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Tabela do frete deve elevar preços de produtos e até gerar desemprego

EBC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Para especialistas, a medida do governo é retrocesso e encarece serviço de transporte


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

09/06/2018 | 07:17


Um dos pleitos dos caminhoneiros concedidos pelo governo federal para terminar a paralisação de 11 dias, a tabelação do frete mínimo para o transporte de cargas rodoviárias pode ter consequências negativas para a economia. Na avaliação de especialistas, no curto prazo a medida deve gerar impacto no preço dos produtos ao consumidor, por encarecer os custos da operação. E, no longo prazo, deve gerar desemprego no setor.

A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) chegou a divulgar nova tabela na quinta-feira, mas ontem a suspendeu. Durante a manhã, a agência se reuniu com entidades representativas do setor de cargas para rediscutir o assunto, mas afirmou que o encontro não deve produzir efeitos imediatos. “As questões técnicas da tabela continuarão em discussão na agência e com o segmento, a fim de chegar a solução que harmonize os interesses de produtores, transportadores e sociedade”, informou, em nota. Com a medida, a tabela vigente é a divulgada em 30 de maio. Os preços variam de acordo com os quilômetros rodados e o tipo de carga.

Segundo o diretor do Setrans (Sindicato das Empresas de Transportes de Carga do Grande ABC) Fábio Brigídio, para as empresas cujos caminhoneiros costumam fazer viagens para o Interior do País, os custos com o frete podem chegar a dobrar. “Cada setor é um setor, precisa ser analisado caso a caso, mas que a logística vai encarecer, isso vai.”

Brigídio explicou que, para caminhoneiros que percorrem mais no Estado de São Paulo, as estradas são melhores e, os preços do diesel, mais baixos, em comparação a outras localidades do País. Por isso aqueles que levam mercadorias em regiões mais distantes desembolsam mais, o que gerou o pleito pelo frete. No entanto, ele pondera que a entidade é contra o tabelamento porque a livre concorrência e o mercado devem regular os preços, não o governo.

“O tabelamento é uma volta ao passado. O principal impacto no médio e longo prazos é o desemprego. Isso porque vai ficar caro para as empresas contratarem frete, com sério risco de dispensar os serviços dos caminhoneiros e manter uma frota própria. O consumidor também acaba sendo penalizado, e o governo não tem estrutura para fazer esta fiscalização”, disse o economista e coordenador do curso de Administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero.

ALTA DOS PREÇOS - O professor de Economia e pesquisador do Centro Mackenzie de Liberdade Econômica Pedro Raffy Vartanian pondera que a nova tabela já deve trazer impactos na inflação do próximo mês. “Deveremos ter um efeito maior na inflação, ainda rescaldo da greve, já que alguns setores levam um tempo para se recuperarem. A tabela dos preços mínimos de frete deve impactar diretamente os produtos.”

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) vai ingressar nos próximos dias com uma ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) no STF (Supremo Tribunal Federal) contra o tabelamento. Segundo a entidade, a medida é inconstitucional. Entre os motivos listados estão o desrespeito à livre iniciativa, a concorrência e os contratos firmados, o que caracteriza intervenção indevida do Estado. “O tabelamento é insustentável, porque provoca prejuízos extremamente danosos para a economia, especialmente para o setor produtivo, e para a população”, afirmou o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.

A Apas (Associação Paulista de Supermercados) também alertou sobre impactos nos preços dos estabelecimentos, já que os setores produtivo e industrial sinalizaram que a variação encarecerá as mercadorias em percentuais que podem chegar a até dois dígitos de aumento. A alta do dólar pode complicar ainda mais a situação. “Como o setor supermercadista é o último elo da cadeia de abastecimento da população, a Apas alerta que, apesar dos esforços dos supermercados em sempre buscar alternativas para oferecer melhores produtos e serviços aos consumidores, com a conjuntura apresentada será impossível segurar o repasse de preços, cujos percentuais serão ajustados a medida em que o setor receber as novas tabelas vindas dos produtores e da indústria”, informou, em nota.
 



