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Aposentado festeja
mercado de trabalho


Vinicius Gorczeski
Especial para o Diário

25/01/2011 | 07:09


Aposentado festeja mercado de trabalho

Com benefício reduzido, pensionista segue no emprego; empresas apostam neste perfil

A data tem aspecto comemorativo: Dia do Aposentado. Mas a classe não teve muito a festejar ontem, em seu dia. Com aposentadorias que não acompanham suas necessidades e inflação que pesa mais no bolso do que a média dos brasileiros, os aposentados veem a necessidade de retornar ao mercado de trabalho para complementar a renda.

O fator positivo é que o mercado tende a ficar atento a isso e procura agregar o valor dos mais velhos na hora da contratação.

O diferencial mais considerado é a experiência que acumularam ao longo de décadas de trabalho. Não só bagagem profissional, como também a de vida são avaliadas. Sérgio Augusto de Andrade, dono de loja em shopping de Santo André, garantiu que está satisfeito com suas funcionárias, cuja maioria é aposentada. Inclusive, uma delas é gerente do local.

Mesmo com a expectativa de vida crescendo, Andrade explicou que ainda há preconceito com a classe para empregar. No entanto, não abre mão do perfil. "Há carinho pelo cliente, que fica mais à vontade. Ele também pode passar muita coisa boa que aprendeu com a vida, mostrar isso ao consumidor." O empresário defendeu que os trabalhadores da melhor idade têm potencial e garante que, às vezes, "têm mais pique até mesmo que os mais novos".

E o contingente da categoria não é pequeno. Só no Grande ABC, o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) afirma que paga mensalmente R$ 301,4 milhões a 257 mil aposentados. Já o presidente da Associação dos Aposentados Pensionistas e Idosos do Grande ABC, Benedito Marcílio, estima que as sete cidades comportam 400 mil beneficiários, tendo em vista aqueles que aposentaram fora do INSS, como os funcionários públicos. "Só em Santo André tem mais de 120 mil. Pelos números dá para ver que a circulação de dinheiro é grande", sustentou.

Ao se olhar para a massa de aposentados, o que falta para os patrões é a conscientização quanto ao valor dessa mão de obra, que também tira proveito no vínculo de emprego. "Eles são mais maduros, se dedicam e, além de complementarem a renda, estão sendo úteis. Sentem-se mais valorizados por isso e trabalham mais felizes", ressaltou Andrade.

Exemplo disso é a aposentada Maria Alda Maia Raniere. Mesmo com 61 anos, ainda está na ativa. A trabalhadora, que gerencia a loja de Andrade, não se imagina presa em casa, sem trabalho. Além disso, Maria também admite que não daria conta de quitar todas as despesas apenas com o que recebe da Previdência Social. Quando o marido faleceu, recentemente, ela não teve alternativa, senão manter-se trabalhando para "não passar necessidade".

RENDA - A situação salarial entre os idosos da região está dentro da média nacional. Marcílio diz que hoje a maioria dos aposentados do País recebe um salário-mínimo e meio, cerca de R$ 810.

Com o piso da Previdência Social insuficiente, os aposentados têm de recorrer a empréstimos a fim de quitarem dívidas e demais despesas. Há facilidade de os bancos ofertarem dinheiro à classe por meio do crédito consignado. Assim, o número de débitos entre os idosos acaba inflando. "Nós (beneficiados do Grande ABC) somos taxados de aposentados de categoria de luxo. Mas a verdade é que aqui estão todos endividados", contrapõe Marcílio.

Inflação pesa mais para terceira idade

O dragão da inflação, que acompanha o aposentado desde sua juventude, não foi generoso. Nos últimos 16 anos, o aumento médio acumulado dos preços à população da terceira idade atingiu 280%. No mesmo período, a inflação ao consumidor foi de 225%, segundo informações do Ibre/FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).

Contando com aposentadorias que, normalmente, não ultrapassam os salários de quando trabalhavam, a classe sofre com a necessidade de alguns produtos e serviços, que se faltarem, podem prejudicar a saúde.

"Os gastos dessas pessoas são em grande maioria com saúde. São medicamentos e planos de saúde que eles não podem dispensar. É diferente de um jovem, que pode dispensar um convênio médico por ter menos chances de ficar doente", avaliou o economista e pesquisador do Ibre/FGV Andre Braz.

