é o mesmo apresentado pela Gafisa, que garante a não existência de riscos baseada nas recomendações da Cetesb.

Na visão do professor do curso de Gestão em Saúde Ambiental da Faculdade de Medicina do ABC, Rogério Alvarenga, apenas análise do estudo, que deve ficar pronto no fim do mês, poderá indicar se há riscos à saúde. "Quanto à água do subsolo, a gente sempre indica que as pessoas não usem por questão de segurança", destaca.

Ministério Público instaura inquérito para apurar caso

O Ministério Público de São Bernardo instaurou inquérito civil para apurar o caso. Por meio de sua assessoria de imprensa, o órgão informou que a promotora de Meio Ambiente Rosângela Staurenghi solicitou esclarecimentos à Cetesb.

A construção dos imóveis começou em 2008. Depois de dois laudos, a Gafisa foi obrigada pela Cetesb a contratar estudo complementar. A construtora foi multada em R$ 27,6 mil, apesar de alegar ter apresentado todos os esclarecimentos solicitados durante aprovação do empreendimento. Segundo a construtora, o órgão estadual só pediu outras providências após a entrega dos condomínios.

Já a Prefeitura de São Bernardo informou que, quando emitiu alvará para início das obras, em dezembro de 2007, e Habite-se, em novembro de 2011, o condomínio não constava na lista de áreas contaminadas da Cetesb.

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