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Possibilidade de racha ainda assombra Auricchio


Juliana de Sordi Gattone
Do Diário do Grande ABC

22/05/2005 | 09:39


Parece que o perigo de racha na Câmara de São Caetano ainda não parou de assombrar o prefeito José Auricchio Júnior (PTB). Novos rumores dão conta de que o petebista poderá sofrer ruptura na base de sustentação: quatro dos nove vereadores que compõem a situação estariam se articulando para deixar o grupo. O racha estaria condicionado à possível reconciliação entre Auricchio e o ex-assessor Antonio de Pádua Tortorello, exonerado em abril. Caso o prefeito se negue a ficar frente a frente com Pádua, a separação do grupo deve ser inevitável.

Por enquanto, a movimentação velada está em fase inicial. Mas caso o prefeito não consiga reverter o jogo a seu favor, passará a ter de negociar com três times no Legislativo: oposição (formada pelos vereadores petistas Horácio Neto e Edgar Nóbrega), situação e dissidentes.

Rumores indicam que o grupo de dissidentes da situação teria interesse em lançar CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para derrubar Auricchio. Nesse caso, sairiam vitoriosos, porque contariam com quatro votos próprios e mais dois da oposição, contra apenas cinco da situação.

As ameaças de hoje lembram muito as sofridas pelo antecessor Luiz Tortorello – morto em dezembro –, que enfrentou resistências na primeira gestão. Em 1989, Tortorello teve de lidar com uma Câmara pouco engajada com os desejos políticos da administração. Muitas brigas, intrigas e rupturas aconteceram ao longo do primeiro mandato, que se encerrou em 1992.

Agora, o momento também é delicado. Embora os vereadores e políticos da cidade admitam publicamente que o atual prefeito é o líder da cidade, por trás das cortinas alguns tentam movimentações para ganhar o estrelato.

Nos bastidores, os nomes mais citados para articular a dissidência são os do presidente da Câmara, Paulo Bottura (PTB), do vice-presidente, Gersio Sartori (PTB), e do primeiro-secretário, Sidnei Bezerra da Silva, o Sidão da Padaria (PSDC). Este último nega as articulações. Ele também sai em defesa dos demais colegas citados e garante que todos estão fechados com o prefeito. Procurados pela reportagem, Bottura e Sartori não foram encontrados para comentar o possível racha na Câmara.

Versões – A situação não nega que tenha interesse em unir Auricchio e Pádua novamente. Sidão da Padaria diz ser adepto da reaproximação. “Sou um homem de grupo. Aprendi com Tortorello que, para a política da cidade fluir e andar bem, tem de haver coesão no grupo. Não sou a favor dessa situação.” Mesmo rompido com Auricchio, Pádua, segundo Sidão, aconselhou o vereador a apoiar a administração em benefício da cidade.

Sidão critica o surgimento de boatos e diz que não passam de idéias pejorativas. “Eu não participo desse terceiro bloco porque tenho intenção de que os grupos de Tortorello e Auricchio se reúnam. Se é que existe esse racha, tenho certeza de que será superado”, prevê.

Questionado sobre o fato de seu nome ser citado entre os que fazem parte da dissidência, Sidão é firme: “Estou com Auricchio”. Faz questão de lembrar que defendeu a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) e foi até elogiado pela oposição por ter estudado o projeto. Mas também ressalta que, se em algum momento o prefeito desvirtuar, vota de acordo com sua consciência.

O vereador revela que não foi convidado para qualquer reunião. Por isso não crê que exista um racha político na Câmara. “Tem gente apostando no racha.” Sidão diz que torce pela reconciliação das partes políticas do grupo. “Se houver mesmo o racha, quem sai ganhando é o PT”, sentencia. Ele espera até que o grupo se una para apoiar as reeleições de Marquinho Tortorello a deputado estadual, ano que vem, e de Auricchio à Prefeitura, em 2008.

Conversas – Do lado da oposição, as opiniões não são tão conciliatórias. O petista Horácio Neto diz ouvir conversas de corredores que falam da divergência dentro do bloco de situação. Embora garanta que na última sessão não tenha notado diferença na forma de condução dos trabalhos, afirma perceber pequenos indícios. “Como na declaração concedida por Bottura sobre a LDO. Ele disse que estava ‘quase‘ perfeita. Isso deixa sempre um ‘quezinho‘, mostra tom condicional, certo mal-estar, certo ruído em setores da situação. Acho que onde há fumaça, há fogo.”

