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Grande ABC aguarda fertilização gratuita

Claudinei Plaza/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Natália Fernandjes
Do Diário do Grande ABC

15/07/2012 | 07:00


Há seis anos, as grávidas do Grande ABC colaboram com o Programa HCG - campanha de doação de urina de gestantes. No entanto, até agora não saiu do papel a promessa de iniciar contrapartida junto à Faculdade de Medicina do ABC, por meio do Instituto Ideia Fértil, para financiamento de tratamento de fertilidade gratuito para mulheres carentes com dificuldade de engravidar. A promessa era que o benefício estaria disponível para a população em fevereiro de 2010.

Criado na Holanda, o projeto coleta o hormônio HCG (gonadotrofina coriônica humana), que é produzido pela placenta durante a gravidez e expelido pela urina. A substância é usada para a produção de medicamento para tratamentos de infertilidade feminina. No Brasil, o programa existe há mais de 25 anos e hoje abrange 28 municípios. Na região, mulheres de Santo André, São Bernardo, Diadema e Mauá colaboram. No entanto, a produção do medicamento é feita na Holanda. Com isso, o produto não volta ao País para ser comercializado entre aquelas que colaboraram para sua existência.

Na visão do diretor clínico do Instituto Ideia Fértil, Caio Parente Barbosa, o benefício da comercialização dessa droga no Brasil seria o barateamento no custo dos tratamentos, o que traria mais chances para as mulheres brasileiras.

NÚMEROS

Somente em 2011, cerca de 8.500 gestantes do Grande ABC participaram da campanha e doaram urina. O número representa 50% das mulheres que iniciaram pré-natal nas redes municipais das quatro cidades. Como contrapartida, os municípios recebem doações de testes rápidos de gravidez, material educativo sobre o programa, importância do pré-natal, amamentação, prevenção de gravidez na adolescência e planejamento familiar, auxílio em campanhas de Saúde para prevenção de HPV e câncer de cólo de útero, por exemplo, além de capacitação de equipes de Saúde para o atendimento às gestantes, fomento à formação de grupos de grávidas em unidades de Saúde e kits de enxoval de bebê.

Apesar do Programa HCG afirmar que disponibiliza aportes financeiros mensais para a Faculdade de Medicina do ABC para ajudar na manutenção e ampliação dos serviços prestados à população desde 2008, Barbosa explica que a parceria se dá na assessoria médica prestada pela faculdade e na divulgação do projeto às pacientes.

Segundo o diretor clínico, porém, a expectativa é que a partir deste mês sejam iniciados os benefícios para as moradoras da região que têm dificuldades para engravidar. As entidades ainda estão definindo quantos ciclos de reprodução - um ciclo equivale a uma tentativa - serão disponibilizados para mulheres carentes. Após período de inscrição, a ideia de Barbosa é que o processo de seleção seja feito por assistente social.

Sonho de ser mãe depende de processo in vitro 

O sonho da maternidade e a persistência movem casais com problemas para engravidar a procurar ajuda médica. Há três anos a secretária Fabiana Chaves Travençolo, 34 anos, e o marido, o comprador Alfredo Chaves Travençolo, 33, resolveram ter um filho. Junto há 11 anos, o casal já teve de superar um aborto e está em sua segunda tentativa de fertilização in vitro.

A saga da gravidez passou por seu primeiro capítulo há dois anos, quando Fabiana teve gestação natural interrompida no segundo mês após aborto retido (quando o corpo expele apenas uma parte do tecido fetal). Tendo em vista a idade avançada e a dificuldade de Alfredo gerar um filho, o casal partiu para a fertilização in vitro por meio de ovodoação (procedimento em que a mulher doa seu óvulo para programa em troca do tratamento), com resultado negativo.

O próximo passo será iniciar série de exames para nova fertilização in vitro no Instituto Ideia Fértil. "Estamos confiantes. Além disso, continuamos tentando naturalmente", comenta a secretária. Apesar do desgaste físico, emocional e financeiro, tendo em vista o alto custo dos procedimentos de reprodução assistida, a ideia é tentar até o limite. "A gente sabe que a mulher também tem seu tempo, por isso, vamos até onde der", diz Alfredo.

Considerando o alto custo dos tratamentos de reprodução assistida, o casal ressalta a importância de contrapartidas vindas de programas de doação de urina, sêmen e óvulos, por exemplo, para aqueles que precisam do serviço. "Normalmente a gente doa de bom grado, mas quando precisa tem de pagar caro pelo benefício", destaca Fabiana.

Instituto Ideia Fértil recebe 500 casais mensalmente

O Instituto Ideia Fertil recebe, em média, 500 novos casais todos os meses em busca de ajuda para engravidar. São feitas cerca de 120 fertilizações in vitro (fecundação do óvulo pelo esperma fora do útero) e aproximadamente 70 inseminações, com taxa de sucesso na casa de 42%.

Aqueles que têm condição pagam cerca de R$ 6 mil por um ciclo, equivalente a uma tentativa de engravidar. Apesar de alto, o valor corresponde a quase um terço do cobrado em clínicas que oferecem o procedimento.

Segundo o diretor clínico do instituto, Caio Parente Barbosa, estima-se que 10 a 15% das mulheres sejam inférteis no Brasil. A taxa se deve a programação cada vez mais tardia de ter filhos.

O especialista explica que mulheres com 35 anos e marido fértil têm de 50 a 55% de chances de engravidar. Já aos 38, a porcentagem cai para 35%, e fica menor que 5% entre aquelas que têm mais de 43 anos. Isso sem contar pessoas com alterações nos ovários, problemas no útero e problemas masculinos.



