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Boechat volta à TV com coluna na Band


Renata Petrocelli
Da TV Press

21/09/2003 | 18:10


Ricardo Boechat estréia nesta segunda-feira na Band com uma única expectativa. Em duas aparições diárias – uma no Jornal da Band e outra no Jornal da Noite –, não quer reeditar o trabalho desenvolvido na Globo, onde atuou por seis anos como colunista do Bom Dia Brasil. “Gostaria que as pessoas fechassem os olhos e me julgassem pela notícia. Depois, podem abrir os olhos devagarinho”, brinca, reproduzindo o gesto que utiliza como tática para assistir a filmes de terror.

A ansiedade se justifica. Desde que perdeu espaço diário no jornal O Globo e na TV Globo em junho de 2001 e se transferiu para o Jornal do Brasil, Boechat recebeu diversos e-mails de leitores reclamando que sua coluna “não é mais a mesma”. “E não é mesmo. A plataforma de apuração diminui, a visibilidade diminui, muitas fontes que tinha por estar em O Globo não tenho mais”, afirma.

Na TV, já passou pelo Jornal do SBT e sabe que o processo não é diferente. Mesmo assim, não esconde a satisfação com o que chama de “respeitabilidade” do jornalismo da Band. “Posso não estar num Maracanã, mas estou num belo Pacaembu, com uma equipe motivada para se impor cada vez mais aos concorrentes”, compara.

Boechat será também supervisor de conteúdo do jornal local da Band no Rio.

TV PRESS – Você acha a TV fértil para o colunismo?
RICARDO BOECHAT – Não tenho dúvidas disso, porque a TV se identifica muito com a cultura da notícia do brasileiro: nota curta e exclusiva. Além disso, é um ótimo espaço para impregnar informação com um estilo próprio, porque valoriza a criação de personagens. É claro que, na frente das câmaras, o cara tem de ter empatia, tom de voz, visual. Se ele consegue unir isso a um bom trabalho de colunista, não há por que não dar certo.

TV PRESS – Você se sente à vontade diante das câmeras?
BOECHAT – Não sou profissional de TV. Como qualquer estranho no ninho, fico inseguro. Num jornal, em momento algum sou o centro das atenções. A TV só trabalha com estrelas. Quem quer que esteja no ar num determinado momento, é o astro. Não é como um sofá na minha sala. É um monstrão cheio de luzes, um monte de gente me olhando, a angústia de saber que aquilo tem tempo certo e que é visto por não sei quantos milhões de pessoas, inclusive minha mãe.

TV PRESS – Como ficará sua rotina na Band?
BOECHAT – Me mudei para São Paulo porque seria complicado me deslocar diariamente. Vou ficar on-line o dia inteiro com o Jornal do Brasil, trabalhando na Band. Ao sair do ar no Jornal da Band, fico em função do fechamento do JB, entre 21h e 21h30. Depois, entro no Jornal da Noite. Não muda muito, porque o que tenho de fazer é ficar ao telefone apurando notícias, não importa se para jornal ou TV.

TV PRESS – Mas não há conflito ao dividir entre dois veículos o conteúdo apurado?
BOECHAT – Conflito existe, mas menos vezes do que nós o tememos. Nos seis anos que passei no Bom Dia Brasil, aconteceu umas três vezes. Há coisas que são mais próprias para a TV, de interesse geral como consumidor, rotinas de vida, imposto de renda. Ao jornalismo impresso interessam mais os bastidores da política. É um público mais seletivo. Mas é claro que há notícias que interessam desesperadamente aos dois. Aí é preciso enfrentar caso a caso.

TV PRESS – Como será a supervisão de conteúdo do Jornal do Rio?
BOECHAT – Dar palpites, sugerir pautas, caçar notícias exclusivas. Os jornais locais são geralmente uma sucessão narrativa dos acontecimentos do dia. A intenção é que o telespectador possa vibrar um pouco assistindo àquilo, que tenha duas ou três surpresas, coisas que tragam adrenalina para o jornal. É o que procuro para a coluna também.



