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Cemitério é fonte de contaminação

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Especial para o Diário

14/09/2009 | 07:09


A falta de medidas de proteção ambiental no sepultamento de corpos humanos faz com que a área de muitos cemitérios seja contaminada por diversas substâncias e organismos causadores de doenças. No Brasil, estudos sobre o tema mostram que a contaminação pode, por vezes, extrapolar a área dos túmulos, atingindo a água e o solo do entorno. Apesar disso, ainda não existe no País política eficiente de planejamento e de gestão ambiental dos cemitérios.

Registros arqueológicos apontam que o hábito de enterrar os mortos ou cobri-los com pedras existe desde a pré-história. Porém, terrenos destinados apenas ao sepultamento teriam sido implantados pelos primeiros cristãos durante a Idade Média, quando os mortos passaram a ser enterrados nas igrejas ou em suas imediações. Na época, o tipo de sepultamento predominante era o simples recobrimento dos corpos com terra em profundidades que variavam de um a dois metros. A prática aproximou os cadáveres e os vivos, o que aumentou a disseminação de epidemias como tifo.

Embora algumas civilizações, como a romana, já determinassem que os mortos fossem enterrados fora dos limites da cidade, foi a partir do século 18 que a palavra "cemitério" começou a ter o sentido atual, quando, por razões de Saúde Pública, proibiu-se o sepultamento nos locais habituais, como terras da família ou igrejas.

Na França, em 1737, comissão de médicos recomendou mais cuidado nas sepulturas e decência na manutenção dos locais onde os mortos eram enterrados. Em 1743, o abade francês Charles-Gabriel Porée publicou texto condenando os enterros em igrejas e propondo a criação de cemitérios fora das cidades. Autoridades de países da Europa, a partir daí, passaram a promover a instalação de cemitérios. Em Portugal, em 1801, o príncipe regente D. João VI proibiu os sepultamentos em igrejas, inclusive em suas colônias, como o Brasil.

DOENÇAS
As decisões sobre a implantação de cemitérios fora das cidades eram baseadas no mau cheiro dos cadáveres e em emanações tidas como perigosas para a saúde.

Apesar da existência de alguns relatos em Berlim e Paris, na década de 1970, apontando o posicionamento dos cemitérios em relação a fontes de água, a exemplo de lençóis freáticos e nascentes, como uma das causas de epidemias de febre tifoide, esses locais nunca foram incluídos entre as fontes tradicionais de contaminação.

Só em 1998 a OMS (Organização Mundial da Saúde) publicou relatório afirmando que esses locais poderiam causar impactos ao ambiente, com a liberação de substâncias e micro-organismos causadores de doenças.

POLÍTICAS PÚBLICAS
No Brasil, estudos sobre contaminação de cemitérios vêm sendo conduzidos desde o fim da década de 1980 por cientistas como o hidrogeólogo Alberto Pacheco, da USP (Universidade de São Paulo). Ele constatou que em um cemitério de Santos, no Litoral, a água subterrânea próxima a sepultamentos recentes apresentava bactérias e vírus.

Outro pesquisador brasileiro, o geólogo Leziro Marques Silva, da Universidade de São Judas Tadeu, em São Paulo, investigou a situação de 600 cemitérios do País (75% municipais e 25% particulares) e viu que 15% a 20% deles apresentam contaminação do subsolo pelo líquido formado quando os corpos se decompõem, chamado de necrochorume. Cerca de 60% dos casos foram observados em cemitérios municipais.

No Cemitério de Vila Rezende, em Piracicaba, no Interior, uma pesquisa mostrou que as condições do solo desfavorecem a filtração do necrochorume e facilitam a inundação das covas. Foram localizados contaminantes dissolvidos no solo, inclusive em áreas fora dos limites do cemitério, e constatou-se que a contaminação tem ligação com a profundidade da água e com o tempo de sepultamento. Os resultados foram levados à prefeitura de Piracicaba junto com a sugestão da instalação de poços de monitoramento para o controle da contaminação.

