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Uso de droga em escola provoca outras discussões


Kelly Zucatelli
Do Diário do Grande ABC

14/06/2010 | 07:00


O caso noticiado pelo Diário do menor, filho da caseira da E.M (Escola Municipal) Guimarães Rosa, em Mauá, flagrado pela GCM (Guarda Civil Municipal) consumindo cocaína dentro da escola, levanta questionamentos sobre a presença de caseiros ou zeladores dentro das unidades de ensino, onde inúmeras crianças e adolescentes estudam, e também quais são as exigências para que os mesmos permaneçam de maneira adequada no espaço.

Para a professora de Psicologia da Educação da USP (Universidade de São Paulo) Silvia Gasparian Colello, a presença de um zelador na escola é necessário para cuidar do patrimônio e beneficiar em situações do dia-a-dia. "É importante entende a conveniência, mas por ser uma instituição de ensino, deve haver muito cuidado na escola de quem morará na escola. Se por um lado a presença é importante para o bom funcionamento da escola, por outro é primordial que a direção da escola pense na guarda das crianças que ali estudam", salientou Silvia.

A ex-secretária de Educação de Mauá e diretora da Escola Estadual Professora Diva Gomes dos Santos na cidade, Angela Donatiello Lopes, explica que geralmente a oportunidade para a zeladoria da escola é dada para uma pessoa que já seja funcionário. "A escolha passa pela aprovação do conselho de escola e da Secretaria Estadual de Educação. Além disso, o escolhido não tem remuneração. Em alguns casos, eles têm até que pagar algumas despesas", disse.

Outros critérios também adotados nas escolas estaduais para a escolha do zelador é a busca de referências de trabalho e de outros lugares que a pessoa morou. Caso deixe de agir de maneira regular, o termo de compromisso de ocupação da casa, que é para um período de dois anos, pode ser reincidido.

Música e trabalho para a juventude

A vida dos milhares de jovens nascidos nas favelas do Rio de Janeiro é difícil desde o início. Sem local para brincar, as crianças só têm os becos sujos de esgoto para correr e jogar bola. Quando chegam à adolescência precisam aprender a driblar as tentações do consumo e fugir da promessa de dinheiro fácil proporcionado pelo tráfico de drogas.

Alguns conseguem trilhar um caminho próprio, optando por se dedicar à cultura. Foi assim com o músico Cleber Daltro, criado na Favela do Mandela, no Rio. Hoje com 35 anos, ele muito cedo descobriu que precisaria focar na música para conseguir pular para uma vida digna.

Portador de paralisia infantil, Daltro aprendeu a se equilibrar em muletas para vencer a inércia das pernas e se tornou um multi-instrumentista na comunidade, onde dá aulas.

"A música tem me salvado de muitas armadilhas do dia a dia, de pensamentos que não convêm. Ela chegou no momento certo, quanto eu tinha 15 anos, e me livrou de muitas coisas", conta.

Segundo ele, existem centenas de jovens talentosos nas comunidades pobres e que só precisam de uma chance para mostrar que têm potencial. "É preciso dar voz a essa gente. Nós temos como colaborar com o nosso País com a nossa arte", reconhece.

Para o vice-presidente da Associação de Moradores da Favela do Mandela, Luis Otávio Ferreira da Silva, os jovens da comunidade precisam justamente de oportunidades. Caso contrário, diz ele, se transformam em presas fáceis das atividades criminosas.

"A juventude está precisando de curso profissionalizante e uma oportunidade de emprego. Não adianta só estudar. Tem que encaminhar o jovem para uma porta de trabalho, nem que seja para fazer um estágio. Não é só dar tiro para combater o crime. Porque violência só gera violência", afirma. (da Agência Brasil)



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Uso de droga em escola provoca outras discussões

Kelly Zucatelli
Do Diário do Grande ABC

14/06/2010 | 07:00


O caso noticiado pelo Diário do menor, filho da caseira da E.M (Escola Municipal) Guimarães Rosa, em Mauá, flagrado pela GCM (Guarda Civil Municipal) consumindo cocaína dentro da escola, levanta questionamentos sobre a presença de caseiros ou zeladores dentro das unidades de ensino, onde inúmeras crianças e adolescentes estudam, e também quais são as exigências para que os mesmos permaneçam de maneira adequada no espaço.

Para a professora de Psicologia da Educação da USP (Universidade de São Paulo) Silvia Gasparian Colello, a presença de um zelador na escola é necessário para cuidar do patrimônio e beneficiar em situações do dia-a-dia. "É importante entende a conveniência, mas por ser uma instituição de ensino, deve haver muito cuidado na escola de quem morará na escola. Se por um lado a presença é importante para o bom funcionamento da escola, por outro é primordial que a direção da escola pense na guarda das crianças que ali estudam", salientou Silvia.

A ex-secretária de Educação de Mauá e diretora da Escola Estadual Professora Diva Gomes dos Santos na cidade, Angela Donatiello Lopes, explica que geralmente a oportunidade para a zeladoria da escola é dada para uma pessoa que já seja funcionário. "A escolha passa pela aprovação do conselho de escola e da Secretaria Estadual de Educação. Além disso, o escolhido não tem remuneração. Em alguns casos, eles têm até que pagar algumas despesas", disse.

Outros critérios também adotados nas escolas estaduais para a escolha do zelador é a busca de referências de trabalho e de outros lugares que a pessoa morou. Caso deixe de agir de maneira regular, o termo de compromisso de ocupação da casa, que é para um período de dois anos, pode ser reincidido.

Música e trabalho para a juventude

A vida dos milhares de jovens nascidos nas favelas do Rio de Janeiro é difícil desde o início. Sem local para brincar, as crianças só têm os becos sujos de esgoto para correr e jogar bola. Quando chegam à adolescência precisam aprender a driblar as tentações do consumo e fugir da promessa de dinheiro fácil proporcionado pelo tráfico de drogas.

Alguns conseguem trilhar um caminho próprio, optando por se dedicar à cultura. Foi assim com o músico Cleber Daltro, criado na Favela do Mandela, no Rio. Hoje com 35 anos, ele muito cedo descobriu que precisaria focar na música para conseguir pular para uma vida digna.

Portador de paralisia infantil, Daltro aprendeu a se equilibrar em muletas para vencer a inércia das pernas e se tornou um multi-instrumentista na comunidade, onde dá aulas.

"A música tem me salvado de muitas armadilhas do dia a dia, de pensamentos que não convêm. Ela chegou no momento certo, quanto eu tinha 15 anos, e me livrou de muitas coisas", conta.

Segundo ele, existem centenas de jovens talentosos nas comunidades pobres e que só precisam de uma chance para mostrar que têm potencial. "É preciso dar voz a essa gente. Nós temos como colaborar com o nosso País com a nossa arte", reconhece.

Para o vice-presidente da Associação de Moradores da Favela do Mandela, Luis Otávio Ferreira da Silva, os jovens da comunidade precisam justamente de oportunidades. Caso contrário, diz ele, se transformam em presas fáceis das atividades criminosas.

"A juventude está precisando de curso profissionalizante e uma oportunidade de emprego. Não adianta só estudar. Tem que encaminhar o jovem para uma porta de trabalho, nem que seja para fazer um estágio. Não é só dar tiro para combater o crime. Porque violência só gera violência", afirma. (da Agência Brasil)

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