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Presidente do Ciesp aposta em ação regional articulada


Leone Farias
Do Diário do Grande ABC

22/05/2005 | 10:11


Ações integradas para levar à frente projetos regionais como o de um pólo tecnológico no Grande ABC. O presidente do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), o empresário Cláudio Vaz, afirma que vai dar nesta semana o pontapé inicial para unir operacionalmente as quatro diretorias regionais do Ciesp na região.

Conhecedor da economia do Grande ABC, Vaz, diretor da indústria de autopeças Fiamm, de São Bernardo, aponta a necessidade de unir as forças da entidade para atacar problemas como infra-estrutura, formação de pessoal e entraves logísticos. “O Grande ABC vive um momento vigoroso de retomada, mas a economia dos sete municípios precisa ser tratada de forma regional.” Leia a seguir os principais trechos da entrevista.

DIÁRIO – O que está representando para o setor industrial essa onda de elevações da Selic (taxa básica de juros)?

CLAUDIO VAZ – É inegável que o Banco Central fez uma avaliação errada, porque a economia brasileira mudou muito nos últimos anos. Existem dois fatores que dão sustentação aos volumes de produção atuais. O primeiro é a mudança estrutural da exportação brasileira. Até o final dos anos 90, a exportação brasileira era majoritariamente de segmentos exportadores como café e suco de laranja. Grandes investimentos foram feitos para projetos de exportação e o Brasil também se beneficiou de um momento favorável no mundo, porque a demanda por commodities e manufaturados se ampliou muito. Isso faz com que, a despeito de um dólar negativo no resultado das empresas, os contratos de longo prazo e a estratégia de estar presente em um mundo cada vez mais globalizado mantêm por muito mais tempo o volume exportado. O segundo ponto que se somou a isso foi o crédito consignado, que há tempos está sendo usado para consumo. A economia vai demorar muito mais tempo para ceder, por conta de volumes garantidos por exportação, pelo crédito consignado e pela pressão de preços administrados, que também não são afetados pela política monetária. O Banco Central não levou em consideração esses fatos, quando começou a usar a política monetária para convergir as expectativas de meta de inflação.

DIÁRIO – Há empresas exportadoras que anunciam dificuldades de renovação de contratos de vendas ao exterior.

VAZ – Quem está precisando renovar contrato neste momento acaba perdendo mercado. Alguns setores ainda têm situação favorável. O setor de máquinas e equipamentos continua exportando bastante, mas com contratos feitos há muito tempo. Mas quem está precisando renovar contrato agora, para entregar nos próximos quatro, cinco, seis meses, seguramente está perdendo mercado.

DIÁRIO – Que avaliação o sr. faz do momento atual da indústria?

VAZ – Em 2004, a indústria subiu para outro patamar. Hoje, está praticamente sem crescimento, mas a média ainda é positiva. E também não podemos ser catastrofistas. É tão evidente o equívoco do Banco Central no estabelecimento dos juros que há uma expectativa que isso se reverta, algo que seja visível em setembro ou outubro. Existe espaço para que se possa fazer uma recuperação e que no último trimestre deste ano tenhamos outro cenário.

DIÁRIO – E como o sr. vê a situação da indústria no Grande ABC?

VAZ – O Grande ABC está num momento muito vigoroso de retomada. No ano passado, o município líder na criação de emprego industrial foi Diadema, uma cidade de pequenas e médias empresas, de produção diversificada, de alta tecnologia. Diadema teve outro destaque neste ano, com a nova legislação do IPTU, que criou descontos progressivos com base no aumento do valor adicionado pela empresa no município. É uma questão muito inovadora que nós estamos levando para os demais municípios do Estado. O Grande ABC precisa resolver problemas como logística, melhorar o treinamento de pessoal e a infra-estrutura. Mas quem tiver uma indústria de base tecnológica que precise de conhecimento e de qualificação terá o Grande ABC como excelente alternativa de investimento.

DIÁRIO – Durante a eleição para a direção do Ciesp, o sr. tinha um projeto de montar um Pólo Tecnológico no Grande ABC. Como está o projeto?

VAZ – Estamos começando isso. Durante muito tempo, os Ciesps tinham um trabalho aliado, mas não integrado. Nesse Dia da Indústria, uma das questões mais centrais da nossa comemoração no Grande ABC é o trabalho operacionalmente unido das diretorias da região. Do ponto de vista de ação econômica, quando se fala de logística, infra-estrutura, formação de pessoal, essas são questões regionais. Eu acredito que com essa iniciativa que vai ser oficializada, de realizar ações estratégicas integradas das nossas diretorias, vamos começar a construir nossos projetos regionais.



