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Vila Bocaina é extensão do Centro de Mauá

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Natalia Fernandjes
do Diário do Grande ABC

05/03/2012 | 07:00


Uma extensão do Centro de Mauá. Assim é vista a Vila Bocaina, área passou transformação importante nas últimas quatro décadas: bairro residencial deu lugar a comércios, clínicas, e serviços dos mais variados tipos. Apesar da perda da tranquilidade, moradores mais antigos avaliam como positivo o fato de ter serviços variados próximos de casa.

Ao circular pelo bairro de 1,5 milhão de metros quadrados é possível verificar desde bares, padarias e lojas de comércio tradicionais até novos centros de ensino, clínicas de estética e lojas de vestuário. Um dos pontos mais movimentados da região é o Hospital Nardini, referência na área da saúde para os moradores de todo o município.

Cerca de 11.893 habitantes moram na Vila Bocaina. Por lá, há uma escola municipal, a Emeja Clarice Lispector e três unidades de segurança: a Delegacia da Mulher, a Delegacia Sede e o 1° Distrito Policial.

As mudanças ocorridas nas proximidades do Hospital Nardini levaram melhorias ao local, avalia o aposentado Jorge Benedito Macedo, 69. Quando chegou ao bairro, em 1981, o movimento era cem vezes menor, segundo ele. "Meus filhos brincavam na rua e não tinha essa quantidade de lojas", destaca. Hoje, tudo o que precisa está ao seu alcance: desde padaria, mercado, farmácia, até serviços de saúde.

Quem está nas zonas mais tranquilas do bairro, caso do aposentado José Guilherme, 84, não pensa em se mudar. "Daqui só saio para o cemitério", comenta, em tom de brincadeira. Com passos lentos, ele vem ao encontro da equipe do Diário até o portão de sua casa. A porta da sala está aberta, devido ao calor, e ele convida para uma conversa.

No bate-papo, José Guilherme garante que a Vila Bocaina oferece tudo o que ele deseja atualmente: sossego. Segundo ele, que reside na mesma casa há 30 anos, trata-se de um bairro ainda tranquilo e de boa vizinhança. "Vim para Mauá quando tinha 12 anos, então tenho um carinho enorme pela cidade", comenta.

Instalado há 11 anos na Rua Almirante Tamandaré, depósito de materiais para construção já virou ponto certo para aqueles que buscam por itens como fios, lonas, canos, entre outros. "O Centro já está ficando meio saturado, então os comerciantes estão migrando para cá", avalia o proprietário do estabelecimento, Fernando Scarpini. A cada novo dia, o comerciante diz observar substituições de casas por pontos comerciais.

A clientela é variada. Segundo ele, tanto os moradores mais antigos quanto o pessoal mais novo visita o local.

Morador está adaptado ao fim da tranqüilidade

O cenário atual da Vila Bocaina nem lembra o início da vida de casado do aposentado Dorival Malavaze, 70. Há 46 anos, quando mudou-se para a Rua Regente Feijó, havia apenas cinco vizinhos e nenhuma infraestrutura. As mudanças vieram com o tempo, principalmente depois da implantação do Hospital Nardini, na década de 1980.

"A gente não tinha asfalto nem iluminação na rua e era preciso pegar água no poço", destaca o simpático morador. Em meio às orquídeas que coleciona, ele recorda-se das aventuras pelo bairro. A diversão era percorrer as chácaras em busca de frutas. O terreno onde está localizado o Nardini, por exemplo, era o ponto preferido para o "roubo de peras", segundo ele.

Após a vinda do hospital, o sossego foi embora, segundo ele. "O barulho de ambulâncias e resgates atrapalha o dia todo e até durante a madrugada", comenta. Na rua, já está difícil encontrar local para estacionar. Segundo Dorival, nem parece o mesmo lugar onde os filhos brincavam tranquilamente na infância.

No começo, passou pela cabeça colocar o imóvel à venda. Mudou de ideia logo. "Aqui a vizinhança é boa. Fizemos amigos", considera.

Quando viaja para o Interior é que Dorival percebe o quanto já se adaptou ao estilo de vida que leva atualmente. "Sinto falta da correria", brinca.

Sem opções de diversão, os idosos, recorrem ao chamado "velhódromo" - uma praça ao lado da rodoviária do município, na região Central. "Lá a gente fala mal dos políticos e fica sabendo das notícias", diz Dorival.