Horácio garante que de fora percebe-se movimentos que estão enfraquecendo a situação. Caso haja racha, o vereador diz que a bancada petista (formada por ele e Edgar Nóbrega) não será considerada aliada. Segundo Horácio, haverá postura de diferenciação. “Não seremos oposição porque eles também estarão do lado oposto do prefeito. Mas não ficaremos lado a lado, porque nosso programa de governo tem diferença em relação às duas correntes situacionistas. Não é porque racharam que vamos nos alinhar.”

Quanto à possibilidade de haver racha, Horácio comemora. Opina que uma dissidência dentro da situação pode levar mais transparência aos trâmites políticos. “Nós seremos a oposição de esquerda e a deles, de centro. Vai gerar dinamismo maior.”

Ruptura – Em meados de abril, Auricchio rompeu em definitivo com o grupo político herdeiro do então prefeito Luiz Tortorello. A cisão foi concretizada com a exoneração do assessor especial, Antonio de Pádua Tortorello, e da secretária da Fazenda, Maria Carmem Gonzales Reys Campos. Tanto o irmão de Tortorello, Pádua, quanto Carmem mantinham-se nos cargos que ocupavam desde a última gestão.

O motivo da ruptura seria a pressão que Antonio de Pádua estaria exercendo sobre o prefeito. Vinha exigindo de Auricchio que ele lhe enviasse todos os projetos a fim de decidir as prioridades. O mesmo estaria sendo feito pela secretária de Fazenda.

Com a intenção de reverter a situação, desde a posse, o prefeito teria tido diversas conversas com Pádua. Mas, a tentativa de o irmão de Tortorello montar um governo paralelo e fazer do prefeito mero figurante, teria sido a gota d‘água para o fim da relação. Antonio de Pádua também exercia papel de articulador entre Executivo e Legislativo.



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Possibilidade de racha ainda assombra Auricchio

Juliana de Sordi Gattone
Do Diário do Grande ABC

22/05/2005 | 09:39


Parece que o perigo de racha na Câmara de São Caetano ainda não parou de assombrar o prefeito José Auricchio Júnior (PTB). Novos rumores dão conta de que o petebista poderá sofrer ruptura na base de sustentação: quatro dos nove vereadores que compõem a situação estariam se articulando para deixar o grupo. O racha estaria condicionado à possível reconciliação entre Auricchio e o ex-assessor Antonio de Pádua Tortorello, exonerado em abril. Caso o prefeito se negue a ficar frente a frente com Pádua, a separação do grupo deve ser inevitável.

Por enquanto, a movimentação velada está em fase inicial. Mas caso o prefeito não consiga reverter o jogo a seu favor, passará a ter de negociar com três times no Legislativo: oposição (formada pelos vereadores petistas Horácio Neto e Edgar Nóbrega), situação e dissidentes.

Rumores indicam que o grupo de dissidentes da situação teria interesse em lançar CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para derrubar Auricchio. Nesse caso, sairiam vitoriosos, porque contariam com quatro votos próprios e mais dois da oposição, contra apenas cinco da situação.

As ameaças de hoje lembram muito as sofridas pelo antecessor Luiz Tortorello – morto em dezembro –, que enfrentou resistências na primeira gestão. Em 1989, Tortorello teve de lidar com uma Câmara pouco engajada com os desejos políticos da administração. Muitas brigas, intrigas e rupturas aconteceram ao longo do primeiro mandato, que se encerrou em 1992.

Agora, o momento também é delicado. Embora os vereadores e políticos da cidade admitam publicamente que o atual prefeito é o líder da cidade, por trás das cortinas alguns tentam movimentações para ganhar o estrelato.

Nos bastidores, os nomes mais citados para articular a dissidência são os do presidente da Câmara, Paulo Bottura (PTB), do vice-presidente, Gersio Sartori (PTB), e do primeiro-secretário, Sidnei Bezerra da Silva, o Sidão da Padaria (PSDC). Este último nega as articulações. Ele também sai em defesa dos demais colegas citados e garante que todos estão fechados com o prefeito. Procurados pela reportagem, Bottura e Sartori não foram encontrados para comentar o possível racha na Câmara.

