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Faculdades da região têm 1.670 beneficiados pelo Bolsa Universidade


Do Diário do Grande ABC

13/12/2004 | 09:01


Em 14 faculdades particulares do Grande ABC, 1.670 alunos estudam de graça pelo Bolsa Universidade, criado pelo Governo do Estado há um ano e meio para viabilizar outro projeto, o Escola da Família. Em troca da gratuidade, os bolsistas trabalham como monitores nos finais de semana nas 367 escolas estaduais da região, abertas à comunidade aos sábados e domingos.

A mensalidade é custeada pela Secretaria de Estado da Educação e pelas universidades conveniadas. Para os universitários carentes, a bolsa é a única oportunidade de cursar o ensino superior. Ao todo, 25 mil são beneficiados em São Paulo. Em 2005, o Estado quer dobrar a concessão de bolsas. Mantida a proporção, a região pode ultrapassar a marca de 3 mil bolsistas. Número que estará longe de atender a demanda reprimida no Grande ABC. Segundo pesquisa divulgada esta semana pela Prefeitura de Santo André, 260 mil pessoas aptas a cursar o ensino superior estão fora das universidades na região.

Para atingir a meta de 50 mil bolsistas em 2005, o Estado precisa de mais recursos e mais disponibilidade de vagas nas  instituições. A verba pode vir do empresariado, aposta a coordenadora do Escola da Família, Cristina Cordeiro. “Graças ao sucesso do projeto, acredito que empresas passem a colaborar.”

Para se candidatar ao Bolsa Universidade, o estudante precisa ter cursado os três anos do ensino médio na rede estadual. São as universidades parceiras que determinam a quantidade de vagas ofertadas e em quais cursos. O Estado se responsabiliza por metade do valor da mensalidade ou até o teto de R$ 257, e as universidades parceiras abrem mão do restante, para oferecer 100% de gratuidade.

Ao todo, a região tem 34 instituições particulares de ensino superior. Dessas, 20 não colaboram com a iniciativa, apesar de o índice de vagas ociosas ser, em média, de 30%. A recordista de bolsas no Grande ABC é a Faenac (Faculdade Editora Nacional), de São Caetano, que concede o benefício a 1 mil (25%) de seus 4 mil alunos. E, para o próximo ano, se houver contrapartida do Estado, pretende conceder mais 700 bolsas.

Recém-criada, a faculdade cresceu dez vezes em três anos. “Começamos com 500 alunos, quatro cursos. Hoje temos mais de 30 cursos e queremos iniciar 2005 com mais de 5 mil. Cumprimos nossa função social quando possibilitamos que gente carente estude aqui”, analisa o diretor Valmor Bolan.

Uma das contempladas é a estudante Josiane Cenni de Abreu, 18 anos, que cursa Letras na Faenac. Estudou na E.E. Anecondes Alves Ferreira, localizada no Jardim Ruyce, em Diadema, e se inscreveu no vestibular porque sabia da possibilidade de conseguir a bolsa. Só ficou sabendo que fora aprovada pelo programa dois dias antes de começar as aulas. “Se não fosse o programa não teria condições de pagar o curso, que custa R$ 400. A renda lá de casa é de mais ou menos R$ 700, e somos em sete pessoas.”

Josiane acha desgastante e cansativo o trabalho de voluntária todos os fins de semana, mas mesmo assim está feliz com a faculdade. “É o preço que a gente tem de pagar”, avalia a jovem, que não pode ter mais do que três faltas por semestre sem justificativa. Além disso, se faltar em um sábado e domingo seguidos (no mesmo fim de semana), perde o benefício.

Outro bolsista da Faenac, André Zamora, 35 anos, cursa o primeiro ano de Tecnologia em Automação Industrial. Casado e pai de um adolescente, Zamora afirma que seu orçamento não comportaria o pagamento da mensalidade de R$ 530. O universitário mora em São Bernardo, no Piraporinha, e todo final de semana dá expediente em escola de Diadema. “É muito bom. Posso ajudar as crianças, dar uma oportunidade para que elas saiam da rua”, disse.

Para atrair moradores do bairro à escola, ele organiza campeonatos de futebol. “Quando faz sol, a escola recebe até 500 adolescentes”. No sábado retrasado, quando a reportagem do Diário visitou a unidade, estava chovendo e o público não passava de 50.