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Tabela do frete deve elevar preços de produtos e até gerar desemprego

Para especialistas, a medida do governo é retrocesso e encarece serviço de transporte

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

09/06/2018 | 07:17


Um dos pleitos dos caminhoneiros concedidos pelo governo federal para terminar a paralisação de 11 dias, a tabelação do frete mínimo para o transporte de cargas rodoviárias pode ter consequências negativas para a economia. Na avaliação de especialistas, no curto prazo a medida deve gerar impacto no preço dos produtos ao consumidor, por encarecer os custos da operação. E, no longo prazo, deve gerar desemprego no setor.

A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) chegou a divulgar nova tabela na quinta-feira, mas ontem a suspendeu. Durante a manhã, a agência se reuniu com entidades representativas do setor de cargas para rediscutir o assunto, mas afirmou que o encontro não deve produzir efeitos imediatos. “As questões técnicas da tabela continuarão em discussão na agência e com o segmento, a fim de chegar a solução que harmonize os interesses de produtores, transportadores e sociedade”, informou, em nota. Com a medida, a tabela vigente é a divulgada em 30 de maio. Os preços variam de acordo com os quilômetros rodados e o tipo de carga.

Segundo o diretor do Setrans (Sindicato das Empresas de Transportes de Carga do Grande ABC) Fábio Brigídio, para as empresas cujos caminhoneiros costumam fazer viagens para o Interior do País, os custos com o frete podem chegar a dobrar. “Cada setor é um setor, precisa ser analisado caso a caso, mas que a logística vai encarecer, isso vai.”

Brigídio explicou que, para caminhoneiros que percorrem mais no Estado de São Paulo, as estradas são melhores e, os preços do diesel, mais baixos, em comparação a outras localidades do País. Por isso aqueles que levam mercadorias em regiões mais distantes desembolsam mais, o que gerou o pleito pelo frete. No entanto, ele pondera que a entidade é contra o tabelamento porque a livre concorrência e o mercado devem regular os preços, não o governo.

“O tabelamento é uma volta ao passado. O principal impacto no médio e longo prazos é o desemprego. Isso porque vai ficar caro para as empresas contratarem frete, com sério risco de dispensar os serviços dos caminhoneiros e manter uma frota própria. O consumidor também acaba sendo penalizado, e o governo não tem estrutura para fazer esta fiscalização”, disse o economista e coordenador do curso de Administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero.

ALTA DOS PREÇOS - O professor de Economia e pesquisador do Centro Mackenzie de Liberdade Econômica Pedro Raffy Vartanian pondera que a nova tabela já deve trazer impactos na inflação do próximo mês. “Deveremos ter um efeito maior na inflação, ainda rescaldo da greve, já que alguns setores levam um tempo para se recuperarem. A tabela dos preços mínimos de frete deve impactar diretamente os produtos.”

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) vai ingressar nos próximos dias com uma ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) no STF (Supremo Tribunal Federal) contra o tabelamento. Segundo a entidade, a medida é inconstitucional. Entre os motivos listados estão o desrespeito à livre iniciativa, a concorrência e os contratos firmados, o que caracteriza intervenção indevida do Estado. “O tabelamento é insustentável, porque provoca prejuízos extremamente danosos para a economia, especialmente para o setor produtivo, e para a população”, afirmou o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.

A Apas (Associação Paulista de Supermercados) também alertou sobre impactos nos preços dos estabelecimentos, já que os setores produtivo e industrial sinalizaram que a variação encarecerá as mercadorias em percentuais que podem chegar a até dois dígitos de aumento. A alta do dólar pode complicar ainda mais a situação. “Como o setor supermercadista é o último elo da cadeia de abastecimento da população, a Apas alerta que, apesar dos esforços dos supermercados em sempre buscar alternativas para oferecer melhores produtos e serviços aos consumidores, com a conjuntura apresentada será impossível segurar o repasse de preços, cujos percentuais serão ajustados a medida em que o setor receber as novas tabelas vindas dos produtores e da indústria”, informou, em nota.
 

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