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Boechat volta à TV com coluna na Band

Renata Petrocelli
Da TV Press

21/09/2003 | 18:10


Ricardo Boechat estréia nesta segunda-feira na Band com uma única expectativa. Em duas aparições diárias – uma no Jornal da Band e outra no Jornal da Noite –, não quer reeditar o trabalho desenvolvido na Globo, onde atuou por seis anos como colunista do Bom Dia Brasil. “Gostaria que as pessoas fechassem os olhos e me julgassem pela notícia. Depois, podem abrir os olhos devagarinho”, brinca, reproduzindo o gesto que utiliza como tática para assistir a filmes de terror.

A ansiedade se justifica. Desde que perdeu espaço diário no jornal O Globo e na TV Globo em junho de 2001 e se transferiu para o Jornal do Brasil, Boechat recebeu diversos e-mails de leitores reclamando que sua coluna “não é mais a mesma”. “E não é mesmo. A plataforma de apuração diminui, a visibilidade diminui, muitas fontes que tinha por estar em O Globo não tenho mais”, afirma.

Na TV, já passou pelo Jornal do SBT e sabe que o processo não é diferente. Mesmo assim, não esconde a satisfação com o que chama de “respeitabilidade” do jornalismo da Band. “Posso não estar num Maracanã, mas estou num belo Pacaembu, com uma equipe motivada para se impor cada vez mais aos concorrentes”, compara.

Boechat será também supervisor de conteúdo do jornal local da Band no Rio.

TV PRESS – Você acha a TV fértil para o colunismo?
RICARDO BOECHAT – Não tenho dúvidas disso, porque a TV se identifica muito com a cultura da notícia do brasileiro: nota curta e exclusiva. Além disso, é um ótimo espaço para impregnar informação com um estilo próprio, porque valoriza a criação de personagens. É claro que, na frente das câmaras, o cara tem de ter empatia, tom de voz, visual. Se ele consegue unir isso a um bom trabalho de colunista, não há por que não dar certo.

TV PRESS – Você se sente à vontade diante das câmeras?
BOECHAT – Não sou profissional de TV. Como qualquer estranho no ninho, fico inseguro. Num jornal, em momento algum sou o centro das atenções. A TV só trabalha com estrelas. Quem quer que esteja no ar num determinado momento, é o astro. Não é como um sofá na minha sala. É um monstrão cheio de luzes, um monte de gente me olhando, a angústia de saber que aquilo tem tempo certo e que é visto por não sei quantos milhões de pessoas, inclusive minha mãe.

TV PRESS – Como ficará sua rotina na Band?
BOECHAT – Me mudei para São Paulo porque seria complicado me deslocar diariamente. Vou ficar on-line o dia inteiro com o Jornal do Brasil, trabalhando na Band. Ao sair do ar no Jornal da Band, fico em função do fechamento do JB, entre 21h e 21h30. Depois, entro no Jornal da Noite. Não muda muito, porque o que tenho de fazer é ficar ao telefone apurando notícias, não importa se para jornal ou TV.

TV PRESS – Mas não há conflito ao dividir entre dois veículos o conteúdo apurado?
BOECHAT – Conflito existe, mas menos vezes do que nós o tememos. Nos seis anos que passei no Bom Dia Brasil, aconteceu umas três vezes. Há coisas que são mais próprias para a TV, de interesse geral como consumidor, rotinas de vida, imposto de renda. Ao jornalismo impresso interessam mais os bastidores da política. É um público mais seletivo. Mas é claro que há notícias que interessam desesperadamente aos dois. Aí é preciso enfrentar caso a caso.

TV PRESS – Como será a supervisão de conteúdo do Jornal do Rio?
BOECHAT – Dar palpites, sugerir pautas, caçar notícias exclusivas. Os jornais locais são geralmente uma sucessão narrativa dos acontecimentos do dia. A intenção é que o telespectador possa vibrar um pouco assistindo àquilo, que tenha duas ou três surpresas, coisas que tragam adrenalina para o jornal. É o que procuro para a coluna também.

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