Versões – A situação não nega que tenha interesse em unir Auricchio e Pádua novamente. Sidão da Padaria diz ser adepto da reaproximação. “Sou um homem de grupo. Aprendi com Tortorello que, para a política da cidade fluir e andar bem, tem de haver coesão no grupo. Não sou a favor dessa situação.” Mesmo rompido com Auricchio, Pádua, segundo Sidão, aconselhou o vereador a apoiar a administração em benefício da cidade.

Sidão critica o surgimento de boatos e diz que não passam de idéias pejorativas. “Eu não participo desse terceiro bloco porque tenho intenção de que os grupos de Tortorello e Auricchio se reúnam. Se é que existe esse racha, tenho certeza de que será superado”, prevê.

Questionado sobre o fato de seu nome ser citado entre os que fazem parte da dissidência, Sidão é firme: “Estou com Auricchio”. Faz questão de lembrar que defendeu a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) e foi até elogiado pela oposição por ter estudado o projeto. Mas também ressalta que, se em algum momento o prefeito desvirtuar, vota de acordo com sua consciência.

O vereador revela que não foi convidado para qualquer reunião. Por isso não crê que exista um racha político na Câmara. “Tem gente apostando no racha.” Sidão diz que torce pela reconciliação das partes políticas do grupo. “Se houver mesmo o racha, quem sai ganhando é o PT”, sentencia. Ele espera até que o grupo se una para apoiar as reeleições de Marquinho Tortorello a deputado estadual, ano que vem, e de Auricchio à Prefeitura, em 2008.

Conversas – Do lado da oposição, as opiniões não são tão conciliatórias. O petista Horácio Neto diz ouvir conversas de corredores que falam da divergência dentro do bloco de situação. Embora garanta que na última sessão não tenha notado diferença na forma de condução dos trabalhos, afirma perceber pequenos indícios. “Como na declaração concedida por Bottura sobre a LDO. Ele disse que estava ‘quase‘ perfeita. Isso deixa sempre um ‘quezinho‘, mostra tom condicional, certo mal-estar, certo ruído em setores da situação. Acho que onde há fumaça, há fogo.”

Horácio garante que de fora percebe-se movimentos que estão enfraquecendo a situação. Caso haja racha, o vereador diz que a bancada petista (formada por ele e Edgar Nóbrega) não será considerada aliada. Segundo Horácio, haverá postura de diferenciação. “Não seremos oposição porque eles também estarão do lado oposto do prefeito. Mas não ficaremos lado a lado, porque nosso programa de governo tem diferença em relação às duas correntes situacionistas. Não é porque racharam que vamos nos alinhar.”

Quanto à possibilidade de haver racha, Horácio comemora. Opina que uma dissidência dentro da situação pode levar mais transparência aos trâmites políticos. “Nós seremos a oposição de esquerda e a deles, de centro. Vai gerar dinamismo maior.”

Ruptura – Em meados de abril, Auricchio rompeu em definitivo com o grupo político herdeiro do então prefeito Luiz Tortorello. A cisão foi concretizada com a exoneração do assessor especial, Antonio de Pádua Tortorello, e da secretária da Fazenda, Maria Carmem Gonzales Reys Campos. Tanto o irmão de Tortorello, Pádua, quanto Carmem mantinham-se nos cargos que ocupavam desde a última gestão.

O motivo da ruptura seria a pressão que Antonio de Pádua estaria exercendo sobre o prefeito. Vinha exigindo de Auricchio que ele lhe enviasse todos os projetos a fim de decidir as prioridades. O mesmo estaria sendo feito pela secretária de Fazenda.

Com a intenção de reverter a situação, desde a posse, o prefeito teria tido diversas conversas com Pádua. Mas, a tentativa de o irmão de Tortorello montar um governo paralelo e fazer do prefeito mero figurante, teria sido a gota d‘água para o fim da relação. Antonio de Pádua também exercia papel de articulador entre Executivo e Legislativo.

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