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Teste acusa 36% de gasolina ‘batizada’ em Diadema


Rodrigo Cipriano
Do Diário do Grande ABC

04/05/2005 | 11:59


Vinte e sete das 76 amostras de gasolina analisadas pelo Sincopetro (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de São Paulo) terça-feira, em Diadema, estavam adulteradas. O sindicato ficou das 8h às 15h na praça da Moça, Centro da cidade, testando o combustível de veículos que passavam por lá. Chegou ao índice de 36% de combustível batizado.

O principal problema encontrado pelos técnicos do Sincopetro foi excesso de álcool adicionado à gasolina. A ANP (Agência Nacional do Petróleo), que regulamenta o setor, permite a adição de até 25% de álcool na gasolina. O combustível de alguns dos carros analisados apresentou misturas que chegavam a 47%. Outro problema encontrado foi a adição de solventes à gasolina, o que não é permitido. A principal substância usada para adulteração é o benzeno.

O teste era rápido. Não durava mais de dois minutos. O motorista estacionava o carro sob um biombo montado pelo sindicato e os técnicos retiravam cerca de 200 ml de combustível. O produto então era analisado em um laboratório móvel, que identificava todos os componentes do combustível.

“Eu suspeitava do posto, mas não acreditei quando vi o resultado”, afirma o auxiliar de enfermagem Wilson Venâncio da Cunha, 41 anos. Uma semana antes, o auxiliar completou o tanque de seu carro com a gasolina adulterada. “Agora vou voltar lá no posto. Não quero que outras pessoas caiam nessa cilada”, diz o auxiliar de enfermagem.

Quase sempre o proprietário do posto de combustíveis sabe que está comprando combustível adulterado. O Sincopetro, grupo que representa os postos de combustível, diz que a principal evidência de que o consumidor está comprando gasolina batizada é o preço, bem abaixo do praticado no mercado.

Apesar disso, os postos que tiveram a gasolina reprovada não serão fiscalizados. “O objetivo é alertar o motorista de que determinado posto é ou não de confiança. Nós não temos o poder de polícia para sair lacrando bomba de combustível”, justifica-se Genaro Maresca, um dos diretores do Sincopetro que coordenava os trabalhos terça-feira em Diadema.

Esse poder é restrito à ANP e ao governo do Estado, que no mês passado sancionou lei que determina a cassação da inscrição estadual do estabelecimento que for flagrado vendendo combustível adulterado (ver quadro ao lado). Desde que entrou em vigor, no último dia 13, 96 postos foram fiscalizados em todo o Estado. Destes, 13 tinham gasolina batizada nas bombas. Mas nenhum deles perdeu a inscrição estadual.

O processo para o fechamento do posto é moroso. Para cassar a inscrição, a Secretaria de Estado da Fazenda precisa receber um laudo do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) que comprove a adulteração do combustível. Passados mais de 15 dias da aprovação da lei, nenhum documento foi emitido.


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Teste acusa 36% de gasolina ‘batizada’ em Diadema

Rodrigo Cipriano
Do Diário do Grande ABC

04/05/2005 | 11:59


Vinte e sete das 76 amostras de gasolina analisadas pelo Sincopetro (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de São Paulo) terça-feira, em Diadema, estavam adulteradas. O sindicato ficou das 8h às 15h na praça da Moça, Centro da cidade, testando o combustível de veículos que passavam por lá. Chegou ao índice de 36% de combustível batizado.

O principal problema encontrado pelos técnicos do Sincopetro foi excesso de álcool adicionado à gasolina. A ANP (Agência Nacional do Petróleo), que regulamenta o setor, permite a adição de até 25% de álcool na gasolina. O combustível de alguns dos carros analisados apresentou misturas que chegavam a 47%. Outro problema encontrado foi a adição de solventes à gasolina, o que não é permitido. A principal substância usada para adulteração é o benzeno.

O teste era rápido. Não durava mais de dois minutos. O motorista estacionava o carro sob um biombo montado pelo sindicato e os técnicos retiravam cerca de 200 ml de combustível. O produto então era analisado em um laboratório móvel, que identificava todos os componentes do combustível.

“Eu suspeitava do posto, mas não acreditei quando vi o resultado”, afirma o auxiliar de enfermagem Wilson Venâncio da Cunha, 41 anos. Uma semana antes, o auxiliar completou o tanque de seu carro com a gasolina adulterada. “Agora vou voltar lá no posto. Não quero que outras pessoas caiam nessa cilada”, diz o auxiliar de enfermagem.

Quase sempre o proprietário do posto de combustíveis sabe que está comprando combustível adulterado. O Sincopetro, grupo que representa os postos de combustível, diz que a principal evidência de que o consumidor está comprando gasolina batizada é o preço, bem abaixo do praticado no mercado.

Apesar disso, os postos que tiveram a gasolina reprovada não serão fiscalizados. “O objetivo é alertar o motorista de que determinado posto é ou não de confiança. Nós não temos o poder de polícia para sair lacrando bomba de combustível”, justifica-se Genaro Maresca, um dos diretores do Sincopetro que coordenava os trabalhos terça-feira em Diadema.

Esse poder é restrito à ANP e ao governo do Estado, que no mês passado sancionou lei que determina a cassação da inscrição estadual do estabelecimento que for flagrado vendendo combustível adulterado (ver quadro ao lado). Desde que entrou em vigor, no último dia 13, 96 postos foram fiscalizados em todo o Estado. Destes, 13 tinham gasolina batizada nas bombas. Mas nenhum deles perdeu a inscrição estadual.

O processo para o fechamento do posto é moroso. Para cassar a inscrição, a Secretaria de Estado da Fazenda precisa receber um laudo do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) que comprove a adulteração do combustível. Passados mais de 15 dias da aprovação da lei, nenhum documento foi emitido.

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