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Reduzir estômago é sonho de 6 mil no Grande ABC


Valéria Cabrera
Do Diário do Grande ABC

19/06/2005 | 08:45


Neuza da Silva Dimitrov, 45 anos, hoje com 72 kg, foi a primeira pessoa a fazer cirurgia bariátrica – popularmente conhecida com cirurgia de redução de estômago – no Grande ABC paga pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Era outubro de 2000. De lá para cá, já foram quase 300 intervenções. E outras 6 mil pessoas interessadas em fazer a cirurgia estão cadastradas e aguardam atendimento. Para que todos os candidatos à cirurgia fossem atendidos, seriam necessários mais de 80 anos, já que na região são feitas de cinco a seis intervenções mensais pelo SUS.

A primeira paciente fez a cirurgia no Centro Hospitalar de Santo André. Na época, pesava 147 kg. "Engordei 74 kg depois de duas gestações. Comia o dia todo e somente coisas erradas. Estava com pressão alta, diabetes, sentia dores pelo corpo e mal-estar. Não saía de casa pra quase nada. Até minha profissão (professora) abandonei", conta Neuza, hoje com 75 kg a menos e que há cinco anos tem uma nova profissão: terapeuta corporal.

Apesar da aparente simplicidade do processo, não é fácil chegar onde Neuza chegou, principalmente se a pessoa não puder pagar os cerca de R$ 15 mil que custa uma cirurgia como essa na rede particular de saúde – o valor depende do hospital e da equipe médica. Alguns planos de saúde – que segundo a lesgislação vigente têm de atender aos pedidos – ainda se recusam a pagar o procedimento alegando doença pré-existente ou cirurgia estética. Caso o paciente não possa pagar nem tenha um plano de saúde, tem de entrar na fila do SUS.

No Grande ABC, apenas a Faculdade de Medicina do ABC está cadastrada no Ministério da Saúde e autorizada a fazer as intervenções pelo SUS. As cirurgias são feitas atualmente no Hospital Anchieta, em São Bernardo. Mas o alto custo do material usado e a necessidade de diponibilidade de leitos, inclusive na UTI, faz com que sejam feitas apenas de cinco a seis procedimentos por mês.

"Não posso falar em fila nem em tempo de espera para fazer a cirurgia", diz o coordenador do Serviço de Cirurgia de Obesidade da Faculdade de Medicina do ABC, Edmundo Anderi Júnior. Ele explica que nem todas as pessoas que fizeram o cadastro – 6 mil atualmente – poderão fazer a cirurgia. Isso porque muitas não se enquadram nos requisitos exigidos. A cirurgia bariátrica é indicada para pessoas que sofrem de obesidade mórbida, isto é, que podem morrer em decorrência das doenças causadas pela gordura. Até hoje, a Faculdade de Medicina do ABC já atendeu a 650 pessoas. Dessas, 300 (46% dos casos) foram descartadas. Também existem 22 casos de pessoas que morreram antes de serem chamadas.

IMC – O paciente tem de ter IMC (Índice de Massa Corpórea) igual ou maior que 40 e ter tentado emagrecer durante dois anos seguindo recomendação médica. O IMC é calculado dividindo o peso pela altura ao quadrado. Pessoas com IMC entre 35 e 40 também podem ser encaminhadas para cirurgia, desde que possuam duas ou mais doenças associadas à obesidade, como por exemplo diabetes e insuficiência cardíaca.

Existem outros empecilhos. Também são descartados pacientes que têm lesões cardíacas e pulmonares, psicoses e insuficiência hepática (cirrose). "Essas pessoas não podem ser operadas por causa das complicações decorrentes de uma cirurgia", explica Edmundo Anderi, do Serviço de Cirurgia de Obesidade da Faculdade de Medicina.

Os problemas que podem impedir um candidato à cirurgia bariátrica de passar pelo procedimento são identificados no processo de seleção e também durante o acompanhamento psicológico que é feito antes da intervenção. O cirurgião Paulo Fernando Regina, da clínica Gastro-Serv, em São Caetano, explica que além de identificar esses problemas, o acompanhamento psicológico é importante para preparar o paciente para o futuro. "Ele tem de entender o que é essa cirurgia e quais as mudanças que provocará para o resto da vida."

Um paciente que adora comer churrasco e beber cerveja em grande quantidade, por exemplo, não poderá fazer isso nunca mais. A capacidade do estômago é reduzida de 1,8 litro para 80 mililitros. "Após a cirurgia, a pessoa poderá comer de tudo, desde que em pequenas quantidades. Caso ultrapasse o limite, passará mal", afirma Paulo Regina.

E é por esse motivo que algumas pessoas precisam de tratamento psicológico também após a cirurgia. "Algumas têm depressão e uma porcentagem mínina acaba se envolvendo com álcool e drogas", conta o cirurgião. "Mas a maioria não tem complicações, pois se sente muito bem, melhorando a qualidade de vida."

Riscos – O índice de mortalidade entre os pacientes que passam pelo procedimento é de 0,4%. Além das complicações normais de uma cirurgia – anestesia e hemorragias – há também as específicas desse tipo de procedimento. Entre as quais, está a infecção causada pelo rompimento dos grampos usados para reduzir o estômago, que abrem fazendo com que a alimentação vaze para a barriga.

Esse tipo de problema acontece em 2% dos casos e nos primeiros dias após a cirurgia. "Mas há procedimentos específicos para que se identifique o rompimento e se resolva o problema antes que a situação se complique", explica Edmundo Anderi, da Faculdade de Medicina do ABC. O paciente ainda pode ter uma obstrução intestinal e a temida embolia pulmonar – coágulo no pulmão –, que em 90% dos casos leva ao óbito.

