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Explosao do Osasco Plaza Shopping completa 4 anos


Do Diário do Grande ABC

10/06/2000 | 13:42


A estudante Taluana Guazelli entrou no Osasco Plaza Shopping, há quatro anos, para tomar um lanche, pouco depois do meio-dia. Faltavam apenas 20 dias para que completasse 14 anos. Mas uma explosao provocada por vazamento de gás acabou com seus sonhos de se formar em antropologia ou astronomia. Com sua morte, começava um drama familiar, que continua até hoje. Morreram 42 pessoas no local.

A mae de Taluana, a professora Jussara Aparecida Guazelli de Andrade, 37 anos, sobrevive tomando um coquetel de tranqüilizantes e antidepressivos. "Minha vida acabou com a morte de minha única filha", diz. "Nao vou a festas nem à praia, como fazia antes." Jussara está de licença, em tratamento psiquiátrico.

O quarto de Taluana foi mantido intacto desde 11 de junho de 1996, com os móveis limpos e a cama arrumada. Sobre a colcha, um boneco com a camiseta do Sao Paulo, clube favorito da garota. Um quadro revela o espírito brincalhao: "Deus abençoe esta bagunça."

A avó da estudante, Orminda, 59 anos, ia ao cemitério todas as terças-feiras colocar flores no túmulo e "conversar" com a neta. "Fiz isso durante três anos seguidos", diz. Com a saúde debilitada, ela agora só vai ao local uma vez por mês.

Vizinha da família de Taluana, Maria José Pedro, 44 anos, chora e tem dificuldades para dormir. Ela nao se conforma com a morte da filha Adriana dos Santos Pedro, 16. "Ela era tudo para mim."

Adriana era balconista e ajudava a manter a casa e a cuidar dos dois irmaos. O pai deles havia morrido 12 anos antes. Há cinco meses, com o nascimento do neto, Maria José reencontrou um motivo para viver.

Elienai Paulina Flores Ferreira, 23 anos, há quatro anos entrou no shopping para comprar um livro para fazer um trabalho escolar. Hoje, depois de amputar a perna direita e ser submetida a oito cirurgias, só se locomove numa cadeira de rodas, tem crises nervosas e é obrigada a tomar comprimidos para dormir, enfrentar dores e a depressao.

Em setembro, deve colocar uma prótese e, em breve, fará um implante dentário, pois os remédios danificaram as raízes de seus dentes. "Com anos de terapia, estou melhorando e espero superar meu drama."

Abandono - Os traumas repetem-se na maioria das famílias das 42 pessoas que morreram no acidente e das 160 que se feriram, 57 delas gravemente. Algumas sofreram amputaçao de membros ou ficaram paralíticas. Mas nao é só a dor pela perda de um parente ou por causa dos ferimentos. Várias mulheres mutiladas foram abandonadas pelos maridos ou namorados. Outras vítimas se queixam de terem sido enganadas pelos advogados nos acordos firmados com a direçao do shopping. Maridos ficaram sozinhos para cuidar dos filhos. Poucos concordam em falar de seus dramas e dos acordos financeiros que fizeram com o Osasco Plaza.

Thaís Matogrosso, 21 anos, nega-se a dar entrevistas. Precisou amputar a perna esquerda e tem um coágulo no cérebro. Seu advogado a proibiu de falar com a imprensa e de participar de manifestaçoes, segundo amigos da família.

Eles confidenciaram, ainda, que Thaís usa uma prótese inadequada, que entra em atrito com seu corpo e provoca feridas. Mas seu advogado nao permite que ela receba outra mais moderna da direçao do shopping, pois acredita que qualquer ajuda será descontada quando a indenizaçao for paga. Ele exige R$ 30 milhoes.

Processos - Em conseqüência do acidente, foram abertos dois processos: um criminal e outro civil, movidos pelo Ministério Público. No primeiro, o diretor-comercial e sócio do shopping, Marcelo Zanotto, e o administrador, Antônio das Graças Fernandes foram condenados a 8 anos de reclusao e recorreram. Dois engenheiros e um funcionário da Construtora Wysling Gomes foram condenados e também recorreram. Na açao civil, o shopping foi condenado a pagar indenizaçoes em 1ª e 2ª instâncias e recorreu.



