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Falso atestado de óbito custa R$ 200


Sérgio Vieira e
Eduardo Reina
Do Diário do Grande ABC

27/07/2005 | 08:27


A ação da 'Máfia do Óbito' foi comprovada na semana passada pelo Diário. Por meio de gravação e fotos, foi possível registrar como é feita a negociação, a conversa entre o funcionário e o dono da funerária, a retirada no Pronto-Socorro do documento que registra o óbito e toda a conversa com o médico que assinou a falsa declaração de óbito. Em pouco mais de uma hora, o Diário já estava com o papel em mãos. O interessante é que o "morto" em questão faleceu há quase 12 anos. Mesmo assim, foi possível fazer a negociata e conseguir a declaração sem nenhum questionamento por parte dos envolvidos.

O esquema tem início na funerária São Paulo, localizada à rua Rio Grande do Sul, bairro Santo Antônio (leia trechos da gravação nesta página). O funcionário Pedro – que se identificou como gerente – faz contato com o dono da funerária, Maurílio Teixeira Martins, ex-presidente da Câmara de São Caetano e atual diretor-superintendente do Secom (Serviços Comunitários Municipais), ligado à Prefeitura da cidade. O órgão, que tem status de secretaria, é responsável pela fiscalização das 14 funerárias e da administração dos cemitérios e velórios municipais. Na conversa, Pedro cita o nome de Maurílio duas vezes.

Antes de telefonar para o médico, porém, Pedro faz questão de informar o preço da 'consulta': R$ 200. Perguntado, o funcionário informa o nome do profissional que irá cometer a irregularidade: é o cardiologista Eduardo Agostini (foto), também ex-vereador do município. Acertado o valor, chega a hora de pôr em prática o negócio. Antes de deixar a funerária em direção ao Pronto-Socorro Municipal, onde irá retirar o documento, Pedro lembra que o pagamento deve ser feito antecipadamente. "O médico não gosta de receber direto da mão da família", revela.

No PS Municipal, na esquina das ruas Peri e Vital Brasil, Bairro Santa Paula, Pedro avisa que só médico pode retirar a Declaração de Óbito em branco . Mas, lá fora, já com o papel em mãos, insinua possível facilitação: "Não é qualquer um que pode tirar. Eu dei o nome do médico".

A declaração de óbito é assinada na casa do próprio médico, na rua Amazonas. Preenchendo o documento, o cardiologista Eduardo Agostini admite que está cometendo uma irregularidade. "Isso é um documento que, na verdade, eu não poderia preencher." E acrescenta, em tom de ameaça: "Qualquer coisa eu digo que era médico da família e que você esqueceu." Agostini também lembra que já sofreu processo por conta disso, mas que foi arquivado (leia trechos da gravação nesta página).

O documento usado pelo Diário para a compra da declaração de óbito é do aposentado Carlos Rodrigues, com o consentimento da família. Rodrigues morreu em 4 de agosto de 1993, por choque cardiogênico, infarto agudo do miocárdio, hipertensão arterial e diabetes.



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Falso atestado de óbito custa R$ 200

Sérgio Vieira e
Eduardo Reina
Do Diário do Grande ABC

27/07/2005 | 08:27


A ação da 'Máfia do Óbito' foi comprovada na semana passada pelo Diário. Por meio de gravação e fotos, foi possível registrar como é feita a negociação, a conversa entre o funcionário e o dono da funerária, a retirada no Pronto-Socorro do documento que registra o óbito e toda a conversa com o médico que assinou a falsa declaração de óbito. Em pouco mais de uma hora, o Diário já estava com o papel em mãos. O interessante é que o "morto" em questão faleceu há quase 12 anos. Mesmo assim, foi possível fazer a negociata e conseguir a declaração sem nenhum questionamento por parte dos envolvidos.

O esquema tem início na funerária São Paulo, localizada à rua Rio Grande do Sul, bairro Santo Antônio (leia trechos da gravação nesta página). O funcionário Pedro – que se identificou como gerente – faz contato com o dono da funerária, Maurílio Teixeira Martins, ex-presidente da Câmara de São Caetano e atual diretor-superintendente do Secom (Serviços Comunitários Municipais), ligado à Prefeitura da cidade. O órgão, que tem status de secretaria, é responsável pela fiscalização das 14 funerárias e da administração dos cemitérios e velórios municipais. Na conversa, Pedro cita o nome de Maurílio duas vezes.

Antes de telefonar para o médico, porém, Pedro faz questão de informar o preço da 'consulta': R$ 200. Perguntado, o funcionário informa o nome do profissional que irá cometer a irregularidade: é o cardiologista Eduardo Agostini (foto), também ex-vereador do município. Acertado o valor, chega a hora de pôr em prática o negócio. Antes de deixar a funerária em direção ao Pronto-Socorro Municipal, onde irá retirar o documento, Pedro lembra que o pagamento deve ser feito antecipadamente. "O médico não gosta de receber direto da mão da família", revela.

No PS Municipal, na esquina das ruas Peri e Vital Brasil, Bairro Santa Paula, Pedro avisa que só médico pode retirar a Declaração de Óbito em branco . Mas, lá fora, já com o papel em mãos, insinua possível facilitação: "Não é qualquer um que pode tirar. Eu dei o nome do médico".

A declaração de óbito é assinada na casa do próprio médico, na rua Amazonas. Preenchendo o documento, o cardiologista Eduardo Agostini admite que está cometendo uma irregularidade. "Isso é um documento que, na verdade, eu não poderia preencher." E acrescenta, em tom de ameaça: "Qualquer coisa eu digo que era médico da família e que você esqueceu." Agostini também lembra que já sofreu processo por conta disso, mas que foi arquivado (leia trechos da gravação nesta página).

O documento usado pelo Diário para a compra da declaração de óbito é do aposentado Carlos Rodrigues, com o consentimento da família. Rodrigues morreu em 4 de agosto de 1993, por choque cardiogênico, infarto agudo do miocárdio, hipertensão arterial e diabetes.

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