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Acusado de matar casal Staheli recua e acusa dois comparsas


Do Diário OnLine

03/04/2004 | 01:12


Menos de 24h após assumir o assassinato dos americanos Zera Todd e Michelle Staheli, o caseiro Jossiel Conceição dos Santos, 20 anos, recuou e disse que não participou diretamente das execuções. Em depoimento na Secretaria de Direitos Humanos (SDH) do Rio de Janeiro, nesta sexta-feira à noite, o principal suspeito pelo crime contou que ajudou os dois verdadeiros assassinos. Segundo o secretário estadual de Segurança Pública, Anthony Garotinho, os nomes deles foram revelados por Santos. Ambos são brasileiros e moram no Rio de Janeiro.

O ex-réu confesso dos assassinatos, ocorridos em novembro de 2003, num condomínio de luxo da Barra da Tijuca (Zona Oeste do Rio), disse que assumiu o crime na última quinta-feira porque foi ameaçado pelos dois supostos executores. Garotinho confirmou que Santos agora ficará sob os cuidados do programa de proteção a testemunhas da SDH.

No novo depoimento, prestado logo após ser solto da prisão, o caseiro disse que recebeu R$ 40 mil dos assassinos para ajudá-los no crime. Santos disse que cedeu a arma do crime (um pé-de-cabra) e mostrou aos comparsas como entrar na casa dos Staheli – ele reconstituiu a invasão da residência nesta sexta-feira pela manhã, diante de investigadores da polícia. O acusado alegou às autoridades que não desferiu os golpes que mataram Zera Todd e Michelle.

Anthony Garotinho, que na quinta-feira comandou a 'entrevista-confissão' de Santos, frisou que a nova versão para o crime ainda precisa ser confirmada pela polícia. "Ele agora tenta envolver duas novas pessoas. Vamos ver se isso é verdade ou não." Ainda de acordo com Garotinho, os supostos executores não constavam da lista de suspeitos montada pela polícia durante as investigações.

O secretário esclareceu que o suspeito não ficará detido, graças a três pedidos de prisão negados pela Justiça do Estado, embora vá continuar sob custódia policial. Mesmo liberado pela Justiça, pelo menos por ora, Santos deve ser indiciado como cúmplice do crime. O local em que o suspeito ficará é mantido sob sigilo.

O caseiro deixou a carceragem da 16ª Delegacia Policial do Rio de Janeiro no final da tarde desta sexta-feira, acompanhado pelos defensores públicos Alexandre Paranhos e Leonardo Rosa. Os dois o levaram até a sede da SDH, no Centro da cidade, para que ele prestasse novo depoimento. Na saída da delegacia, os defensores já adiantavam que Santos mudaria o conteúdo da confissão.

Sem provas - A Justiça fluminense entendeu que Santos pode responder em liberdade pela acusação de duplo homicídio. Ele é réu primário e confesso, tem emprego e residência fixa e não foi detido em flagrante. O juiz Renato Ricardo Barbosa, do Tribunal de Justiça (TJ-RJ), que negou o primeiro pedido de prisão, alegou não considerar a confissão do crime como uma prova contra o réu, além de questionar as circunstâncias em que ele havia assumido toda a culpa. Na decisão, o magistrado observou que não havia indícios suficientes para mantê-lo na cadeia.

No decorrer desta sexta-feira, a juíza Maria Angélica Guedes, do 4º Tribunal do Júri do Rio, negou outros dois pedidos de prisão impetrados pelo Ministério Público contra Santos. A magistrada ainda determinou à polícia prazo de 48h para que a detenção do suspeito seja devidamente esclarecida.

Nesta sexta-feira pela manhã, antes de ser libertado da prisão, Santos voltou à casa dos Staheli para mostrar à polícia como teria conseguido invadir o local e cometer o crime supostamente sem deixar indícios. Ele refez a rota de entrada na propriedade, escalando o muro de uma casa vizinha, um telhado e uma goiabeira (que seria a última escala antes de cair no quintal dos Staheli). Santos mostrou ainda que teria invadido a residência por uma porta de vidro que não estava travada na noite do crime – a perícia comprovou que ela estava mesmo aberta na ocasião.

O Instituto de Criminalística Carlos Éboli, do Rio, fará uma nova reconstituição do assassinato. Os peritos do IC vão analisar o pé-de-cabra apontado por Santos como arma do crime. Uma peça de roupa dele contendo manchas de sangue também será utilizada na investigação. A arma e a vestimenta estavam escondidas na residência vizinha à dos Staheli, onde o caseiro trabalhava.

Estranheza - O caseiro foi capturado na quinta-feira, após invadir a casa da consulesa da Turquia no Rio, no mesmo condomínio onde ocorreu o duplo homicídio. Santos disse que tinha a intenção de roubar a residência. O tempo de prisão que ele teve de cumprir na 16ª DP foi pela tentativa de assalto.

Na quinta-feira à noite, em entrevista ao lado de Garotinho, Santos disse que matou o casal porque Zera Todd o chamara de "crioulo". "Não queria roubar nada. Fui lá para me vingar", afirmou, mostrando calma e desenvoltura.

Mas as autoridades do Rio já desconfiavam da veracidade da confissão. Para a Secretaria de Segurança Pública, o duplo homicídio estava apenas "parcialmente esclarecido", pois ainda faltava descobrir a real motivação dos assassinatos.

Santos trabalhou como caseiro da residência vizinha à dos Staheli até meados de janeiro deste ano. A nova patroa do suspeito, que também tem casa no condomínio, disse não acreditar no envolvimento dele no crime. Um porteiro do residencial contou que o acusado o procurou há alguns meses para se informar sobre como poderia trocar US$ 20.