Colaborou Aline Mazzo



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Reduzir estômago é sonho de 6 mil no Grande ABC

Valéria Cabrera
Do Diário do Grande ABC

19/06/2005 | 08:45


Neuza da Silva Dimitrov, 45 anos, hoje com 72 kg, foi a primeira pessoa a fazer cirurgia bariátrica – popularmente conhecida com cirurgia de redução de estômago – no Grande ABC paga pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Era outubro de 2000. De lá para cá, já foram quase 300 intervenções. E outras 6 mil pessoas interessadas em fazer a cirurgia estão cadastradas e aguardam atendimento. Para que todos os candidatos à cirurgia fossem atendidos, seriam necessários mais de 80 anos, já que na região são feitas de cinco a seis intervenções mensais pelo SUS.

A primeira paciente fez a cirurgia no Centro Hospitalar de Santo André. Na época, pesava 147 kg. "Engordei 74 kg depois de duas gestações. Comia o dia todo e somente coisas erradas. Estava com pressão alta, diabetes, sentia dores pelo corpo e mal-estar. Não saía de casa pra quase nada. Até minha profissão (professora) abandonei", conta Neuza, hoje com 75 kg a menos e que há cinco anos tem uma nova profissão: terapeuta corporal.

Apesar da aparente simplicidade do processo, não é fácil chegar onde Neuza chegou, principalmente se a pessoa não puder pagar os cerca de R$ 15 mil que custa uma cirurgia como essa na rede particular de saúde – o valor depende do hospital e da equipe médica. Alguns planos de saúde – que segundo a lesgislação vigente têm de atender aos pedidos – ainda se recusam a pagar o procedimento alegando doença pré-existente ou cirurgia estética. Caso o paciente não possa pagar nem tenha um plano de saúde, tem de entrar na fila do SUS.

No Grande ABC, apenas a Faculdade de Medicina do ABC está cadastrada no Ministério da Saúde e autorizada a fazer as intervenções pelo SUS. As cirurgias são feitas atualmente no Hospital Anchieta, em São Bernardo. Mas o alto custo do material usado e a necessidade de diponibilidade de leitos, inclusive na UTI, faz com que sejam feitas apenas de cinco a seis procedimentos por mês.

"Não posso falar em fila nem em tempo de espera para fazer a cirurgia", diz o coordenador do Serviço de Cirurgia de Obesidade da Faculdade de Medicina do ABC, Edmundo Anderi Júnior. Ele explica que nem todas as pessoas que fizeram o cadastro – 6 mil atualmente – poderão fazer a cirurgia. Isso porque muitas não se enquadram nos requisitos exigidos. A cirurgia bariátrica é indicada para pessoas que sofrem de obesidade mórbida, isto é, que podem morrer em decorrência das doenças causadas pela gordura. Até hoje, a Faculdade de Medicina do ABC já atendeu a 650 pessoas. Dessas, 300 (46% dos casos) foram descartadas. Também existem 22 casos de pessoas que morreram antes de serem chamadas.

IMC – O paciente tem de ter IMC (Índice de Massa Corpórea) igual ou maior que 40 e ter tentado emagrecer durante dois anos seguindo recomendação médica. O IMC é calculado dividindo o peso pela altura ao quadrado. Pessoas com IMC entre 35 e 40 também podem ser encaminhadas para cirurgia, desde que possuam duas ou mais doenças associadas à obesidade, como por exemplo diabetes e insuficiência cardíaca.

Existem outros empecilhos. Também são descartados pacientes que têm lesões cardíacas e pulmonares, psicoses e insuficiência hepática (cirrose). "Essas pessoas não podem ser operadas por causa das complicações decorrentes de uma cirurgia", explica Edmundo Anderi, do Serviço de Cirurgia de Obesidade da Faculdade de Medicina.

Os problemas que podem impedir um candidato à cirurgia bariátrica de passar pelo procedimento são identificados no processo de seleção e também durante o acompanhamento psicológico que é feito antes da intervenção. O cirurgião Paulo Fernando Regina, da clínica Gastro-Serv, em São Caetano, explica que além de identificar esses problemas, o acompanhamento psicológico é importante para preparar o paciente para o futuro. "Ele tem de entender o que é essa cirurgia e quais as mudanças que provocará para o resto da vida."

Um paciente que adora comer churrasco e beber cerveja em grande quantidade, por exemplo, não poderá fazer isso nunca mais. A capacidade do estômago é reduzida de 1,8 litro para 80 mililitros. "Após a cirurgia, a pessoa poderá comer de tudo, desde que em pequenas quantidades. Caso ultrapasse o limite, passará mal", afirma Paulo Regina.

E é por esse motivo que algumas pessoas precisam de tratamento psicológico também após a cirurgia. "Algumas têm depressão e uma porcentagem mínina acaba se envolvendo com álcool e drogas", conta o cirurgião. "Mas a maioria não tem complicações, pois se sente muito bem, melhorando a qualidade de vida."

Riscos – O índice de mortalidade entre os pacientes que passam pelo procedimento é de 0,4%. Além das complicações normais de uma cirurgia – anestesia e hemorragias – há também as específicas desse tipo de procedimento. Entre as quais, está a infecção causada pelo rompimento dos grampos usados para reduzir o estômago, que abrem fazendo com que a alimentação vaze para a barriga.

Esse tipo de problema acontece em 2% dos casos e nos primeiros dias após a cirurgia. "Mas há procedimentos específicos para que se identifique o rompimento e se resolva o problema antes que a situação se complique", explica Edmundo Anderi, da Faculdade de Medicina do ABC. O paciente ainda pode ter uma obstrução intestinal e a temida embolia pulmonar – coágulo no pulmão –, que em 90% dos casos leva ao óbito.

Colaborou Aline Mazzo

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