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Classificação dos astros ainda desafia astrônomos


Daniela Lazzaro
Observatório Nacional

22/06/2009 | 07:00


Nos últimos anos, o avanço da tecnologia permitiu a descoberta de objetos cada vez menores e mais distantes do Sistema Solar. Isso leva a um conhecimento mais profundo do cosmo e também à revisão de conceitos e definições, como mostra o caso de Plutão, que recentemente deixou de ser considerado um planeta. A classificação dos corpos do universo pode, porém, ser tarefa árdua para os astrônomos. E a dificuldade resulta, em grande parte, do fato de esses corpos terem origem e evolução comuns.

A primeira das populações do Sistema Solar identificada foi a dos planetas. A palavra planeta deriva do grego, significando errante. Esses corpos foram assim batizados por parecerem passear entre as estrelas, que, por sua vez, têm movimentação regular.

Os primeiros planetas descobertos foram Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno. A Terra passou a ser incluída nessa lista apenas a partir da aceitação do modelo heliocêntrico (no qual o Sol era tido como o centro do universo) no início do século 17. Em 1781, com a invenção do telescópio, o planeta Urano foi descoberto. A constatação de que sua órbita divergia daquela prevista, aliada ao trabalho teórico de alguns cientistas, levou à descoberta de Netuno em 1846.

Em 1930 foi descoberto Plutão. Mais tarde descobriu-se de que esse astro, porém, encontra-se em uma região povoada por milhares de corpos menores com órbitas similares, e nada o distingue, por exemplo, de Ceres, o maior asteroide já encontrado no cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter. Esse fato fez com que, após discussões históricas ocorridas em 2006, o até então nono planeta do Sistema Solar fosse incluído em uma nova categoria, a dos planetas anões. O caso é um exemplo da dificuldade em separar as populações no Sistema Solar.

Classes e reservatórios - Hoje existem três classes de objetos no Sistema Solar reconhecidas pela UAI (União Astronômica Internacional): os planetas, os planetas anões e os pequenos corpos.

Uma característica fundamental dos planetas é que eles têm órbitas bem distanciadas entre si e reinam sozinhos em suas zonas de influência. Já um planeta anão é definido como um corpo em órbita em torno do Sol, com forma esférica e que compartilha a região onde se encontra com outros corpos. Os pequenos corpos, por sua vez, são os cometas, os asteroides e os chamados objetos transnetunianos, entre outros.

Os cometas foram os primeiros a serem identificados como objetos diferentes das estrelas e dos planetas por apresentarem um brilho não pontual e magníficas caudas. Provenientes da Nuvem de Oort, um reservatório que envolve o Sistema Solar a distâncias maiores do que 50 mil unidades astronômicas (uma unidade astronômica equivale a cerca de 150 milhões de quilômetros, distância entre a Terra e o Sol).

Outro reservatório de pequenos corpos é o cinturão de asteroides situado entre as órbitas de Marte e Júpiter. Nas fases iniciais da formação do Sistema Solar, a rápida formação de Júpiter interrompeu a agregação nessa região, fazendo com que milhares de pequenos corpos passassem a evoluir sob a forte influência gravitacional desse planeta, o que levou objetos maiores do cinturão a colidir e a se fragmentar.

Em seus reservatórios, os pequenos corpos são facilmente diferenciados entre si. Porém, sua classificação a partir de características observacionais não é sempre tão simples. Há cometas que, depois de muitas passagens pelas proximidades do Sol, deixam de apresentar cauda, tornando-se indistinguíveis dos asteroides, por exemplo. Mais difícil ainda é a identificação de planetas anões, pois quando se observa um corpo frio e distante do Sistema Solar, a única medida precisa que se obtém é seu brilho, não sua forma, e a definição de planetas anões está relacionada justamente à forma.

Na realidade, todos os corpos fazem parte de um único contínuo que separamos apenas com o intuito de entender melhor a formação, a evolução e a estrutura do sistema planetário do qual fazemos parte. Isso não é desanimador; muito pelo contrário, é um incentivo para buscar as propriedades mais fundamentais dos objetos descobertos e conhecer a estrutura fundamental do Sistema Solar.



