Fechar
Publicidade

Domingo, 19 de Janeiro

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

Setecidades

setecidades@dgabc.com.br | 4435-8319

Conhecendo todos os direitos da criança

Alunos da Emeief Demercindo da Costa Brandão debatem e estudam sobre aplicação do ECA


Mirela Tavares
Do Diário do Grande ABC

20/11/2011 | 07:00


A notícia de recém-nascido abandonado no lixo foi o gatilho para a profesora Ester Regina de Almeida, da Emeief Demercindo da Costa Brandão, no bairro Camilópolis, em Santo André, trabalhar a conscientização dos seus alunos sobre os direitos da criança e do adolescente, previstos na Constituição Federal.

"Percebi que eles ficaram muito impressionados com uma dessas notícias divulgadas na imprensa sobre abandono de menor", conta Ester. Foi então que ela teve a ideia de aproveitar o assunto para discutir com a turma o Estatuto da Criança e do Adolescente de forma contextualizada, despertando ou reforçando a consciência deles sobre valores éticos e morais, além do conceito de responsabilidade.

Ester lembra que os 27 alunos da turma, com idade média de 9 anos, estavam discutindo o fato do ponto de vista muito maniqueísta, idolatrando o homem que encontrou a criança no lixo e execrando a mãe que abandonou o bebê. "É importante que eles entendam melhor os problemas socioeconômicos que geram essa situação, para que se sintam responsáveis pela sociedade em que vivem e possam ajudar a melhorá-la."

Para isso, o assunto foi aberto em rodas de conversa na sala de aula, além de fazer parte de atividades de pesquisa na internet e dinâmicas que fizeram as crianças representar papéis de ‘personagens' sociais, como pais, professores e políticos, que fazem parte da sociedade, que precisa lutar contra fatos que desrespeitam os direitos das crianças, como abandono, trabalho infantil, violência doméstica, entre outros. "Usando o laboratório de informática da escola, eles tiveram acesso ao Artigo 227 da Constituição Federal, ao Estatuto da Criança e do Adolescente e a muitas reportagens que serviram para a pesquisa e discussão dos seus próprios direitos", conta.

QUADRINHOS

"Mas também achamos importante trabalhar os ‘deveres' dessas crianças, mostrando que assim como direitos, elas também têm responsabilidades a cumprir", diz Ester. Para isso, a professora recorreu a personagens de gibis infantis, como a Turma da Mônica. "Eles apresentam toda a descrição do estatuto de uma forma dirigida para o público infantil (http://www.fundacaofia.com.br/ceats/eca_gibi/18.htm), mas também trabalham o conceito de responsabilidade, mostrando que se, por um lado, têm direito aos estudos, por outro também têm realmente de estudar e fazer as lições; que têm de respeitar os mais velhos, entre outras coisas", afirma a professora.

"Fiquei encantada quando vi a participação dos alunos nesse projeto", conta a assistente pedagógica Cássia Aparecida Ruiz de Paula, que acrescenta: "A riqueza desse projeto está em estimular a criança a se colocar no lugar do outro, refletindo sobre o porquê dos fatos e se sentindo responsável pela sociedade."

O trabalho final inclui visita a orfanato, onde a turma irá não para doar presentes ou outras coisas, mas para conhecer e dar um pouco de cada um às outras crianças. "Em vez de levarmos presentes ou objetos, queremos que os alunos deem um pouco de si as meninas e meninos do orfanato, brinquem e se divirtam com eles, para que percebam que, apesar das diferenças de realidade em que vivem, todos têm direitos iguais", conclui Ester.

Ensinar poema pode ser bem agradável

Todo professor tem de cumprir plano de aula. Isso todo mundo sabe. O que poucas pessoas imaginam é que ele pode não estar familiarizado com a próxima tarefa que tem pela frente, ampliando o desafio. E este momento havia chegado para a professora Regina Célia Palácio De Martini.

Criar em cima do gênero que seria tratado nas próximas aulas não é de domínio popular. Mas falar sobre ele é; o assunto está sempre presente nos bares, nas praças, na porta dos cinemas e na boca de alguns conquistadores. Mas, como ensinar os alunos da Emeief Profª. Yvonne Zahir, no bairro Las Vegas, em Santo André, com idade entre 9 e 10 anos, a construir um poema?

Regina buscou mais informação que inspiração e correu alguns riscos. "Eu leio até 25 livros por ano, só que não tenho nenhuma aproximação com o poema. Fiquei semanas pensando no que fazer", reconhece. Foi daí que criou o projeto Descobrindo poemas. Para iniciar, recorreu ao ‘salvador' Vinicius de Moraes. Depois de muito estudar, a professora explanou em sala a estrutura do poema As borboletas: "...Borboletas brancas / São alegres e francas. /Borboletas azuis / Gostam muito de luz. / As amarelinhas / São tão bonitinhas...".

