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Comércio de Rudge Ramos perde uma de suas referências


Luciele Velluto
Especial para o Diário

27/06/2005 | 08:11


O comércio do bairro de Rudge Ramos, em São Bernardo, perdeu uma de suas maiores referências. A unidade do Pão de Açúcar, perto da igreja de São João Batista, fechou as portas há um mês, provocando queda expressiva no movimento entre os demais estabelecimentos do entorno da antiga loja. Alguns comerciantes que trabalham próximo ao local reclamam que o fluxo de consumidores caiu pela metade. Já os moradores lamentam o fechamento do supermercado, instalado no bairro há 36 anos.

O Grupo Pão de Açúcar informou que a loja foi fechada depois de um estudo de mercado realizado em todo o Brasil. A unidade de Rudge Ramos foi eliminada depois que os resultados mostraram que a região não comportava dois supermercados do mesmo conglomerado – além da marca própria, o Pão de Açúcar mantém no bairro uma loja da bandeira CompreBem. Os funcionários da unidade fechada foram remanejados para outras unidades do grupo, inclusive o CompreBem do mesmo bairro.

No estacionamento do antigo Pão de Açúcar ficam quatro boxes com lanchonetes. Para eles, o fim do supermercado foi um desastre. O movimento caiu mais de 50%. "Nos avisaram 15 dias antes que também teríamos de sair com o encerramento das atividades da loja, já que o aluguel do ponto estava muito caro e eles não conseguiam mais negociar com o proprietário. Apesar de ter clientes fixos aqui, o movimento sempre fica prejudicado", conta o comerciante Manuel Ferreira de Souza, concessionário de uma lanchonete.

Apesar do aviso de "despejo", o Grupo Pão de Açúcar voltou atrás e permitiu que os estabelecimento fiquem no local até a segunda ordem. "A gente se assustou com o fechamento. Estou aqui há seis anos e movimento caiu muito nos últimos dias. Vamos tocar até onde dá", afirma Cattuo Kubata, também comerciante.

"Aqui era passagem de muita gente e o fim do supermercado nos prejudicou muito. Estou há 15 anos aqui e as coisas começaram a ficar ruins com a saída do McDonald‘s no ano passado. Vai ser muito complicado continuar vendendo aqui", lamenta outra comerciante, Sônia Maria Belloto.

Preferência – O impacto do fim do Pão de Açúcar em Rudge Ramos é maior porque não haverá migração de clientes para o CompreBem, mesmo se a loja substituísse a fechada no mesmo local. As duas bandeiras do Grupo Pão de Açúcar têm perfis diferentes de público. Para os lojistas do bairro, já está claro que muitos clientes da antiga unidade rejeitam o CompreBem exatamente por conta de seu perfil: oferta menor de variedade de produtos e marcas mais populares.

"Eu moro em Santo André perto de Rudge Ramos. Fazia compras sempre no Pão de Açúcar e não sabia que iria fechar. Espero que abra outro no lugar", conta o prensista Marcelino Vieira.

No mesmo tom, moradores do bairro reclamam do fim da loja, considerada de boa qualidade. "Estou há 25 anos aqui e só fazia compras no Pão de Açúcar. No CompreBem é muito estranho, não acho as coisas e não é o mesmo atendimento. Tomara que voltem abrir", afirma a dona de casa Zuleica Maria Leandro da Cruz.

Zilda Cordeiro foi surpreendida com o fechamento. "Não sabia que ia fechar. Cheguei um dia na frente do mercado e vi as portas estavam baixadas. Ninguém avisou".

Sem impacto – Para o comércio de alimentos do bairro, o fechamento do Pão de Açúcar ainda não teve impacto. O encarregado do Sacolão Rudge Ramos, José da Silva Carvalho, estabelecimento que fica a 50 metros da loja desativada, conta que o movimento continua o mesmo. "Como somos novos no bairro, ainda estamos ganhando clientela. É claro que o fim do supermercado pode nos ajudar a ter mais clientes ainda, mesmo que os perfis de público sejam diferentes. É o que espero", diz.

Esse também é o sentimento no Mercado Municipal do Rudge Ramos. "Como cliente do Pão de Açúcar acho uma pena ter fechado a loja. Mas como comerciante do Mercado Municipal, não interfere", explica a lojista Célia Regina Summa, que vende alimentos no local.

O presidente da Acisbec (Associação Comercial e Industrial de São Bernardo), Valter Moura, minimiza o fechamento da loja do Pão de Açúcar "Não creio em impacto negativo".

Essa não é a opinião, entretanto, que domina o resto do bairro. O presidente da Associação de Amigos e Moradores do Rudge Ramos, Henrique Hammler, teme que a saída do Pão de Açúcar, um supermercado de nível de consumo mais alto, inaugure uma um período de decadência. "Os moradores ficam preocupados porque mais um estabelecimento importante do fecha. Os edifícios abandonados, como o posto da Telefônica, o McDonald‘s e, agora, o Pão de Açúcar, causam má impressão", explica.

Entre outras coisas, há preocupação com a auto-estima dos habitantes do bairro, um dos principais centros comerciais de São Bernardo. "Vejo vários boxes vazios aqui no Mercado Municipal e os estabelecimentos indo embora. Isso preocupa", afirma a comerciante Célia Summa.



