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Parada Gay na região está órfã


Danilo Angrimani
Do Diário do Grande ABC

14/09/2005 | 08:27


Além de meia dúzia de organizadores e um punhado de benévolos, ninguém mais está ajudando a realização da 1ªParada GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros) do Grande ABC. Marcada para o próximo domingo, às 13h, na avenida Firestone, em Santo André, a manifestação tem se movido aos trancos e com a mesma lentidão de um trio elétrico. Além da desvantagem de estar com os alto-falantes desligados.

“Pouquíssima gente tem nos auxiliado”, desabafa Marcelo Gouveia Gil, presidente da ABCDS (Ação Brotar pela Cidadania e Diversidade Sexual), entidade que organiza o evento.

A Prefeitura de Santo André cedeu apenas o espaço da avenida Firestone (na altura dos números 1.000 e 2.081). Banheiros químicos e apoio logístico não foram fornecidos pela administração. Procurada pela reportagem, a administração não se manifestou.

“A gente cansou de pedir, mas por enquanto nada recebemos”, diz Gil, interrompendo a entrevista para atender o celular que não pára de tocar. São pessoas de outras cidades, querendo saber como chegar no local da Parada. “É, isso mesmo. Avenida Firestone. Fica perto da estação de trem. Dá pra ir a pé”, ele instrui.

Modesto e “com os pés no chão”, o presidente da ABCDS espera receber 5 mil pessoas na avenida no próximo domingo. O público será recepcionado por três trios elétricos. Um deles ocupado pela Tribo de Eros – mulheres seminuas, go-go-boys, transgêneros, dançando sem parar ao som de muita música tecno e os hinos gays de sempre – I Will Survive, YMCA, entre outras.

Pela primeira vez na história, uma Parada Gay será realizada na mesma região, onde, no passado, foi formado o movimento de extrema-direita Carecas do ABC, dissolvido depois da morte do adestrador de cães Edson Néris da Silva, em fevereiro de 2000. Integrantes dos Carecas foram presos e condenados por terem assassinado Néris a pontapés, porque ele era homossexual e andava de mãos dadas com o namorado na praça da República, região central da capital paulista.

“Vai ser uma Parada feita com muita militância, garra e ousadia”, define Gil. Entre os convidados, garantiram a presença Tamy (filha da cantora Gretchen); a drag Paulete Pink; a musa loira do Carnaval, Angela Bismarck; e Silvetty Montilla, a mais famosa animadora do circuito noturno GLS de São Paulo. Barracas de lanches vão ocupar parte do espaço da avenida Firestone.

Para garantir a segurança dos participantes, os organizadores vão contar com a presença de policiais militares e agentes da Guarda Municipal. A organização pede que o público leve 1 Kg de alimento não-perecível, que será doado posteriormente ao Banco de Alimentos de Santo André. O tema da manifestação repete a proposta da Parada GLBT, realizada em 29 de maio, em São Paulo: Parceria Já: Direitos Iguais, nem mais, nem menos.

Nos últimos meses, os organizadores procuraram apoio de industriais e comerciantes. Toparam com muitas portas fechadas. “Parece que ninguém aqui da região quer associar o nome de sua empresa a um evento GLS”, avalia Gil.

Além da falta de apoio oficial e privado, os organizadores enfrentam manifestações conservadoras contrárias ao evento. O diretório do PSDC de Santo André prometeu realizar um ato na Câmara, no domingo, “em defesa da família e dos valores cristãos”.

Entre os poucos que auxiliaram a Parada GLBT do Grande ABC, aparecem o ex-vereador de São Caetano Hamilton Lacerda (PT), que cedeu um trio elétrico; a Casa de Bruxa (abriu espaço para a organização), a sex shop Via Sexy (fez publicidade) e os sites de encontros Disponível e Sexyday, que contribuíram com dinheiro. Quem quiser colaborar pode entrar em contato pelos telefones 6831-1641, 7332-8899 ou pelo e-mail abcds@vivax.com.br.



