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Um noite nos bastidores do ‘CQC’


Dojival Filho
Do Diário do Grande ABC

04/05/2008 | 07:02


Quem disse que comédia não rima com informação e autenticidade ainda não assistiu ao CQC (Custe o Que Custar), humorístico transmitido ao vivo pela Rede Bandeirantes, às segundas-feiras, a partir das 22h15, e reprisado às quartas, às 23h45. No ar há cerca de um mês, a atração comandada pelo jornalista Marcelo Tas e pelos comediantes Rafinha Bastos e Marco Luque utiliza apenas a inteligência, o sarcasmo e a absoluta ‘cara-de-pau’ de seus ‘repórteres’ para questionar políticos e celebridades do mundo artístico.

O formato do programa, que registra audiência média de 3 pontos (com picos de 5 pontos), foi importado da empresa argentina Eyeworks-Cuatro Cabezas. Há versões bem-sucedidas na Itália, no Chile e na Espanha.

A reportagem do Diário conferiu os bastidores do programa no último dia 28, e conversou com o trio de apresentadores. Apesar do intenso trabalho da equipe de apoio – formada por cerca de 40 profissionais, entre produtores, cinegrafistas e assistentes técnicos –, o clima é de total descontração, diante das câmeras e atrás delas.

Camarim - Os apresentadores chegaram à emissora por volta das 18h30. Reunidos no camarim, eles repassaram o roteiro e trocaram opiniões sobre as matérias. “No programa de hoje tem uma reportagem supertensa. Vou falar sobre uma máfia de cemitérios em Brasília”, comenta Bastos, responsável pelo quadro Proteste Já, em que exige soluções por parte das autoridades para mazelas que afligem a população.

Ex-repórter da rede de TV gaúcha RBS, ele se fantasiou de defunto e foi até o Distrito Federal para investigar uma empresa que detém o monopólio na administração de seis cemitérios. Em outra ocasião, denunciou as condições precárias de quem vive às margens da Represa Billings, poluída pelo esgoto. Para mostrar a extensão do problema, levou uma amostra da água contaminada pelo esgoto ao superintendente de comunicação da empresa.

“Na RBS cobria assuntos como enchente e buraco de rua”, relembra Bastos. Essa mesma ousadia não falta aos ‘repórteres’ que completam o grupo: Oscar Filho, Rafael Cortez, Felipe Andreoli e o andreense Danilo Gentili.

Congresso Nacional - Tanta audácia já começou a criar sérios transtornos para a trupe. “Estamos proibidos de entrar no Congresso Nacional. A gente esteve lá em um evento dos sindicatos, veio a polícia e mandou a nossa equipe embora. Parecia coisa da ditadura militar”, comenta Tas.

O comunicador se tornou conhecido nos anos 1980, quando interpretou o personagem Ernesto Varela, um destemido repórter que pode ser considerado uma espécie de precursor do estilo abusado de Gentili. Tas não se preocupa com as analogias feitas pela imprensa entre o CQC e o Pânico na TV, exibido pela Rede TV!.

Segundo ele, uma das diferenças básicas entre as duas atrações é o fato de que, em seu programa, a tarefa de informar é tão importante quanto a de fazer rir. “Essas comparações são normais porque o Brasil nunca teve um CQC. Com o tempo, as pessoas verão as diferenças. O programa tem um peso jornalístico e os artistas, quando aparecem, querem se mostrar inteligentes, simpáticos. Nós também não mostramos mulheres de biquíni”, destaca Tas.

Intervalos - Mestres da stand-up comedy – gênero em que o humorista se apresenta sem caracterização e munido apenas de um microfone –, Bastos e Luque fazem um show à parte nos intervalos do CQC. A todo instante, animam a platéia – formada por cerca de 50 universitários – e improvisam piadas impublicáveis sobre o tamanho dos órgãos sexuais de cada um. “Vamos nos divertir!”, grita Bastos para o público.

Antes do início de cada bloco do programa – que tem, aproximadamente, uma hora e meia de duração –, os apresentadores, vestidos com indefectíveis ternos pretos, retocam a maquiagem.

No final da gravação, jovens cochicham e fazem fila para ter um minuto da atenção de Tas. No meio do burburinho, ouve-se uma moça comentar: “Lembro-me de quando ele fazia o Professor Tibúrcio no Castelo Rá-Tim-Bum”, diz, sem disfarçar a excitação. Ao que vem a resposta de um garoto: “Nossa, faz muito tempo isso. Ele já deve ter mais de 50 anos, mas nem parece”.