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Comércio de Rudge Ramos perde uma de suas referências

Luciele Velluto
Especial para o Diário

27/06/2005 | 08:11


O comércio do bairro de Rudge Ramos, em São Bernardo, perdeu uma de suas maiores referências. A unidade do Pão de Açúcar, perto da igreja de São João Batista, fechou as portas há um mês, provocando queda expressiva no movimento entre os demais estabelecimentos do entorno da antiga loja. Alguns comerciantes que trabalham próximo ao local reclamam que o fluxo de consumidores caiu pela metade. Já os moradores lamentam o fechamento do supermercado, instalado no bairro há 36 anos.

O Grupo Pão de Açúcar informou que a loja foi fechada depois de um estudo de mercado realizado em todo o Brasil. A unidade de Rudge Ramos foi eliminada depois que os resultados mostraram que a região não comportava dois supermercados do mesmo conglomerado – além da marca própria, o Pão de Açúcar mantém no bairro uma loja da bandeira CompreBem. Os funcionários da unidade fechada foram remanejados para outras unidades do grupo, inclusive o CompreBem do mesmo bairro.

No estacionamento do antigo Pão de Açúcar ficam quatro boxes com lanchonetes. Para eles, o fim do supermercado foi um desastre. O movimento caiu mais de 50%. "Nos avisaram 15 dias antes que também teríamos de sair com o encerramento das atividades da loja, já que o aluguel do ponto estava muito caro e eles não conseguiam mais negociar com o proprietário. Apesar de ter clientes fixos aqui, o movimento sempre fica prejudicado", conta o comerciante Manuel Ferreira de Souza, concessionário de uma lanchonete.

Apesar do aviso de "despejo", o Grupo Pão de Açúcar voltou atrás e permitiu que os estabelecimento fiquem no local até a segunda ordem. "A gente se assustou com o fechamento. Estou aqui há seis anos e movimento caiu muito nos últimos dias. Vamos tocar até onde dá", afirma Cattuo Kubata, também comerciante.

"Aqui era passagem de muita gente e o fim do supermercado nos prejudicou muito. Estou há 15 anos aqui e as coisas começaram a ficar ruins com a saída do McDonald‘s no ano passado. Vai ser muito complicado continuar vendendo aqui", lamenta outra comerciante, Sônia Maria Belloto.

Preferência – O impacto do fim do Pão de Açúcar em Rudge Ramos é maior porque não haverá migração de clientes para o CompreBem, mesmo se a loja substituísse a fechada no mesmo local. As duas bandeiras do Grupo Pão de Açúcar têm perfis diferentes de público. Para os lojistas do bairro, já está claro que muitos clientes da antiga unidade rejeitam o CompreBem exatamente por conta de seu perfil: oferta menor de variedade de produtos e marcas mais populares.

"Eu moro em Santo André perto de Rudge Ramos. Fazia compras sempre no Pão de Açúcar e não sabia que iria fechar. Espero que abra outro no lugar", conta o prensista Marcelino Vieira.

No mesmo tom, moradores do bairro reclamam do fim da loja, considerada de boa qualidade. "Estou há 25 anos aqui e só fazia compras no Pão de Açúcar. No CompreBem é muito estranho, não acho as coisas e não é o mesmo atendimento. Tomara que voltem abrir", afirma a dona de casa Zuleica Maria Leandro da Cruz.

Zilda Cordeiro foi surpreendida com o fechamento. "Não sabia que ia fechar. Cheguei um dia na frente do mercado e vi as portas estavam baixadas. Ninguém avisou".

Sem impacto – Para o comércio de alimentos do bairro, o fechamento do Pão de Açúcar ainda não teve impacto. O encarregado do Sacolão Rudge Ramos, José da Silva Carvalho, estabelecimento que fica a 50 metros da loja desativada, conta que o movimento continua o mesmo. "Como somos novos no bairro, ainda estamos ganhando clientela. É claro que o fim do supermercado pode nos ajudar a ter mais clientes ainda, mesmo que os perfis de público sejam diferentes. É o que espero", diz.

Esse também é o sentimento no Mercado Municipal do Rudge Ramos. "Como cliente do Pão de Açúcar acho uma pena ter fechado a loja. Mas como comerciante do Mercado Municipal, não interfere", explica a lojista Célia Regina Summa, que vende alimentos no local.

O presidente da Acisbec (Associação Comercial e Industrial de São Bernardo), Valter Moura, minimiza o fechamento da loja do Pão de Açúcar "Não creio em impacto negativo".

Essa não é a opinião, entretanto, que domina o resto do bairro. O presidente da Associação de Amigos e Moradores do Rudge Ramos, Henrique Hammler, teme que a saída do Pão de Açúcar, um supermercado de nível de consumo mais alto, inaugure uma um período de decadência. "Os moradores ficam preocupados porque mais um estabelecimento importante do fecha. Os edifícios abandonados, como o posto da Telefônica, o McDonald‘s e, agora, o Pão de Açúcar, causam má impressão", explica.

Entre outras coisas, há preocupação com a auto-estima dos habitantes do bairro, um dos principais centros comerciais de São Bernardo. "Vejo vários boxes vazios aqui no Mercado Municipal e os estabelecimentos indo embora. Isso preocupa", afirma a comerciante Célia Summa.

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