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Parada Gay na região está órfã

Danilo Angrimani
Do Diário do Grande ABC

14/09/2005 | 08:27


Além de meia dúzia de organizadores e um punhado de benévolos, ninguém mais está ajudando a realização da 1ªParada GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros) do Grande ABC. Marcada para o próximo domingo, às 13h, na avenida Firestone, em Santo André, a manifestação tem se movido aos trancos e com a mesma lentidão de um trio elétrico. Além da desvantagem de estar com os alto-falantes desligados.

“Pouquíssima gente tem nos auxiliado”, desabafa Marcelo Gouveia Gil, presidente da ABCDS (Ação Brotar pela Cidadania e Diversidade Sexual), entidade que organiza o evento.

A Prefeitura de Santo André cedeu apenas o espaço da avenida Firestone (na altura dos números 1.000 e 2.081). Banheiros químicos e apoio logístico não foram fornecidos pela administração. Procurada pela reportagem, a administração não se manifestou.

“A gente cansou de pedir, mas por enquanto nada recebemos”, diz Gil, interrompendo a entrevista para atender o celular que não pára de tocar. São pessoas de outras cidades, querendo saber como chegar no local da Parada. “É, isso mesmo. Avenida Firestone. Fica perto da estação de trem. Dá pra ir a pé”, ele instrui.

Modesto e “com os pés no chão”, o presidente da ABCDS espera receber 5 mil pessoas na avenida no próximo domingo. O público será recepcionado por três trios elétricos. Um deles ocupado pela Tribo de Eros – mulheres seminuas, go-go-boys, transgêneros, dançando sem parar ao som de muita música tecno e os hinos gays de sempre – I Will Survive, YMCA, entre outras.

Pela primeira vez na história, uma Parada Gay será realizada na mesma região, onde, no passado, foi formado o movimento de extrema-direita Carecas do ABC, dissolvido depois da morte do adestrador de cães Edson Néris da Silva, em fevereiro de 2000. Integrantes dos Carecas foram presos e condenados por terem assassinado Néris a pontapés, porque ele era homossexual e andava de mãos dadas com o namorado na praça da República, região central da capital paulista.

“Vai ser uma Parada feita com muita militância, garra e ousadia”, define Gil. Entre os convidados, garantiram a presença Tamy (filha da cantora Gretchen); a drag Paulete Pink; a musa loira do Carnaval, Angela Bismarck; e Silvetty Montilla, a mais famosa animadora do circuito noturno GLS de São Paulo. Barracas de lanches vão ocupar parte do espaço da avenida Firestone.

Para garantir a segurança dos participantes, os organizadores vão contar com a presença de policiais militares e agentes da Guarda Municipal. A organização pede que o público leve 1 Kg de alimento não-perecível, que será doado posteriormente ao Banco de Alimentos de Santo André. O tema da manifestação repete a proposta da Parada GLBT, realizada em 29 de maio, em São Paulo: Parceria Já: Direitos Iguais, nem mais, nem menos.

Nos últimos meses, os organizadores procuraram apoio de industriais e comerciantes. Toparam com muitas portas fechadas. “Parece que ninguém aqui da região quer associar o nome de sua empresa a um evento GLS”, avalia Gil.

Além da falta de apoio oficial e privado, os organizadores enfrentam manifestações conservadoras contrárias ao evento. O diretório do PSDC de Santo André prometeu realizar um ato na Câmara, no domingo, “em defesa da família e dos valores cristãos”.

Entre os poucos que auxiliaram a Parada GLBT do Grande ABC, aparecem o ex-vereador de São Caetano Hamilton Lacerda (PT), que cedeu um trio elétrico; a Casa de Bruxa (abriu espaço para a organização), a sex shop Via Sexy (fez publicidade) e os sites de encontros Disponível e Sexyday, que contribuíram com dinheiro. Quem quiser colaborar pode entrar em contato pelos telefones 6831-1641, 7332-8899 ou pelo e-mail abcds@vivax.com.br.

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