Colaboraram Illenia Negrin, Fabiana Chiachiri e Rodrigo Cipriano


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Faculdades da região têm 1.670 beneficiados pelo Bolsa Universidade

Do Diário do Grande ABC

13/12/2004 | 09:01


Em 14 faculdades particulares do Grande ABC, 1.670 alunos estudam de graça pelo Bolsa Universidade, criado pelo Governo do Estado há um ano e meio para viabilizar outro projeto, o Escola da Família. Em troca da gratuidade, os bolsistas trabalham como monitores nos finais de semana nas 367 escolas estaduais da região, abertas à comunidade aos sábados e domingos.

A mensalidade é custeada pela Secretaria de Estado da Educação e pelas universidades conveniadas. Para os universitários carentes, a bolsa é a única oportunidade de cursar o ensino superior. Ao todo, 25 mil são beneficiados em São Paulo. Em 2005, o Estado quer dobrar a concessão de bolsas. Mantida a proporção, a região pode ultrapassar a marca de 3 mil bolsistas. Número que estará longe de atender a demanda reprimida no Grande ABC. Segundo pesquisa divulgada esta semana pela Prefeitura de Santo André, 260 mil pessoas aptas a cursar o ensino superior estão fora das universidades na região.

Para atingir a meta de 50 mil bolsistas em 2005, o Estado precisa de mais recursos e mais disponibilidade de vagas nas  instituições. A verba pode vir do empresariado, aposta a coordenadora do Escola da Família, Cristina Cordeiro. “Graças ao sucesso do projeto, acredito que empresas passem a colaborar.”

Para se candidatar ao Bolsa Universidade, o estudante precisa ter cursado os três anos do ensino médio na rede estadual. São as universidades parceiras que determinam a quantidade de vagas ofertadas e em quais cursos. O Estado se responsabiliza por metade do valor da mensalidade ou até o teto de R$ 257, e as universidades parceiras abrem mão do restante, para oferecer 100% de gratuidade.

Ao todo, a região tem 34 instituições particulares de ensino superior. Dessas, 20 não colaboram com a iniciativa, apesar de o índice de vagas ociosas ser, em média, de 30%. A recordista de bolsas no Grande ABC é a Faenac (Faculdade Editora Nacional), de São Caetano, que concede o benefício a 1 mil (25%) de seus 4 mil alunos. E, para o próximo ano, se houver contrapartida do Estado, pretende conceder mais 700 bolsas.

Recém-criada, a faculdade cresceu dez vezes em três anos. “Começamos com 500 alunos, quatro cursos. Hoje temos mais de 30 cursos e queremos iniciar 2005 com mais de 5 mil. Cumprimos nossa função social quando possibilitamos que gente carente estude aqui”, analisa o diretor Valmor Bolan.

Uma das contempladas é a estudante Josiane Cenni de Abreu, 18 anos, que cursa Letras na Faenac. Estudou na E.E. Anecondes Alves Ferreira, localizada no Jardim Ruyce, em Diadema, e se inscreveu no vestibular porque sabia da possibilidade de conseguir a bolsa. Só ficou sabendo que fora aprovada pelo programa dois dias antes de começar as aulas. “Se não fosse o programa não teria condições de pagar o curso, que custa R$ 400. A renda lá de casa é de mais ou menos R$ 700, e somos em sete pessoas.”

Josiane acha desgastante e cansativo o trabalho de voluntária todos os fins de semana, mas mesmo assim está feliz com a faculdade. “É o preço que a gente tem de pagar”, avalia a jovem, que não pode ter mais do que três faltas por semestre sem justificativa. Além disso, se faltar em um sábado e domingo seguidos (no mesmo fim de semana), perde o benefício.

Outro bolsista da Faenac, André Zamora, 35 anos, cursa o primeiro ano de Tecnologia em Automação Industrial. Casado e pai de um adolescente, Zamora afirma que seu orçamento não comportaria o pagamento da mensalidade de R$ 530. O universitário mora em São Bernardo, no Piraporinha, e todo final de semana dá expediente em escola de Diadema. “É muito bom. Posso ajudar as crianças, dar uma oportunidade para que elas saiam da rua”, disse.

Para atrair moradores do bairro à escola, ele organiza campeonatos de futebol. “Quando faz sol, a escola recebe até 500 adolescentes”. No sábado retrasado, quando a reportagem do Diário visitou a unidade, estava chovendo e o público não passava de 50.

Colaboraram Illenia Negrin, Fabiana Chiachiri e Rodrigo Cipriano

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