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Vinte e quatro pessoas ligadas a Hildebrando sao presas


Do Diário do Grande ABC

24/09/1999 | 10:17


Pelo menos 24 dos 28 acusados de envolvimento com o narcotráfico no Acre foram presos, segundo informaçoes da Globo News. Entre os detidos estao 11 policiais militares, dez policiais civis e um irmao do ex-deputado federal Hildebrando Pascoal. Eles estavam sendo encaminhados, nesta sexta-feira, para Brasília, escoltados por policiais federais em um aviao da Força Aérea Brasileira.

Hildebrando, que teve o mandato cassado na quarta-feira (22) pela Câmara, por quebra de decoro parlamentar, está preso em um batalhao da PM, em Brasília, desde o começo da tarde de quinta (23). Ele passou quase toda a quarta-feira (22) escondido mas se entregou, na madrugada de quinta-feira (23) e ficou em reclusao na Superintendência da Polícia Federal até o final da manha. Em seguida, o acusado pela CPI (Comissao Parlamentar de Inquérito) do Narcotráfico de liderar o esquadrao da morte e o tráfico de drogas no Acre, foi levado para uma cela que já foi ocupada pelo empresário Paulo César Farias, no Batalhao da PM.

A idéia é manter todos os demais acusados presos também em Brasília, mas em locais separados sem permitir que tenham contato entre si. Inicialmente, os presos irao para a superintendência da PF, localizada na Asa Sul de Brasília, e depois serao transferidos. Provavelmente alguns deverao aguardar julgamento nas dependências da Polícia Militar, como o batalhao onde está o ex-deputado, e outros ficarao em celas da Penitenciária da Papuda (de segurança máxima) e do CPE (Centro de Polícia Especializada), da Polícia Civil.

"Por motivos de segurança nao podemos informar os detalhes", disse o ministro da Justiça, José Carlos Dias.

Defesa - A defesa do ex-deputado Hildebrando Pascoal mudou de estratégia e nao vai contestar o decreto de prisao temporária com duraçao de 30 dias, prorrogáveis pelo mesmo período. Os advogados insistem, no entanto, em tentar anular no STF (Supremo Tribunal Federal) a cassaçao de Hildebrando. "O processo de cassaçao foi cheio de falhas", argumentou o advogado Eri Varela. Segundo ele, o STF ainda nao apreciou o mérito do mandado de segurança que aponta as supostas falhas no processo da Câmara contra Hildebrando.

Coronel reformado da PM do Acre, Hildebrando assinou o termo de prisao e foi examinado pelo médico, capitao Sérgio Misack.

O ex-deputado deve ser levado para o 3º Batalhao da PM, onde José Carlos Alves dos Santos, o ex-assessor do Senado que denunciou a máfia do Orçamento, cumpre prisao semi-aberta (fica solto de dia e dorme na prisao à noite). Na cela especial temporária, Hildebrando tem uma cama com colchao, filtro de água, mesa com duas cadeiras e banheiro com chuveiro elétrico. Se quiser ter televisao e geladeira, precisará de autorizaçao judicial para entrada dos aparelhos no quarto.

A prisao do ex-deputado estava prevista para ocorrer logo após a cassaçao, mas só aconteceu na madrugada. O COT (Comando de Operaçoes Táticas) da Polícia Federal colocou na rua um contingente de mais de 20 agentes para tentar localizar Hildebrando em Brasília. Depois que o ex-parlamentar deixou, no final da tarde de quarta, o edifício onde estava escondido, os agentes perderam a pista do coronel reformado. O motorista de Hildebrando, dirigindo uma Towner, conseguiu driblar os agentes entrando pela contramao, subindo em meio fio e avançando sinais. Numa das manobras, o motorista chegou a fazer gestos obscenos ao se livrar dos agentes que ficaram presos no trânsito.

Depois de se livrar da perseguiçao policial, Hildebrando perambulou pela cidade até seguir para a casa do advogado Eri Varela no Lago Sul. O motorista que levava o ex-deputado retornou com o carro vazio ao escritório de Hildebrando, onde imprensa e PF montavam guarda. Depois de conceder dezenas de entrevistas, os advogados de Hildebrando decidiram ir para uma pizzaria. Eram pouco mais de 23h quando eles saíram seguidos por carros da PF. O motorista, que passou a noite bebendo uísque e se vangloriando de ter enganado os agentes federais, fez a escolta dos advogados, jogando a Towner contra carros da imprensa.

As 2h30, ao receber a informaçao de que a Justiça Federal do Acre havia decretado a prisao do cliente, Eri Varela foi para a Superintendência da Polícia Federal. Esperou até que o comunicado chegasse por fax e levou os agentes até sua casa, onde estava o ex-deputado. Eram 4h30, quando um carro com faróis apagados entrou na garagem do prédio da PF levando Hildebrando.



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