Ele explicou que esses produtos e serviços têm preços elevados e suas inflações, consequentemente, são maiores. "E o idoso acaba pagando por isso, pois não pode dispensar."

A alimentação também é problema à classe. "Da mesma forma acontece com os alimentos. Essas pessoas não podem ficar sem comidas importantes para manter a saúde, como a carne e o leite. E dificilmente eles farão a substituição desses produtos como um jovem pode fazer", disse o especilista do Ibre. (Pedro Souza)

Categoria pede reajuste de 16,67%

O Dia do Aposentado, ontem, contribuiu para que a categoria aproveitasse o momento para deflagar onda de reivindicações. Entre os pedidos, reajuste de 16,67%.

No dia 30, às 8h, haverá manifestação entre representantes da classe junto ao poder público na basílica de Aparecida do Norte, após ato ecumênico. Entre os convidados, estão a presidente Dilma Rousseff, o governador Geraldo Alckmin e o prefeito de Santo André, Aidan Ravin.

"Reivindicaremos pela votação de projeto que dá reajuste único das aposentadorias e para que se corrija todas as perdas", diz o presidente da Associação dos Aposentados Pensionistas e Idosos do Grande ABC, Benedito Marcílio.

O representante defende o índice em função de ter sido aprovado em 2006, pelo Senado, projeto que concedia tal percentual ao piso, mas que foi vetado pelo então presidente Lula, que deu 5%. Segundo Marcílio, até hoje o veto não foi discutido pela Casa. Se o mínimo atual fosse corrigido no percentual pleiteado, o salário atingiria, pelo menos, R$ 630, já que ainda haveria as demais correções.

Outro item na pauta da associação é a derrubada do fator previdenciário, que usa critério de tempo de contribuição e idade no cálculo. "O critério é perverso. Retira mais de 35% dos ganhos já no início da aposentadoria. É vergonhoso", ressalta, ao enumerar também o desejo por um conselho nacional de seguridade social e um banco da seguridade, a fim de gerir recursos destinados aos aposentados. (VG)



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Aposentado festeja
mercado de trabalho

Vinicius Gorczeski
Especial para o Diário

25/01/2011 | 07:09


Aposentado festeja mercado de trabalho

Com benefício reduzido, pensionista segue no emprego; empresas apostam neste perfil

A data tem aspecto comemorativo: Dia do Aposentado. Mas a classe não teve muito a festejar ontem, em seu dia. Com aposentadorias que não acompanham suas necessidades e inflação que pesa mais no bolso do que a média dos brasileiros, os aposentados veem a necessidade de retornar ao mercado de trabalho para complementar a renda.

O fator positivo é que o mercado tende a ficar atento a isso e procura agregar o valor dos mais velhos na hora da contratação.

O diferencial mais considerado é a experiência que acumularam ao longo de décadas de trabalho. Não só bagagem profissional, como também a de vida são avaliadas. Sérgio Augusto de Andrade, dono de loja em shopping de Santo André, garantiu que está satisfeito com suas funcionárias, cuja maioria é aposentada. Inclusive, uma delas é gerente do local.

Mesmo com a expectativa de vida crescendo, Andrade explicou que ainda há preconceito com a classe para empregar. No entanto, não abre mão do perfil. "Há carinho pelo cliente, que fica mais à vontade. Ele também pode passar muita coisa boa que aprendeu com a vida, mostrar isso ao consumidor." O empresário defendeu que os trabalhadores da melhor idade têm potencial e garante que, às vezes, "têm mais pique até mesmo que os mais novos".

E o contingente da categoria não é pequeno. Só no Grande ABC, o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) afirma que paga mensalmente R$ 301,4 milhões a 257 mil aposentados. Já o presidente da Associação dos Aposentados Pensionistas e Idosos do Grande ABC, Benedito Marcílio, estima que as sete cidades comportam 400 mil beneficiários, tendo em vista aqueles que aposentaram fora do INSS, como os funcionários públicos. "Só em Santo André tem mais de 120 mil. Pelos números dá para ver que a circulação de dinheiro é grande", sustentou.