Robson Willians da Costa Silva Walter Malagutti Filho
Universidade Estadual Paulista (Rio Claro, SP)



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Cemitério é fonte de contaminação

Especial para o Diário

14/09/2009 | 07:09


A falta de medidas de proteção ambiental no sepultamento de corpos humanos faz com que a área de muitos cemitérios seja contaminada por diversas substâncias e organismos causadores de doenças. No Brasil, estudos sobre o tema mostram que a contaminação pode, por vezes, extrapolar a área dos túmulos, atingindo a água e o solo do entorno. Apesar disso, ainda não existe no País política eficiente de planejamento e de gestão ambiental dos cemitérios.

Registros arqueológicos apontam que o hábito de enterrar os mortos ou cobri-los com pedras existe desde a pré-história. Porém, terrenos destinados apenas ao sepultamento teriam sido implantados pelos primeiros cristãos durante a Idade Média, quando os mortos passaram a ser enterrados nas igrejas ou em suas imediações. Na época, o tipo de sepultamento predominante era o simples recobrimento dos corpos com terra em profundidades que variavam de um a dois metros. A prática aproximou os cadáveres e os vivos, o que aumentou a disseminação de epidemias como tifo.

Embora algumas civilizações, como a romana, já determinassem que os mortos fossem enterrados fora dos limites da cidade, foi a partir do século 18 que a palavra "cemitério" começou a ter o sentido atual, quando, por razões de Saúde Pública, proibiu-se o sepultamento nos locais habituais, como terras da família ou igrejas.

Na França, em 1737, comissão de médicos recomendou mais cuidado nas sepulturas e decência na manutenção dos locais onde os mortos eram enterrados. Em 1743, o abade francês Charles-Gabriel Porée publicou texto condenando os enterros em igrejas e propondo a criação de cemitérios fora das cidades. Autoridades de países da Europa, a partir daí, passaram a promover a instalação de cemitérios. Em Portugal, em 1801, o príncipe regente D. João VI proibiu os sepultamentos em igrejas, inclusive em suas colônias, como o Brasil.

DOENÇAS
As decisões sobre a implantação de cemitérios fora das cidades eram baseadas no mau cheiro dos cadáveres e em emanações tidas como perigosas para a saúde.

Apesar da existência de alguns relatos em Berlim e Paris, na década de 1970, apontando o posicionamento dos cemitérios em relação a fontes de água, a exemplo de lençóis freáticos e nascentes, como uma das causas de epidemias de febre tifoide, esses locais nunca foram incluídos entre as fontes tradicionais de contaminação.

Só em 1998 a OMS (Organização Mundial da Saúde) publicou relatório afirmando que esses locais poderiam causar impactos ao ambiente, com a liberação de substâncias e micro-organismos causadores de doenças.

POLÍTICAS PÚBLICAS
No Brasil, estudos sobre contaminação de cemitérios vêm sendo conduzidos desde o fim da década de 1980 por cientistas como o hidrogeólogo Alberto Pacheco, da USP (Universidade de São Paulo). Ele constatou que em um cemitério de Santos, no Litoral, a água subterrânea próxima a sepultamentos recentes apresentava bactérias e vírus.

Outro pesquisador brasileiro, o geólogo Leziro Marques Silva, da Universidade de São Judas Tadeu, em São Paulo, investigou a situação de 600 cemitérios do País (75% municipais e 25% particulares) e viu que 15% a 20% deles apresentam contaminação do subsolo pelo líquido formado quando os corpos se decompõem, chamado de necrochorume. Cerca de 60% dos casos foram observados em cemitérios municipais.

No Cemitério de Vila Rezende, em Piracicaba, no Interior, uma pesquisa mostrou que as condições do solo desfavorecem a filtração do necrochorume e facilitam a inundação das covas. Foram localizados contaminantes dissolvidos no solo, inclusive em áreas fora dos limites do cemitério, e constatou-se que a contaminação tem ligação com a profundidade da água e com o tempo de sepultamento. Os resultados foram levados à prefeitura de Piracicaba junto com a sugestão da instalação de poços de monitoramento para o controle da contaminação.

Robson Willians da Costa Silva Walter Malagutti Filho
Universidade Estadual Paulista (Rio Claro, SP)

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