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Penedo, pérola barroca do Nordeste


Rosângela Espinossi
Enviada a Penedo

04/05/2006 | 08:31


A cidade alagoana de Penedo, cerca de 160 km ao Sul da capital e fundada em 1565,é uma pérola barroca, com pitadas dos estilos rococó e neoclássico, às margens do magnífico rio São Francisco. Não à toa é chamada de “Ouro Preto do Nordeste”. O município possui oficialmente 57 mil habitantes, distribuídos numa área de 633 km², mas é no Centro que se encontram suas principais riquezas arquitetônicas, grande parte delas construída sobre o rochedo (penedo, em linguagem indígena, que acabou dando nome à cidade) que margeia o rio.

Um passeio em suas ladeiras, por entre seus típicos casarios assobradados, nos leva a construções que contam histórias de uma cidade que já foi próspera e abrigou ricos comerciantes que se aproveitavam da facilidade do transporte fluvial para comprar e enviar mercadorias para outras regiões e para a Europa. Hoje, vestígios dessa prosperidade se encontram, principalmente, em suas igrejas, algumas delas só abertas para visitação.

A igreja e convento de Nossa Senhora dos Anjos teve sua capela-mor inaugurada em 1689, e a ala conventual passou a abrigar em 1698 os frades franciscanos, cuja ordem terceira foi responsável pela construção. A edificação demorou 99 anos para ser concluída: a pedra fundamental foi lançada em 1660 e a construção, totalmente finalizada em 1759, obedecendo ao traçado barroco português.

Saindo de lá, subindo a praça Frei Antônio de São Camillo de Lellis e virando à esquerda, logo se chega à catedral diocesana de Nossa Senhora do Rosário, situada na praça Barão de Penedo. A construção da catedral começou em 1690, mas a forma atual data de 1905. Nela, como na Nossa Senhora dos Anjos, originalmente não havia bancos. Os ricos levavam tapetes persas, e os pobres, esteiras para acompanhar o culto.

Nesta praça está também o Oratório, de 1769, usado por presos, que mantém as características barrocas originais. A prefeitura, ou prédio da Aposentadoria, fica do lado de baixo, bem na beira do rochedo. Aos fundos, é magnífica a visão que se tem do rio São Francisco. O prédio está localizado no terreno onde um dia foi o forte Maurício de Nassau. Sim, o invasor holandês fincou bases lá entre 1637 e 1645. A administração atual pretende iniciar obras de escavação para tentar recuperar resquícios da fortaleza, destruída e queimada pelos portugueses e nativos quando expulsaram os invasores. Na Casa de Penedo, espécie de museu da cidade, está a maquete do forte, com sua murada sobre o rochedo.

Descendo rumo ao rio São Francisco, chega-se à praça 12 de Abril, data de aniversário da cidade, bem em frente ao rio. Foi lá que se iniciou a povoação de Penedo e onde o comércio se estabeleceu, por conta da facilidade de chegada de barcos. É lá também que estão outras preciosidades da arquitetura. A principal delas é a igreja Nossa Senhora da Corrente, cuja construção começou em 1764. Há controvérsias sobre a origem do nome. Primeiro porque, ainda que se cultue a imagem da santa, ela não é reconhecida pela Igreja Católica.

Entre as versões está a de que foi batizada assim por conta de uma de suas benfeitoras, Ana Felícia da Corrente; há ainda a ligada ao nome de Nossa Senhora à correnteza do rio; outra hipótese é a de que o capitão-mor José Gonçalo Garcia Reis, que iniciou sua construção, teria vindo fugitivo de Portugal e quando chegou ainda possuía pedaços da corrente como algema. O som dos escravos que desciam a ladeira acorrentados é outra hipótese.

Mas nada disso importa. O fato é que a construção, finalizada pela rica família Lemos no fim do século XVIII, é um primor. A arquitetura barroca sóbria contrasta com a riqueza de seu interior. As paredes têm azulejos portugueses, com desenhos policromados com imagens desenhadas e o chão é de ladrilho inglês. O altar, em estilo rococó, é dourado e marmoreado de azul e rosa. Do lado esquerdo, uma porta disfarçada abre para um pequeno espaço em que, diz-se, os escravos protegidos pelos Lemos ficavam até que se conseguisse uma falsa

carta de alforria.

Na praça está também a casa assobrada em que morava a família Lemos. O espaço, que em 1859 serviu de hospedagem para dom Pedro II e comitiva, passou a ser conhecido como Paço Imperial e é um museu que tem peças da época imperial e das famílias locais. Lá está também o Memorial Raimundo Marinho, em homenagem a um ex-perfeito, morto em acidente de carro.

No passeio pela cidade não pode faltar a ida à igreja de São Gonçalo Garciados Homens Pardos, que fica a cerca de três quadras da Nossa Senhora da Corrente, seguindo margeando o São Francisco à direita e virando à esquerda na rua Batista Acioly para chegar na rua Floriano Peixoto, bem no centro comercial da cidade. A construção também data de meados do século XVIII. Suas torres originais, no entanto, foram substituídas no final do XIX e começo do XX por outras de estilo neoclássico. Na rua Floriano Peixoto está também o teatro Sete de Setembro, inaugurado em 1884, em estilo neoclássico e com formato de ferradura.