Ao se olhar para a massa de aposentados, o que falta para os patrões é a conscientização quanto ao valor dessa mão de obra, que também tira proveito no vínculo de emprego. "Eles são mais maduros, se dedicam e, além de complementarem a renda, estão sendo úteis. Sentem-se mais valorizados por isso e trabalham mais felizes", ressaltou Andrade.

Exemplo disso é a aposentada Maria Alda Maia Raniere. Mesmo com 61 anos, ainda está na ativa. A trabalhadora, que gerencia a loja de Andrade, não se imagina presa em casa, sem trabalho. Além disso, Maria também admite que não daria conta de quitar todas as despesas apenas com o que recebe da Previdência Social. Quando o marido faleceu, recentemente, ela não teve alternativa, senão manter-se trabalhando para "não passar necessidade".

RENDA - A situação salarial entre os idosos da região está dentro da média nacional. Marcílio diz que hoje a maioria dos aposentados do País recebe um salário-mínimo e meio, cerca de R$ 810.

Com o piso da Previdência Social insuficiente, os aposentados têm de recorrer a empréstimos a fim de quitarem dívidas e demais despesas. Há facilidade de os bancos ofertarem dinheiro à classe por meio do crédito consignado. Assim, o número de débitos entre os idosos acaba inflando. "Nós (beneficiados do Grande ABC) somos taxados de aposentados de categoria de luxo. Mas a verdade é que aqui estão todos endividados", contrapõe Marcílio.

Inflação pesa mais para terceira idade

O dragão da inflação, que acompanha o aposentado desde sua juventude, não foi generoso. Nos últimos 16 anos, o aumento médio acumulado dos preços à população da terceira idade atingiu 280%. No mesmo período, a inflação ao consumidor foi de 225%, segundo informações do Ibre/FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).

Contando com aposentadorias que, normalmente, não ultrapassam os salários de quando trabalhavam, a classe sofre com a necessidade de alguns produtos e serviços, que se faltarem, podem prejudicar a saúde.

"Os gastos dessas pessoas são em grande maioria com saúde. São medicamentos e planos de saúde que eles não podem dispensar. É diferente de um jovem, que pode dispensar um convênio médico por ter menos chances de ficar doente", avaliou o economista e pesquisador do Ibre/FGV Andre Braz.

Ele explicou que esses produtos e serviços têm preços elevados e suas inflações, consequentemente, são maiores. "E o idoso acaba pagando por isso, pois não pode dispensar."

A alimentação também é problema à classe. "Da mesma forma acontece com os alimentos. Essas pessoas não podem ficar sem comidas importantes para manter a saúde, como a carne e o leite. E dificilmente eles farão a substituição desses produtos como um jovem pode fazer", disse o especilista do Ibre. (Pedro Souza)

Categoria pede reajuste de 16,67%

O Dia do Aposentado, ontem, contribuiu para que a categoria aproveitasse o momento para deflagar onda de reivindicações. Entre os pedidos, reajuste de 16,67%.

No dia 30, às 8h, haverá manifestação entre representantes da classe junto ao poder público na basílica de Aparecida do Norte, após ato ecumênico. Entre os convidados, estão a presidente Dilma Rousseff, o governador Geraldo Alckmin e o prefeito de Santo André, Aidan Ravin.

"Reivindicaremos pela votação de projeto que dá reajuste único das aposentadorias e para que se corrija todas as perdas", diz o presidente da Associação dos Aposentados Pensionistas e Idosos do Grande ABC, Benedito Marcílio.

O representante defende o índice em função de ter sido aprovado em 2006, pelo Senado, projeto que concedia tal percentual ao piso, mas que foi vetado pelo então presidente Lula, que deu 5%. Segundo Marcílio, até hoje o veto não foi discutido pela Casa. Se o mínimo atual fosse corrigido no percentual pleiteado, o salário atingiria, pelo menos, R$ 630, já que ainda haveria as demais correções.

Outro item na pauta da associação é a derrubada do fator previdenciário, que usa critério de tempo de contribuição e idade no cálculo. "O critério é perverso. Retira mais de 35% dos ganhos já no início da aposentadoria. É vergonhoso", ressalta, ao enumerar também o desejo por um conselho nacional de seguridade social e um banco da seguridade, a fim de gerir recursos destinados aos aposentados. (VG)

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