Desde que foi adotada pelos pais, há 29 anos, a manicure Camila Ana dos Santos mora na Vila Bocaina. Atualmente, até o emprego está localizado na mesma região. "É maravilhoso poder almoçar em casa, não gastar com transporte e ficar descansada."

Mesmo após ter se casado, não teve vontade de deixar o bairro. "Aqui ainda é possível ver crianças brincando na rua", aponta.

A partir de um sítio, o espaço urbano

A expressão ‘Bocaina' aparece nos registros oficiais de Mauá ora como sítio, ora como bairro, ora como vila. Desconhece-se o processo original. Nos que estão disponíveis, a aprovação mais antiga data de 1956.

Na verdade, Vila Bocaina é um dos mais antigos loteamentos urbanos de Mauá e do Grande ABC. Coube à empresa Pacheco, Schmidt e Victorino lotear a Vila Bocaina, em 1922. Mauá ainda se chamava Pilar.

Em 1922, a parte urbana de Mauá restringia-se aos arredores da estação ferroviária, onde ficava a pioneira Vila Morelli, do início do século. A abertura de novos loteamentos se fazia necessária. Crescia o número de operários. Havia o trabalho nas pedreiras. Surgiam as primeiras indústrias ceramistas. Crescia a produção de carvão e lenha.

Aberta em 1922, Vila Bocaina chegava a 1929 com 88 compradores de lotes já de posse de suas escrituras. Emigdio Perrella foi o primeiro a receber, seguido por Stefano Bagnara, Manoel Pedro Junior e Augusto Lotto.

Folheto guardado pela família Ferreira Branco, e datado de 1923, mostra que não havia energia elétrica no bairro, nem água encanada. Os pontos positivos destacados eram a proximidade com a estação férrea e fábricas, além do bom clima.

Pacheco, Schmidt e Victorino, depois Pacheco, Schmidt e Gonçalves lotearam, nos anos 1920, apenas parte do Sítio Bocaina. A área da empresa loteadora era muito maior. Somente décadas depois os loteadores revenderam grandes áreas não arruadas, com metragens entre 4.000 e dez mil m². Nestes espaços surgiram as Vilas Claudia, Walendy, Independência, Falchi, Guarani, Augusto, Itapark (grande parte) e Correa. (Ademir Medici)



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Vila Bocaina é extensão do Centro de Mauá

Natalia Fernandjes
do Diário do Grande ABC

05/03/2012 | 07:00


Uma extensão do Centro de Mauá. Assim é vista a Vila Bocaina, área passou transformação importante nas últimas quatro décadas: bairro residencial deu lugar a comércios, clínicas, e serviços dos mais variados tipos. Apesar da perda da tranquilidade, moradores mais antigos avaliam como positivo o fato de ter serviços variados próximos de casa.

Ao circular pelo bairro de 1,5 milhão de metros quadrados é possível verificar desde bares, padarias e lojas de comércio tradicionais até novos centros de ensino, clínicas de estética e lojas de vestuário. Um dos pontos mais movimentados da região é o Hospital Nardini, referência na área da saúde para os moradores de todo o município.

Cerca de 11.893 habitantes moram na Vila Bocaina. Por lá, há uma escola municipal, a Emeja Clarice Lispector e três unidades de segurança: a Delegacia da Mulher, a Delegacia Sede e o 1° Distrito Policial.

As mudanças ocorridas nas proximidades do Hospital Nardini levaram melhorias ao local, avalia o aposentado Jorge Benedito Macedo, 69. Quando chegou ao bairro, em 1981, o movimento era cem vezes menor, segundo ele. "Meus filhos brincavam na rua e não tinha essa quantidade de lojas", destaca. Hoje, tudo o que precisa está ao seu alcance: desde padaria, mercado, farmácia, até serviços de saúde.

Quem está nas zonas mais tranquilas do bairro, caso do aposentado José Guilherme, 84, não pensa em se mudar. "Daqui só saio para o cemitério", comenta, em tom de brincadeira. Com passos lentos, ele vem ao encontro da equipe do Diário até o portão de sua casa. A porta da sala está aberta, devido ao calor, e ele convida para uma conversa.

No bate-papo, José Guilherme garante que a Vila Bocaina oferece tudo o que ele deseja atualmente: sossego. Segundo ele, que reside na mesma casa há 30 anos, trata-se de um bairro ainda tranquilo e de boa vizinhança. "Vim para Mauá quando tinha 12 anos, então tenho um carinho enorme pela cidade", comenta.

