Fechar
Publicidade

Domingo, 23 de Janeiro

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

politica@dgabc.com.br | 4435-8391

Marta e Maluf trocam ataques no debate para o 2º turno


Do Diário OnLine

17/10/2000 | 01:30


As promessas de Marta Suplicy (PT) e Paulo Maluf (PPB) de discutirem apenas programas de governo no debate da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisao para o segundo turno da eleiçao em Sao Paulo, nesta segunda-feira, nao foram cumpridas. Os ataques pessoais prevaleceram, beirando o bate-boca mais atrevido em alguns momentos. Já na abertura o clima pesou e Maluf mandou a rival "ficar quietinha". Marta retrucou e mandou-o diretamente "calar a boca".

Enquanto problemas como segurança e desemprego foram vastamente explorados, temas como educaçao e especialmente transporte foram praticamente omitidos.

Uma bandeira em comum para os dois candidatos foi a luta contra a corrupçao. Marta Suplicy citou problemas de desvios de dinheiro e uso indevido de recursos públicos nas administraçoes de Maluf e Celso Pitta (PTN); já o pepebista insistiu na idéia de que "combate à corrupçao nao é virtude. É obrigaçao".

Conforme Maluf já havia adiantado, a gestao de Luiza Erundina na Prefeitura de Sao Paulo, na época pelo PT, foi base para exemplificar a suposta falta de competência da legenda administrativamente. O pepebista citou inúmeras vezes a CMTC, empresa responsável pelos ônibus durante o comando do PT, a suposta pausa nas obras públicas do prefeito anterior, Jânio Quadros, e a segurança como pontos mais deficientes do Partido dos Trabalhadores - problemas que ele julga ser capaz de resolver.

Outra idéia largamente explorada por Maluf foi agregar o PT à "baderna". Ele vinculou a legenda ao Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra e às invasoes de propriedades privadas, tachando de ilusória a tendência "light" de um partido que teria saído do vermelho para o cor-de-rosa. Ele afirmou que a debanda de indústrias do Grande ABC, especialmente o ABCD, ocorreu devido ao movimento sindical, citando a Central Unica dos Trabalhadores (CUT) como cúmplice do PT na suposta desordem que afastou investimentos privados e oportunidades de emprego da regiao.

Marta teve nas "mentiras" do candidato a sua chave-mestra durante as discussoes. Ela repetiu os insultos "mitômano" (mentiroso compulsivo) e "mentiroso contumaz", já usados durante o feriado de 12 de outubro, para mostrar que Paulo Maluf nao está mais na preferência do eleitorado paulistano. "Nefasto" foi outro termo usado por ela como forma de provocar o opositor. O ex-prefeito aproveitou para lembrar que aquela expressao foi a causa de uma indenizaçao de R$ 300 mil ganha na Justiça por calúnia e injúrias da petista.

A corrupçao foi outro forte recurso da petista para atacar o candidato rival. Ela atrelou a falta de dinheiro nos cofres públicos aos supostos desvios de capital e às gastanças "pelo ralo" em obras como pontes e viadutos. Ela chegou a afirmar "fica até cansativo ser tao repetitiva", ao culpar a corrupçao pelo estrangulamento do orçamento da Prefeitura.

A dívida que Paulo Maluf recebeu da ex-prefeita Luiza Erundina e o montante a pagar que ele deixou para o sucessor foi um dos exemplos usados por Marta em sua argumentaçao. O candidato do PPB assumiu que recebeu uma dívida de R$ 3 bilhoes e repassou para Celso Pitta as cifras na casa dos R$ 7 bilhoes, mas colocou a culpa disso no "custo financeiro" dos juros impostos pelo PSDB - partido do governador do Estado, Mário Covas, e do presidente da República, Fernando Henrique Cardoso.

Um novo "round" da luta entre Marta e Maluf ocorreu dentro do tema segurança. Um projeto de Marta na Câmara dos Deputados para reduzir a pena de presidiários que estudarem foi explorado pelo pepebista para mostrar que "enquanto a dona Marta se preocupa com o bandido, eu me preocupo com a vítima". Ela criticou a visao de Maluf para a resoluçao dos problemas sociais e alegou que pensava como uma psicóloga que quer recuperar infratores por meio da educaçao.

Barraco - Logo no primeiro bloco, o mediador, jornalista Sérgio Rondino (Rede Bandeirantes), teve muito trabalho para acalmar os ânimos de Marta e Maluf. A briga verbal chegou a tal ponto que Rondino teve de cortar os dois microfones para poder retomar o controle do debate.

O barril de pólvora estourou quando Maluf perguntou qual o projeto de Marta para evitar os problemas das chuvas na cidade. A petista voltou a citar o termo "nefasto" e o ex-prefeito contra-atacou: "a senhora é desqualificada para administrar. Acha que mentindo pode ganhar debate. A senhora já foi condenada. A senhora é uma petista que nao perdeu o jeito para calúnia e mentira. E nao responde que é minha vez. A senhora fica quietinha", afirmou enquanto a rival tentava falar. Marta Suplicy se exaltou e mandou-o "calar a boca" com truculência e nervosismo.

No quarto bloco os ânimos voltaram a se acirrar e Marta ameaçou voltar a gritar com Maluf, mas o mediador cortou os microfones e evitou novos conflitos.

Ao final do debate, ambos acharam-se vencedores a alegaram que o encontro foi bom para que os eleitores pudessem comparar os perfis e propostas de governo. Enquanto Maluf insistiu na tese de que Marta quer diminuir a pena para os bandidos e colocá-los nas ruas, ela citou as "mentiras" do rival como uma impossibilidade de manter o nível da campanha.



Quer receber em primeira mão as notícias das sete cidades do Grande ABC?

Entre no nosso grupo de WhatsApp. 
Clique aqui.
 

Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;