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Classificação dos astros ainda desafia astrônomos

Daniela Lazzaro
Observatório Nacional

22/06/2009 | 07:00


Nos últimos anos, o avanço da tecnologia permitiu a descoberta de objetos cada vez menores e mais distantes do Sistema Solar. Isso leva a um conhecimento mais profundo do cosmo e também à revisão de conceitos e definições, como mostra o caso de Plutão, que recentemente deixou de ser considerado um planeta. A classificação dos corpos do universo pode, porém, ser tarefa árdua para os astrônomos. E a dificuldade resulta, em grande parte, do fato de esses corpos terem origem e evolução comuns.

A primeira das populações do Sistema Solar identificada foi a dos planetas. A palavra planeta deriva do grego, significando errante. Esses corpos foram assim batizados por parecerem passear entre as estrelas, que, por sua vez, têm movimentação regular.

Os primeiros planetas descobertos foram Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno. A Terra passou a ser incluída nessa lista apenas a partir da aceitação do modelo heliocêntrico (no qual o Sol era tido como o centro do universo) no início do século 17. Em 1781, com a invenção do telescópio, o planeta Urano foi descoberto. A constatação de que sua órbita divergia daquela prevista, aliada ao trabalho teórico de alguns cientistas, levou à descoberta de Netuno em 1846.

Em 1930 foi descoberto Plutão. Mais tarde descobriu-se de que esse astro, porém, encontra-se em uma região povoada por milhares de corpos menores com órbitas similares, e nada o distingue, por exemplo, de Ceres, o maior asteroide já encontrado no cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter. Esse fato fez com que, após discussões históricas ocorridas em 2006, o até então nono planeta do Sistema Solar fosse incluído em uma nova categoria, a dos planetas anões. O caso é um exemplo da dificuldade em separar as populações no Sistema Solar.

Classes e reservatórios - Hoje existem três classes de objetos no Sistema Solar reconhecidas pela UAI (União Astronômica Internacional): os planetas, os planetas anões e os pequenos corpos.

Uma característica fundamental dos planetas é que eles têm órbitas bem distanciadas entre si e reinam sozinhos em suas zonas de influência. Já um planeta anão é definido como um corpo em órbita em torno do Sol, com forma esférica e que compartilha a região onde se encontra com outros corpos. Os pequenos corpos, por sua vez, são os cometas, os asteroides e os chamados objetos transnetunianos, entre outros.

Os cometas foram os primeiros a serem identificados como objetos diferentes das estrelas e dos planetas por apresentarem um brilho não pontual e magníficas caudas. Provenientes da Nuvem de Oort, um reservatório que envolve o Sistema Solar a distâncias maiores do que 50 mil unidades astronômicas (uma unidade astronômica equivale a cerca de 150 milhões de quilômetros, distância entre a Terra e o Sol).

Outro reservatório de pequenos corpos é o cinturão de asteroides situado entre as órbitas de Marte e Júpiter. Nas fases iniciais da formação do Sistema Solar, a rápida formação de Júpiter interrompeu a agregação nessa região, fazendo com que milhares de pequenos corpos passassem a evoluir sob a forte influência gravitacional desse planeta, o que levou objetos maiores do cinturão a colidir e a se fragmentar.

Em seus reservatórios, os pequenos corpos são facilmente diferenciados entre si. Porém, sua classificação a partir de características observacionais não é sempre tão simples. Há cometas que, depois de muitas passagens pelas proximidades do Sol, deixam de apresentar cauda, tornando-se indistinguíveis dos asteroides, por exemplo. Mais difícil ainda é a identificação de planetas anões, pois quando se observa um corpo frio e distante do Sistema Solar, a única medida precisa que se obtém é seu brilho, não sua forma, e a definição de planetas anões está relacionada justamente à forma.

Na realidade, todos os corpos fazem parte de um único contínuo que separamos apenas com o intuito de entender melhor a formação, a evolução e a estrutura do sistema planetário do qual fazemos parte. Isso não é desanimador; muito pelo contrário, é um incentivo para buscar as propriedades mais fundamentais dos objetos descobertos e conhecer a estrutura fundamental do Sistema Solar.

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