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Explosao do Osasco Plaza Shopping completa 4 anos

Do Diário do Grande ABC

10/06/2000 | 13:42


A estudante Taluana Guazelli entrou no Osasco Plaza Shopping, há quatro anos, para tomar um lanche, pouco depois do meio-dia. Faltavam apenas 20 dias para que completasse 14 anos. Mas uma explosao provocada por vazamento de gás acabou com seus sonhos de se formar em antropologia ou astronomia. Com sua morte, começava um drama familiar, que continua até hoje. Morreram 42 pessoas no local.

A mae de Taluana, a professora Jussara Aparecida Guazelli de Andrade, 37 anos, sobrevive tomando um coquetel de tranqüilizantes e antidepressivos. "Minha vida acabou com a morte de minha única filha", diz. "Nao vou a festas nem à praia, como fazia antes." Jussara está de licença, em tratamento psiquiátrico.

O quarto de Taluana foi mantido intacto desde 11 de junho de 1996, com os móveis limpos e a cama arrumada. Sobre a colcha, um boneco com a camiseta do Sao Paulo, clube favorito da garota. Um quadro revela o espírito brincalhao: "Deus abençoe esta bagunça."

A avó da estudante, Orminda, 59 anos, ia ao cemitério todas as terças-feiras colocar flores no túmulo e "conversar" com a neta. "Fiz isso durante três anos seguidos", diz. Com a saúde debilitada, ela agora só vai ao local uma vez por mês.

Vizinha da família de Taluana, Maria José Pedro, 44 anos, chora e tem dificuldades para dormir. Ela nao se conforma com a morte da filha Adriana dos Santos Pedro, 16. "Ela era tudo para mim."

Adriana era balconista e ajudava a manter a casa e a cuidar dos dois irmaos. O pai deles havia morrido 12 anos antes. Há cinco meses, com o nascimento do neto, Maria José reencontrou um motivo para viver.

Elienai Paulina Flores Ferreira, 23 anos, há quatro anos entrou no shopping para comprar um livro para fazer um trabalho escolar. Hoje, depois de amputar a perna direita e ser submetida a oito cirurgias, só se locomove numa cadeira de rodas, tem crises nervosas e é obrigada a tomar comprimidos para dormir, enfrentar dores e a depressao.

Em setembro, deve colocar uma prótese e, em breve, fará um implante dentário, pois os remédios danificaram as raízes de seus dentes. "Com anos de terapia, estou melhorando e espero superar meu drama."

Abandono - Os traumas repetem-se na maioria das famílias das 42 pessoas que morreram no acidente e das 160 que se feriram, 57 delas gravemente. Algumas sofreram amputaçao de membros ou ficaram paralíticas. Mas nao é só a dor pela perda de um parente ou por causa dos ferimentos. Várias mulheres mutiladas foram abandonadas pelos maridos ou namorados. Outras vítimas se queixam de terem sido enganadas pelos advogados nos acordos firmados com a direçao do shopping. Maridos ficaram sozinhos para cuidar dos filhos. Poucos concordam em falar de seus dramas e dos acordos financeiros que fizeram com o Osasco Plaza.

Thaís Matogrosso, 21 anos, nega-se a dar entrevistas. Precisou amputar a perna esquerda e tem um coágulo no cérebro. Seu advogado a proibiu de falar com a imprensa e de participar de manifestaçoes, segundo amigos da família.

Eles confidenciaram, ainda, que Thaís usa uma prótese inadequada, que entra em atrito com seu corpo e provoca feridas. Mas seu advogado nao permite que ela receba outra mais moderna da direçao do shopping, pois acredita que qualquer ajuda será descontada quando a indenizaçao for paga. Ele exige R$ 30 milhoes.

Processos - Em conseqüência do acidente, foram abertos dois processos: um criminal e outro civil, movidos pelo Ministério Público. No primeiro, o diretor-comercial e sócio do shopping, Marcelo Zanotto, e o administrador, Antônio das Graças Fernandes foram condenados a 8 anos de reclusao e recorreram. Dois engenheiros e um funcionário da Construtora Wysling Gomes foram condenados e também recorreram. Na açao civil, o shopping foi condenado a pagar indenizaçoes em 1ª e 2ª instâncias e recorreu.

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