Algumas bem conservadas outras nem tanto, as fachadas de Penedo, que podem ser adquiridas em miniaturas, merecem a atenção do turista, mesmo que o passeio seja feito sob o típico e escaldante sol local. (A jornalista viajou a convite da revista Turismo & Negócios e da TAM)



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Penedo, pérola barroca do Nordeste

Rosângela Espinossi
Enviada a Penedo

04/05/2006 | 08:31


A cidade alagoana de Penedo, cerca de 160 km ao Sul da capital e fundada em 1565,é uma pérola barroca, com pitadas dos estilos rococó e neoclássico, às margens do magnífico rio São Francisco. Não à toa é chamada de “Ouro Preto do Nordeste”. O município possui oficialmente 57 mil habitantes, distribuídos numa área de 633 km², mas é no Centro que se encontram suas principais riquezas arquitetônicas, grande parte delas construída sobre o rochedo (penedo, em linguagem indígena, que acabou dando nome à cidade) que margeia o rio.

Um passeio em suas ladeiras, por entre seus típicos casarios assobradados, nos leva a construções que contam histórias de uma cidade que já foi próspera e abrigou ricos comerciantes que se aproveitavam da facilidade do transporte fluvial para comprar e enviar mercadorias para outras regiões e para a Europa. Hoje, vestígios dessa prosperidade se encontram, principalmente, em suas igrejas, algumas delas só abertas para visitação.

A igreja e convento de Nossa Senhora dos Anjos teve sua capela-mor inaugurada em 1689, e a ala conventual passou a abrigar em 1698 os frades franciscanos, cuja ordem terceira foi responsável pela construção. A edificação demorou 99 anos para ser concluída: a pedra fundamental foi lançada em 1660 e a construção, totalmente finalizada em 1759, obedecendo ao traçado barroco português.

Saindo de lá, subindo a praça Frei Antônio de São Camillo de Lellis e virando à esquerda, logo se chega à catedral diocesana de Nossa Senhora do Rosário, situada na praça Barão de Penedo. A construção da catedral começou em 1690, mas a forma atual data de 1905. Nela, como na Nossa Senhora dos Anjos, originalmente não havia bancos. Os ricos levavam tapetes persas, e os pobres, esteiras para acompanhar o culto.

Nesta praça está também o Oratório, de 1769, usado por presos, que mantém as características barrocas originais. A prefeitura, ou prédio da Aposentadoria, fica do lado de baixo, bem na beira do rochedo. Aos fundos, é magnífica a visão que se tem do rio São Francisco. O prédio está localizado no terreno onde um dia foi o forte Maurício de Nassau. Sim, o invasor holandês fincou bases lá entre 1637 e 1645. A administração atual pretende iniciar obras de escavação para tentar recuperar resquícios da fortaleza, destruída e queimada pelos portugueses e nativos quando expulsaram os invasores. Na Casa de Penedo, espécie de museu da cidade, está a maquete do forte, com sua murada sobre o rochedo.

Descendo rumo ao rio São Francisco, chega-se à praça 12 de Abril, data de aniversário da cidade, bem em frente ao rio. Foi lá que se iniciou a povoação de Penedo e onde o comércio se estabeleceu, por conta da facilidade de chegada de barcos. É lá também que estão outras preciosidades da arquitetura. A principal delas é a igreja Nossa Senhora da Corrente, cuja construção começou em 1764. Há controvérsias sobre a origem do nome. Primeiro porque, ainda que se cultue a imagem da santa, ela não é reconhecida pela Igreja Católica.

Entre as versões está a de que foi batizada assim por conta de uma de suas benfeitoras, Ana Felícia da Corrente; há ainda a ligada ao nome de Nossa Senhora à correnteza do rio; outra hipótese é a de que o capitão-mor José Gonçalo Garcia Reis, que iniciou sua construção, teria vindo fugitivo de Portugal e quando chegou ainda possuía pedaços da corrente como algema. O som dos escravos que desciam a ladeira acorrentados é outra hipótese.

Mas nada disso importa. O fato é que a construção, finalizada pela rica família Lemos no fim do século XVIII, é um primor. A arquitetura barroca sóbria contrasta com a riqueza de seu interior. As paredes têm azulejos portugueses, com desenhos policromados com imagens desenhadas e o chão é de ladrilho inglês. O altar, em estilo rococó, é dourado e marmoreado de azul e rosa. Do lado esquerdo, uma porta disfarçada abre para um pequeno espaço em que, diz-se, os escravos protegidos pelos Lemos ficavam até que se conseguisse uma falsa

carta de alforria.

Na praça está também a casa assobrada em que morava a família Lemos. O espaço, que em 1859 serviu de hospedagem para dom Pedro II e comitiva, passou a ser conhecido como Paço Imperial e é um museu que tem peças da época imperial e das famílias locais. Lá está também o Memorial Raimundo Marinho, em homenagem a um ex-perfeito, morto em acidente de carro.

No passeio pela cidade não pode faltar a ida à igreja de São Gonçalo Garciados Homens Pardos, que fica a cerca de três quadras da Nossa Senhora da Corrente, seguindo margeando o São Francisco à direita e virando à esquerda na rua Batista Acioly para chegar na rua Floriano Peixoto, bem no centro comercial da cidade. A construção também data de meados do século XVIII. Suas torres originais, no entanto, foram substituídas no final do XIX e começo do XX por outras de estilo neoclássico. Na rua Floriano Peixoto está também o teatro Sete de Setembro, inaugurado em 1884, em estilo neoclássico e com formato de ferradura.

Algumas bem conservadas outras nem tanto, as fachadas de Penedo, que podem ser adquiridas em miniaturas, merecem a atenção do turista, mesmo que o passeio seja feito sob o típico e escaldante sol local. (A jornalista viajou a convite da revista Turismo & Negócios e da TAM)

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