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Acusado de matar casal Staheli recua e acusa dois comparsas

Do Diário OnLine

03/04/2004 | 01:12


Menos de 24h após assumir o assassinato dos americanos Zera Todd e Michelle Staheli, o caseiro Jossiel Conceição dos Santos, 20 anos, recuou e disse que não participou diretamente das execuções. Em depoimento na Secretaria de Direitos Humanos (SDH) do Rio de Janeiro, nesta sexta-feira à noite, o principal suspeito pelo crime contou que ajudou os dois verdadeiros assassinos. Segundo o secretário estadual de Segurança Pública, Anthony Garotinho, os nomes deles foram revelados por Santos. Ambos são brasileiros e moram no Rio de Janeiro.

O ex-réu confesso dos assassinatos, ocorridos em novembro de 2003, num condomínio de luxo da Barra da Tijuca (Zona Oeste do Rio), disse que assumiu o crime na última quinta-feira porque foi ameaçado pelos dois supostos executores. Garotinho confirmou que Santos agora ficará sob os cuidados do programa de proteção a testemunhas da SDH.

No novo depoimento, prestado logo após ser solto da prisão, o caseiro disse que recebeu R$ 40 mil dos assassinos para ajudá-los no crime. Santos disse que cedeu a arma do crime (um pé-de-cabra) e mostrou aos comparsas como entrar na casa dos Staheli – ele reconstituiu a invasão da residência nesta sexta-feira pela manhã, diante de investigadores da polícia. O acusado alegou às autoridades que não desferiu os golpes que mataram Zera Todd e Michelle.

Anthony Garotinho, que na quinta-feira comandou a 'entrevista-confissão' de Santos, frisou que a nova versão para o crime ainda precisa ser confirmada pela polícia. "Ele agora tenta envolver duas novas pessoas. Vamos ver se isso é verdade ou não." Ainda de acordo com Garotinho, os supostos executores não constavam da lista de suspeitos montada pela polícia durante as investigações.

O secretário esclareceu que o suspeito não ficará detido, graças a três pedidos de prisão negados pela Justiça do Estado, embora vá continuar sob custódia policial. Mesmo liberado pela Justiça, pelo menos por ora, Santos deve ser indiciado como cúmplice do crime. O local em que o suspeito ficará é mantido sob sigilo.

O caseiro deixou a carceragem da 16ª Delegacia Policial do Rio de Janeiro no final da tarde desta sexta-feira, acompanhado pelos defensores públicos Alexandre Paranhos e Leonardo Rosa. Os dois o levaram até a sede da SDH, no Centro da cidade, para que ele prestasse novo depoimento. Na saída da delegacia, os defensores já adiantavam que Santos mudaria o conteúdo da confissão.

Sem provas - A Justiça fluminense entendeu que Santos pode responder em liberdade pela acusação de duplo homicídio. Ele é réu primário e confesso, tem emprego e residência fixa e não foi detido em flagrante. O juiz Renato Ricardo Barbosa, do Tribunal de Justiça (TJ-RJ), que negou o primeiro pedido de prisão, alegou não considerar a confissão do crime como uma prova contra o réu, além de questionar as circunstâncias em que ele havia assumido toda a culpa. Na decisão, o magistrado observou que não havia indícios suficientes para mantê-lo na cadeia.

No decorrer desta sexta-feira, a juíza Maria Angélica Guedes, do 4º Tribunal do Júri do Rio, negou outros dois pedidos de prisão impetrados pelo Ministério Público contra Santos. A magistrada ainda determinou à polícia prazo de 48h para que a detenção do suspeito seja devidamente esclarecida.

Nesta sexta-feira pela manhã, antes de ser libertado da prisão, Santos voltou à casa dos Staheli para mostrar à polícia como teria conseguido invadir o local e cometer o crime supostamente sem deixar indícios. Ele refez a rota de entrada na propriedade, escalando o muro de uma casa vizinha, um telhado e uma goiabeira (que seria a última escala antes de cair no quintal dos Staheli). Santos mostrou ainda que teria invadido a residência por uma porta de vidro que não estava travada na noite do crime – a perícia comprovou que ela estava mesmo aberta na ocasião.

O Instituto de Criminalística Carlos Éboli, do Rio, fará uma nova reconstituição do assassinato. Os peritos do IC vão analisar o pé-de-cabra apontado por Santos como arma do crime. Uma peça de roupa dele contendo manchas de sangue também será utilizada na investigação. A arma e a vestimenta estavam escondidas na residência vizinha à dos Staheli, onde o caseiro trabalhava.

Estranheza - O caseiro foi capturado na quinta-feira, após invadir a casa da consulesa da Turquia no Rio, no mesmo condomínio onde ocorreu o duplo homicídio. Santos disse que tinha a intenção de roubar a residência. O tempo de prisão que ele teve de cumprir na 16ª DP foi pela tentativa de assalto.

Na quinta-feira à noite, em entrevista ao lado de Garotinho, Santos disse que matou o casal porque Zera Todd o chamara de "crioulo". "Não queria roubar nada. Fui lá para me vingar", afirmou, mostrando calma e desenvoltura.

Mas as autoridades do Rio já desconfiavam da veracidade da confissão. Para a Secretaria de Segurança Pública, o duplo homicídio estava apenas "parcialmente esclarecido", pois ainda faltava descobrir a real motivação dos assassinatos.

Santos trabalhou como caseiro da residência vizinha à dos Staheli até meados de janeiro deste ano. A nova patroa do suspeito, que também tem casa no condomínio, disse não acreditar no envolvimento dele no crime. Um porteiro do residencial contou que o acusado o procurou há alguns meses para se informar sobre como poderia trocar US$ 20.

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