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GP do Brasil, Interlagos e seus feitiços


Dérek Bittencourt
Do Diário do Grande ABC

15/11/2015 | 07:00


 O ronco dos motores já não é estridente e arrepiante como era até alguns anos atrás, a disputa entre as primeiras colocações ficam restritas a poucas equipes, as máquinas importam – muitas vezes – mais do que a habilidade dos pilotos em si, mas a Fórmula 1 continua sendo um grande espetáculo. E muito querida pelos brasileiros. As arquibancadas lotadas do autódromo de Interlagos para este fim de semana de Grande Prêmio do Brasil comprovam isso. E me fazem lembrar da minha primeira experiência naquele templo do automobilismo mundial.

A memória é falha para precisar com certeza o ano, como também para dizer quem venceu aquela prova. Se não estou enganado, foi em 1996 e – uma busca rápida na enciclopédia me ajuda – teve o triunfo de Damon Hill, da Williams, com Jean Alesi em segundo e Michael Schumacher completando o pódio. Mas para um menino de 7 anos, não era bem isso o que importava.

Compramos ingresso para a arquibancada “G”, o mais barato, onde se reúne o pessoal mais ‘festeiro’. Arrumar a mochila com capa de chuva e protetor solar – Interlagos sempre foi imprevisível – para sair logo cedo de São Bernardo com meu pai e alguns amigos foi o primeiro passo. O deslocamento até a Zona Sul de São Paulo é longo, mesmo de carro. E como milhares de fanáticos por velocidade recorrem ao mesmo meio de transporte, as avenidas e ruas que chegam ao local logo ficavam congestionadas. Estacionamos longe e seguimos a pé. Eu com a camiseta do Senninha, personagem infantil criado em homenagem ao ídolo Ayrton Senna, observava a tudo e a todos. Incrível.

Depois de encarar uma fila, adentramos ao autódromo e nos dirigimos à arquibancada, ainda com alguns degraus disponíveis, mas já bastante ocupada. Apesar do ‘machismo’ absoluto, ainda lembro claramente de como era a reação dos homens quando uma mulher surgia em busca de um lugar para sentar. Acompanhada ou não, gerava série de assobios, aplausos, gritos. Para mim, novidade. E ver os caras fazendo xixi no copo, para não perder o espaço conquistado? Algo surreal!

Quando o primeiro carro rasgou a reta oposta a toda velocidade e reduziu bem na minha frente para contornar a curva do lago, desobedeci às ordens do meu pai e retirei os protetores auriculares. Aquele som entrou pelos meus ouvidos e tomou conta de mim. Foi como um batismo. Dali em diante, oficialmente o automobilismo estava em mim. Como segue até hoje.

Voltei em outros dois anos para assistir ao GP do Brasil, destas vezes na arquibancada “A”, que fica na reta de largada e chegada. E junto de milhares, gritei a plenos pulmões e vibrei a cada passagem de Barrichello a bordo da Ferrari. A vitória não veio para o brasileiro, mas ela seguia sendo o menos importante naquele cenário. Ao menos para mim, enfeitiçado por Interlagos.



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GP do Brasil, Interlagos e seus feitiços

Dérek Bittencourt
Do Diário do Grande ABC

15/11/2015 | 07:00


 O ronco dos motores já não é estridente e arrepiante como era até alguns anos atrás, a disputa entre as primeiras colocações ficam restritas a poucas equipes, as máquinas importam – muitas vezes – mais do que a habilidade dos pilotos em si, mas a Fórmula 1 continua sendo um grande espetáculo. E muito querida pelos brasileiros. As arquibancadas lotadas do autódromo de Interlagos para este fim de semana de Grande Prêmio do Brasil comprovam isso. E me fazem lembrar da minha primeira experiência naquele templo do automobilismo mundial.

A memória é falha para precisar com certeza o ano, como também para dizer quem venceu aquela prova. Se não estou enganado, foi em 1996 e – uma busca rápida na enciclopédia me ajuda – teve o triunfo de Damon Hill, da Williams, com Jean Alesi em segundo e Michael Schumacher completando o pódio. Mas para um menino de 7 anos, não era bem isso o que importava.

Compramos ingresso para a arquibancada “G”, o mais barato, onde se reúne o pessoal mais ‘festeiro’. Arrumar a mochila com capa de chuva e protetor solar – Interlagos sempre foi imprevisível – para sair logo cedo de São Bernardo com meu pai e alguns amigos foi o primeiro passo. O deslocamento até a Zona Sul de São Paulo é longo, mesmo de carro. E como milhares de fanáticos por velocidade recorrem ao mesmo meio de transporte, as avenidas e ruas que chegam ao local logo ficavam congestionadas. Estacionamos longe e seguimos a pé. Eu com a camiseta do Senninha, personagem infantil criado em homenagem ao ídolo Ayrton Senna, observava a tudo e a todos. Incrível.

Depois de encarar uma fila, adentramos ao autódromo e nos dirigimos à arquibancada, ainda com alguns degraus disponíveis, mas já bastante ocupada. Apesar do ‘machismo’ absoluto, ainda lembro claramente de como era a reação dos homens quando uma mulher surgia em busca de um lugar para sentar. Acompanhada ou não, gerava série de assobios, aplausos, gritos. Para mim, novidade. E ver os caras fazendo xixi no copo, para não perder o espaço conquistado? Algo surreal!

Quando o primeiro carro rasgou a reta oposta a toda velocidade e reduziu bem na minha frente para contornar a curva do lago, desobedeci às ordens do meu pai e retirei os protetores auriculares. Aquele som entrou pelos meus ouvidos e tomou conta de mim. Foi como um batismo. Dali em diante, oficialmente o automobilismo estava em mim. Como segue até hoje.

Voltei em outros dois anos para assistir ao GP do Brasil, destas vezes na arquibancada “A”, que fica na reta de largada e chegada. E junto de milhares, gritei a plenos pulmões e vibrei a cada passagem de Barrichello a bordo da Ferrari. A vitória não veio para o brasileiro, mas ela seguia sendo o menos importante naquele cenário. Ao menos para mim, enfeitiçado por Interlagos.

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