Esclarecida qualquer dúvida, Regina queria definir um tema que entusiasmasse a garotada a criar. Pensou em Marley - do livro e filme Marley & Eu -, e acertou. "Para mim, o tema foi muito significativo, o pulo do gato. Com ele, lemos o livro em voz alta, realizamos roda de discussões e assistimos ao filme. E por fim as crianças escreveram um poema sobre Marley", conta.

Ainda que em atividade coletiva, Evilin Ferreira surpreendeu: "... Marley era sensível / E sua vida foi incrível / Marley era bagunceiro / Porém, sempre foi companheiro...". As crianças aprenderam ainda a ilustrar os poemas gerados e ficaram sabendo que o nome desse trabalho é poema cinético.

NA PRÁTICA

A última atividade foi redigir, individualmente, a sua própria criação, cujo tema era livre. Fadas, sacis, pirilampos, sereias e outros tipos do folclore brasileiro são os personagens preferidos de Daniel Dias da Graça, 9 anos, que adora o assunto. "Adoro lendas e coisas que não são reais, são divertidas e dão medo", fala com seriedade. Tratou do tema na primeira tentativa de produção de um poema: "Era um dia bem bonito, / saiu de casa Ariel / Foi até uma doceria / e comprou um pouco de mel". Mais experiente, depois de participar de todas as atividades designadas pela professora, e livre para falar sobre o que quisesse, voltou ao assunto sabendo que um poema precisa ter tema, palavras adequadas para o assunto e palavras que rimam: "A Iara é uma sereia maravilhosa / E também muito poderosa / O Saci é um diabinho de uma perna só. / Quebra os ovos, azeda o leite e em rabo de cavalo dá nó / qualquer caçador pira / quando vê o Curupira".

"Foi uma ampliação do conhecimento para mim e para os alunos. Eles perceberam que são capazes de produzir poema e aceitam críticas. E, do meu lado, não seria ético pular um conteúdo só porque tenho dificuldade com ele", reconhece. Mas Regina não tem com o que se preocupar: o resultado foi fantástico. (Selma Viana)



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.

Conhecendo todos os direitos da criança

Alunos da Emeief Demercindo da Costa Brandão debatem e estudam sobre aplicação do ECA

Mirela Tavares
Do Diário do Grande ABC

20/11/2011 | 07:00


A notícia de recém-nascido abandonado no lixo foi o gatilho para a profesora Ester Regina de Almeida, da Emeief Demercindo da Costa Brandão, no bairro Camilópolis, em Santo André, trabalhar a conscientização dos seus alunos sobre os direitos da criança e do adolescente, previstos na Constituição Federal.

"Percebi que eles ficaram muito impressionados com uma dessas notícias divulgadas na imprensa sobre abandono de menor", conta Ester. Foi então que ela teve a ideia de aproveitar o assunto para discutir com a turma o Estatuto da Criança e do Adolescente de forma contextualizada, despertando ou reforçando a consciência deles sobre valores éticos e morais, além do conceito de responsabilidade.

Ester lembra que os 27 alunos da turma, com idade média de 9 anos, estavam discutindo o fato do ponto de vista muito maniqueísta, idolatrando o homem que encontrou a criança no lixo e execrando a mãe que abandonou o bebê. "É importante que eles entendam melhor os problemas socioeconômicos que geram essa situação, para que se sintam responsáveis pela sociedade em que vivem e possam ajudar a melhorá-la."

Para isso, o assunto foi aberto em rodas de conversa na sala de aula, além de fazer parte de atividades de pesquisa na internet e dinâmicas que fizeram as crianças representar papéis de ‘personagens' sociais, como pais, professores e políticos, que fazem parte da sociedade, que precisa lutar contra fatos que desrespeitam os direitos das crianças, como abandono, trabalho infantil, violência doméstica, entre outros. "Usando o laboratório de informática da escola, eles tiveram acesso ao Artigo 227 da Constituição Federal, ao Estatuto da Criança e do Adolescente e a muitas reportagens que serviram para a pesquisa e discussão dos seus próprios direitos", conta.

QUADRINHOS

"Mas também achamos importante trabalhar os ‘deveres' dessas crianças, mostrando que assim como direitos, elas também têm responsabilidades a cumprir", diz Ester. Para isso, a professora recorreu a personagens de gibis infantis, como a Turma da Mônica. "Eles apresentam toda a descrição do estatuto de uma forma dirigida para o público infantil (http://www.fundacaofia.com.br/ceats/eca_gibi/18.htm), mas também trabalham o conceito de responsabilidade, mostrando que se, por um lado, têm direito aos estudos, por outro também têm realmente de estudar e fazer as lições; que têm de respeitar os mais velhos, entre outras coisas", afirma a professora.

