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Dança e vibração


Luís Felipe Soares
Especial para o Diário

29/05/2008 | 07:01


Dar fim ao preconceito e capacitar os deficientes auditivos por meio da dança. Esse é o objetivo do Integrarte - Corpo de Dança de São Bernardo, grupo composto de uma mescla de bailarinos ouvintes e outros com deficiência auditiva.

Eles se apresentam gratuitamente quinta-feira, às 20h, no Teatro Cacilda Becker, como atração do projeto Quintas Especiais, da Secretaria de Educação e Cultura de São Bernardo, que visa a integração e apoio às pessoas com deficiências.

O espetáculo será composto pela coreografia Impressões de Um Passeio de Bonde, inspirada na carreira e na vida do artista ítalo-brasileiro Alfredo Volpi, e por um mix de passos que misturam gêneros e estilos de dança.

Heterogêneo - O Integrarte chama a atenção pela sua competência artística e por conter um elenco de bailarinos bem heterogêneo. Além de contar com pessoas de diferentes idades e classes sociais, o fato de ser composto por deficientes chama bastante a atenção do público.

"O pessoal sempre pergunta e quer saber quem são os surdos. Esse é o grande trunfo do grupo", diz Geisa Minzoni Dias, coordenadora do corpo de dança.

O trabalho com os deficientes auditivos é feito de uma maneira diferente. A começar pelo local de ensaio, que contêm uma sala especial com caixas acústicas postadas sob o piso de madeira, facilitando a percepção dos sons através das vibrações no corpo. Outro desafio é a integração entre os participantes. "É um aprendizado trabalhar com eles. Quando eu entrei tinha uma visão diferente, você tem dó. Hoje não tenho dó não", brinca a professora de dança de salão Ana Verônica Dias.

Outra participante é Talita da Silva Gomes, bailarina há mais de dois anos e que tem resíduo auditivo do ouvido direito. "Eu via o pessoal dançando e queria aprender. Uma amiga minha, que também faz parte do grupo, me chamou e eu me interessei", diz. Para ela, e para os outros membros deficientes, a métrica musical é o maior desafio, já que cada estilo tem um andamento diferente. "O mais difícil é pegar a contagem da música. Apesar do street ser mais trabalhoso de fazer, o flamenco é mais complicado para pegar a marcação", explica.

Foi com a ajuda de Talita que o Diário pode conversar com o bailarino Diogo Aparecido Maria, surdo desde que nasceu. Aos 18 anos, o rapaz sonha em se tornar professor. "Eu quero dar aula, de dança ou não. Eu gosto de ensinar", revela. Ele já dá seus primeiros passos aproveitando as aulas que o grupo promove aos finais de semana para os alunos do Centro Municipal de Apoio ao Portador de Deficiência Visual Nice Tonhozi Saraiva.

Sobre a relação entre um professor surdo com alunos cegos, Diogo diz que "não tem problema. No começo é difícil dar aulas para os cegos, mas é até mais gostoso. A gente aprende bastante".

O Integrarte ensaia de segunda a sexta, das 13h30 às 17h30, na Escola Municipal de Arte e Educação Integrada (Rua Doutor Flaquer, 824, São Bernardo. Tel.: 4121-4591). Os interessados em participar devem se inscrever no local e aguardar uma vaga. Todos os participantes devem estar estudando e são contratados como estagiários, sendo que recebem uma bolsa-auxílio da Prefeitura da cidade. (Supervisão de Melina Dias)



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Dança e vibração

Luís Felipe Soares
Especial para o Diário

29/05/2008 | 07:01


Dar fim ao preconceito e capacitar os deficientes auditivos por meio da dança. Esse é o objetivo do Integrarte - Corpo de Dança de São Bernardo, grupo composto de uma mescla de bailarinos ouvintes e outros com deficiência auditiva.

Eles se apresentam gratuitamente quinta-feira, às 20h, no Teatro Cacilda Becker, como atração do projeto Quintas Especiais, da Secretaria de Educação e Cultura de São Bernardo, que visa a integração e apoio às pessoas com deficiências.

O espetáculo será composto pela coreografia Impressões de Um Passeio de Bonde, inspirada na carreira e na vida do artista ítalo-brasileiro Alfredo Volpi, e por um mix de passos que misturam gêneros e estilos de dança.

Heterogêneo - O Integrarte chama a atenção pela sua competência artística e por conter um elenco de bailarinos bem heterogêneo. Além de contar com pessoas de diferentes idades e classes sociais, o fato de ser composto por deficientes chama bastante a atenção do público.

"O pessoal sempre pergunta e quer saber quem são os surdos. Esse é o grande trunfo do grupo", diz Geisa Minzoni Dias, coordenadora do corpo de dança.

O trabalho com os deficientes auditivos é feito de uma maneira diferente. A começar pelo local de ensaio, que contêm uma sala especial com caixas acústicas postadas sob o piso de madeira, facilitando a percepção dos sons através das vibrações no corpo. Outro desafio é a integração entre os participantes. "É um aprendizado trabalhar com eles. Quando eu entrei tinha uma visão diferente, você tem dó. Hoje não tenho dó não", brinca a professora de dança de salão Ana Verônica Dias.

Outra participante é Talita da Silva Gomes, bailarina há mais de dois anos e que tem resíduo auditivo do ouvido direito. "Eu via o pessoal dançando e queria aprender. Uma amiga minha, que também faz parte do grupo, me chamou e eu me interessei", diz. Para ela, e para os outros membros deficientes, a métrica musical é o maior desafio, já que cada estilo tem um andamento diferente. "O mais difícil é pegar a contagem da música. Apesar do street ser mais trabalhoso de fazer, o flamenco é mais complicado para pegar a marcação", explica.

Foi com a ajuda de Talita que o Diário pode conversar com o bailarino Diogo Aparecido Maria, surdo desde que nasceu. Aos 18 anos, o rapaz sonha em se tornar professor. "Eu quero dar aula, de dança ou não. Eu gosto de ensinar", revela. Ele já dá seus primeiros passos aproveitando as aulas que o grupo promove aos finais de semana para os alunos do Centro Municipal de Apoio ao Portador de Deficiência Visual Nice Tonhozi Saraiva.

Sobre a relação entre um professor surdo com alunos cegos, Diogo diz que "não tem problema. No começo é difícil dar aulas para os cegos, mas é até mais gostoso. A gente aprende bastante".

O Integrarte ensaia de segunda a sexta, das 13h30 às 17h30, na Escola Municipal de Arte e Educação Integrada (Rua Doutor Flaquer, 824, São Bernardo. Tel.: 4121-4591). Os interessados em participar devem se inscrever no local e aguardar uma vaga. Todos os participantes devem estar estudando e são contratados como estagiários, sendo que recebem uma bolsa-auxílio da Prefeitura da cidade. (Supervisão de Melina Dias)

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