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Grande ABC aguarda fertilização gratuita

Natália Fernandjes
Do Diário do Grande ABC

15/07/2012 | 07:00


Há seis anos, as grávidas do Grande ABC colaboram com o Programa HCG - campanha de doação de urina de gestantes. No entanto, até agora não saiu do papel a promessa de iniciar contrapartida junto à Faculdade de Medicina do ABC, por meio do Instituto Ideia Fértil, para financiamento de tratamento de fertilidade gratuito para mulheres carentes com dificuldade de engravidar. A promessa era que o benefício estaria disponível para a população em fevereiro de 2010.

Criado na Holanda, o projeto coleta o hormônio HCG (gonadotrofina coriônica humana), que é produzido pela placenta durante a gravidez e expelido pela urina. A substância é usada para a produção de medicamento para tratamentos de infertilidade feminina. No Brasil, o programa existe há mais de 25 anos e hoje abrange 28 municípios. Na região, mulheres de Santo André, São Bernardo, Diadema e Mauá colaboram. No entanto, a produção do medicamento é feita na Holanda. Com isso, o produto não volta ao País para ser comercializado entre aquelas que colaboraram para sua existência.

Na visão do diretor clínico do Instituto Ideia Fértil, Caio Parente Barbosa, o benefício da comercialização dessa droga no Brasil seria o barateamento no custo dos tratamentos, o que traria mais chances para as mulheres brasileiras.

NÚMEROS

Somente em 2011, cerca de 8.500 gestantes do Grande ABC participaram da campanha e doaram urina. O número representa 50% das mulheres que iniciaram pré-natal nas redes municipais das quatro cidades. Como contrapartida, os municípios recebem doações de testes rápidos de gravidez, material educativo sobre o programa, importância do pré-natal, amamentação, prevenção de gravidez na adolescência e planejamento familiar, auxílio em campanhas de Saúde para prevenção de HPV e câncer de cólo de útero, por exemplo, além de capacitação de equipes de Saúde para o atendimento às gestantes, fomento à formação de grupos de grávidas em unidades de Saúde e kits de enxoval de bebê.

Apesar do Programa HCG afirmar que disponibiliza aportes financeiros mensais para a Faculdade de Medicina do ABC para ajudar na manutenção e ampliação dos serviços prestados à população desde 2008, Barbosa explica que a parceria se dá na assessoria médica prestada pela faculdade e na divulgação do projeto às pacientes.

Segundo o diretor clínico, porém, a expectativa é que a partir deste mês sejam iniciados os benefícios para as moradoras da região que têm dificuldades para engravidar. As entidades ainda estão definindo quantos ciclos de reprodução - um ciclo equivale a uma tentativa - serão disponibilizados para mulheres carentes. Após período de inscrição, a ideia de Barbosa é que o processo de seleção seja feito por assistente social.

Sonho de ser mãe depende de processo in vitro 

O sonho da maternidade e a persistência movem casais com problemas para engravidar a procurar ajuda médica. Há três anos a secretária Fabiana Chaves Travençolo, 34 anos, e o marido, o comprador Alfredo Chaves Travençolo, 33, resolveram ter um filho. Junto há 11 anos, o casal já teve de superar um aborto e está em sua segunda tentativa de fertilização in vitro.

A saga da gravidez passou por seu primeiro capítulo há dois anos, quando Fabiana teve gestação natural interrompida no segundo mês após aborto retido (quando o corpo expele apenas uma parte do tecido fetal). Tendo em vista a idade avançada e a dificuldade de Alfredo gerar um filho, o casal partiu para a fertilização in vitro por meio de ovodoação (procedimento em que a mulher doa seu óvulo para programa em troca do tratamento), com resultado negativo.

O próximo passo será iniciar série de exames para nova fertilização in vitro no Instituto Ideia Fértil. "Estamos confiantes. Além disso, continuamos tentando naturalmente", comenta a secretária. Apesar do desgaste físico, emocional e financeiro, tendo em vista o alto custo dos procedimentos de reprodução assistida, a ideia é tentar até o limite. "A gente sabe que a mulher também tem seu tempo, por isso, vamos até onde der", diz Alfredo.

Considerando o alto custo dos tratamentos de reprodução assistida, o casal ressalta a importância de contrapartidas vindas de programas de doação de urina, sêmen e óvulos, por exemplo, para aqueles que precisam do serviço. "Normalmente a gente doa de bom grado, mas quando precisa tem de pagar caro pelo benefício", destaca Fabiana.

Instituto Ideia Fértil recebe 500 casais mensalmente

O Instituto Ideia Fertil recebe, em média, 500 novos casais todos os meses em busca de ajuda para engravidar. São feitas cerca de 120 fertilizações in vitro (fecundação do óvulo pelo esperma fora do útero) e aproximadamente 70 inseminações, com taxa de sucesso na casa de 42%.

Aqueles que têm condição pagam cerca de R$ 6 mil por um ciclo, equivalente a uma tentativa de engravidar. Apesar de alto, o valor corresponde a quase um terço do cobrado em clínicas que oferecem o procedimento.

Segundo o diretor clínico do instituto, Caio Parente Barbosa, estima-se que 10 a 15% das mulheres sejam inférteis no Brasil. A taxa se deve a programação cada vez mais tardia de ter filhos.

O especialista explica que mulheres com 35 anos e marido fértil têm de 50 a 55% de chances de engravidar. Já aos 38, a porcentagem cai para 35%, e fica menor que 5% entre aquelas que têm mais de 43 anos. Isso sem contar pessoas com alterações nos ovários, problemas no útero e problemas masculinos.

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