"Fiquei encantada quando vi a participação dos alunos nesse projeto", conta a assistente pedagógica Cássia Aparecida Ruiz de Paula, que acrescenta: "A riqueza desse projeto está em estimular a criança a se colocar no lugar do outro, refletindo sobre o porquê dos fatos e se sentindo responsável pela sociedade."

O trabalho final inclui visita a orfanato, onde a turma irá não para doar presentes ou outras coisas, mas para conhecer e dar um pouco de cada um às outras crianças. "Em vez de levarmos presentes ou objetos, queremos que os alunos deem um pouco de si as meninas e meninos do orfanato, brinquem e se divirtam com eles, para que percebam que, apesar das diferenças de realidade em que vivem, todos têm direitos iguais", conclui Ester.

Ensinar poema pode ser bem agradável

Todo professor tem de cumprir plano de aula. Isso todo mundo sabe. O que poucas pessoas imaginam é que ele pode não estar familiarizado com a próxima tarefa que tem pela frente, ampliando o desafio. E este momento havia chegado para a professora Regina Célia Palácio De Martini.

Criar em cima do gênero que seria tratado nas próximas aulas não é de domínio popular. Mas falar sobre ele é; o assunto está sempre presente nos bares, nas praças, na porta dos cinemas e na boca de alguns conquistadores. Mas, como ensinar os alunos da Emeief Profª. Yvonne Zahir, no bairro Las Vegas, em Santo André, com idade entre 9 e 10 anos, a construir um poema?

Regina buscou mais informação que inspiração e correu alguns riscos. "Eu leio até 25 livros por ano, só que não tenho nenhuma aproximação com o poema. Fiquei semanas pensando no que fazer", reconhece. Foi daí que criou o projeto Descobrindo poemas. Para iniciar, recorreu ao ‘salvador' Vinicius de Moraes. Depois de muito estudar, a professora explanou em sala a estrutura do poema As borboletas: "...Borboletas brancas / São alegres e francas. /Borboletas azuis / Gostam muito de luz. / As amarelinhas / São tão bonitinhas...".

Esclarecida qualquer dúvida, Regina queria definir um tema que entusiasmasse a garotada a criar. Pensou em Marley - do livro e filme Marley & Eu -, e acertou. "Para mim, o tema foi muito significativo, o pulo do gato. Com ele, lemos o livro em voz alta, realizamos roda de discussões e assistimos ao filme. E por fim as crianças escreveram um poema sobre Marley", conta.

Ainda que em atividade coletiva, Evilin Ferreira surpreendeu: "... Marley era sensível / E sua vida foi incrível / Marley era bagunceiro / Porém, sempre foi companheiro...". As crianças aprenderam ainda a ilustrar os poemas gerados e ficaram sabendo que o nome desse trabalho é poema cinético.

NA PRÁTICA

A última atividade foi redigir, individualmente, a sua própria criação, cujo tema era livre. Fadas, sacis, pirilampos, sereias e outros tipos do folclore brasileiro são os personagens preferidos de Daniel Dias da Graça, 9 anos, que adora o assunto. "Adoro lendas e coisas que não são reais, são divertidas e dão medo", fala com seriedade. Tratou do tema na primeira tentativa de produção de um poema: "Era um dia bem bonito, / saiu de casa Ariel / Foi até uma doceria / e comprou um pouco de mel". Mais experiente, depois de participar de todas as atividades designadas pela professora, e livre para falar sobre o que quisesse, voltou ao assunto sabendo que um poema precisa ter tema, palavras adequadas para o assunto e palavras que rimam: "A Iara é uma sereia maravilhosa / E também muito poderosa / O Saci é um diabinho de uma perna só. / Quebra os ovos, azeda o leite e em rabo de cavalo dá nó / qualquer caçador pira / quando vê o Curupira".

"Foi uma ampliação do conhecimento para mim e para os alunos. Eles perceberam que são capazes de produzir poema e aceitam críticas. E, do meu lado, não seria ético pular um conteúdo só porque tenho dificuldade com ele", reconhece. Mas Regina não tem com o que se preocupar: o resultado foi fantástico. (Selma Viana)

Ao acessar você concorda com a nossa Política de Privacidade.


Para continuar, faça o seu login:


  • Aceito receber novidades e ofertas do Diário do Grande ABC e parceiros por
    correio eletrônico, mala direta, SMS ou outros meios de comunicação.


Ou acesse todo o conteúdo de forma ilimitada:

Veja como ter acesso a todo o conteúdo de forma ilimitada:

Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;