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Presidente do Ciesp aposta em ação regional articulada

Leone Farias
Do Diário do Grande ABC

22/05/2005 | 10:11


Ações integradas para levar à frente projetos regionais como o de um pólo tecnológico no Grande ABC. O presidente do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), o empresário Cláudio Vaz, afirma que vai dar nesta semana o pontapé inicial para unir operacionalmente as quatro diretorias regionais do Ciesp na região.

Conhecedor da economia do Grande ABC, Vaz, diretor da indústria de autopeças Fiamm, de São Bernardo, aponta a necessidade de unir as forças da entidade para atacar problemas como infra-estrutura, formação de pessoal e entraves logísticos. “O Grande ABC vive um momento vigoroso de retomada, mas a economia dos sete municípios precisa ser tratada de forma regional.” Leia a seguir os principais trechos da entrevista.

DIÁRIO – O que está representando para o setor industrial essa onda de elevações da Selic (taxa básica de juros)?

CLAUDIO VAZ – É inegável que o Banco Central fez uma avaliação errada, porque a economia brasileira mudou muito nos últimos anos. Existem dois fatores que dão sustentação aos volumes de produção atuais. O primeiro é a mudança estrutural da exportação brasileira. Até o final dos anos 90, a exportação brasileira era majoritariamente de segmentos exportadores como café e suco de laranja. Grandes investimentos foram feitos para projetos de exportação e o Brasil também se beneficiou de um momento favorável no mundo, porque a demanda por commodities e manufaturados se ampliou muito. Isso faz com que, a despeito de um dólar negativo no resultado das empresas, os contratos de longo prazo e a estratégia de estar presente em um mundo cada vez mais globalizado mantêm por muito mais tempo o volume exportado. O segundo ponto que se somou a isso foi o crédito consignado, que há tempos está sendo usado para consumo. A economia vai demorar muito mais tempo para ceder, por conta de volumes garantidos por exportação, pelo crédito consignado e pela pressão de preços administrados, que também não são afetados pela política monetária. O Banco Central não levou em consideração esses fatos, quando começou a usar a política monetária para convergir as expectativas de meta de inflação.

DIÁRIO – Há empresas exportadoras que anunciam dificuldades de renovação de contratos de vendas ao exterior.

VAZ – Quem está precisando renovar contrato neste momento acaba perdendo mercado. Alguns setores ainda têm situação favorável. O setor de máquinas e equipamentos continua exportando bastante, mas com contratos feitos há muito tempo. Mas quem está precisando renovar contrato agora, para entregar nos próximos quatro, cinco, seis meses, seguramente está perdendo mercado.

DIÁRIO – Que avaliação o sr. faz do momento atual da indústria?

VAZ – Em 2004, a indústria subiu para outro patamar. Hoje, está praticamente sem crescimento, mas a média ainda é positiva. E também não podemos ser catastrofistas. É tão evidente o equívoco do Banco Central no estabelecimento dos juros que há uma expectativa que isso se reverta, algo que seja visível em setembro ou outubro. Existe espaço para que se possa fazer uma recuperação e que no último trimestre deste ano tenhamos outro cenário.

DIÁRIO – E como o sr. vê a situação da indústria no Grande ABC?

VAZ – O Grande ABC está num momento muito vigoroso de retomada. No ano passado, o município líder na criação de emprego industrial foi Diadema, uma cidade de pequenas e médias empresas, de produção diversificada, de alta tecnologia. Diadema teve outro destaque neste ano, com a nova legislação do IPTU, que criou descontos progressivos com base no aumento do valor adicionado pela empresa no município. É uma questão muito inovadora que nós estamos levando para os demais municípios do Estado. O Grande ABC precisa resolver problemas como logística, melhorar o treinamento de pessoal e a infra-estrutura. Mas quem tiver uma indústria de base tecnológica que precise de conhecimento e de qualificação terá o Grande ABC como excelente alternativa de investimento.

DIÁRIO – Durante a eleição para a direção do Ciesp, o sr. tinha um projeto de montar um Pólo Tecnológico no Grande ABC. Como está o projeto?

VAZ – Estamos começando isso. Durante muito tempo, os Ciesps tinham um trabalho aliado, mas não integrado. Nesse Dia da Indústria, uma das questões mais centrais da nossa comemoração no Grande ABC é o trabalho operacionalmente unido das diretorias da região. Do ponto de vista de ação econômica, quando se fala de logística, infra-estrutura, formação de pessoal, essas são questões regionais. Eu acredito que com essa iniciativa que vai ser oficializada, de realizar ações estratégicas integradas das nossas diretorias, vamos começar a construir nossos projetos regionais.

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