Instalado há 11 anos na Rua Almirante Tamandaré, depósito de materiais para construção já virou ponto certo para aqueles que buscam por itens como fios, lonas, canos, entre outros. "O Centro já está ficando meio saturado, então os comerciantes estão migrando para cá", avalia o proprietário do estabelecimento, Fernando Scarpini. A cada novo dia, o comerciante diz observar substituições de casas por pontos comerciais.

A clientela é variada. Segundo ele, tanto os moradores mais antigos quanto o pessoal mais novo visita o local.

Morador está adaptado ao fim da tranqüilidade

O cenário atual da Vila Bocaina nem lembra o início da vida de casado do aposentado Dorival Malavaze, 70. Há 46 anos, quando mudou-se para a Rua Regente Feijó, havia apenas cinco vizinhos e nenhuma infraestrutura. As mudanças vieram com o tempo, principalmente depois da implantação do Hospital Nardini, na década de 1980.

"A gente não tinha asfalto nem iluminação na rua e era preciso pegar água no poço", destaca o simpático morador. Em meio às orquídeas que coleciona, ele recorda-se das aventuras pelo bairro. A diversão era percorrer as chácaras em busca de frutas. O terreno onde está localizado o Nardini, por exemplo, era o ponto preferido para o "roubo de peras", segundo ele.

Após a vinda do hospital, o sossego foi embora, segundo ele. "O barulho de ambulâncias e resgates atrapalha o dia todo e até durante a madrugada", comenta. Na rua, já está difícil encontrar local para estacionar. Segundo Dorival, nem parece o mesmo lugar onde os filhos brincavam tranquilamente na infância.

No começo, passou pela cabeça colocar o imóvel à venda. Mudou de ideia logo. "Aqui a vizinhança é boa. Fizemos amigos", considera.

Quando viaja para o Interior é que Dorival percebe o quanto já se adaptou ao estilo de vida que leva atualmente. "Sinto falta da correria", brinca.

Sem opções de diversão, os idosos, recorrem ao chamado "velhódromo" - uma praça ao lado da rodoviária do município, na região Central. "Lá a gente fala mal dos políticos e fica sabendo das notícias", diz Dorival.

Desde que foi adotada pelos pais, há 29 anos, a manicure Camila Ana dos Santos mora na Vila Bocaina. Atualmente, até o emprego está localizado na mesma região. "É maravilhoso poder almoçar em casa, não gastar com transporte e ficar descansada."

Mesmo após ter se casado, não teve vontade de deixar o bairro. "Aqui ainda é possível ver crianças brincando na rua", aponta.

A partir de um sítio, o espaço urbano

A expressão ‘Bocaina' aparece nos registros oficiais de Mauá ora como sítio, ora como bairro, ora como vila. Desconhece-se o processo original. Nos que estão disponíveis, a aprovação mais antiga data de 1956.

Na verdade, Vila Bocaina é um dos mais antigos loteamentos urbanos de Mauá e do Grande ABC. Coube à empresa Pacheco, Schmidt e Victorino lotear a Vila Bocaina, em 1922. Mauá ainda se chamava Pilar.

Em 1922, a parte urbana de Mauá restringia-se aos arredores da estação ferroviária, onde ficava a pioneira Vila Morelli, do início do século. A abertura de novos loteamentos se fazia necessária. Crescia o número de operários. Havia o trabalho nas pedreiras. Surgiam as primeiras indústrias ceramistas. Crescia a produção de carvão e lenha.

Aberta em 1922, Vila Bocaina chegava a 1929 com 88 compradores de lotes já de posse de suas escrituras. Emigdio Perrella foi o primeiro a receber, seguido por Stefano Bagnara, Manoel Pedro Junior e Augusto Lotto.

Folheto guardado pela família Ferreira Branco, e datado de 1923, mostra que não havia energia elétrica no bairro, nem água encanada. Os pontos positivos destacados eram a proximidade com a estação férrea e fábricas, além do bom clima.

Pacheco, Schmidt e Victorino, depois Pacheco, Schmidt e Gonçalves lotearam, nos anos 1920, apenas parte do Sítio Bocaina. A área da empresa loteadora era muito maior. Somente décadas depois os loteadores revenderam grandes áreas não arruadas, com metragens entre 4.000 e dez mil m². Nestes espaços surgiram as Vilas Claudia, Walendy, Independência, Falchi, Guarani, Augusto, Itapark (grande parte) e Correa. (Ademir Medici)

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