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Um noite nos bastidores do ‘CQC’

Dojival Filho
Do Diário do Grande ABC

04/05/2008 | 07:02


Quem disse que comédia não rima com informação e autenticidade ainda não assistiu ao CQC (Custe o Que Custar), humorístico transmitido ao vivo pela Rede Bandeirantes, às segundas-feiras, a partir das 22h15, e reprisado às quartas, às 23h45. No ar há cerca de um mês, a atração comandada pelo jornalista Marcelo Tas e pelos comediantes Rafinha Bastos e Marco Luque utiliza apenas a inteligência, o sarcasmo e a absoluta ‘cara-de-pau’ de seus ‘repórteres’ para questionar políticos e celebridades do mundo artístico.

O formato do programa, que registra audiência média de 3 pontos (com picos de 5 pontos), foi importado da empresa argentina Eyeworks-Cuatro Cabezas. Há versões bem-sucedidas na Itália, no Chile e na Espanha.

A reportagem do Diário conferiu os bastidores do programa no último dia 28, e conversou com o trio de apresentadores. Apesar do intenso trabalho da equipe de apoio – formada por cerca de 40 profissionais, entre produtores, cinegrafistas e assistentes técnicos –, o clima é de total descontração, diante das câmeras e atrás delas.

Camarim - Os apresentadores chegaram à emissora por volta das 18h30. Reunidos no camarim, eles repassaram o roteiro e trocaram opiniões sobre as matérias. “No programa de hoje tem uma reportagem supertensa. Vou falar sobre uma máfia de cemitérios em Brasília”, comenta Bastos, responsável pelo quadro Proteste Já, em que exige soluções por parte das autoridades para mazelas que afligem a população.

Ex-repórter da rede de TV gaúcha RBS, ele se fantasiou de defunto e foi até o Distrito Federal para investigar uma empresa que detém o monopólio na administração de seis cemitérios. Em outra ocasião, denunciou as condições precárias de quem vive às margens da Represa Billings, poluída pelo esgoto. Para mostrar a extensão do problema, levou uma amostra da água contaminada pelo esgoto ao superintendente de comunicação da empresa.

“Na RBS cobria assuntos como enchente e buraco de rua”, relembra Bastos. Essa mesma ousadia não falta aos ‘repórteres’ que completam o grupo: Oscar Filho, Rafael Cortez, Felipe Andreoli e o andreense Danilo Gentili.

Congresso Nacional - Tanta audácia já começou a criar sérios transtornos para a trupe. “Estamos proibidos de entrar no Congresso Nacional. A gente esteve lá em um evento dos sindicatos, veio a polícia e mandou a nossa equipe embora. Parecia coisa da ditadura militar”, comenta Tas.

O comunicador se tornou conhecido nos anos 1980, quando interpretou o personagem Ernesto Varela, um destemido repórter que pode ser considerado uma espécie de precursor do estilo abusado de Gentili. Tas não se preocupa com as analogias feitas pela imprensa entre o CQC e o Pânico na TV, exibido pela Rede TV!.

Segundo ele, uma das diferenças básicas entre as duas atrações é o fato de que, em seu programa, a tarefa de informar é tão importante quanto a de fazer rir. “Essas comparações são normais porque o Brasil nunca teve um CQC. Com o tempo, as pessoas verão as diferenças. O programa tem um peso jornalístico e os artistas, quando aparecem, querem se mostrar inteligentes, simpáticos. Nós também não mostramos mulheres de biquíni”, destaca Tas.

Intervalos - Mestres da stand-up comedy – gênero em que o humorista se apresenta sem caracterização e munido apenas de um microfone –, Bastos e Luque fazem um show à parte nos intervalos do CQC. A todo instante, animam a platéia – formada por cerca de 50 universitários – e improvisam piadas impublicáveis sobre o tamanho dos órgãos sexuais de cada um. “Vamos nos divertir!”, grita Bastos para o público.

Antes do início de cada bloco do programa – que tem, aproximadamente, uma hora e meia de duração –, os apresentadores, vestidos com indefectíveis ternos pretos, retocam a maquiagem.

No final da gravação, jovens cochicham e fazem fila para ter um minuto da atenção de Tas. No meio do burburinho, ouve-se uma moça comentar: “Lembro-me de quando ele fazia o Professor Tibúrcio no Castelo Rá-Tim-Bum”, diz, sem disfarçar a excitação. Ao que vem a resposta de um garoto: “Nossa, faz muito tempo isso. Ele já deve ter mais de 50 anos, mas nem parece”.

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